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Boletim Verde & AmareloNúmero 25
30 de Abril / 2004
Confira neste número:
  1. Introdução
  2. O Trabalho
  3. Pensando em Português®

  Esta é uma publicação eletrônica gratuita idealizada pelo Instituto de Português Verde & Amarelo tel. 4325-0932 / 4393-0645), dirigida a alunos, clientes e amigos. Tem como objetivo ampliar o contato entre aquelas pessoas que de uma ou outra forma se interessam pelo Brasil ou que desejam receber informações diversas em Português.



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1. Introdução
por Ana Paula Guide Ferreira
Pois é galerinha... chegamos em maio. Esse mês tão bacana onde comemoramos o Dia das Mães, o fim da 2ª Guerra Mundial, a Abolição da Escravatura e o Dia Mundial do Trabalho ou seria do Trabalhador? O professor carioca Igorrrrrrrrrrrr Franco Ravasco Moreira Maia escreveu um texto muito legal contando-nos um pouco da história do 1º de maio. E por falar em trabalhar... na coluna “Pensando em Português” há mais pronomes para vocês. Chegou a vez dos pronomes interrogativos. Pronomes quê?????? Leiam a explicação, façam os exercícios e confiram suas respostas na nossa página. É mole. É isso meus queridos, grande beijo para todos vocês. E até a próxima quinzena.

Professora Ana Paula Guide Ferreira
Chefe/editora

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2. O Trabalho
Professor Igor Franco Ravasco Moreira Maia
Confesso que fiquei surpreso quando fui convidado para escrever no Boletim dedicado ao Dia do Trabalho. Bom, falar em convite, na verdade, é um eufemismo*, já que fui intimado a escrever no primeiro Boletim deste mês. Desde quando um carioca pode falar de trabalho? Mais do que uma contradição, é um paradoxo*.

Bem, talvez este seja o pensamento de muitas pessoas, que realmente acreditam que o Cristo Redentor, no Rio, está de braços abertos esperando o primeiro carioca trabalhar para começar a aplaudir. Mas contradizendo todos os que pensam que todo carioca é malandro* e meio vagabundo*, aqui estou trabalhando para falar um pouco sobre esta comemoração do dia 1º de maio.

A luta por melhores condições de trabalho não nasceu há pouco tempo, remonta à antigüidade. Segundo os historiadores, os primeiros registros de movimentos grevistas são do tempo dos faraós, de uma greve dos escravos construtores das pirâmides, exigindo o fim dos maus tratos e protestando contra a fome. Não se tem notícia de que cortassem o rio Nilo para o trânsito de barcos, mas com certeza os insensíveis do local deviam achar que eles todos eram um bando de exagerados que queriam viver às custas do faraó do momento.

Mas onde entra o 1º de maio nessa história toda? Será que Cleópatra é a responsável pelo feriado, pois queria fazer um piquenique em Nova Iorque e não tinha uma data? Não, nada disso. Em 1886, no dia 1º de maio, na cidade de Chicago (por favor, não confundam com “la cancha de Nueva Chicago”), 200 mil trabalhadores, organizados pela Federação dos Trabalhadores dos Estados Unidos e do Canadá, resolveram entrar em greve. Os trabalhadores protestavam contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigiam a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. A polícia reprimiu violentamente a greve, causando a morte de muitos grevistas, e prendendo oito dos principais líderes do movimento. Dos oito, quatro foram enforcados, depois de um julgamento sumário, dois se suicidaram e os outros dois restantes foram condenados à prisão perpétua.

Dois anos depois das execuções de Chicago, o Congresso Socialista Internacional aprovou o dia 1º de maio como dia do Trabalho. No Brasil, o dia foi comemorado pela primeira vez em Santos, em 1895, mas a primeira manifestação pública em comemoração ao dia só aconteceu em 1903, no Rio de Janeiro. Em setembro de 1925, o presidente Artur Bernardes decretou o dia 1º de maio como feriado nacional.

Hoje, pelo menos no Rio de Janeiro, o feriado não é comemorado em praça pública, entre manifestações, mas na praia, se fizer um dia bonito de sol. É lá que o carioca descansa e recarrega as energias para continuar na luta de todos os dias. Lamento informar aos que acreditam em estereótipos, que, sim, os cariocas trabalham. Talvez nem tanto por prazer, mas por saber que pior que trabalhar é ficar sem dinheiro. Essa história de que o carioca passa 24 horas na praia é mito. Tá, mas reconheço e admito que a maneira carioca de encarar o trabalho muitas vezes é diferente. Percebi e percebo que quase sempre o carioca vê as pressões do trabalho apenas no trabalho, e no horário de trabalho. Acabou o expediente, tchau e até amanhã, nada de ficar dando horas de vida para os patrões nem de ficar se amargurando* enquanto toma uma cervejinha antes de ir para casa.

A favor ou contra o trabalho, desde a frase “O trabalho dignifica o homem” até “Trabalhar pra quê?”, algumas personalidades durante os séculos falaram sobre o trabalho. Gostaria de deixar algumas dessas frases: "Creio bastante na sorte. E tenho constatado que, quanto mais eu trabalho, mais sorte tenho"
Thomas Jefferson

"O trabalho é o refúgio dos que não tem nada para fazer"
Oscar Wilde

"Toda profissão é grande quando exercida com grandeza"
J.Jofrey

"O trabalho espanta três males: o vício, a pobreza e o tédio*"
Voltaire

"Estes brutos (os operários) só compreendem a força, uma força que possam recordar durante várias gerações..."
New York Tribune, 1886, sobre a repressão da greve na cessa Haymarket, em Chicago, nos Estados Unidos.

