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Boletim Verde & AmareloNúmero 44
30 de Março / 2007
Confira neste número:
  1. Introdução
  2. Páscoa e Carnaval
  3. Vocabulário:
  4. Pensando em Português

  Esta é uma publicação eletrônica gratuita idealizada pelo Instituto de Português Verde & Amarelo tel. 4325-0932 / 4393-0645), dirigida a alunos, clientes e amigos. Tem como objetivo ampliar o contato entre aquelas pessoas que de uma ou outra forma se interessam pelo Brasil ou que desejam receber informações diversas em Português.



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1. Introdução

O período entre o Carnaval e a Páscoa, conhecido como Quaresma - tempo de reflexão para muitas pessoas - faz com que nos perguntemos: por que estas duas festas ocorrem em datas móveis? Jesus Cristo ressuscita cada ano em um dia diferente? Qual a relação entre uma festa pagã e outra cristã? Quem é o responsável pelas constantes mudanças de datas?

Desta vez a culpa não é dos governantes, nem das agências de turismo, que sabem com antecipação as datas dos feriados. Apesar de o Carnaval ser uma festa “do jeito que o diabo gosta”, foram as igrejas cristãs que determinaram os dias de comemoração. Existe uma fórmula matemática para calcular a Páscoa, e a partir daí, determinar o Carnaval e o dia de Corpus Christi, que no Brasil está entre os feriados nacionais.

Encontramos alguns sites na internet que fazem o cálculo e vamos mostrar o resultado dessa conta que foi feita há vários anos. Para facilitar o planejamento de viagens futuras anexamos, abaixo, um calendário de 2007 a 2020, que destaca o Carnaval, a Semana Santa e o feriado de Corpus Christi. Que tal  se programar para assistir a um desfile de Carnaval no Rio de Janeiro? Esse é outro papo... não é mesmo?
FELIZ PÁSCOA!
Professora Fátima Córdova

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2. Páscoa e Carnaval

Segundo o site www.astro.if.ufrgs.br/pascoa.htm: “O dia da Páscoa cristã, que marca a ressurreição de Cristo, de acordo com o decreto do papa Gregório XIII (Ugo Boncampagni, 1502-1585), Inter Gravíssimas em 24.02.1582, seguindo o primeiro concílio de Nicéia de 325 d. C., convocado pelo imperador romano Constantino, é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 de março (equinócio de outono no hemisfério sul).

Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas, que, sem levar totalmente em conta o movimento complexo da Lua, podia ser calculada facilmente, e está próxima da lua real. A Quarta-feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa e, portanto, a Terça-feira de Carnaval, 47 dias antes da Páscoa.”

Já a página www.on.br informa que: “Por ser um dia de festa, faz-se no primeiro domingo após a Páscoa judia (Jesus entrou em Jerusalém na Páscoa judia (Pesach), para aí festejar a Última Ceia, ser preso, crucificado na Paixão e ressuscitado quando a Igreja denominou a Páscoa cristã). Para calcular essa data, portanto, é preciso, antes, calcular a Páscoa judia, que é baseada no cálculo do calendário judeu, que é luni-solar.

A reforma do calendário cristão, promovido pelo papa Gregório II em 1582 estabeleceu que a Páscoa é,  calculada como o primeiro domingo depois da Lua Cheia após o equinócio vernal. Essa determinação decorre do cálculo da Páscoa judia. Mas há complicações porque os clérigos do século XVI decidiram que a Páscoa não devia passar de 25 de abril e não devia ser antes de 20 de março.”

E o site www.antares.com.br usa outra forma, mas chega ao mesmo resultado. Diz que, “o cálculo da data do carnaval  se realiza por motivo do dia da Páscoa. Ele ocorre sempre sete domingos antes do Domingo de Páscoa. Como a Páscoa também é uma festividade com data móvel, para calculá-la devemos basicamente, observar o seguinte acontecimento: o primeiro domingo de lua cheia após o dia 21 de março, época em que ocorre o equinócio de março e conseqüentemente a mudança de estação”.

