BOLETIM VERDE & AMARELO
Nº 20 - 10 de outubro / 2001 -
Este é o décimo nono número de uma publicação eletrônica menzal e gratuita idealizada pelo Instituto de Português Verde & Amarelo (Maipú 388, 3º K – Cap.Fed. –tel. 4325-0932 / 4393-0645), dirigida a alunos, clientes e amigos. Tem como objetivo ampliar o contato entre aquelas pessoas que de uma ou outra forma se interessam pelo Brasil - notícias, cultura geral, novidades, opiniões, humor, etc - ou que desejam receber informações diversas em Português.
O Verde & Amarelo é um Instituto de Português dedicado ao ensino a hispanofalantes. Trabalhamos com material próprio e exclusivo, onde consideramos as semelhanças e as diferenças entre o português e o espanhol. Nosso objetivo é que as aulas sejam dinâmicas, divertidas e os alunos dominem o idioma dentro do menor tempo possível.
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Confira neste número:
1. Introdução
2. Informativo econômico
3. A palavra do mês
4. Língua portuguesa e literatura brasileira
5. Música & Cia.
6. Viajando pelo Brasil
7. Matando as saudades
8. Como anda o seu português?
Vocabulário (Ao final de cada matéria)
1. Editorial
Gostaríamos de dedicar este número do Boletim a todas as crianças do nosso Brasil, "de nuestra Argentina" e do mundo todo. As crianças são a mais bela prova de que a vida vale a pena ser vivida, e muito!!!
Uma homenagem especial para as princesinhas Miranda e Malena, as mais novas integrantes da "família Verde & Amarelana"
"Ah, ser mãe é o máximo!!! É inexplicável o que senti no momento do parto, quando amamento a Maleninha, quando ela me sorri, quando ela chora, quando tenho de trocar suas fraldas várias vezes durante a noite, morrendo de sono... Não há nada melhor que conhecê-la e ser reconhecida por ela. Agora eu estou descobrindo o que significa amor incondicional. Realmente, não há nada mais lindo que sentir amor no sorriso de uma criança!!! (professora Ana Paula, mãe de Malena).
12 de outubro - Dia das Crianças no Brasil!
Desperte a criança que existe em você...
Sorria mais, brinque com seu cachorro, coma chocolate, sinta o perfume da primavera, dê uma flor, brinque, cante, sorria...
Não sinta medo de ser feliz!!!
No Dia das Crianças,
(12 de outubro)
o Verde & Amarelo deseja a você...
Desejo
"Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Chope com amigos
....................
Viver sem inimigos
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
...................
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Não ter que ouvir a palavra não
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
.......................
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de
alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu"
(Carlos Drummond de Andrade)
Vocabulário:
Mato: mata, selva
Cheiro: aroma
Lua: satélite da terra
Cheia: completa
Rasgado: roto
Cachoeira: cascata
Legal: bom, ótimo
Pôr-do-sol: crepúsculo
Roça: chácara
Seresta: serenata
Bater palmas: aplaudir
Telhado: cobertura da casa
1. Introdução
pela professora paulista Anamaria Bacci
O Rio de Janeiro continua lindo...
O Rio de Janeiro continua lindo...
Ufa! O tema do mês passado me deixou cansada.
Falamos de São Paulo, estado rico, produtor, industrializado, agitado, o mais ativo do Brasil. Falamos de estresse, correria, dia-a-dia agitado, engarrafamento, hora do rush... ai, que neura! Agora é hora de relaxar e falar um pouco (digo, bastante, pois o pessoal aqui adora escrever, né?) de um estado lindo também, e que ainda por cima tem o privilégio de ter a sua capital localizada bem ali, na beirinha do mar... Além, é claro, do visual deslumbrante ao entardecer, do chopinho gelado no calçadão, do melhor carnaval do mundo, das garotas de Ipanema e dos garotões bronzeados. Já descobriram?
O Rio de Janeiro, é claro!!!
Ao contrário dos paulistas, os cariocas e fluminenses* têm fama de tranqüilos, folgados*, despreocupados com o próprio visual (afinal estão sempre de biquíni ou de calção), e debochados* também. Mas será que é verdade? Eu , como boa paulista , tenho que admitir que eles são assim mesmo. E quem quiser que me conteste! Mas estamos aqui para falar do Rio , dos seus lugares típicos. Quem nasce na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro é chamado de carioca e quem nasce no estado do Rio de Janeiro é fluminense. O Brasil inteiro já teve a sua imagem difundida e consagrada pela figura de um personagem famoso das histórias em quadrinhos no Brasil: o Zé Carioca. Aquele papagaio folgado e malandro, que não queria saber nada de trabalhar e só pensava em levar vantagem e viver a vida na flauta*. Mas, graças a Deus, hoje sabe-se que o brasileiro é um povo alegre sim, mas muito trabalhador, esforçado e cordial. O que acontece é que o nosso povo não é de ficar choramingando pelos cantos quando a situação tá preta*. Nós deixamos a tristeza de lado, sacudimos a poeira e damos a volta por cima*, como já disse nossa querida sambista Beth Carvalho. Afinamos os pandeiros, cantamos um samba e enchemos nossa geladeira de cerveja para comemorar , afinal a vida é uma só! Por isso todo mundo gosta de ir ao Rio de Janeiro e desfrutar do alto-astral* que os cariocas têm.
Neste Boletim vamos saber um pouquinho mais sobre as praias e os lugares famosos que reverenciam a "cidade maravilhosa". Quantos e tantos não cantaram, escreveram e dirigiram filmes falando sobre o Rio, a terra querida por todos os argentinos, não é mesmo? Vinícius de Moraes, João Gilberto, Caetano Veloso, Nara Leão, Jorge BenJor e muitos outros. O samba, ah o samba... Será que foi aqui que ele nasceu? Leiam e confiram !!!
Vejam também nesta edição, autores cariocas e as gírias mais usadas pelos fluminenses. Aproveitem para passear por Arraial do Cabo, pertinho de Cabo Frio.
Na seção de Literatura Brasileira, descubra de onde é um dos escritores clássicos mais importantes da literatura do Brasil.
Bom, gente, é isso aí, o Verde & Amarelo deseja a todos uma boa viagem pela terra quente e gostosa que é o Rio de Janeiro, ainda que seja só através do Boletim. Ah! Não deixe de ver as fotos da Cidade Maravilhosa em nosso site.
Beijos!
Vocabulário
Fluminense: Pertencente ou relativo ao estado do Rio de Janeiro.
Folgado: despreocupado. Que se esquiva ao trabalho, a certas obrigações ou deveres.
Debochado: gozador
Gozador: Que ou aquele que faz ou é dado a fazer gozação.
Gozar: Achar graça em; rir de ato de alguém; ou fato acontecido a alguém.
"Viver a vida na flauta"- viver sem preocupações ou trabalho, tirando vantagem sobre os demais.
"Situação tá preta": o momento está difícil, complicado.
"sacudimos a poeira e damos a volta por cima": superamos um mau momento, uma dificuldade ou até mesmo um amor não correspondido.
alto-astral: gíria - indivíduo que está ou vive bem-humorado, feliz, como que sob boa influência astral; situação ou circunstância favorável, atribuída a suposta influência positiva dos astros.
2. Informativo econômico
pelo professor e economista cearense Flávio Castro
O efeito "Torres Gêmeas" no Brasil
Todos os meses, quando vou preparar a matéria do Boletim, procuro mantê-los informados de notícias "quentíssimas", "recém-saídas do forno". Como nos países sul-americanos é comum as más notícias superarem as boas, comprometo-me, como responsável pelo Informativo Econômico, a publicar também o lado bom das notícias ruins.
O nosso Brasil, apesar de todas as diferenças existentes (de futebol não se fala), é muito parecido à "nuestra" Argentina. Então, tudo o que acontece lá fora, repercute aqui dentro. Estou falando do ataque aos Estados Unidos, no último dia 11 de setembro, que teve grande repercussão na economia mundial. A nossa moeda, o Real, no dia 20 de setembro sofreu sua maior desvalorização e alcançou a cotação de R$ 2,89 com relação à moeda americana. Isto com certeza não é bom para o Brasil, não é bom para a Argentina e é pior para o Mercosul. Mas, graças à rápida atuação do Banco Central, esta situação está se normalizando no momento. Alguns até pensavam que a crise seria mais intensa. Como não sabemos o que ainda está por vir, é melhor ficarmos com as boas notícias por enquanto.
As exportações brasileiras estão crescendo. No ano passado, aumentaram 15% e, hoje, apesar da grande crise mundial, estão em um crescimento de 8%. Além da isenção do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o IVA Argentino, cobrado em 17% em alguns estados, outra medida tributária para incentivar as vendas externas será a ampliação do PIS-Cofins (imposto trabalhista cobrado para as aposentadorias), que retirará a contribuição em todas as etapas do processo produtivo para as exportações. Essa medida já está vigorando desde o dia 1º de outubro.
