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Boletim Verde & AmareloNúmero 30
3 de agosto / 2004
Confira neste número:
  1. Introdução
  2. História do Samba
  3. Pensando em Português®

  Esta é uma publicação eletrônica gratuita idealizada pelo Instituto de Português Verde & Amarelo tel. 4325-0932 / 4393-0645), dirigida a alunos, clientes e amigos. Tem como objetivo ampliar o contato entre aquelas pessoas que de uma ou outra forma se interessam pelo Brasil ou que desejam receber informações diversas em Português.



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1. Introdução
Oi meus queridos!

Neste boletim vamos falar do samba!!!! E para provar que nem só de trabalho vive o paulista, a professora Jaqueline Rizzo, nascida e criada em São Paulo, escreveu um artigo onde nos conta um pouquinho da história e origem do samba. E como boa curiosa, fui pesquisar no bom e velho amigo dicionário Aurélio a origem da palavra samba. E olha só o que encontrei: Samba : [Do quimb. Semba, "umbigada", do umbundo samba, "estar animado, estar excitado", ou do luba e outras línguas bantas, samba, "pular, saltar com alegria". Na coluna Pensando em Português,  a professora Gisele Roldan está nos explicando os verbos "Ver e Vir". Mesmo quem pensa que é o sabe-tudo* dos verbos, deve conferir porque é comum pipocar* umas dúvidas desse tipo na sala de aula.
Bom gente, agora é só colocar uma roupinha nova e sair cantando como o compositor Noel Rosa:

om que roupa que eu vou?
Pro samba que você me convidou
Com que roupa eu vou?
Pro samba que você me convidou

Grande beijo!!!!!!!!
Professora Ana Paula Guide Ferreira

Glossário
Sabe-tudo: sabichão, que é grande sábio.
Pipocar: Surgir ou aparecer de repente.

Glossário
Sabe-tudo: sabichão, que é grande sábio.
Pipocar: Surgir ou aparecer de repente.

 

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2. História do Samba
Professora Jaqueline Rizzo