De acordo com o site, “a Páscoa é uma festa de origens dos pastores nômades da época pré-mosaica e que perdurou por anos entre diversos povos, principalmente, os das regiões frias do hemisfério norte. Os povos se reuniam em comemoração da chegada da primavera com os dias mais quentes e o fim das longas noites de inverno. Para eles, eram época de iniciar o trabalho com a terra para o plantio”.

E conclui: “os povos aproveitavam as primeiras noites claras de lua cheia para saudar a nova estação em forma de festa. Mais tarde, o povo hebreu também passou a comemorar a sua histórica saída do Egito e posteriormente os cristãos passaram a comemorar a ressurreição de Cristo nesta mesma data.”

No meu giro pela internet encontrei ainda, um texto, em espanhol, de Tere Vallés, no site www.pormaria.com.ar, sobre o surgimento das festas cristãs. O texto também faz referência às festas pagãs. Com todo respeito ao autor, transcrevo-o depois de traduzi-lo.
... “As festas cristãs surgiram paulatinamente através dos séculos. E nasceram de um desejo da Igreja Católica de aprofundar os diversos momentos da vida de Cristo. Iniciou com a festa do Domingo de Páscoa, logo se uniu Pentecostes e, com o tempo, outras mais. Os missioneiros, ao evangelizar, foram introduzindo as festas cristãs tratando de dar um sentido diferente às festas pagãs do local em que se encontravam. Podemos compará-lo com uma pessoa que recebe um presente dentro de um embrulho bonito, que guarda-o e utiliza-o posteriormente para embrulhar e dar outro presente. A Igreja tomou de algumas festas pagãs as formas externas e deu um conteúdo novo, o verdadeiro sentido cristão”, segundo o texto.

E prossegue, “A primeira festa que se celebrou foi a de Domingo. Depois, com a Páscoa como única festa anual, se dedicou a festejar o nascimento de Cristo no solstício de inverno, dia em que em muitas localidades pagãs celebravam o renascimento do sol. Em lugar de festejar o “Sol da Justiça”, se passou a festejar o Deus Criador. Assim, pouco a pouco se foi formando o Ano Litúrgico com uma série de festas solenes, alegres, de reflexão ou de penitência”, assinala.

“O Ano Litúrgico se fixa a partir do ciclo lunar, ou seja, não se restringe ao ano do calendário. A festa mais importante dos católicos, a Semana Santa, coincide com a festa da Páscoa Judia, o Pesach, mesma que se realiza quando há Lua Cheia. Acredita-se que, na noite em que o povo judeu fugiu do Egito, havia Lua Cheia, o que permitiu prescindir de lâmpadas para que os soldados do faraó não os descobrissem.
A Igreja fixa seu Ano Litúrgico a partir da Lua Cheia que se apresenta entre o mês de março ou de abril. Por tanto, quando Jesus celebrou a Última Ceia com seus discípulos, respeitando a tradição judia de celebrar a Páscoa - o movimento do local escolhido através do Mar Vermelho até a terra prometida - devia ter sido numa noite de Lua Cheia. Feito que se repete cada Quinta-feira Santa”, conclui Vallés.

Para os cristãos, a Páscoa representa a ressurreição de Cristo, três dias depois de sua morte na cruz. Para os judeus, que não reconhecem a figura de Cristo, a comemoração ocorre durante a semana seguinte à da Páscoa cristã.

Fim do mistério - Tantas informações parecem nos levar ao “caminho mais curto para a escuridão plena”. Não se assuste. São apenas maneiras diferentes de dizer que a Semana Santa sempre vai ocorrer entre 22 de março e 25 de abril. Em vez dessa ginástica toda seria melhor dizer logo que, a Páscoa é celebrada sempre no domingo seguinte à primeira lua cheia que ocorre depois do dia 21 de março.

A partir da Páscoa, então, determinam-se outras datas móveis: a Terça-feira de Carnaval (ponto facultativo no Brasil), que ocorrerá sempre 47 dias antes da Páscoa e o Corpus Christi, 60 dias depois. Ufa! Haja fôlego para tanta matemática.