Outra boa notícia é que o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, confirmou que o Brasil está disposto a flexibilizar e até suspender temporariamente a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, caso isso seja de interesse da Argentina.
A última boa notícia é com respeito a nossa balança comercial. Segundo o Departamento Econômico do Banco Central, o saldo acumulado da balança até a terceira semana de setembro já era de US$ 1,253 bilhão, onde se estima também um superávit nos próximos três meses em torno de US$ 750 milhões, principalmente devido ao processo de queda das importações, que deve se manter até o final do ano.
Bom gente, gostaram das boas notícias?
Com certeza, terei mais para o nosso próximo Boletim.
3. A palavra do mês
Pela professora mineira Virgínia Bezerra
Oi gente!
Antes de tocar no tema de hoje, gostaria de dizer algumas palavrinhas...
Todos sabem que estamos atravessando um momento difícil, de incertezas. Portanto, vamos ter fé e pedir a Deus que nos ilumine e nos ajude a passar por esta prova complicada. Sei que muitos de nós compartilhamos os mesmos temores, alguns mais que outros.
Nada será igual daqui para frente... isso é certo!
Sinto que o meu papel neste momento é fazer o possível para vencer o temor e trocá-lo por valor, acreditar na vida e respeitá-la. Farei meu trabalho como sempre, porque para mim é um grande prazer, esperando que vocês possam nestes poucos minutos que estamos juntos, relaxar, aprender, recordar, sorrir...
Tenho somente minhas palavras para conseguir tudo isso, mas acho que com um pouquinho da ajuda de vocês fica tudo mais fácil...
Agora que está chegando o Dia das Crianças (12 de outubro), que tal esquecermos as guerras, as diferenças sociais e religiosas e ver o mundo de uma maneira mais simples, assim como as crianças o vêem?
Vamos lá???
O nosso papo de hoje é
GÍRIA CARIOCA
É ISSO AÍ, BICHO!!!
PÔ CARA, ESSES CARIOCAS ESTÃO COM TUDO EM CIMA!
(Se você está esperando a tradução destas frases, não perca tempo! No final do artigo você vai encontrar o dicionário, sacou???)
Não é para menos... O que você acha de viver numa cidade maravilhosa, com sol o ano todo, entre paisagens paradisíacas, saboreando frutas perfumadas, tomando uma cervejinha estupidamente gelada em frente ao mar.... AAAAAAAHHHHHHH!!!!!!!!!!!!
Vocês me desculpem a euforia, mas o RIO é demais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E o melhor do Rio, é claro, são os cariocas!!! Gente bonita, sarada, arrasando com sua alegria e sua forma de falar... acho que não existe brasileiro que fale mais gíria que o carioca!!! Sem querer filosofar, é simples de entender o porquê: a gíria une as pessoas, não tem escala social, nem se vende na farmácia, nem se compra nos botecos da esquina, não tem cor, nem discrimina!!! O Rio também é assim, é de todos!
Confesso que estarei metida em problemas se colocar aqui TODAS as gírias cariocas que conheço (vou abrir um parênteses para agradecer a ajuda da minha amigona, Ivone, também professora e quebra-galho, e do Igor, ambos cariocas da gema, que me deram uma Mãozinha com este tema - "BRIGADÃO", gente!). Por isso, vamos com calma e lembrem-se, crianças: cuidado ao usar uma gíria, se você não estiver realmente por dentro do assunto, pode cair muito mal, ok?
Anote...
Arrumar Conflito - brigar , causar problemas.
Avião - mulher muito, mas muito bonita. Bonita demais!!
Bombar- estar animado. Exemplo: "A festa está bombando".
Tá dominado - perder, estar na pior. Exemplo: "minha irmã vai fazer vestibular. Tá dominada" - Olha só que dado curioso: esta gíria, em Minas Gerais, quer dizer que "você está com tudo, sabe muito bem sobre um tema, ou já conquistou alguma coisa que você queria". Ex.: _ João, você já estudou para a prova de Física de amanhã? -Pode deixar, Zé, tá tudo dominado!
Dançar - (dar-se mal) : Sair-se mal; não alcançar o que esperava: Fez o exame final e dançou.
Mala - pessoa inconveniente, maçante.
Multiface - pessoa falsa, que falta com a palavra.
Perder - ficar mal; passar por uma situação constrangedora.
Pichadão - homem feio, sem graça.
Popozuda - mulher bonita, com o corpo bem marcado, com bumbum grande e bem formado.
Preparado (a) - inteligente, moderno.
Show - ótimo.
Sinistro - muito bom ou muito ruim.
Sufocador - pessoa inconveniente.
Teto-teco - mulher feia, oposto de avião.
Terror - Pessoa corajosa ou muito boa no que faz.
Abaixo, vamos acrescentar outras palavras também muito utilizadas no Rio de Janeiro.
Favela - bairro muito pobre; conjunto de habitações populares toscamente construídas (por via de regra em morros) e desprovidas de recursos higiênicos. Sinônimo: morro.
Badalado - promovido, divulgado, conhecido, muito freqüentado.
Estar em alta - estar na moda, ser famoso.
Mauricinho - homem jovem, de classe social elevada.
Patricinha - garota de classe social elevada.
Galera - turma, grupo, torcida
Birosca - bar ou armazém instalado na favela, onde ultimamente, por estar na moda, também é freqüentado por classes média e alta. Lugar onde se pode ouvir funk (música da moda).
GENTE!!! Estou tão contente de ter escrito sobre este tema! Como vocês já notaram, eu ADORO o Rio de Janeiro, e vou terminar nosso papo de hoje assim, com uma música, desejando que todos nós passemos uma primavera florida, linda e em paz...
Tchau, e até a próxima!!!
AQUELE ABRAÇO
Gilberto Gil
O Rio de janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de janeiro, fevereiro e março
Alô alô realengo, aquele abraço
Alô torcida do Flamengo, aquele abraço
Chacrinha continua balançando a pança
E buzinando a moça e comandando a massa
E continua dando as ordens do terreiro
Alô alô seu Chacrinha, velho guerreiro
Alô, alô Teresinha, Rio de janeiro
Alô alô seu Chacrinha, velho palhaço
Alô, alô Teresinha, aquele abraço.
Alô moça da favela, aquele abraço
Todo mundo da Portela, aquele abraço
Todo mês de fevereiro, aquele passo
Alô banda de Ipanema, aquele abraço
Meu caminho pelo mundo, eu mesmo traço
A Bahia já me deu, régua e compasso
Quem sabe de mim sou eu, aquele abraço
Para você que me esqueceu, aquele abraço
Alô Rio de Janeiro, aquele abraço
Todo povo brasileiro, AQUELE ABRAÇO
Vocabulário
É isso aí, bicho!!! - Tanto pode ser "Oi, tudo bem?" como "Eu concordo com você"; "Estou de acordo com suas idéias" ou ainda "tchau" e também serve para não dizer nada... Na verdade, essa expressão é utilizada por pessoas adultas ou mais velhas, pois os jovens e adolescentes já a aboliram de seu vocabulário há muito tempo.
Pô cara, esses cariocas estão com tudo em cima! Puxa, sujeito, esses cariocas estão muito bem, estão ótimos, estão demais!
Arrasar: abafar; estar ou ficar em situação de especial relevo em relação a, atraindo para si todas as atenções; dominar, suplantar.
Sarado: (adjetivo) - valentão, muito corajoso, forte, rijo, resistente, sabido, malhado (do verbo malhar: fazer ginástica), com o corpo bem trabalhado, musculoso.
Sacou: (pretérito perfeito do verbo sacar): entender, compreender. olhar observando.: "Sacou o sujeito da cabeça aos pés".
Cervejinha estupidamente gelada: expressão utilizada para a cerveja em especial - cerveja muito fria, frigidíssima (como bebe-se de costume no Brasil).
Boteco: . Estabelecimento comercial onde se servem bebidas em geral (bebidas alcoólicas, refrigerantes, café, etc.) e pequenos lanches; bar, botequim.
Discriminar: (do latim discriminare) - Diferenciar, distinguir; discernir, separar, estabelecer diferença.
Parênteses: sinal de pontuação: ( )
quebra-galho: (substantivo masculino) aquilo ou aquele que ajuda a resolver ou solucionar uma dificuldade. (galho: a parte do ramo que fica presa ao caule depois de partido o ramo. Gíria: dificuldade, complicação).
Dar uma mãozinha: (ou dar uma mão) oferecer ou dar uma ajuda a alguém que pede auxílio.
Brigadão - usa-se assim somente na gíria (e de preferência na forma falada e não escrita,como eu fiz - hi,hi!!). O correto é "obrigado" (utilizado pelos homens ) e "obrigada" (utilizado pelas mulheres) - sinônimo de agradecido/a, grato/a.
