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Boletim Verde & AmareloNúmero 27
6 de Março / 2004
Confira neste número:
  1. Oi, gente boa*!
  2. Lusofonia: uma língua, um sentimento.
  3. Pensando em Português®

  Esta é uma publicação eletrônica gratuita idealizada pelo Instituto de Português Verde & Amarelo tel. 4325-0932 / 4393-0645), dirigida a alunos, clientes e amigos. Tem como objetivo ampliar o contato entre aquelas pessoas que de uma ou outra forma se interessam pelo Brasil ou que desejam receber informações diversas em Português.



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1. Oi, gente boa*!
por Ana Paula Guide Ferreira
Estamos de volta com todo o pique* e, de quebra*, com muitas blusas de lã, luvas*, cachecóis* e tudo o que necessitamos para agüentar esse friiiozinho. Mas eu tenho um conselho de vovó* para esquecer o frio: nada melhor que ler uma boa matéria em português, saboreando uma barrinha de chocolate (humm!!).... Então vamos lá. Dando continuidade ao número anterior, a nossa colaboradora, Andrea Samaniego, está nos explicando um pouquinho da história da Língua Portuguesa, desde o período românico até o uso do português moderno. Leiam porque realmente vale a pena saber e entender a trajetória da nossa Língua Portuguesa. Na coluna “Pensando em Português” Vamos estudar o emprego dos pronomes de tratamento. Deixem a preguiça* de lado e façam os exercícios! É isso! Beijos friorentos* em todos vocês e nos falamos na próxima quinzena!

Professora Ana Paula Guide Ferreira
Chefe / Editora

Glossário:

pique: Grande disposição ou entusiasmo, garra.

de quebra: Por acréscimo, a mais.

luvas: Peça de vestuário que se ajusta à mão e aos dedos, para agasalho, adorno, proteção ou higiene.

cachecóis: Manta longa e estreita para agasalhar o pescoço.

gente boa: Forma amistosa de tratamento; meu amigo.

vovó: A mãe do pai ou da mãe. [Masc.: avô.]

preguiça: Aversão ao trabalho; morosidade, lentidão, moleza.

friorento: Muito sensível ao frio.

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2. Lusofonia: uma língua, um sentimento.
por Andrea Samaniego

Os Países Lusófonos

Um pouco de História:
Como nós já tínhamos dito, falar da língua portuguesa nos obriga a falar de sua história, assim como a lusofonia nos obriga a falar do imperialismo.

O período românico: II a.C.- X d.C

O idioma Português que evoluiu do Latim falado, desenvolveu-se na costa oeste da Península Ibérica (atualmente Portugal e a Província espanhola de Galiza), a província que os romanos chamavam LUSITÂNIA*.
A ocupação romana da costa ocidental da Península Ibérica durou desde o século 200 a.c. até o século IV d.C. Porém, quando os mouros* e visigodos* chegaram, o latim vulgar falado na Lusitânia já estava estabelecido.
A partir de 218 a.C., com a invasão romana da península e até o século IX, a língua falada na região é o romance, uma variante do latim que constitui um estágio intermediário entre o latim vulgar e as línguas latinas modernas (português, espanhol, francês, etc.).
Durante o período de 409 d.C. a 711, povos de origem germânica instalam-se na Península Ibérica. O efeito dessas migrações na língua falada pela população não é uniforme, iniciando um processo de diferenciação regional. A ruptura definitiva da uniformidade lingüística da península irá ocorrer mais tarde, levando à formação de línguas bem diferenciadas. Algumas influências dessa época persistem no vocabulário do português moderno em termos como roubar, guerrear e branco*.
A partir de 711, com a invasão moura da Península Ibérica, o árabe é adotado como língua oficial nas regiões conquistadas, mas a população continua a falar o romance. Algumas contribuições dessa época ao vocabulário português atual são arroz, alface*, alicate* e refém*.
No período que vai do século IX (surgimento dos primeiros documentos latino-portugueses) ao XI, considerado uma época de transição, alguns termos portugueses aparecem nos textos em latim, mas o português (ou mais precisamente o seu antecessor, o galego-português) é essencialmente apenas falado na Lusitânia.

O galego-português: X d.C - XIV d.C.

