1. Introdução
Velho, eu ?
Pela professora paulista Anamaria Bacci
Oi pessoal, tudo bem? Mais uma vez estamos aqui pra esquentar a cabecinha de vocês com um novo tema, dessa vez pra refletir... Mas antes vamos ver uma questão técnica, gramatical: Quantas vezes a gente já explicou que dizer “ele é mais velho do que eu” ou “meu irmão mais velho vem me visitar” não é ofensa nem significa que eles estão acabados, mofados*, quase morrendo? Isso é normal na língua portuguesa. Nós não podemos dizer “meu irmão maior” ou “Sabrina é dois anos menor que eu”. Como dois anos menor? Ela poderia ser 2 centímetros menor, afinal Maior e Menor são usados para designar o tamanho das coisas e pessoas. Certo? Bem, então, quando você quiser dizer que ela tem mais ou menos anos (idade) que você, diga Mais velha ou Mais nova. Então tá combinado. Agora vamos ao que interessa.
Falando de velhos e jovens (ou novos), pensemos um pouco na situação dos idosos do nosso país, da nossa cidade, da nossa família.
Alguém disse com certa ironia: "No Brasil, os anciãos de amanhã serão os meninos de rua de hoje".
Por isso, a Campanha da Fraternidade deste ano no Brasil quer chamar a atenção do Governo e da sociedade para a grave situação dos idosos.
O tema da Campanha se justifica porque, conforme o último censo do IBGE*, as pessoas idosas no Brasil, em 2000, atingiram* cerca de 8,6% da população, o que equivale a 15 milhões de pessoas. Para os próximos 20 anos, a previsão é de que os brasileiros idosos serão de 15% do total da população.
O aumento da expectativa de vida no Brasil se deve, entre outros fatores, ao progresso da ciência, a melhores condições sociais e econômicas e, por que não dizer, ao rígido controle demográfico que tem levado à diminuição da taxa de fecundidade nos últimos anos. Daí uma expressão usada para definir o Brasil de hoje: "um país jovem de cabelos brancos".
Seria bom que a longevidade fosse acompanhada de melhor qualidade de vida para os idosos. No Brasil, porém, a média de vida é de cerca de 68 anos, e a média de idade com qualidade de vida é de 60 anos.
Além disso, o abandono do idoso no Brasil se evidencia na precariedade dos serviços e programas sociais e de saúde para os anciãos, particularmente para os de baixa renda.
No modelo econômico que supervaloriza o lucro, a produtividade, o consumo, a eficiência, o idoso é considerado freqüentemente um inútil, um peso para a sociedade, um improdutivo. Daí o desprezo e o desrespeito à sua dignidade.
Pensemos um pouco sobre isso e vejamos até que ponto nós mesmos não estamos sendo preconceituosos, marginalizando nossos velhinhos. Ou melhor, nossos idosos, porque a velhice está na cabeça e não na quantidade de anos que cada um de nós tem!
Até o próximo Boletim!
Vocabulário
Mofado: coberto de mofo (bolor, ranço). Criar mofo: ficar velho
IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Atingir: verbo. Alcançar, conseguir, obter, acertar, abranger.
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