Conhecido em todo o mundo pelos famosos carnavais do Rio de Janeiro e, mais recentemente, de Salvador, Recife e Olinda, o samba, enquanto expressão musical, tornou-se um símbolo do Brasil. Samba é dança popular e gênero musical derivado de ritmos e melodias de raízes africanas, como o lundu* e o batuque*. A coreografia é acompanhada de música em compasso binário* e ritmo sincopado*. Tradicionalmente, é tocado por cordas (cavaquinho e violão) e variados instrumentos de percussão. Por influência das orquestras americanas em voga a partir da segunda guerra mundial, passaram a ser utilizados também instrumentos como trombones e trompetes e, por influência do choro, flauta e clarineta. Apesar de mais conhecido atualmente como expressão musical urbana carioca, o samba existe em todo o Brasil sob a forma de diversos ritmos e danças populares regionais que se originaram do batuque. Manifesta-se especialmente no Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Como gênero musical urbano, o samba nasceu e desenvolveu-se no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX. Em sua origem, uma forma de dança, acompanhada de pequenas frases melódicas e refrões de criação anônima, foi divulgado pelos negros que migraram da Bahia na segunda metade do século XIX e instalaram-se nos bairros cariocas da Saúde e da Gamboa. A dança incorporou outros gêneros cultivados na cidade, como polca*, maxixe*, lundu, xote*, etc., e originou o samba carioca urbano e carnavalesco. Surgiu nessa época o partido alto, expressão coloquial que designava alta qualidade e conhecimento especial, cultivado apenas por antigos conhecedores das formas antigas do samba. Em 1917 foi gravado, em disco, o primeiro samba, "Pelo Telefone", de autoria reivindicada por Donga (Ernesto dos Santos). A propriedade musical gerou brigas e disputas, pois habitualmente a composição se fazia por um processo coletivo e anônimo. "Pelo Telefone", por exemplo, teria sido criado numa roda de partido alto, da qual participavam também Mauro de Almeida, Sinhô e outros. A comercialização fez com que um samba passasse a pertencer a quem o registrasse primeiro. O novo ritmo firmou-se no mercado fonográfico e, a partir da inauguração do rádio em 1922, chegou às casas da classe média. Os grandes compositores do período inicial foram Sinhô (José Barbosa da Silva), Caninha (José Luís Morais), Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana) e João da Baiana (João Machado Guedes). Variações surgiram no final da década de 1920 e começo da década de 1930: o samba-enredo, criado sobre um tema histórico ou outro previamente escolhido pelos dirigentes da escola para servir de enredo ao desfile no carnaval; o samba-choro, de maior complexidade melódica e harmônica, derivado do choro instrumental; e o samba-canção, de melodia elaborada, temática sentimental e andamento lento, que teve como primeiro grande sucesso Ai, ioiô, de Henrique Vogeler, Marques Porto e Luís Peixoto, gravado em 1929 pela cantora Araci Cortes. Também nessa fase nasceu o samba dos blocos carnavalescos dos bairros do Estácio e Osvaldo Cruz, e dos morros da Mangueira, Salgueiro e São Carlos, com inovações rítmicas que ainda perduram. Nessa transição, ligada ao surgimento das escolas de samba, destacaram-se os compositores Ismael Silva, Nilton Bastos, Cartola (Angenor de Oliveira) e Heitor dos Prazeres. Em 1933, este último lançou o samba "Eu Choro" e o termo "breque" (do inglês break, então popularizado com referência ao freio instantâneo dos novos automóveis), que designava uma parada brusca durante a música para que o cantor fizesse uma intervenção falada. O samba de breque atingiu toda sua força cômica nas interpretações de Moreira da Silva, cantor ainda ativo na década de 1990, que imortalizou a figura maliciosa do sambista malandro*. O samba-canção, também conhecido como samba de meio do ano, conheceu o apogeu nas décadas de 1930 e 1940. Seus mais famosos compositores foram Noel Rosa, Ari Barroso, Lamartine Babo, Braguinha (João de Barro) e Ataulfo Alves. "Aquarela do Brasil", de Ari Barroso, gravada por Francisco Alves em 1939, foi o primeiro sucesso do gênero samba-exaltação, de melodia extensa e versos patrióticos. A partir de meados da década de 1940 e ao longo da década de 1950, o samba sofreu nova influência de ritmos latinos e americanos: surgiu o samba de gafieira*, mais propriamente uma forma de tocar - geralmente instrumental, influenciada pelas orquestras americanas, adequada para danças aos pares praticadas em salões públicos, gafieiras e cabarés - do que um novo gênero. Em meados da década de 1950, os músicos dessas orquestras profissionais incorporaram elementos da música americana e criaram o sambalanço. O partido alto ressurgiu entre os compositores das escolas de samba dos morros cariocas, já não mais ligado à dança, mas sob a forma de improvisações cantadas feitas individualmente, alternadas com estribilhos* conhecidos cantados pela assistência. Destacaram-se os compositores João de Barro, Dorival Caymmi, Lúcio Alves, Ataulfo Alves, Herivelto Martins, Wilson Batista e Geraldo Pereira. Com a bossa nova, que surgiu no final da década de 1950, o samba afastou-se ainda mais de suas raízes populares. A influência do jazz aprofundou-se e foram incorporadas técnicas musicais eruditas. O movimento, que nasceu na zona sul do Rio de Janeiro, modificou a acentuação rítmica original e inaugurou um estilo diferente de cantar, intimista* e suave. A partir de um festival no Carnegie Hall de Nova York, em 1962, a bossa nova alcançou sucesso mundial. O retorno à batida tradicional do samba ocorreu no final da década de 1960 e ao longo da década de 1970 e foi brilhantemente defendido por Chico Buarque de Holanda, Billy Blanco e Paulinho da Viola e pelos veteranos Zé Kéti, Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia e Martinho da Vila. Na década de 1980, o samba consolidou sua posição no mercado fonográfico e compositores urbanos da nova geração ousaram novas combinações, como o paulista Itamar Assunção, que incorporou a batida do samba ao funk e ao reggae em seu trabalho de cunho experimental. O pagode, que apresenta características do choro e um andamento de fácil execução para os dançarinos, encheu os salões e tornou-se um fenômeno comercial na década de 1990.

Modalidades de Samba

Samba-canção
Modalidade de samba que valoriza a melodia, em geral de caráter romântico. Surgido na década de 1920 nos teatros de revista, tornou-se um dos principais gêneros populares brasileiros.

Samba-choro
Composição resultante da fusão de elementos rítmicos e da formação instrumental do samba e do choro, surgida na década de 1930.

Samba de breque
Tipo de samba criado na cidade do Rio de Janeiro, no início da década de 1930, e no qual o cantor dá uma ou mais paradas súbitas (breques) a fim de encaixar frases faladas, de caráter humorístico.

Samba de gafieira
Modalidade de samba de ritmo sincopado feito para dançar. Desenvolvido a partir da década de 1940 pelas orquestras de salões de bailes públicos.

Samba-enredo
Composição feita especialmente para o desfile das escolas de samba no carnaval, na qual se descreve o tema escolhido.

Samba-exaltação
Composição de melodia extensa, com letra de inspiração patriótica. Gênero lançado em 1939 com o sucesso de "Aquarela do Brasil", de Ari Barroso.

Samba de partido alto
Gênero de samba muito próximo do batuque africano e cultivado na cidade do Rio de Janeiro desde o fim do séc. XIX por grupos de negros já urbanizados. É dança de umbigada, com ritmo marcado por palmas, prato de cozinha raspado com faca, chocalho e outros instrumentos de percussão, e, às vezes, acompanhada pelo violão e pelo cavaquinho.

Fonte: www.geocities.yahoo.com.br/raizesdosamba/Pgi.htm

Glossário

Lundu: Dos meados do séc. XIX em diante, canção solista, influenciada pelo lirismo da modinha e freqüentemente de caráter cômico.

Batuque: Designação comum a certas danças africanas e brasileiras acompanhadas de cantigas e de instrumentos de percussão.