No século XI, com o início da reconquista cristã da Península Ibérica, o galego-português consolida-se como língua falada e escrita da Lusitânia. Os árabes são expulsos para o sul da península, onde surgem os dialetos moçárabes*, a partir do contato do árabe com o latim. Em galego-português são escritos os primeiros documentos oficiais e textos literários não-latinos da região, como os cancioneiros (coletâneas de poemas medievais): da Ajuda, da Vaticana e Colocci-Brancutti, que fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional de Lisboa.
À medida em que os cristãos avançam para o sul, os dialetos do norte interagem com os dialetos moçárabes do sul, começando o processo de diferenciação do português em relação ao galego-português. A separação entre o galego e o português se iniciará com a independência de Portugal (1185) e se consolidará com a expulsão dos mouros em 1249 e com a derrota em 1385 dos castelhanos que tentaram anexar o país. No século XIV surge a prosa literária em português, com a Crônica Geral de Espanha (1344) e o Livro de Linhagens, de Dom Pedro, conde de Barcelona.
Muitos lingüistas e intelectuais defendem a unidade lingüística do galego-português até a atualidade. Segundo esse ponto de vista, o galego* e o português modernos seriam parte de um mesmo sistema lingüístico, com diferentes normas escritas (situação similar à existente entre o Brasil e Portugal, ou entre os Estados Unidos e a Inglaterra, onde algumas palavras têm ortografias diferenciadas). A posição oficial na Galiza, entretanto, é considerar o português e o galego como línguas autônomas, embora compartilhando algumas características.

O português arcaico: X d.C - XVI d.C

Entre os séculos XIV e XVI, com a construção do império português de ultramar*, a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia, África e América, sofrendo influências locais (presentes na língua atual em termos como jangada* - de origem malaia*, e chá* - de origem chinesa). Com o Renascimento, aumenta o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega, tornando o português mais complexo e maleável. O fim desse período de consolidação da língua (ou de utilização do português arcaico) é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516.

  O português moderno: XVI d.C - XX d.C

No século XVI, com o aparecimento das primeiras gramáticas que definem a morfologia* e a sintaxe*, a língua entra na sua fase moderna: em Os Lusíadas, de Luís de Camões (1572), o português já é, tanto na estrutura da frase quanto na morfologia, muito próximo do atual. A partir daí, a língua terá mudanças menores: na fase em que Portugal foi governado pelo trono espanhol (1580-1640), o português incorpora palavras castelhanas (como bobo* e granizo*) e a influência francesa no século XVIII (sentida principalmente em Portugal) faz o português da metrópole afastar-se do falado nas colônias.
Nos séculos XIX e XX, o vocabulário português recebe novas contribuições: surgem termos de origem greco-latina para designar os avanços tecnológicos da época (como automóvel e televisão) e termos técnicos em inglês em áreas como as ciências médicas e a informática (por exemplo, check-up e software). O volume de novos termos estimula a criação de uma comissão composta por representantes dos países de língua portuguesa, em 1990, para uniformizar o vocabulário técnico e evitar o agravamento do fenômeno de introdução de termos diferentes para os mesmos objetos.

Glossário:

A Lusitânia (Província Hispana Ulterior Lusitânia): era uma antiga região que formou a província romana criada pelo imperador Augusto na Península Ibérica no ano 27 a.C. Com capital em Emérita Augusta (hoje Mérida, Espanha).
Foi, junto com a Bética, uma das partes em que se dividiu a Hispana Ulterior. Compreendia o atual Portugal, quase toda a Estremadura e parte das atuais províncias de Salamanca e Zamora e o norte do Duero a Tarraconense. Recebe seu nome de seus antigos habitantes, os lusitanos, contra quem Roma lutou no século II e I a.C.

Mouros: Indivíduo dos mouros, povos que habitavam a Mauritânia (África).

Visigodos: Indivíduo dos godos, povo antigo da Germânia, que do séc. III ao V invadiu os impérios romanos do Ocidente e do Oriente. Dividiam-se em ostrogodos (godos do Leste) e visigodos (godos do Oeste).

Branco: Da cor da neve, do leite, da cal; alvo, cândido; diz-se de indivíduo de pele clara.

Alface: Planta hortense usada geralmente para salada.

Refém: Pessoa inocente que é retida como garantia a fim de que se realizem certas exigências (em casos de guerra, revolução, seqüestro, etc), e que em geral sofre represálias ou é executada, se tais exigências não são satisfeitas.

Moçárabe: Grupo de dialetos românicos falados pelos moçárabes que ocuparam a região meridional da Península Ibérica. [Eram consideravelmente diferentes dos dialetos setentrionais, que viriam a se tornar o galego-português, o castelhano e o catalão.]

Galego: Língua românica falada na Galiza (Espanha).

Ultramar: Região ou regiões situadas além do mar.

Jangada: Embarcação típica, usada para pescaria.

Chá: Designação comum a diversas plantas de que se faz uma infusão.

Morfologia: O estudo da estrutura e formação de palavras.

Sintaxe: Parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e a das frases no discurso, bem como a relação lógica das frases entre si; construção gramatical.

Bobo: tolo

Granizo: Tipo de precipitação atmosférica na qual as gotas de água se congelam ao atravessar uma camada de ar frio, caindo sob a forma de glóbulos ou pedaços de gelo.

Malaia: relativo ou pertencente à Malásia (Ásia).

