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2. Lusofonia: uma língua, um sentimento.
por Andrea Samaniego
Os Países Lusófonos
Um pouco de História: Como nós já tínhamos dito, falar da língua portuguesa nos obriga a falar de sua história, assim como a lusofonia nos obriga a falar do imperialismo.
O período românico: II a.C.- X d.C
O idioma Português que evoluiu do Latim falado, desenvolveu-se na costa oeste da Península Ibérica (atualmente Portugal e a Província espanhola de Galiza), a província que os romanos chamavam LUSITÂNIA*. A ocupação romana da costa ocidental da Península Ibérica durou desde o século 200 a.c. até o século IV d.C. Porém, quando os mouros* e visigodos* chegaram, o latim vulgar falado na Lusitânia já estava estabelecido. A partir de 218 a.C., com a invasão romana da península e até o século IX, a língua falada na região é o romance, uma variante do latim que constitui um estágio intermediário entre o latim vulgar e as línguas latinas modernas (português, espanhol, francês, etc.). Durante o período de 409 d.C. a 711, povos de origem germânica instalam-se na Península Ibérica. O efeito dessas migrações na língua falada pela população não é uniforme, iniciando um processo de diferenciação regional. A ruptura definitiva da uniformidade lingüística da península irá ocorrer mais tarde, levando à formação de línguas bem diferenciadas. Algumas influências dessa época persistem no vocabulário do português moderno em termos como roubar, guerrear e branco*. A partir de 711, com a invasão moura da Península Ibérica, o árabe é adotado como língua oficial nas regiões conquistadas, mas a população continua a falar o romance. Algumas contribuições dessa época ao vocabulário português atual são arroz, alface*, alicate* e refém*. No período que vai do século IX (surgimento dos primeiros documentos latino-portugueses) ao XI, considerado uma época de transição, alguns termos portugueses aparecem nos textos em latim, mas o português (ou mais precisamente o seu antecessor, o galego-português) é essencialmente apenas falado na Lusitânia.
O galego-português: X d.C - XIV d.C.
No século XI, com o início da reconquista cristã da Península Ibérica, o galego-português consolida-se como língua falada e escrita da Lusitânia. Os árabes são expulsos para o sul da península, onde surgem os dialetos moçárabes*, a partir do contato do árabe com o latim. Em galego-português são escritos os primeiros documentos oficiais e textos literários não-latinos da região, como os cancioneiros (coletâneas de poemas medievais): da Ajuda, da Vaticana e Colocci-Brancutti, que fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional de Lisboa. À medida em que os cristãos avançam para o sul, os dialetos do norte interagem com os dialetos moçárabes do sul, começando o processo de diferenciação do português em relação ao galego-português. A separação entre o galego e o português se iniciará com a independência de Portugal (1185) e se consolidará com a expulsão dos mouros em 1249 e com a derrota em 1385 dos castelhanos que tentaram anexar o país. No século XIV surge a prosa literária em português, com a Crônica Geral de Espanha (1344) e o Livro de Linhagens, de Dom Pedro, conde de Barcelona. Muitos lingüistas e intelectuais defendem a unidade lingüística do galego-português até a atualidade. Segundo esse ponto de vista, o galego* e o português modernos seriam parte de um mesmo sistema lingüístico, com diferentes normas escritas (situação similar à existente entre o Brasil e Portugal, ou entre os Estados Unidos e a Inglaterra, onde algumas palavras têm ortografias diferenciadas). A posição oficial na Galiza, entretanto, é considerar o português e o galego como línguas autônomas, embora compartilhando algumas características.
O português arcaico: X d.C - XVI d.C
Entre os séculos XIV e XVI, com a construção do império português de ultramar*, a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia, África e América, sofrendo influências locais (presentes na língua atual em termos como jangada* - de origem malaia*, e chá* - de origem chinesa). Com o Renascimento, aumenta o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega, tornando o português mais complexo e maleável. O fim desse período de consolidação da língua (ou de utilização do português arcaico) é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516.
O português moderno: XVI d.C - XX d.C
No século XVI, com o aparecimento das primeiras gramáticas que definem a morfologia* e a sintaxe*, a língua entra na sua fase moderna: em Os Lusíadas, de Luís de Camões (1572), o português já é, tanto na estrutura da frase quanto na morfologia, muito próximo do atual. A partir daí, a língua terá mudanças menores: na fase em que Portugal foi governado pelo trono espanhol (1580-1640), o português incorpora palavras castelhanas (como bobo* e granizo*) e a influência francesa no século XVIII (sentida principalmente em Portugal) faz o português da metrópole afastar-se do falado nas colônias. Nos séculos XIX e XX, o vocabulário português recebe novas contribuições: surgem termos de origem greco-latina para designar os avanços tecnológicos da época (como automóvel e televisão) e termos técnicos em inglês em áreas como as ciências médicas e a informática (por exemplo, check-up e software). O volume de novos termos estimula a criação de uma comissão composta por representantes dos países de língua portuguesa, em 1990, para uniformizar o vocabulário técnico e evitar o agravamento do fenômeno de introdução de termos diferentes para os mesmos objetos.
Glossário:
A Lusitânia (Província Hispana Ulterior Lusitânia): era uma antiga região que formou a província romana criada pelo imperador Augusto na Península Ibérica no ano 27 a.C. Com capital em Emérita Augusta (hoje Mérida, Espanha). Foi, junto com a Bética, uma das partes em que se dividiu a Hispana Ulterior. Compreendia o atual Portugal, quase toda a Estremadura e parte das atuais províncias de Salamanca e Zamora e o norte do Duero a Tarraconense. Recebe seu nome de seus antigos habitantes, os lusitanos, contra quem Roma lutou no século II e I a.C.
Mouros: Indivíduo dos mouros, povos que habitavam a Mauritânia (África).
Visigodos: Indivíduo dos godos, povo antigo da Germânia, que do séc. III ao V invadiu os impérios romanos do Ocidente e do Oriente. Dividiam-se em ostrogodos (godos do Leste) e visigodos (godos do Oeste).
Branco: Da cor da neve, do leite, da cal; alvo, cândido; diz-se de indivíduo de pele clara.
Alface: Planta hortense usada geralmente para salada.
Refém: Pessoa inocente que é retida como garantia a fim de que se realizem certas exigências (em casos de guerra, revolução, seqüestro, etc), e que em geral sofre represálias ou é executada, se tais exigências não são satisfeitas.
Moçárabe: Grupo de dialetos românicos falados pelos moçárabes que ocuparam a região meridional da Península Ibérica. [Eram consideravelmente diferentes dos dialetos setentrionais, que viriam a se tornar o galego-português, o castelhano e o catalão.]
Galego: Língua românica falada na Galiza (Espanha).
Ultramar: Região ou regiões situadas além do mar.
Jangada: Embarcação típica, usada para pescaria.
Chá: Designação comum a diversas plantas de que se faz uma infusão.
Morfologia: O estudo da estrutura e formação de palavras.
Sintaxe: Parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e a das frases no discurso, bem como a relação lógica das frases entre si; construção gramatical.
Bobo: tolo
Granizo: Tipo de precipitação atmosférica na qual as gotas de água se congelam ao atravessar uma camada de ar frio, caindo sob a forma de glóbulos ou pedaços de gelo.
Malaia: relativo ou pertencente à Malásia (Ásia).
Bibliografia
http://www.proel.org/mundo/portugues.htm http://www.geocities.com/alex221166/ http://www.sapo.pt/educacional/historias/historia/ http://www.alsintl.com/spanish/portuguese.htm
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