4. Língua portuguesa e literatura brasileira
pela professora catarinense Maristela Müller
DO MORRO PARA A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS
Amiguinhos:
Hoje vamos contar para vocês um pouquinho da vida de um escritor carioca que era filho de um operário mulato e de uma lavadeira, mas que conseguiu, com muito esforço, driblar* as dificuldades da vida e tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua portuguesa.
Deixo vocês com : Joaquim Maria MACHADO DE ASSIS
Cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu no Morro do Livramento, na cidade do Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839. Perdeu a mãe muito cedo e, após a morte do pai, foi criado pela madrasta, Maria Inês, em extrema miséria.
Teve as mais variadas ocupações: vendedor de doces, sacristão da igreja da Lampadosa, aprendiz de tipógrafo, empregado da Imprensa Nacional e do Diário do Rio, redator do Diário Oficial, jornalista e funcionário público, nomeado oficialmente pela Secretaria da Agricultura.
Ele era epiléptico, gago* e de saúde frágil. Com a morte do pai, em 1851, sua madrasta emprega-se como doceira* num colégio, e Machadinho, como era chamado, tornasse vendedor de doces. No colégio, entrou em contato com professores e alunos e é provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando, apesar de não ter acesso a cursos regulares. Mesmo assim, empenhou-se em aprender. Conheceu uma senhora francesa, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de Francês e também estudou Latim com o padre Silveira Sarmento. Fez o primário em escola pública, e posteriormente, seguiu como autodidata.
Aos 16 anos, publicou em 12/01/1885 seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense, de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da época e fez de Machado de Assis seu colaborador efetivo.
Com 17 anos, consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional e começa a escrever durante o tempo livre. Conhece o então diretor do órgão, Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de milícias, que se torna seu protetor. Do seu círculo de amigos também faziam parte Joaquim Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida, José de Alencar e Gonçalves Dias.
Em 12 de novembro de 1869, casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais.
Nessa época, o escritor era um típico homem de letras brasileiro bem sucedido, confortavelmente amparado por um cargo público e por um casamento feliz que durou 35 anos. Dona Carolina, mulher culta, apresenta Machado aos clássicos portugueses e a vários autores da língua inglesa.
Sua união foi feliz, mas sem filhos. Sofreu muito com a morte de sua esposa, em 1904, dedicando à falecida o soneto Carolina, que a celebrizou.
Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872 e sua primeira peça teatral foi encenada no Imperial Teatro Dom Pedro II, em junho de 1880.
Publicou, em 1881, um livro extremamente original, pouco convencional para o estilo da época: Memórias Póstumas de Brás Cubas, que obteve o reconhecimento nacional. A análise minuciosa, feita de um delicioso humorismo, da alma de suas personagens, a visão do mundo, aliadas ao estilo de elegante simplicidade tornam Machado o grande mestre da Língua Portuguesa, sendo reverenciado por todos os jornais, escritores e pela Coroa Imperial.
Foi o fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, inaugurada no dia 28 de janeiro de 1897.
Em vida, deixou um testamento a uma sobrinha de Carolina, legando-lhe todos os seus bens. Pressentia a morte. Mas ainda tentou recompor-se.
Começou a estudar grego, alemão, e terminou seu último livro - romance Memorial de Aires - obra repleta de tranqüila poesia, onde coloca toda a saudade pela esposa. - Nunca foi religioso e, em leito de morte, 4 anos após o falecimento de sua amada, no dia 29 de setembro de 1908, aos 69 anos, morre o grande escritor. Recusando-se a receber qualquer conforto espiritual religioso disse, antes de fechar os olhos eternamente, que aceitar sacramentos seria incongruente.
Dizem os críticos que Machado era "urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar."
Os temas mais comuns nas suas obras são: o adultério, o casamento, visto como forma de comércio ou troca de favores, a exploração do homem pelo próprio homem. As mulheres são o ponto forte da criação machadiana. A figura feminina representa mulheres recatadas, sedutoras, adúlteras, fatais e dominadoras. Elas estão presentes também em seus contos, cerca de quase duzentos.
PRINCIPAIS OBRAS
Fase Romântica
Poesias:
Crisálidas (1864); Falenas (1870); Americanas (1875).
Romances:
Ressurreição (1872); A Mão e a Luva (1874); Helena (1876); Iaiá Garcia (1878).
Contos:
Contos Fluminenses (1870); Histórias da Meia Noite (1873).
Teatro:
Hoje avental, amanhã luva (1860); Queda que as mulheres têm para os tolos (1861); Desencantos (1861); O Caminho da Porta (1863); O Protocolo (1863); Quase Ministro (1863); Os deuses de casaca (1865); Tu, só tu, puro amor (1880); Não consultes médico (1896); Lição de botânica (1906).
Fase Realista
Romances:
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1899); Esaú e Jacó (1904); Memorial de Aires (1908).
Contos em jornais e revistas:
Papéis Avulsos (1882); Histórias sem Data (1884); Várias Histórias (1896); Páginas Recolhidas (1899); Relíquias da Casa Velha (1906).
Vocabulário
Driblar: Expressão utilizada geralmente no jogo de futebol e significa enganar o adversário negaceando com o corpo e mantendo o controle da bola a fim de ultrapassá-lo. No texto, a expressão é utilizada com o sentido de vencer, enganar as dificuldades.
Gago: tartamudo, tartamelo, tátaro, tártaro, tato, borboró.
Doceira: Mulher que faz ou vende doces, confeiteira.
5. Música & Cia.
pela professora paulista Silvana de Sousa
O RIO DE JANEIRO TEM SAMBA NO PÉ*
O samba pode ser considerado um dos principais símbolos da identidade nacional brasileira. Esse ritmo, que nasce com os negros descendentes dos escravos africanos, marca nossa sociedade.
Existe, porém*, uma velha polêmica entre músicos, pesquisadores e jornalistas sobre a origem do samba. Onde o samba nasceu de fato? Há aqueles que defendem ter nascido na Bahia, já outros dizem ser carioca. Uma afirmação bastante difundida é a de que o samba teria nascido no morro, utilizando como cenário o Rio de Janeiro. Outra versão é a de que esse movimento musical teria suas raízes em formas tradicionais de aspecto religioso, como o samba-de-roda baiano.
Polêmica à parte, a colocação de Ari Lima (A Tarde) parece ser bastante pertinente ao afirmar que o samba foi levado da Bahia por migrantes, nascendo e ganhando vida exterior na cidade do Rio de Janeiro.
Na primeira metade do século 20, muitos baianos em busca de uma vida melhor migraram para a cidade do Rio de Janeiro. O Rio, naquele momento, era o principal centro urbano do país e havia abrigado a corte real portuguesa de 1808 a 1822. Era admirada e desejada pelos brasileiros, que migravam de vários lugares para morar na cidade considerada nosso principal cartão-postal.
A Bahia, que havia sido a primeira Corte do Império, perdeu esse lugar para o Rio em 1763 e apresentou uma substancial crise econômica. Muitos baianos foram tentar a sorte na cidade do Rio de Janeiro e boa parte deles vivia na chamada pequena África, localizada no centro antigo e onde cariocas e baianos se reuniam. Uma negra baiana, Hilária Almeida (1854-1924), chamada de tia Ciata, filha de santo, liderava o grupo com algo em comum: o candomblé* e o samba. Reuniam-se ali, músicos boêmios para cantar noite adentro e em um desses encontros surgiu a idéia do primeiro samba gravado, em 1917. A música Pelo Telefone fez muito sucesso e foi registrada por Ernesto dos Santos, o Donga. Posteriormente, esse samba teve inumeráveis versões populares. Além do nascimento oficial do samba, essa música trouxe o começo da profissionalização da música popular brasileira. Em 1917, Pixinguinha, um dos compositores mais populares do Brasil, grava também sua primeira canção e se destaca tanto na composição de canções quanto de música instrumental. Cria, assim, as bases da música popular, mais especificamente do choro, iniciando a linguagem orquestral genuinamente brasileira. Caninha (João Lins de Moraes) e João da Baiana (João Machado Guedes) foram músicos também importantes para a evolução do samba.
A origem da palavra samba
(sem querer "invadir a praia" da professora Virgínia)
SAM quer dizer pague e BA significa receba (do africano) e origina-se da seguinte lenda:
"Havia na Bahia um africano escravo. Sua mulher e seus filhos também eram escravos. Com muito sacrifício, ele conseguiu juntar uma certa quantia de dinheiro e escondê-la em um lugar bem seguro. Adoecendo* e sentindo a ronda da morte, chamou o filho mais velho, a quem revelou que em tal sítio, debaixo de uma árvore com um sinal, cavando cinco palmos deveria encontrar uma lata e dentro dela uma cuia* contendo a quantia. Com esse dinheiro, deveria libertar sua velha companheira de mais de 50 anos e todos os seus filhos. E o pobre velho concluiu: -"Eu morrerei escravo. Irei servir a Deus Nosso Senhor lá no céu! Peço que todos rezem por mim".