Binário: Que tem duas unidades, dois elementos´.

Sincopado: Som articulado sobre um tempo fraco ou parte fraca de um tempo, prolongado ou prolongada sobre o tempo forte ou a parte forte do tempo seguinte.

Polca: Dança da Boêmia [ v. boêmio (1) ] , em compasso binário e andamento alegro, muito em voga nos meados do séc. XIX

Maxixe: Dança urbana originária da cidade do Rio de Janeiro. Era em compasso binário simples, andamento rápido, e caracterizavam-na requebros de quadris, voltas, quedas e movimentos de rosca (parafusos), acompanhados de passos convencionados ou improvisados pelos dançarinos. 
Xote: Antiga dança de salão, talvez proveniente da Hungria, em compasso binário ou quaternário, e cujos passos se aproximam dos da polca.

Malandro: Indivíduo esperto, vivo, astuto, matreiro

Gafieira: Estabelecimento comercial com pista e orquestra, onde se dança aos pares.

Estribilho: Verso(s) repetido(s) no fim de cada estrofe de uma composição; refrão.

Intimista: Gênero poético em que se procura exprimir sentimentos íntimos e, por outro lado, o sentido das coisas simples. 

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3. Pensando em Português®
Professora Gisele Roldan

Verbos Ver e Vir

Os verbos ver e vir geram muita confusão. Não tanto pelo significado mas pela conjugação que, em alguns tempos, é bem parecida. Vamos estudar os seus significados e as conjugações.

Verbo VER

Conhecer ou perceber pela visão, olhar para; contemplar
Todos os dias eu vejo as flores da cidade.

Ser espectador ou testemunha de; assistir a; presenciar.
A menina viu o garoto que estava paquerando, beijando outra.

Percorrer; viajar; visitar.
Vi a minha terra de longe.

Encontrar-se, avistar-se com.
Eu a vi na saída do restaurante.

Reconhecer, compreender, perceber.
João viu que não poderia viver sem Maria.

Prestar serviços médicos a; examinar.
O médico foi ver o paciente que estava muito mal.

Observar, notar, perceber.
Pelo que vejo, não nos reuniremos hoje.

Deduzir, concluir.
Pelos resultados, vejo que seu trabalho é muito eficiente.

Imaginar, fantasiar.
Ele sempre vê problemas onde não há.

Tomar cuidado em; atentar em; reparar em.
Chegando à festa, veja bem como vai se comportar.

Estudar, ler.
Não teve tempo para ver o livro antes da prova.

Visitar.
Viajei para ver meus amigos.

Achar-se, encontrar-se (em algum estado, condição, situação).
Joana viu-se em uma situação sem solução.

Conjugação
Presente Indicativo: vejo, vê, vemos, vêem
Pretérito Imperfeito: via, via, víamos, viam
Pretérito Perfeito: vi, viu, vimos, viram
Futuro do Presente: verei, verá, veremos, verão
Futuro do Pretérito: veria, veria, veríamos, veriam
Presente do subjuntivo: veja, veja, vejamos, vejam
Imperfeito do subjuntivo: visse, visse, víssemos, vissem
Futuro do Subjuntivo: vir,vir,virmos,virem
Gerúndio: vendo
Particípio: visto.

Verbo VIR

Transportar-se de um lugar (para aquele em que estamos).
Veio para cá de metrô.

Regressar, voltar, chegar.
Vim do Brasil de avião.

Proceder, provir, resultar
Este livro veio do Japão.

Derivar, provir, resultar
A paciência vem do amor.

Coincidir, convir
O frio veio com o inverno.

Caminhar, andar
O homem vinha correndo.

Apresentar-se, comparecer.
Meu chefe me ligou pedindo que eu viesse trabalhar no sábado!

Conjugação
Presente Indicativo: venho, vem, vimos, vêm
Pretérito Imperfeito: vinha, vinha, vínhamos, vinham
Pretérito Perfeito: vim, veio, viemos, vieram
Futuro do Presente: virei, virá, viremos, virão
Futuro do Pretérito: viria, viria, viríamos, viriam
Presente do subjuntivo: venha, venha, venhamos, venham
Imperfeito do subjuntivo: viesse, viesse, viéssemos, viessem
Futuro do Subjuntivo: vier, vier, viermos, vierem
Gerúndio: vindo
Particípio: vindo

Bom, agora é só completar os exercícios com o verbo adequado:

1) Eu ....................... você andando pela praia todo os dias.
2) Ele ..........................ontem na sua casa, mas você não estava.
3) Quando nos éramos crianças.................televisão todas as tardes.
4) Ele ...............sua namorada conversando com um homem na rua.
5) Eles .................aqui todos os dias jogar futebol.
6) Eu................... trabalhar todos os dias.
7) Eu .................. no clube na semana passada, porém estava fechado.
8) Eles................. o Presidente Lula jantando com sua família.
9) Ele ..................mais ao Rio de Janeiro quando era solteiro.
10) Durante toda a minha infância ................... ao clube brincar com os amigos

Respostas: http://www.verdeamarelo.com.ar/gramatica_online.asp

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