5 de outubro / 2006
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Esta é uma publicação eletrônica
gratuita idealizada pelo Instituto de Português Verde
& Amarelo tel. 4325-0932 / 4393-0645), dirigida a alunos,
clientes e amigos. Tem como objetivo ampliar o contato entre
aquelas pessoas que de uma ou outra forma se interessam
pelo Brasil ou que desejam receber informações
diversas em Português. |
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1. Introdução
Pela professora Fátima Córdova
Chegou ao Brasil, há um século, o primeiro fluxo imigratório do Japão para trabalhar nas fazendas de café, principalmente as localizadas no estado de São Paulo. Por volta de 1930, novas levas de japoneses aportaram ao país e passaram a se dedicar à produção de hortifrutigranjeiros nos mais diversos estados.
Quem pensa que eles enfocaram só a agricultura para trabalhar, engana-se. Os japoneses no Brasil se destacaram nas artes, na culinária, na política, na biotecnologia e no cinema, como a grande cineasta Tizuka Yamasaki que dirigiu, entre outros, o filme "Gaijin", onde conta a história da saga dos japoneses em território brasileiro.
E agora quem vai contar para nós um pouco da história deste povo tão trabalhador é a professora Carolina Nojima, nascida no Brasil, filha de pai japonês e mãe brasileira. Brasileiríssima, Carolina adora samba, feijão e sabe cantar as músicas de Zeca Pagodinho. Também sabe apreciar o bom sushi, o sashimi e o chá verde.
Professora Fátima Córdova
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2. O Japão no Brasil
Pela professora Carolina Nojima
Este boletim se dedicará a um assunto que desperta a curiosidade e o interesse de muitos argentinos e brasileiros: a imigração dos japoneses no Brasil. Assim como a Argentina recebeu milhares de imigrantes, o Brasil também abriu suas portas para estrangeiros, principalmente após a Primeira Guerra Mundial. Eles vieram de muito longe, do outro lado do mundo, provindo de uma cultura muito diferente. O Brasil é o país latino-americano que mais recebeu imigrantes japoneses. Atualmente vivem mais de 1.500.000 pessoas de ascendência japonesa no Brasil. Os nikkeis* (descendentes) estão presentes em todos os setores da sociedade brasileira, destacando-se em atividades diversas, das artes à política. Mas por que eles vieram parar num país com tantas diferenças culturais do seu país de origem? Que sonhos e expectativas traziam consigo?
Com o fim do Período Feudal no Japão, muitos japoneses ficaram sem trabalho. O governo japonês decidiu então incentivar a saída do país de seus cidadãos e aliviar a crise demográfica pela qual atravessava. No Brasil, crescia a economia cafeeira e o país necessitava de mão-de-obra para trabalhar nas fazendas. Assim sendo, em 18 de maio de 1908, o navio Kassato Maru aportou em mares brasileiros trazendo os primeiros japoneses. Eram 165 famílias, que foram trabalhar nos cafezais do oeste paulista. Cerca de 85% dos imigrantes, que se dedicaram as plantações de café no interior de São Paulo e no norte do Paraná, tinham a pretensão de enriquecer no Brasil e retornar para o país de origem.
Os japoneses chegaram com o desejo de tornarem-se agricultores independentes. Entretanto, a expectativa do Brasil era a de dispor de mais trabalhadores agrícolas para suprir a sua falta, o que gerava conflitos na relação. Os primeiros grupos encontraram em terras brasileiras cultura, hábitos alimentares, religião, roupas, clima e paisagens completamente diferentes daquelas a que estavam acostumados no Japão. A adaptação foi bastante sofrida e a grande maioria dos imigrantes tentaram de todas as maneiras retornar. Havia, no entanto, um contrato com o governo brasileiro e os fazendeiros, e os japoneses tiveram que permanecer trabalhando nas lavouras de café.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, os japoneses foram proibidos de imigrar para os Estados Unidos, e eram maltratados na Austrália e no Canadá. Assim, o Brasil tornou-se um dos poucos países no mundo a aceitar imigrantes do Japão. A política brasileira começou a ser mais rígida por meados da década de 1930 influenciada por movimentos nacionalistas provindos da Europa. Começou-se então a limitar a quantidade de imigrantes. Após o início da guerra do Pacífico em 1941, o Brasil descartou relações diplomáticas com o Japão.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os japoneses que resolveram instalar-se no Brasil dedicaram-se à educação dos seus filhos. Assim, os nisseis* e sanseis* foram às universidades, especializaram-se e muitos conquistaram postos e trabalhos importantes, além de serem reconhecidos como trabalhadores honestos e esforçados.