Reunidos mães e filhos, todos começaram a rezar três vezes ao dia - às 6 horas da manhã, ao meio-dia e às Aves Marias (às 18 horas). Como por milagre, mesmo sem assistência médica, às quais os escravos não tinha direito, ele foi melhorando. O filho possuidor do segredo, vendo isso, correu ao lugar indicado, descobriu a lata e, com o dinheiro, fugiu* para a então província do Pará.
Restabelecido e sabedor da fuga do filho, o velho foi ao local e certificou-se da velhacaria. Informou a mulher e os filhos da ação indigna de seu filho mais velho. Em africano, ele pronunciou esta sentença: OLORUM NÃ LARÉ (Deus te desconjure).
Daí em diante, mulher, marido e os filhos restantes, começaram a trabalhar com afinco. Algum tempo depois, estando muito rico, viu-se acossado pela saudade dos pais e dos irmãos a quem traíra*, ou do torrão* onde nascera ou mesmo pelo remorso*. Regressou à Bahia disposto a obter por qualquer preço a sua liberdade e de sua família, conquistando deste modo o perdão de seu pai. Qual, porém não foi sua surpresa quando chegou e soube que, da família, era ele o único escravo e que seu pai estava muito rico, como chefe da estiva!
Procurou então os africanos que na Bahia constituíam o "conclave" e prometeu ao Chefe uma quantia bem regular se conseguisse que seu pai o perdoasse. O caso era dos mais graves e só mesmo o "conclave" poderia resolver, depois de um africano haver excomungado seu filho. O Chefe, tomando em alta consideração a oferta, combinou com os outros membros do "conclave" e disse ao rapaz:
Mê fio, vai havê uma festa glande, que sua papai é obligado a cumplacê. Vossuncê vai também ni festa e leva "bongo" di papai qui vai sê obligado a lecebê e predoá.
No dia da festa, o velho africano na sua boa fé, lá compareceu. Eis que de repente surge-lhe o filho. O velho exclamou possesso: OLANA! (Amaldiçoado)
O Chefe fez um sinal e houve silêncio profundo. Reuniu-se o "conclave" e na sua soberania deliberou:
Que não havia motivo para que a divergência continuasse em vista do arrependimento e da boas disposições do filho perante seu pai, a quem por intermédio do Conselho, pedia perdão. Que o regime africano não sofrera golpe, por quando o filho se apossou do dinheiro e teve em mente aplicá-lo no trabalho honesto, fazendo crescer o cabedal* dos africanos e seus descendentes. Deste modo, não havia motivo à "excomungação".
Em vista do arrependimento do filho e suas disposições, queria indenizar seu pai e dele obter o perdão e a bênção.
Assim sendo, o "conclave" obrigou o pai a abençoar o filho, depois de proferir o perdão em voz alta: MOFO- RIJIM - É! (Eu te perdôo)
Feito isso, deu-se a cerimônia da sentença.
Todos de pé, num gesto uniforme e em alta voz, dirigindo-se ao filho exclamaram: SAM! ... (Pague)
E ele respeitoso, depois de ajoelhar-se* ante os membros do Conselho, ajoelhou-se aos pés do pai oferecendo-lhe um pacote com a quantia roubada. Em vista da indecisão do pai, que fora tomado de grande emoção, os conselheiros batendo o pé repetidas vezes ordenaram: BA! (Receba)
As pessoas presentes, seguindo o ritual, repetiram: SAM! BA!
Ninguém se atrevia a desrespeitar uma decisão do Conselho, porque sabia ao que estava exposto. Pai e filho, num apertado abraço, ficaram bons amigos. Em seguida, pela pacificação da família, que era muito conceituada, todos cantaram e dançaram repetindo sempre: SAM!BA!- E aí está a origem do samba (...) " (Angela Nassim)
Através do Carnaval, o samba ganhou vida e força no Rio de Janeiro. A festa chegou ao Brasil por duas vias. Através dos africanos e de suas danças e batuques* que já expressavam o ritmo das bases do samba e com os colonizadores portugueses que traziam da Europa o costume do entrudo, festa violenta caracterizada por valer tudo, inclusive jogar-se ovos e farinha. (Ainda bem que estes costumes mudaram.....)
Não é por acaso que o samba ganhou vida no Rio de Janeiro, cidade onde se desenvolveu a vida cultural do Brasil e onde houve a original formação do homem tipicamente brasileiro através da fusão cultural das três raças: o branco português, com suas modinhas, guitarras, lirismo e nostalgia; o índio com seus cantos tribais e sua plena harmonia com a natureza e os negros com seus tambores sonoros e até mesmo seus cânticos, que muitas vezes traziam a dor do cativeiro. Dizem até que o tradicional passo do samba, caracterizado pelos pés sempre juntos, devia-se ao fato de os escravos dançarem muitas vezes com os pés amarrados. Apesar da grande opressão que sofriam com o sistema escravista, os negros africanos e seus descendentes conservavam uma cultura cheia de ritmo e alegria.
Hoje, através do Carnaval, o Rio de Janeiro mostra sua força rítmica ao mundo. A força do samba, da confluência de raças e da alegria desse homem que vive numa cidade privilegiada por uma paisagem ímpar e que torna o homem carioca expansivo, livre, integrado com a natureza e extremamente musical.
O CARIOCA TEM SAMBA NO PÉ !!!!!!
Vocabulário
Tem samba no pé: Quem dança bem o samba; aquele que dança dominando o ritmo do samba.
Porém: Espanhol: "sin embargo"
Candomblé: A religião dos negros iorubas na Bahia; canzuá. Qualquer das grandes festas dos orixás.
Orixá: Divindade africana (especialmente jeje-nagô) das religiões afro-brasileiras; guia; encantado.
Adoecer: Ficar doente; enfermar.
Cuia: Fruto da cuieira. Vaso feito desse fruto maduro depois de esvaziado do miolo.
Miolo: A polpa de alguns frutos, ou a parte interior de certos órgãos vegetais.
Fugir: escapar.
Trair: Enganar por traição; atraiçoar.
Torrão: Porção de terra endurecido, território.
Remorso: Inquietação da consciência por culpa ou crime cometido; mordimento, remordimento, bicho-da-consciência.
Cabedal: O conjunto dos bens que formam o patrimônio de alguém; riqueza, acervo. Patrimônio constituído em dinheiro; capital.
Ajoelhar-se: Pôr-se de joelhos.
Joelho: Anat. Segmento de membro inferior que compreende a articulação da coxa e perna e todas as partes que a circundam.
Coxa: Parte do membro inferior que vai desde as virilhas até o joelho, e cujo esqueleto é o fêmur.
Batuque: Designação comum a certas danças afro-brasileiras acompanhadas de cantigas e de instrumentos de percussão.
6. Viajando pelo Brasil
pela professora gaúcha Isabel Höltz
Simplesmente Maravilhosa!!!
Carioca... Mais que a simples designação de quem nasce na cidade do Rio de Janeiro, é um estado de espírito. Ser carioca é ter espírito leve, ser naturalmente alegre, receptivo, simpático e... bem, poder sempre sorrir.
O Pão de Açúcar foi avistado no dia primeiro de janeiro de 1502, durante uma expedição de reconhecimento da costa brasileira. A baía de Guanabara, enquando era navegada por exploradores, foi confundida com um rio. A região fica então conhecida como Rio de Janeiro.
Em 1504, o navegador português Gonçalo Coelho chega ao Rio de Janeiro, em uma exploração ao litoral. Nessa ocasião, constrói uma casa de pedra na foz do Rio Carioca, denominado mais tarde dessa forma por representar no idioma indígena tupi "kari'oka" ou "casa do homem branco", onde "acari" denominava o homem branco com suas vestes militares lembrando um tipo de peixe encouraçado* que vivia na foz daquele rio, e "oca" representava casa, moradia.
A cidade foi colonizada por portugueses onde antes era ocupada por índios. Depois vieram os negros, os franceses, imigrantes italianos, judeus, japoneses e, da generosidade desta terra e da mistura de todas as raças, nasceu um povo que, num primeiro momento, sempre sorri. Um povo capaz de ter discussões que mais pareçam batalhas, sobre paixões como futebol e samba, ainda que esteja em meio a uma roda de chope* entre amigos. Gente que, além dos atrativos oferecidos em beleza natural, cultura, gastronomia, música, comércio e negócios, mantém a cidade funcionando com seu trabalho árduo, apesar do convite ao desfrute. Os que sentirem inveja das centenas de banhistas nas praias durante a semana, não se iludam. Pois, para cada um deles, há uma multidão em plena atividade.
