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2. FESTAS JUNINAS
Professora Maíra Lima Feitosa
Estamos no mês de junho!!! Um mês muito esperado no nordeste do Brasil, já que aqui se celebra de maneira única, como em nenhum outro lugar do planeta, as festas de São João, São Pedro e Santo Antônio. É um mês festivo e lhes contarei alguns detalhes interessantes para que vocês conheçam um pouquinho mais dessas festas.
Origens
Todos os povos primitivos, especialmente os europeus e os do Oriente Médio atribuíam os fenômenos naturais a fatores mágico-religiosos. Por isso desenvolveram ritos propiciatórios, que se realizavam nestas datas, a fim de obterem a boa vontade das divindades, que eles acreditavam serem responsáveis por tais fenômenos e, assim, alcançar sucesso em seus trabalhos agrícolas.
Os Santos
No período do ciclo chamado junino ou joanino, por ser o mês do nascimento de São João, as comemorações acontecem nos dias da morte de Santo Antonio, 13, e São Pedro, 29, e do nascimento de São João, 24.
Antônio é padroeiro dos pobres, invocado para achar objetos perdidos e promover casamentos e para reforçar ainda mais o clima romântico e namoradeiro* que ronda Santo Antônio, o dia 12, véspera de sua data comemorativa, é dia dos namorados.
Como ficou viúvo, São Pedro acabou tornando-se o protetor das viúvas*. Popularmente, ele é conhecido como o “chaveiro do céu”.
A Música
Xote*, baião*, coco*, xaxado* e ciranda* são ritmos típicos do período junino no nordeste, além do forró* que é tocado durante todo o ano nesta região.
Vestuário
Quanto à roupa, a caipira* usa vestido, que pode ser longo, médio ou curto, mas deve ser colorido ou estampado, enfeitado de rendas e fitas, ter mangas bufantes*, saia rodadas, babados. Chapéu de palha* e maquiagem caprichada arrematam a produção.
Os rapazes vestem calças de tecido encorpado (jeans ou brim, podendo também ser de couro), camisas de xadrez, lenços no pescoço, chapéu de palha, colete e botas.
Comidas e Pratos Típicos
Canjica*, pamonha*, milho assado e cozido, pé-de-moleque*, munguzá*. Este sexteto compõe o cardápio básico da mesa junina. Todas estas comidas são a base de milho, que são plantados no dia 19 de março (dia de São José) para serem consumidos em junho.
Os Fogos
Acender fogueiras, soltar rojões* e busca-pés*, disparar bacamartes* são brincadeiras típicas desta época, mas é verdade que a cultura de soltar fogos arrefeceu devido, sobretudo, a quantidade de acidentes graves que decorreram do seu manuseio.
A Festa Hoje
O São João das últimas décadas se tornou uma festa eminentemente urbana, espetacular e comercial como ocorre com quase todas as festas do calendário anual no Brasil.
Caruaru, em Pernambuco e Campina Grande, na Paraíba são duas cidades nordestinas que se destacam pelos seus festejos nesta época do ano. Nelas, são inúmeras as inovações e existem algumas semelhanças com o carnaval; as bandas de forró cantam em cima do trio elétrico enquanto a multidão dança no chão ao lado do trio. A festa dura 24horas, durante todo o mês de junho e com mais intensidade entre o 13 e o 29 do referido mês (entre Santo Antonio e São Pedro). A importância dessa festa pode ser avaliada pelo número de nordestinos e turistas que escolhem essa época do ano para sair de férias e participar dos festejos juninos. E agora que vocês já sabem tudo de festa junina é só arrumar as malas e desembarcar em Pernambuco. Garanto que vocês vão dançar um forró arretado* de bom!!!!!
Glossário
- namoradeiro: Que namora, ou que gosta de namorar; galanteador.
- Viúva: Mulher a quem morreu o marido e que não voltou a casar-se.
- xote: Antiga dança de salão, talvez proveniente da Hungria, em compasso binário ou quaternário, e cujos passos se aproximam dos da polca.
- Baião: Dança e canto popular, ao som da viola e doutros instrumentos,.
- coco: Dança popular de roda, originária de Alagoas, e acompanhada de canto e percussão.
- Xaxado: Dança masculina originária do alto sertão de Pernambuco e divulgada por cangaceiros até o interior da Bahia.
- Ciranda: Dança de roda, adulta, com trovas; cirandinha.
- Forró: Música originalmente apenas instrumental, e dança aparentada ao baião, porém com andamento mais acelerado.
- Caipira: Habitante do campo ou da roça, particularmente os de pouca instrução e de convívio e modos rústicos.
- Bufantes: Diz-se da vestimenta ou de parte dela, franzida e inflada, que fica folgada e afastada do corpo
- Palha: Tira seca e flexível de junco, taquara, vime ou outra planta, com que se tecem ou armam diversos tipos de objetos.
- Canjica: Papa de consistência cremosa feita com milho verde ralado, a que se acrescenta açúcar, leite de vaca ou de coco, e polvilha com canela.
- Pamonha: Espécie de bolo feito de milho verde, leite de coco, manteiga, canela, erva-doce e açúcar, e cozido em tubos das folhas do próprio milho ou de folhas de bananeira, atados nas extremidades.
- Pé-de-moleque: Doce de consistência sólida, feito com açúcar ou rapadura e fragmentos de amendoim torrado.
- Munguzá: Iguaria feita de grãos de milho (geralmente branco) cozidos em caldo açucarado, algumas vezes com leite de coco ou de gado, a que se junta polvilho com canela.
- Rojões: Projétil-foguete.
- Busca-pés: Dispositivo pirotécnico, preso a uma pequena haste de madeira, que sai ziguezagueando rente ao chão e termina, geralmente, em um estouro.
- Bacamartes: Arma de fogo de cano curto e largo.
- Arretado: Palavra que indica numerosas idéias apreciativas, equivalendo a bonito, elegante, excelente, bacana, legal, etc.
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