Os imigrantes japoneses e seus filhos nascidos no Brasil permaneceram fechados dentro da comunidade durante algumas décadas. Aos poucos, com muita luta, disciplina e trabalho, ganharam a confiança e a admiração dos brasileiros e de seus governantes. No campo e até mesmo nas cidades, eles se agruparam em bairros como a Liberdade, na cidade de São Paulo, onde formaram colônias que recriam o ambiente que deixaram no Japão. Essa situação de isolamento começou a se modificar a partir da terceira geração nascida no Brasil. Esse fenômeno nasceu entre os netos de japoneses que não mais se sentiam japoneses, pois eram criados dentro da cultura do Brasil e desejavam pertencer definitivamente ao Brasil.
A vinda destes imigrantes tão afastados acrescentou ao Brasil novos costumes e valores. Na culinária deixou presença marcante com seus sabores suaves e exóticos e a perfeita combinação entre a estética visual, a nutrição e o sabor. Nas artes trouxe o ikebana (arranjo de flores), o origami (dobraduras de papel), a cerimônia do chá. Mas a maior contribuição foi mesmo no âmbito dos valores, que incluem a paciência, a aceitação das coisas como elas são, a humildade, a disciplina e a honestidade.
O Brasil é uma mistura de raças, um caldeirão de culturas que se misturaram e hoje em dia os japoneses dessa geração que vivem no Brasil dançam samba, comem feijão, sabem cantar as músicas de Zeca Pagodinho. E os brazucas? Bem, os brasileiros também comem muito sushi e sashimi, tomam chá verde, compram e lêem revistas de desenho japonês (mangás) e cada vez mais as pessoas se interessam pela cultura oriental, pelo budismo e por sua filosofia. É por isso que o nosso Brasil é tão lindo, com suas raças e misturas, suas cores e seus matizes. Saionará! E até a próxima!
Vocabulário:
Imigrar: Entrar num país estranho para viver nele.
Emigrar: Deixar um país para estabelecer-se em outro
Nikkeis: Descendente de japoneses
Sanseis: Terceira geração de japoneses (netos).
Nisseis: Segunda geração de japoneses (filhos).
Isseis: Japoneses que imigraram a outro país.
Ascendência: Série de gerações anteriores a um indivíduo e dos quais ele provém.
Referências: "Kaigai ni Yuhi Shita Fukuoka Kenjin Koryushi"(Dai-4-kai Kaigai Fukuoka-kenjinkai sekai taikai jikko iinkai, 2001)
"Nikkei Brazil Iminshi"(Yukiharu Takahashi, Sanichi Shobo, 1993)
MUSEU HISTÓRICO DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL
http://www.nihonsite.com/muse/index.cfm
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3. Pensando em Português®
Como nascem as gírias?
Muita gente se pergunta como nascem as gírias.
As formas são muitas:
1- neologismos, novas palavras com a lógica da língua, seja pela morfologia ou fonética; 2- metaplasmos-designação a todas as figuras que acrescentam, suprimem, ou permutam fonemas nas palavras. 3- bordões, jargões, refrões, chavões, clichês, gritos de guerra, palavras de ordem, etc. 4- Palavrões 5- ditados, ditos e expressões populares, frases feitas, frases de efeito 6- modismos induzidos, especialmente na tevê, um bordão que vira modismo 7- modismos tecnificados, especialmente na publicidade, uma frase, um slogan, uma palavra de ordem que vira modismo 8- regionalismo, caipirismo 9- vícios de linguagem, barbarismos, solecismos 10- palavras inventadas 11- duplo significado (na etimologia, uma coisa. Na gíria, outra.) 12- inclusão ou supressão de letras e sílabas 13- preguiça de se pronunciar a palavra por inteiro 14- simplificação da linguagem.