Conta uma história que chega um turista ao Rio e imediatamente vai para a praia com um amigo carioca. Eram 18 horas de uma segunda-feira. Ou de uma terça. Talvez uma quarta-feira. Não importa. Era um dia de semana. Espantado com a lotação na areia, o turista pergunta ao amigo: "Mas como? Tantas pessoas na praia? Não trabalham?" O carioca responde: "São estudantes." Ainda mais intrigado, o estrangeiro retruca: - "E não estudam?" É realmente difícil explicar a um estrangeiro a engenhosa arquitetura temporal que permite ao carioca trabalhar, estudar e, ao mesmo tempo, não sair das áreas de lazer* da cidade. O segredo está no sangue, no espírito, na criatividade, no jogo de cintura, na alegria e na descontração. Está no eterno verão. Está na luz da cidade, que seduz e atrai para o ar livre essa gente que trabalha sim, mas que também sabe muito bem aproveitar o lugar lindo onde vive. (texto extraído do material didático do curso de português do Instituto Verde & Amarelo)
Quem vem ao Rio pela primeira vez, mesmo que encontre alguém que não saiba falar outro idioma além do português, perceberá o quanto o carioca se esforça para ajudar, fazer-se entender, mesmo que apenas em gestos. Os mais sortudos podem até mesmo ganhar um convite para um chope, uma espécie de senha de convívio oficial da cidade.
Quem parte depois de uma estada na cidade, além do belo bronzeado e das recordações da música, dos sabores, das cores, do sol e do mar, leva ainda um sentimento sem tradução em qualquer outro idioma: saudade. Expressão que significa lembrança nostálgica, e ao mesmo tempo suave, de pessoas ou coisas distantes, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las. Esse sentimento só deixará de existir quando chegar o momento de fazer a próxima visita. Não é à toa que o maior símbolo da cidade está de braços abertos. Sempre...
Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil...
Um dos maiores centros econômicos e culturais da América do Sul, a Cidade do Rio de Janeiro está localizada no coração da Região Sudeste onde se concentra 60% do PIB brasileiro. Metrópole cosmopolita, mundialmente conhecida por sua beleza e por seus recursos naturais, a cidade proporciona aos seus habitantes e visitantes uma harmoniosa e agradável ambiência para o lazer e o trabalho, que aliada à sua infra-estrutura, faz do Rio um importante centro de comércio e serviços, contando ainda com uma indústria moderna e diversificada. Ocupando uma área de 1.261 Km2 de extensão, com uma população de 5.850.544 habitantes (segundo IBGE - Censo 2000), a Cidade do Rio de Janeiro tem reconhecida, como uma de suas maiores virtudes, o carinho e a hospitalidade com que seu povo acolhe seus visitantes.
A Cidade do Rio de Janeiro recebe anualmente mais de 2,0 milhões de turistas estrangeiros, o que a situa como a cidade mais visitada do país, segundo a EMBRATUR, com uma participação próxima de 33% do total de turistas estrangeiros. No turismo doméstico recebe mais de 5,0 milhões de visitantes/ano. Dotada de uma ampla infra-estrutura de serviços turísticos, a Cidade do Rio de Janeiro está classificada dentre os maiores destinos do mundo na recepção de eventos culturais, comerciais, técnicos e científicos - feiras, simpósios, congressos e exposições. Sua natureza exuberante inclui 90 Km de praias, o Parque Nacional da Tijuca, onde se insere a maior floresta urbana do mundo, com 3.200 ha de mata atlântica, e os Parques Estaduais da Pedra Branca, do Desengano e da Chacrinha, cobrindo uma área de 48.500 ha e as lagoas Rodrigo de Freitas, de Jacarepaguá, Camorim, da Tijuca e de Marapendi.
Era uma vez...
(para os mais curiosos!)
A história do Rio de Janeiro tem muito a ver com a própria história do Brasil. Agora você poderá conhecê-la, num relato muito breve. Fatos curiosos e marcantes da formação das terras cariocas, desde a época do descobrimento do Brasil, foram organizados por ordem cronológica para sua melhor compreensão.
Então, seja curioso!!
1500 - O Brasil é descoberto pelo navegador português Pedro Álvares Cabral.
1519 - Chegada do navegador português Fernão de Magalhães em 13 de dezembro, em sua famosa viagem para as Índias, quando denominou Santa Luzia a baía de Guanabara, por desconhecer que a mesma já havia sido descoberta. O nome Guanabara vem do idioma indígena e representa seio de mar muito fértil, cheio de vida.
1565 - Em 28 de fevereiro Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, aporta com sua esquadra entre o Pão de Açúcar e o Morro Cara de Cão, para cumprir a missão de desalojar definitivamente os franceses dos domínios da coroa de Portugal. No dia primeiro de março, Estácio de Sá funda a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro aos pés do Pão de Açúcar.
1568 - Em 4 de março, o governador geral Mem de Sá nomeia seu sobrinho Salvador Correia de Sá governador da cidade, o terceiro da série.
1699 - Em 17 de março começa a funcionar a Casa da Moeda.
1752 - Em 15 de junho inicia o funcionamento do Tribunal da Relação.
1763 - Em 27 de janeiro a cidade fundada aos pés do Pão de Açúcar se transforma na capital do Vice-Reino, com a assinatura da carta patente real que transferiu a sede do poder da Bahia para o Rio de Janeiro, e em 19 de outubro ocorre a posse do primeiro vice-rei, D. Antônio Álvares da Cunha, Conde da Cunha.
1786 - Fundação da Sociedade Literária do Rio de Janeiro em 6 de junho.
1798 - Em 2 de maio começa a funcionar o Correio Geral.
1808 - Em primeiro de maio o príncipe regente D. João envia manifesto aos governos das nações amigas, no qual expõe os motivos que obrigavam a corte portuguesa a mudar para o Brasil e declarar guerra à França. É criada em 13 de maio a Imprensa Régia, hoje Imprensa Nacional. Em 13 de junho é inaugurado o Real Horto, anexo à fábrica de pólvora instalada no Engenho do Lago, mais tarde transformado em Jardim Botânico. Assinado em 27 de junho o alvará que dividiu a cidade em bairros e criou o imposto predial. Começa a circular em 10 de setembro a Gazeta do Rio de Janeiro, nosso primeiro jornal. Em 12 de outubro é assinado o alvará que criou o Banco do Brasil.
1810 - Assinatura em 4 de dezembro da carta régia que criou a Academia Militar do Rio de Janeiro, mais tarde Escola Militar do Brasil.
1811 - Assinatura do alvará que criou o Jardim Botânico em primeiro de março. Abertura das aulas da Academia Militar do Rio de Janeiro, mais tarde Escola Militar das Agulhas Negras, no dia 23 de abril. Em 11 de maio o Jardim Botânico, anexo ao Museu Real, é franqueado ao povo. Abertura da Real Biblioteca do Rio de Janeiro em 13 de maio.
1813 - Inauguração em 12 de outubro do Real teatro São João, mais tarde Constitucional Fluminense, Imperial Teatro São Pedro de Alcântara, Teatro São Pedro e hoje Teatro João Caetano, com a ópera O Juramento dos Numes.
1815 - Assinatura, no dia 16 de dezembro, da carta de lei que criou o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, transformou as capitanias em províncias.
1816 - Realizam-se solenidades públicas em 21 de janeiro pela elevação do Brasil à categoria de reino.
1821 - No dia primeiro de junho entra em circulação o Diário do Rio de Janeiro, nosso primeiro jornal diário.
1822 - O príncipe regente Dom Pedro, atendendo às representações dos fluminenses, paulistas e mineiros, declara no dia 9 de janeiro que decidiu ficar no Brasil, desobedecendo assim às ordens das Cortes Constituintes da Nação Portuguesa, que o chamavam à Europa. Na sessão do Conselho de Estado do dia 2 de setembro, sob a presidência da princesa real Dona Leopoldina, é reconhecida a necessidade de ser proclamada a independência. No dia 7 de setembro, D. Pedro I proclama a independência do Brasil.
Em 10 de novembro as novas bandeiras do Brasil são abençoadas e distribuídas aos corpos de guarnição do Rio de Janeiro.
1826 - Inauguração em 6 de maio do edifício do Senado do Império com a sessão inaugural da primeira legislatura. Reconhecimento do Príncipe Imperial Dom Pedro I pela Assembléia Geral em 2 de agosto. Inauguração em 5 de novembro da Real Academia de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura Civil, mais tarde Imperial Academia de Belas Artes.
1829 - Fundação em 28 de maio da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, depois Imperial Academia de Medicina e Academia Nacional de Medicina.
1830 - Instalação da primeira Câmara Municipal em 15 de janeiro.
1831 - Lutas nas ruas entre brasileiros e portugueses na noite de 13 de março, evento que ficou conhecido como noite das garrafadas*.