Bibliografia

http://www.proel.org/mundo/portugues.htm
http://www.geocities.com/alex221166/
http://www.sapo.pt/educacional/historias/historia/
http://www.alsintl.com/spanish/portuguese.htm

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3. Pensando em Português®
por Ana Paula Guide Ferreira


Pronomes de Tratamento

Pronome Abreviatura Uso
você v. Familiar (informal)
Vossa Senhoria V. Sª (s) comercial
Vossa Excelência V. Exª (s) altas autoridades
Vossa Reverendíssima V. Revma.(s) sacerdotes e bispos
Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
Vossa Majestade V. M. (VV. MM.) reis e rainhas
Vossa Majest. Imperial V. M. I. Imperadores
Vossa Santidade V. S. Papa
Vossa Alteza V. A. príncipes
Vossa Magnificência V. Mga.(s) reitores
Senhora e Senhor Sra. Sr. Tratamento de respeito
Senhorita Srta. Moças solteiras
Vossa Onipotência V. O. Deus

Ao fazer um convite, enviar uma carta, uma petição, um cumprimento, e na conversação em um evento social onde encontra autoridades, é comum a pessoa se perguntar qual o pronome de tratamento que deve empregar, em meio às dezenas de expressões que se convencionou considerar as mais respeitosas.
Definidos no âmbito das boas maneiras, os pronomes de tratamento são palavras que exprimem o distanciamento e a subordinação em que uma pessoa voluntariamente se põe em relação a outra, a fim de agradá-la e ensejar um bom relacionamento.
O Aurélio define os pronomes de tratamento como "palavra ou locução que funciona tal como os pronomes pessoais". Os gramáticos, por sua vez, ensinam que esses pronomes são da terceira pessoa, substituindo o "tu" da segundo pessoa.
Mas a questão, do ponto de vista gramatical, é um pouquinho complicada. Afinal, por que se diz "Vossa Excelência" e não "Tua Excelência" como segunda pessoa do singular?

"Vossa Excelência"
Quando o presidente fala em cadeia nacional, o locutor diz "Vamos ouvir a palavra do Excelentíssimo Senhor Presidente da República...".
O presidente é Excelência. Usa-se esse pronome de tratamento para todas as autoridades constituídas, do vereador ao presidente.
É oportuno aqui tocar numa dúvida comum em relação aos pronomes de tratamento: quando usar "Vossa" e "Sua"? Ao falarmos diretamente com a pessoa, devemos usar "Vossa"; quando estivermos falando da pessoa, usaremos "Sua".
Aproveitando o exemplo acima: o locutor da Agência Nacional anunciaria aos brasileiros "Sua Excelência, o Presidente da República ...". No caso, o locutor estaria falando do Presidente. Se estivesse falando com o presidente, o correto seria " Vossa Excelência...".

Outra confusão corrente é quanto ao uso do possessivo. Qual das duas formas a seguir seria correta:
"Vossa Senhoria deve expor seu projeto" ou "Vossa Senhoria deve expor vosso projeto"?
Vossa Senhoria é pronome de tratamento e pertence sempre à 3ª pessoa. Portanto a primeira frase é a correta. "Vosso" seria correto se estivesse combinado a "vós".
Ex: Vós deveis apresentar vosso projeto.

Há uma dica para facilitar a compreensão. Pense na palavra "você", que também é pronome de tratamento da 3ª pessoa. Como você diria: "Você deve expor seu pensamento" ou "Você deve expor vosso pensamento?"
A alternativa correta é a primeira. Se "Vossa Senhoria" ou "Vossa Excelência" são de 3ª pessoa, usamos "seu" projeto ou "seu" pensamento.

Caso você encontrasse o Presidente da República, perguntaria a ele: "Vossa Excelência recebeu a carta que lhe enviei" ou "Vossa Excelência recebeu a carta que vos enviei"?
O correto seria "a carta que lhe enviei". Eu enviei ao Senhor, a Vossa Excelência, a você e, portanto, "lhe enviei".
Os pronomes de tratamento sempre estão relacionados à 3ª pessoa.

Bibliografia
Rubem Queiroz Cobra www.cobra.pages.nom.br/bmp-pronomes.html
Nossa Língua Portuguesa www.tvcultura.com.br
Luiz Antonio Sacconi, Gramática Essencial Ilustrada

 

Complete os espaços com seu (e variações) ou vosso (e variações):

a. V. Exª vai ajudar __________ funcionários?

b. Vossa Santidade deseja que eu transmita o recado a _________ fiéis?

c. V.M. quer que eu fale com _________ súditos?

d. Vossa Santidade lançou, então, __________ bênçãos a todos nós.

e. V. Sª já esteve com _________ mulher hoje?

f. Vós trazeis _________ livros todos os dias?

g. V. Sª viajará com _________ assessores?

 

Respostas: http://www.verdeamarelo.com.ar/gramatica_online.asp

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