"Hora de comer, - comer! Hora de dormir, - dormir! Hora de vadiar, - vadiar! Hora de trabalhar? - Pernas pro ar que ninguém é de ferro!"
Ascenso Ferreira


Para finalizar estas poucas linhas, gostaria de deixar a definição do verbo trabalhar, dada pelo dicionário Aurélio.

Trabalhar: Do latim vulgar tripaliare, martirizar com o tripalium (instrumento de tortura).

Feliz Dia do Trabalho! E que cada um trabalhe e comemore como achar mais divertido.

Glossário

Eufemismo:
Ato de suavizar a expressão duma idéia substituindo a palavra ou expressão própria por outra mais agradável, mais polida.

Paradoxo:
Conceito que é ou parece contrário ao comum; contra-senso, absurdo, disparate.

Malandro:
Indivíduo dado a abusar da confiança dos outros, ou que não trabalha e vive de expedientes; velhaco, patife. Indivíduo dado a abusar da confiança dos outros, ou que não trabalha e vive de expedientes; velhaco, patife.

Vagabundo: Indivíduo desocupado, ocioso, vadio.

Amargurando:
Causar amargura a; angustiar, afligir.

Tédio:
Aborrecimento, fastio, nojo, desgosto.

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3. Pensando em Português®
Professor Igor Franco Ravasco Moreira Maia

Pronomes Interrogativos

Chamam-se INTERROGATIVOS os pronomes que, quem, qual e quanto, empregados para formular uma pergunta direta ou indireta:

Que trabalho estão fazendo?
Diga-me que trabalho estão fazendo.

Quem disse tal coisa?
Ignoramos quem disse tal coisa.

Qual dos livros você prefere?
Não sei qual dos livros você prefere.

Quantos passageiros desembarcaram?
Pergunte quantos passageiros desembarcaram.

Os PRONOMES INTERROGATIVOS estão estreitamente ligados aos pronomes indefinidos. Em uns e outros a significação é indeterminada, embora, no caso dos interrogativos, a resposta, em geral, venha a esclarecer o que foi perguntado.

Os INTERROGATIVOS que e quem são invariáveis. Qual flexiona-se em número (qual, quais); quanto, em gênero e em número (quanto, quanta, quantos, quantas).


QUE
1 - O INTERROGATIVO que pode significar:
a) "que coisa":
Ex.: Que pretende fazer quando chegar?
Mas não sei que disse a ela.

b) "que espécie de" (neste caso refere-se a pessoas ou a coisas):
Ex.: Que mal me podia fazer?
Não sei que vento forte quebrou as árvores.

2 - Para dar maior ênfase à pergunta, em lugar de que, usa-se o que:
a) A vida? O que é a vida, minha gente?
b) Não sei o que o trouxe aqui mais cedo.

3 - Tanto uma como outra forma pode ser reforçada por é que:

a) Que é que o senhor está fazendo?
b) O que é que eu vejo, nestes dias de alegria?

QUEM
1 - O INTERROGATIVO quem refere-se apenas a pessoas ou algo personificado:

a) Essa música, quem não a canta?
b) Perguntei ao doutor quem era a moça.
c) Mas a Idéia, quem é?

QUAL
1 - O INTERROGATIVO qual tem valor seletivo e pode referir-se tanto a pessoas como a coisas.

a) Qual é o hotel, onde fica?
b) O dono da loja perguntou qual era a situação do empregado.

2 - A idéia seletiva pode ser reforçada pelo emprego da expressão qual dos (das ou de) anteposta a substantivo ou a pronome no plural, bem como a numeral:

a) Qual dos senhores é o pai do menino?
b) Qual deles teria a coragem de fazer o necessário?
c) Então, moça, qual foi dos cinco?

QUANTO
O INTERROGATIVO quanto é um quantitativo indefinido. Refere-se a pessoas e a coisas.

a) Quanto devo?
b) Quantas sementes você me dá?

Observação:
1 - Na linguagem coloquial, emprega-se o INTERROGATIVO cadê com o sentido de onde está em perguntas diretas.
Ex. Cadê a minha camiseta lavada?

2 - Os pronomes interrogativos são normalmente usados nas frases exclamativas:
Ex: a) Ele está bebendo de novo. Que vergonha!
b) Quem diria! Ele ficou rico!
c) Quanta sensualidade ela tem!
c) Qual nada!Esqueça o que aconteceu e vá cuidar de sua vida!

EXERCÍCIOS
1- Complete as frases com o pronome interrogativo adequado:
a) __________ é sua opinião sobre o assunto?
b) __________ dia é seu aniversário?
c) __________ é seu aniversário?
d) __________ dos vinhos foi o mais caro?
e) __________ dinheiro eu devo?
f) Ele queria saber ____________ seriam os convidados.
g) A secretária me perguntou com _________ eu desejava falar.
h) Em _________ você está pensando?
i) De __________ é esta bolsa?
j) Eles queriam saber __________ horas eram.

Respostas: http://www.verdeamarelo.com.ar/gramatica_online.asp

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