Façamos um teste com o calendário deste ano (2007). A primeira Lua Cheia, depois de 21 de março, ocorre no dia 2 de abril. E o primeiro domingo após a Lua Cheia é 8 de abril: a Páscoa. Agora, vamos fazer a conta para trás, tomando como base o domingo. O 47° dia foi a Terça-feira (dia 20) de Carnaval. Vamos calcular também o feriado (no Brasil) de Corpus Christi deste ano, contando 60 dias para frente. O resultado? Sete de junho, quinta-feira.

A seguir a tabela para os anos de 2007 a 2020, extraída do site www.igeducacao.ig.com.br

ANO 20.. PÁSCOA CARNAVAL C.CHRISTI
07 8/4 20/2 7/6
08 23/3 5/2 22/5
09 12/4 24/2 11/6
10 4/4 16/2 3/6
11 24/4 8/3 23/6
12 8/4 21/2 7/6
13 31/3 12/2 30/5
14 20/4 4/3 19/6
15 5/4 17/2 4/6
16 27/3 9/2 26/5
17 16/4 28/2 15/6
18 1/4 13/2 31/5
19 21/4 5/3 20/6
20  12/4 25/2 11/6

 

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3. Vocabulário:

Que tal -  É o mesmo que, “o que você acha?”.

Papo - Conversa descontraída.

Concílio - Assembléia de prelados católicos em que se tratam assuntos dogmáticos, doutrinários ou disciplinares

Equinócio - Ponto da órbita da Terra em que se registra uma igual duração do dia e da noite, o que sucede nos dias 21 de março e 23 de setembro.

Clérigo - Aquele que pertence à classe eclesiástica.

Nômades - Diz-se das tribos ou povos errantes, sem habitação fixa que se deslocam constantemente em busca de alimentos, pastagens, etc.

Pré-mosaica - Relativo ou pertencente ao profeta e legislador bíblico Moisés, personagem do Velho Testamento, ou próprio dele.

Giro - Volta, circuito, rotação, revolução.

Embrulhar - Envolver em papel, pano, etc., formando pacote, volume ou maço; empacotar;

Solstício - Época em que o Sol passa pela sua maior declinação boreal ou austral, e durante a qual cessa de afastar-se do equador

Escuridão - Falta de luz; trevas, escuridade, escuro, ausência de conhecimento, ignorância.

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4. Pensando em Português

 Do livro “O dia-a-dia da nossa língua”, do professor Pasquale Cipro Neto, destacamos um exercício com conjugação e emprego de verbos. Antes apresentamos, do mesmo professor, algumas dicas para usarmos os verbos “Haver” e “Existir”.
Já sabemos - mas não custa repetir - que o verbo “haver” tem vários significados e que não deve ser usado no plural, quando empregado com o sentido de “existir, ocorrer e acontecer”.
Exemplos:
Há muitas pessoas interessadas na casa;
Haverá muitas festas durante o mês.
Vale recordar ainda que o verbo “haver” também deve ficar no singfular quando for sinônimo de “fazer”, na indicação de tempo transcorrido, de intervalo entre dois fatos.
Exemplos:
Isso aconteceu há duas semanas;
Não a vejo há dois meses.
Verbo Haver / Presente do Indicativo
Eu hei
Ele há
Nós havemos (ou hemos)
Eles hão

Vamos ao exercício:

Preencha as frases a seguir com as formas adequadas dos verbos “haver” e “existir”

  1. _____________ / _______________ muitas pessoas na sala.(pretérito imperfeito do indicativo)
  2. Se não _____________ / ________________ tantas dificuldades, ela certamente conseguiria atingir o objetivo. (pretérito imperfeito do subjuntivo)
  3. Parece que _____________ / ______________ outras formas de resolver o exercício. (presente do indicativo)
  4. O advogado estava tranqüilo porque ______________ / _____________ provas a favor de seu cliente. (pretérito imperfeito do indicativo)
  5. Se ______________ / ______________ manifestações populares, as reformas sociais viriam. (pretérito imperfeito do subjuntivo)
  6. Caso ____________ / ______________ alguns obstáculos pelo caminho, não desista. (presente do subjuntivo)
  7. ______________/ _____________ graves problemas sociais no país.               (futuro do presente do indicativo)
  8. Agora ____________ / ____________ mais facilidades para a importação no Brasil. (presente do indicativo)

Respuestas

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