1834 - Promulgação em 12 de agosto do Ato Adicional à Constituição do Império
1840 - Pela primeira vez se tira uma fotografia no Rio de Janeiro no dia 17 de janeiro.
1841 - Sagração e coroação do imperador Dom Pedro II no dia 18 de julho.
1843 - Emissão em primeiro de agosto dos selos do correio do valor de 30, 60 e 90 réis, conhecidos por "olhos de boi", a segunda emissão de selos do mundo. Instalação do Instituto da Ordem dos Advogados em 7 de setembro. Instituição da Bolsa de Valores em 21 de outubro.
1845 - Chegada em 9 de junho dos primeiros colonos alemães que mais tarde foram os povoadores da cidade de Petrópolis. Em 21 de fevereiro é realizado o primeiro baile à fantasia da cidade, no Teatro São Januário. Inauguração de um serviço de barcas para Botafogo no dia 2 de julho.
1851 - Entrada do Theviot na baía de Guanabara em 6 de janeiro, primeiro vapor transatlântico, saído de Southampton, inaugurando a primeira linha entre a Europa e o Brasil.
1854 - O violento entrudo* (antiga folia popular) é abolido e em seu lugar, em 28 de fevereiro, é criada a passeata carnavalesca, de onde se originou o atual carnaval carioca.
1879 - Em 21 de fevereiro a luz elétrica é utilizada pela primeira vez na cidade, iluminando a estação central da Estrada de Ferro Dom Pedro II, atual Central do Brasil. A energia elétrica movimentaria também em 1912 os bondinhos do Pão de Açúcar
1891 - Em 24 de fevereiro é promulgada na cidade do Rio de Janeiro a primeira Constituição da República.
1904 - O Pão de Açúcar pode ser avistado do canteiro de obras da avenida Central, hoje conhecida como avenida Rio Branco, que teve suas obras iniciadas em 8 de março.
Como pode-se observar através desse cronograma, o Rio de Janeiro só começou a desenvolver-se a partir da chegada da corte portuguesa. Entre tantas heranças deixadas pela coroa, uma delas marca a vida dos cariocas: o sotaque. O "r" aspirado e o "s" chamado palatal*, modo habitual de falar da corte, foi adotado pelos habitantes da época. Hoje é um dos símbolos do carioca.
O mundo inteirinho
se enche de graça....
Corcovado - Cristo Redentor
O Morro do Corcovado, tendo em seu topo a imagem do Cristo Redentor, é um dos principais símbolos da cidade. Esse imenso bloco de rocha vertical e aparente, emergindo da mata, dominando tudo a sua volta, é um dos motivos que fazem do Rio de Janeiro a "Cidade Maravilhosa".
Construída em concreto armado, revestido por pequenos triângulos de pedra-sabão*, sobre um pedestal de 8 metros de altura, onde há uma capela* para 150 pessoas, a estátua mede 30 metros de altura; a distância entre os extremos dos dedos é de 28 metros; seu peso total é de l.l45 toneladas, sendo que a cabeça pesa 30 toneladas e os braços 88 toneladas cada um. A subida ao topo do Corcovado pode ser feita de trenzinho ou carro de passeio e a vista é...... não se pode descrever!!!!
Pão de Açúcar
Um dos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro pode ser visto logo à entrada da Baía de Guanabara. Composto por dois trechos, o primeiro vai da Praia Vermelha ao Morro da Urca atingindo 224 metros de altura, e o segundo trecho, do Morro da Urca ao Pão de Açúcar, de 395 metros de altura. A viagem no bondinho dura aproximadamente 3 minutos em cada trecho. Atualmente, são transportadas cerca de um milhão de pessoas por ano em bondinhos com capacidade para setenta e cinco passageiros por viagem. O Pão de Açúcar tem muita história para contar, pois desde o descobrimento da cidade do Rio de Janeiro, ele observa as transformações da cidade e também participa de seu crescimento. O passeio é imperdível!!!
Arcos da Lapa e Santa Tereza
Localizado no Largo da Lapa, onde no passado se concentrava a vida noturna carioca, os Arcos da Lapa se mantêm como principal monumento do Rio colonial. Sua magnífica estrutura é composta por 42 arcos de dupla arcada. Foi originalmente construído para abastecer a cidade com água do rio Carioca, Aqueduto Carioca. Sobre o aqueduto, hoje trafega o bonde* que liga o centro às ruelas antigas de Santa Teresa, pitoresco bairro com uma comunidade artística e com grande variedade de bares, restaurantes, museus, centros culturais e estúdios de arte.
Teatro Municipal
Um dos mais bonitos prédios do Rio, localizado na Avenida Rio Branco. É a principal casa de espetáculos do Brasil e a segunda da América do Sul, logo após o Colón de Buenos Aires. Todo o material usado na construção foi importado da Europa: mármores, ônix, bronze, cristais, espelhos, mosaicos, vitrais, maquinaria de palco, etc.
Jardim Botânico
Foi com o objetivo de aclimatar as especiarias vindas das Índias Orientais que, em 13 de junho de 1808, foi criado o Jardim de Aclimação por D. João, Príncipe Regente na época, e mais tarde D. João VI.
O Jardim Botânico possui hoje uma imensa área verde de 1,4 milhão de metros quadrados onde são cultivadas cerca de cinco mil espécies de plantas e árvores tropicais. Percorrendo as trilhas que recortam o jardim, descobrem-se palmeiras imperiais, plantas carnívoras, violetas africanas, orquídeas, pequenas fontes e recantos habitados por micos, esquilos e gambás*. O jardim ainda abriga o Museu Botânico, uma biblioteca com acervo de 76 mil livros especializados, um horto*, um orquidário e várias estufas*.
Floresta da Tijuca
Situado em meio à área densamente populosa da cidade do Rio de Janeiro, o Parque Nacional da Tijuca é a maior floresta urbana do mundo, com uma área de 3.300 hectares de floresta tropical situada nas zonas norte e sul da cidade do Rio de Janeiro. Mais de 1 milhão de turistas visita anualmente o Parque, que conta com boa infra-estrutura.
Olha que coisa mais linda,
mais cheia de graça...
É ela, menina, que vem e que passa...
Num doce balanço, caminho do mar
Moça do corpo dourado
do sol de Ipanema
O Rio possui 90 km de praias de areias brancas, mar, sol e muita gente bonita, bronzeada o ano todo... Mais alguma coisa??!!
A musa da Bossa Nova, mais do que qualquer garota, é a própria praia de Ipanema. Ela, nas décadas de 60 e 70, foi a praia mais em moda no Rio. Localiza-se ao longo da avenida Vieira Souto, entre o Arpoador e o Jardim de Alá, é urbana e tem uma faixa larga de areia fofa, com ondas relativamente fortes. Talvez o mais famoso ponto da praia de Ipanema seja o Posto 9, em frente à rua Vinícius de Moraes. Ali concentram-se os intelectuais cariocas. Em frente ao Country Club, o fechadíssimo clube da alta sociedade carioca, encontra-se a juventude de patricinhas* e mauricinhos* do Rio. Já em frente à Rua Farme de Amoedo fica a ala gay. Por todo o calçadão da orla existem chuveiros e sanitários, nos postos de salvamento. Para quem gosta de pedalar, vai a dica*: o calçadão* é margeado por uma extensa ciclovia, que vai do Leblon até o Aterro do Flamengo. Quiosques vendem as mais diversas comidas e bebidas, mas o básico é a água de coco e o sanduíche natural, além do tradicional biscoito de polvilho vendido pelos ambulantes. Depois da praia, o chopinnho gelado é a melhor pedida, seja no Barril ou no tradicional Garota de Ipanema (esquina das ruas Vinícius de Moraes e Prudente de Moraes).
Leblon
A praia do Leblon é a extensão da praia de Ipanema, e é preciso ficar atento à qualidade da água. Em seus 1,3 quilômetros de extensão, o Leblon tem areias claras e fofas e ondas fortes com a prática do surfe. O Leblon não é freqüentado por um público definido, mas há uma grande curiosidade: o quiosque Baixo Bebê, em frente à Rua Venâncio Flores. O Baixo Bebê é uma verdadeira creche ao ar livre e ali reúnem-se diariamente mães, babás* e crianças que se divertem com os brinquedos colocados à disposição do público. Nos fins de semana, o Baixo Bebê promove os mais variados eventos infantis como festas de Natal e Páscoa e contadores de histórias. As crianças adoooooram!!!
Para os nem tão familiares, a pedida é o Caneco 70, para o tradicional chopinho gelado ao cair da tarde. Para quem quer dar uma esticada, a tradicional Pizzaria Guanabara, fica aberta até o amanhecer, ou melhor, até que o último freguês resolva ir embora. É a parada certa de celebridades cariocas e reduto boêmio.