Gírias então são palavras ou construções de uso corrente entre grupos sociais diferenciados, não raro marginais, e só nestes grupos. A gíria é um fenômeno antropológico. Nos grupos que a praticam, a gíria desempenha uma função especial: é a senha da confraria. Serve como marca de um grupo. Como via de regra, esses grupos são marginais na sociedade e assumem postura de afronta aos valores da maioria, a gíria torna-se estigmatizada. É obrigatória e apreciada no seio do grupo. Fora dele é rejeitada. A mesma segregação que a sociedade reserva ao grupo, reserva também à gíria do grupo. A gíria não é léxico por dois motivos: primeiro porque não é praticada e nem aceita por toda a comunidade da língua. Segundo: sua permanência é duvidosa, embora seja comum a gíria ser assimilada pela sociedade, quando o grupo que a pratica conquista aceitação ou ao menos tolerância. Nesses casos, a gíria se converte em léxico. Fonte de pesquisa: - 300 ANOS DE GÍRIA, mostrando o desenvolvimento da gíria na Língua Portuguesa nos últimos 300 anos, e apresentando os marcos gírios, no Brasil e em Portugal, prof. JB Serra e Gurgel. www.cruiser.com.br
Exercício:
Qual é o significado ou o sinônimo das gírias sublinhadas nas sentenças abaixo?
Relacione as colunas, de acordo a seus significados.
1. Acho que a Claudinha está vacilando no trabalho.
2. Eles estão cansados, porque certamente zoaram toda a noite.
3. Eu não vi muito bem porque já tinha escurecido, só lembro que ela levava um bagulho na mão.
4. Ele provocou tanto, que acabou levando uma porrada.
5. Como Aninha não tinha estudado nada, começou a encher lingüiça na prova.
6. Achei o seu carro da hora, pena que eu não possa comprar um assim!
7. Era uma mocréia quando a conheci.
8. Esse moleque não pára de encher o meu saco!
9. Ela vende é muita muamba! Melhor ver bem antes de comprar.
10. Enquanto estive de férias, aproveitei para dar duro e ficar bem sarado.
11. Mandei ele ficar na moral, que assim seria melhor para todos.
12. Quando começou a bagunça, todos vazaram rapidinho.
13. Essa discussão vai acabar em treta!
14. Que massa esse celular!
15. Essa manhã aproveitei para dar um rolê.
16. Não sei se me expliquei bem, você tá ligado?
17. Depois do trabalho sempre nos juntamos para uma pelada.
18. Esta camisa está zerinho!
19. Já fazia vinte minutos que ele não chegava, pensei que tinha dado bolo.
20. Joana fica tirando onda.
21. Fiquei de cara com o que você fez.
22. Você está abafando com essa roupa!
( ) entende?
( ) qualquer objeto
( ) enrolar, enganar
( ) Perplexo, admirado, surpreso
( ) Menino de pouca idade / Enfadar, aborrecer, amolar.
( ) contrabando ou coisas roubadas
( ) legal, ótimo, perfeito, excelente
( ) mulher feia, vulgar
( ) ir embora, sair
( ) curtir, gozar, desfrutar, deleitar-se
( ) belo, bacana.
( ) ficar quieto
( ) terminar em confusão
( ) oscilar, duvidar ou afrouxar
( ) passear
( ) trabalhar muito / musculoso, forte, rijo, resistente
( ) nova, sem uso
( ) cortejar, galantear
( ) uma pancada, golpe, bordoada
( ) fazendo sucesso
( ) Jogo de futebol ligeiro, sem importância, em geral entre garotos ou amadores, e que se realiza em campo improvisado.
( ) Deixar de comparecer
Respuestas
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