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2. Lusofonia: uma língua, um sentimento
Andrea Samaniego
Nos artigos anteriores determinamos a lusofonia e os lugares no mundo onde se fala português.
Existem inumeráveis regiões onde o português tem influência. Existe também regiões onde o número de lusófonos é importante apesar de não ser a língua oficial. As receitas que vou apresentar a seguir correspondem exclusivamente a países lusófonos.
Como no exemplo da língua Portuguesa, a presença portuguesa nos países conquistados, também se manifestou na alimentação.
Neste espaço somos, portanto, todos convidados a dar a conhecer aquilo a que nos atrevemos a chamar de sabores lusófonos.
Procurar encontrar influências de outros povos e culturas, encontrar explicações para o uso de certos pratos em determinadas cerimônias e festas pode ser também uma forma interessante de enriquecer este espaço.
O que se pretende é viajar ao ritmo dos sabores lusófonos, para maior conhecimento cultural da comunidade lusófona.
Receitas de países
Brasil:
RABADA CARIOCA
Receita para 10/12 pessoas - depende do tamanho das rabadas Ingredientes: 4 rabadas* água fervente 2 colheres de sopa de sal (ou sal grosso) pimenta do reino a gosto 1 cabeça grande de alho 2 cebolas grandes 5 molhos de agrião*
Limpar a rabada retirando o excesso de gordura e a pele (membrana) que a envolve. Temperá-la com alho, pimenta do reino e sal. Levá-la ao fogo pingando água fervente e mexendo sempre, até que solte o caldo. Quando estiver dourada, colocar bastante água e deixar que cozinhe até que fique bem cozida (a rabada deve estar soltando do osso ao final, portanto deve cozinhar bastante tempo...). Separar o caldo da rabada e levá-lo ao freezer. Quando a gordura talhar (endurecer), retire-a com um colher e jogue fora. Descongele o caldo, acrescente a rabada, adiciona-se a cebola picadinha refogada, cheiro verde e o agrião (reservar um pouco de agrião para misturar à rabada na hora de servir. Servir com arroz, purê de batatas ou polenta. * Rabada : rabo de boi * Agrião: (em espanhol berro)
Macau (Regime Administrativo Especial)
HAP-SOUN Ingredientes: 1 colher de sopa de fécula de batata 500 grs de carne de pato sal a gosto 3 colheres de sopa de azeite ou óleo 1 cebola 10 grs de gengibre ralado 3 colheres de sopa de molho de soja 1 dente de alho 1 alface* Depois do pato limpo e lavado, corta-se em pedaços muito pequenos. Tempera-se com o gengibre ralado, 1 colher de sopa de óleo, sal e o alho amassado. Deixe-o neste tempero, para tomar gosto, por aproximadamente 1 hora. Ponha o wok (o wok é um tacho largo com fundo côncavo) no fogo com o restante do óleo (2 colheres) e a cebola picada para fritar em fogo alto, agitando sempre o wok ( se você não tiver o wok, não tem problema, pode usar uma frigideira* grande). Ponha a carne de pato, o molho de soja e a fécula de batata desfeita em um pouco de água. Deixe-o cozinhar agitando sempre o wok por 3 minutos. Numa travessa coloque folhas de alface bem lavadas e enxutas. Em outra a carne. Para degustar retire um pouco de pato e enrole-o numa folha de alface * frigideira : em espanhol sartén * alface : em espanhol lechuga
Moçambique:
CARIL DE AMENDOIM (MURHU WA MARHUMANA) Apresentação: O Caril de Amendoim é um dos pratos típicos de Moçambique, sobretudo da parte Sul (Maputo, Gaza e Inhambane). É desta última província que vem o hábito de juntar coco neste prato. Apesar do nome, o prato não leva nenhum pó de caril. Para os moçambicanos, caril é o molho, o líquido, que se junta ao arroz ou creme de milho. O prato é muito apreciado pelo seu sabor pouco acentuado, embora possa ser enjoativo quando se exagera na quantidade do amendoim (por ser gorduroso) ou do coco. O caril de amendoim é um bom prato, como todos os pratos africanos, para acompanhar com uma boa pinga*.
Ingredientes: Amendoim* seco e cru Cebola Sal Carne de vaca Coco ralado (opcional) Tomate (fresco ou em polpa)
Tradicionalmente, na África, não há medidas para a comida. Quem cozinha, conta sempre com mais alguém. É, por isso, difícil indicar com precisão as quantidades dos ingredientes, tendo em conta o número de comensais*. Para uma primeira experiência, basta meio quilo de amendoim, uma cebola grande, meio quilo de carne e sal a gosto.
Moa o amendoim (para quem tem pilão) e, de seguida, amasse-o com o tomate. Um vez moído, o amendoim é colocado num recipiente suficientemente grande, onde se põe água bem quente. Numa panela, corte cebola em rodelas. Se quiser juntar o coco ralado, coloque-o também num recipiente (ou no mesmo onde colocou o amendoim moído) e despeje água bem quente. O amendoim é passado por um coador*, extraindo-lhe o leite (o resto jogue fora). Proceda da mesma forma com o coco. Junte o leite do amendoim e do coco na panela com a cebola e ponha no fogo juntamente com a carne, previamente cortada em pedaços. Comece a mexer com uma concha*, em movimentos contínuos de cima para baixo. Proceda assim até o líquido ferver, o que pode demorar mais de 30 minutos. Tempere com sal a seu gosto. Acompanha-se com arroz ou com creme de milho.
Advertência: Se deixar de mexer acontecerá das duas uma - ou a água separa-se do amendoim e este não cozinha ou, ao começar a ferver, o leite de amendoim derramará da panela.
* comensal: Cada um daqueles que comem juntos. * alguidar: Vaso de barro ou de metal, baixo, em forma de tronco de cone invertido. * amendoim: em espanhol mani * coador: em espanhol colador * concha: ôpa! Não é o que vocês estão pensando... em espanhol: cucharón * pinga: Bebida alcoólica, sobretudo aguardente
Conclusão: Pelas receitas concluímos que os portugueses levaram ao mundo não apenas o idioma mas também seus costumes culinários. A realidade de cada lugar gerou sua própria receita, usando principalmente o peixe e os doces bem docinhos. Bom apetite!
Bibliografia:
http://www.gastronomias.com http://www.portugal-linha.pt/sabores http://www.terravista.pt/Enseada/1347 http://www.geocities.com/casa_de_portugal/cultura.htm http://www.sas.upenn.edu/African_Studies/Cookbook/Zanzibar.html http://gastronomia.oninet.pt/receita/receita.asp?codReceita=1783
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