Copacabana
Uma das mais famosas praias do mundo, outrora decantada como a Princesinha do Mar, estende-se sinuosamente pela Av. Atlântica, com seus 3,4 Km de extensão. Por ser a praia mais larga do Rio e estar imprópria para banho, Copacabana concentra o futebol, o futevôlei e o vôlei de praia, em suas fofas areias.
Uma de suas características é o calçadão decorado com pedras brancas e pretas em formato de onda, marca registrada do Rio. O réveillon é a melhor data para se apreciar Copacabana, quando é feita uma grande festa com fogos de artifício, atraindo milhares de pessoas da cidade, do país e do mundo inteiro. O ponto principal de Copacabana é o Hotel Copacabana Palace, com seus salões sempre freqüentados pelas mais célebres estrelas internacionais. O Hotel Copacabana Palace é um resquício da Copacabana dourada dos anos 50 e ainda conserva intacta sua arquitetura e um pouco de seu glamour. Um dos melhores restaurantes da cidade, o Cipriani, fica no Copacabana Palace.
Barra da Tijuca
É a mais extensa da cidade, com 18 quilômetros. A areia é branca e fina, o mar é agitado e em alguns pontos perigoso. As ondas fortes são propícias à prática do surfe, do bodyboard e do windsurfe. O ponto mais badalado* da praia da Barra é em frente ao quiosque Barraca do Pepê, o conhecido campeão de Asa Delta que faleceu no Japão no começo dos anos 90. Ao lado direito da Barraca do Pepê encontram-se os entusiastas do corpo, freqüentadores de academias com corpos esculturais.
Um pouco mais adiante, ficam os praticantes de windsurfe nas ondas e não é difícil encontrar ali nomes importantes desse esporte.
A praia é totalmente margeada por uma ciclovia e um calçadão com quiosques. Na Barra, existem inúmeras opções de lazer para todas as faixas etárias*.
O charme de Santa Teresa
Se há alguma coisa no Rio de Janeiro que o carioca não suporta é dia nublado. Ele gosta de mostrar sua cidade à luz do sol. Quer compartilhar com o turista o chope gelado, a areia da praia, os quiosques da Lagoa Rodrigues de Freitas, a bênção do Cristo Redentor e a natureza incomparável. Mas esse roteiro pode ser mudado, porque o Rio é muito mais. Com sol ou abaixo de chuva, o charmoso e boêmio bairro de Santa Teresa oferece um banho de arte, cultura, gastronomia e lazer.
O ponto de partida é a Estação Carioca, no centro da cidade. De lá partem os bondinhos amarelos em direção ao bairro dos artistas, dos botequins, e de uma comunidade muito especial do Rio de Janeiro. A visita merece um fim de semana inteiro. Os bondes circulam a partir das 6h e só param às 23h. Eles trafegam sobre os Arcos da Lapa para chegar ao bairro e remontam uma época romântica do Rio.
Pelas ruas estreitas e ladeiras, o bonde elétrico recolhe estudantes, trabalhadores e turistas. Divide espaço com os carros e com as pessoas que também não encontram muito espaço nas calçadas para caminhar. Por isso, ainda acontece de o motorneiro* parar o bonde no meio da viagem, e o condutor descer para avisar aos motoristas desavisados que, por aqueles trilhos, ainda passam bondes. Se isso acontecer, não reclame. Não há pressa em Santa Teresa.
A gastronomia do bairro é uma delícia. O bondinho passa em frente a todos os bons restaurantes e seus condutores conhecem tudo em Santa Teresa, podendo ser ótimos guias.
À tarde, em uma caminhada pelo bairro, além dos casarios e das chácaras do século 17 é possível visitar acervos de arte e fazer compras. Nas portas, uma placa indica que a residência faz parte do projeto Portas Abertas. É só entrar.
O Rio de Janeiro é uma cidade com ritmo, sabor e vida. O equilíbrio entre estes fatores faz dela uma cidade única. Berço* do samba, da bossa nova, do chorinho*, do sol, dos corpos bronzeados e de gente bonita, sarada, alegre, sem pressa... Ponto de encontro de gente que ama a vida, que adora cerveja e bebe caipirinha. Que toma água de coco e aprecia a beleza de sua cidade deixando o tempo passar. Onde quer que se esteja, haverá sempre por perto um mirante de onde se pode descortinar vistas inesquecíveis da cidade. Momentos que vão ficar gravados na memória de quem pôde desfrutar das belezas do Rio e irá agradecer eternamente à vida por esse simples momento...
É, amigos, a vida passa depressa ... e é feita de momentos!!!!
Vocabulário
Encouraçado: Que tem couraça
Chope: Cerveja fresca de barril.
Garrafada: Pancada com garrafa.
Pancada: Agressão física
Entrudo: Folguedo carnavalesco antigo, que consistia em lançar uns aos outros água, farinha, tinta, etc.
Folguedo: Brincadeira, divertimento
Pedra-sabão: Variedade de esteatita, muito usada em Minas Gerais para esculturas e ornatos arquitetônicos.
Capela: Pequena igreja de um só altar.
Gambá: Designação comum aos mamíferos marsupiais, da família dos didelfídeos.
Horto: Pequena horta. Terreno onde se cultivam hortaliças, legumes, etc.
Estufa: Galeria envidraçada na qual se aquece artificialmente a atmosfera para cultura de plantas de climas quentes.
Patricinhas e mauricinhos: ver "A palavra do mês"
Dica: conselho.
Calçadão: Rua para pedestres.
Babá: criadeira, mulher que cuida criança alheia.
Badalado: Muito falado; comentadíssimo.
Faixa etária: idade.
Lazer: Tempo de que se pode livremente dispor, uma vez cumpridos os afazeres habituais. Atividade praticada nesse tempo; divertimento, entretenimento, distração, recreio.
Motorneiro: O encarregado do motor de um bonde.
Berço: Lugar de nascimento de alguém.
Chorinho: Música de caráter sentimental.
Bonde: Veículo elétrico de transporte urbano, para passageiros ou carga, que se move sobre trilhos e pode ser fechado ou aberto, com estribo corrido e bem perpendicular a este; elétrico.
7. Matando as saudades
Pelo professor carioca Igor Ravasco
Falar de Arraial do Cabo é fácil e difícil ao mesmo tempo. É fácil, pois, apesar de não ter nascido lá, morei por mais ou menos vinte anos. E é muito difícil, pois qualquer palavra que eu usar não poderá descrever a beleza de suas praias, o esplendor de seu pôr-do-sol.
Arraial do cabo é uma pequena cidade localizada a 170 km do Rio de Janeiro, a 30 km de Búzios e 15 km de Cabo Frio. A palavra Arraial significa aldeia, pequena povoação e Cabo é uma ponta de terra que avança pelo mar. De fato, arraial é uma ponta, um pedaço de terra cercado pelo mar.
A história do Arraial começa em 1503, com a chegada do navegador florentino Américo Vespúcio à terra dos índios tamoios. Arraial foi um dos primeiros pontos estabelecidos de comércio do Brasil, no ciclo conhecido como ciclo do pau-brasil. Em Arraial, também foi celebrada a primeira missa em templo fechado, na Praia dos Anjos, na igreja de Nossa Senhora dos Remédios, que abençoa* Arraial desde 1536.
A Praia dos Anjos é a praia do descobrimento de Arraial. É onde o sol nasce. Foi a praia mais freqüentada da cidade, até que ali se instalou um porto, e conectou-se a rede de esgoto sanitário a um canal que desaguava nesta praia. Por muitos anos a praia esteve poluída, mas há 8 anos, depois da inauguração da rede de tratamento de esgoto sanitário, a praia foi limpa e voltou a estar apta para toda a população. No bairro da Praia dos Anjos, encontramos o Museu da Marinha. Vale a pena conferir.
Ao lado da Praia dos Anjos, encontra-se o Morro do Forno. Cruzando este morro, a pé (de 10 a 15 minutos) ou de barco (mais ou menos 5 minutos), chegamos à Praia do Forno. É pequena e de águas límpidas, que tem o poder de nos fazer apaixonar por ela. Para os que podem, recomendo a subida pelo morro. Não é uma subida muito inclinada e o acesso é rápido. Recomendo este caminho para que sintam na própria pele o que é estar no alto do morro, num dia de verão, vendo a praia do alto, e com vontade de correr morro abaixo.
Na entrada do perímetro urbano de Arraial, justamente depois de uma curva, vemos, também de uma elevação, a Prainha. Uma praia freqüentada por muitas famílias e que conta com, entre outras coisas, a famosa banana boat.
Como eu disse, Arraial do Cabo é um pedaço de terra cercado por mar. Então falta falar das Prainhas, duas praias pequenas, coladas uma à outra, onde se pode chegar de barco, saindo da Praia dos Anjos, ou indo de carro, ou mesmo a pé, caminhando pelo Pontal do Atalaia. O Pontal é um morro privado (isso mesmo!), de onde recomendo que se veja o pôr-do-sol; o sol se pondo no mar ao lado da Ilha dos Franceses. Assim como as Prainhas, outro lugar onde se pode chegar pelo pontal é a Praia Brava, assim chamada por desaparecer quando a maré sobe. Tanto no caso das Prainhas, quanto no da Praia Brava, os que vão pelo Pontal têm de descer caminhando até a praia.
Em Arraial do Cabo também se encontra a Ilha do Farol, guardada pela Marinha, a quem se deve pedir permissão para descer. A menos que se vá com barcos que já possuam essa permissão por trabalhar com turismo. A Ilha do Farol é uma reserva biológica, e sua praia, sua única praia, foi considerada há dois anos a perfeita do Brasil, pela qualidade da água, cristalina, da areia, branca e fina, e sobretudo por causa da poluição zero. A ilha tem este nome por possuir dois faróis. Um velho, desativado, do final do século 19, aonde se pode ir, desde que acompanhado de guia experiente, e um farol novo, usado pela Marinha.
Mas como este texto é bastante pessoal, apesar da praia perfeita ser a da Ilha, minha praia preferida é a Praia Grande, onde mora minha família a 2 quadras. A Praia Grande tem esse nome por ser verdadeiramente grande. São 50 km de areia branca e fina, num mar aberto. A água é um pouco mais fria que as das demais, por passar por aí uma corrente marítima proveniente das Ilhas Malvinas. Mas nos dias de verão, quando o calor ultrapassa os 35 graus, essa sensação de água mais fria é muito agradável. De vez em quando, a corrente muda e a água esquenta, aí não se quer sair do mar, até ter a mão como uma passa de uva. O pôr-do-sol visto da Praia Grande também é um espetáculo. Quando o mar da Praia Grande está agitado, de ressaca*, é necessário ter cuidado, porque pode ser bastante traiçoeiro, mas para a prática do surfe torna-se bastante concorrida.
Aí na Praia Grande, realiza-se a pesca de arrastão, onde os pescadores lançam as redes e todos podem ajudar a puxá-las do mar. É um dos últimos lugares do Brasil onde ainda se pesca assim. Com um pouco de sorte, pode-se ganhar um dos peixes como prêmio por haver ajudado.
Falar de Arraial do Cabo, também é falar da Gruta Azul, uma gruta subterrânea, por trás da Ilha do Farol, voltada para o mar aberto. Um dos lugares mais bonitos do Arraial, e do Brasil. Aí é um ponto de mergulho, mas somente mergulhadores muito experientes devem mergulhar na gruta. Arraial do Cabo é conhecida como a capital do mergulho, e é considerada o melhor ponto do Brasil, depois da Ilha de Fernando de Noronha e do Arquipélago dos Abrolhos, como o melhor lugar do Brasil para a prática desse esporte.
Arraial do Cabo é uma cidade pequena, 25 mil habitantes, que possui uma rede crescente de pousadas e hotéis, a preços que quase sempre não são altos. Para comer, Arraial oferece variedades, desde restaurantes de comida a quilo, passando pelos quiosques em todas as praias, exceto na Praia Brava e na Ilha do Farol, e bons restaurantes, como o Garrafa de Nansen e o Saint Tropez, perto da Praia dos Anjos, e o Todos os Prazeres a dois passos da Prainha. Uma outra atração gastronômica do Arraial é o restaurante flutuante, na Praia do Forno, onde se podem comer frutos do mar fresquíssimos, e o acesso se dá somente por barco.
Enfim, sei que sou bastante suspeito para falar de Arraial do Cabo, mas a melhor definição de Arraial foi dada por um dos folclóricos moradores da cidade: "Arraial, melhor só o céu". Quer dizer, apenas o paraíso é melhor do que o Arraial. Esse é um lugar que vale a pena conhecer.
Vocabulário
Abençoar: Dar ou lançar a bênção a; benzer, abendiçoar, bendizer.
Ressaca: Investida fragorosa, contra o litoral, das ondas do mar muito agitado.
ORTOGRAFIA
Oi galerinha! Conforme o combinado, estou de volta e vamos continuar falando, ou melhor escrevendo, sobre a ortografia de português. Tenho algumas dicas que, com certeza, vai facilitar muito a vida de vocês. Mas, em caso de dúvida, não esqueçam: o dicionário e a gramática são sempre a melhor pedida, além de poder mandar seu e-mail ao instituto portugues@verdeamarelo.com.ar, é claro.
Quando utilizamos:
1. A ou Há?
Veja o exemplo:
" Espero que ela consiga seu passaporte porque vai viajar daqui A ou HÁ uma semana."?
Há (do verbo haver) só poderia ser usado caso se referisse a um tempo já transcorrido:
"Não vou à praia há meses."
Faz meses que não vou à praia.
"Há dias ocorreu uma grande tragédia nos Estados Unidos."
Faz alguns dias ocorreu uma grande tragédia nos Estados Unidos.
Quando a idéia for de tempo futuro, devemos usar a preposição "A":
"Espero que ela consiga seu passaporte porque vai viajar daqui a uma semana."
"Vou à praia daqui a um mês."
Decore a dica:
Tempo passado: Há (Faz)
Tempo futuro: A
Observação:
Quando a idéia for de distância, também devemos usar a preposição "A":
"O Verde & Amarelo fica a três quarteirões do Obelisco."
" Estamos a dez quilômetros do Zoológico".
2. A CERCA DE ou HÁ CERCA DE ou ACERCA DE?
a) A CERCA DE = A (preposição) + CERCA DE (perto de, aproximadamente):
"Estamos a cerca de dez quilômetros do Zoológico."
"Estamos aproximadamente a dez quilômetros do Zoológico." (idéia de distância)
b) A CERCA DE = A (artigo) + CERCA (substantivo) + DE (preposição):
"Fique longe da cerca de arame farpado*! Você pode se cortar!"
c) HÁ CERCA DE = HÁ (verbo haver) + CERCA DE( perto de, aproximadamente):
"Não nos vemos há cerca de dez anos."
Faz aproximadamente dez anos que não nos vemos.
"Há cerca de quatro pessoas na sala de espera".
Existem perto de quatro pessoas na sala de espera.
d) ACERCA DE = a respeito de, sobre:
"Falávamos acerca da chegada da primavera ontem".
Falávamos a respeito da chegada da primavera ontem.
3. ABAIXO ou A BAIXO?
a) ABAIXO = embaixo, sob.
1. Em lugar menos elevado:
"Aquela árvore está bem mais abaixo que esta."
2. Na parte inferior:
"Os abaixo nomeados não receberão bonificações."
3. Na direção da parte superior para a inferior; descensionalmente:
"O fato de voarem uma atrás da outra, ora à direita, ora à esquerda, ora abaixo, ora acima, .... as borboletas voaram em linha reta, como simples militares."
4. Em situação ou posição hierárquica inferior:
"Pedro é diretor da firma, Paulo está abaixo."
"Sua classificação foi abaixo da minha".
Antônimo: acima.
b) A BAIXO = para baixo, até embaixo:
"Eles puseram o apartamento a baixo."
4. ABAIXO-ASSINADO ou ABAIXO ASSINADO?
a) O documento que se assina é um ABAIXO-ASSINADO:
"Entregamos o abaixo-assinado ao prefeito."
b) Quem assina o documento é um ABAIXO ASSINADO:
"O abaixo assinado, Dr. Fulano de Tal, vem respeitosamente..."
5. SOB ou SOBRE ?
a) SOB = embaixo
"Estamos sob uma velha árvore."
"Está tudo sob controle"
b) SOBRE = em cima de
"O carro corria sobre o asfalto."
"Deixou a caneta sobre a mesa."
Bem, agora vamos praticar. Resolva os exercícios abaixo e confira suas respostas:
a) Estou _______ as ordens do meu chefe.
b) Perguntou-me __________ Maleninha.
c) ______ semanas não vejo a turma do Verde & Amarelo.
d) Fizeram um ___________ pedindo o retorno do antigo coordenador.
e) Uwe deixou a xícara ________ a mesa e Sebastião a derrubou.
f) Dona Toninha ocupa o cargo de Gerente de Vendas e o senhor Bubi ocupa um cargo ___________.
g) Vero mora __________ 10 quadras do Verde & Amarelo.
h) A primavera chegou ________ alguns dias.
i) Eles puseram as torres ___________.
j) ___________ 45 shoppings na cidade de São Paulo.
l) Zé estava ________ alguns metros do Verde & Amarelo quando se lembrou de que não tinha aula.
m) Querem fazer um ___________ para que a cidade fique mais limpa.
n) Deixei a bolsa ________ o banco do ônibus e fui roubada.
o) Olhavam a Alicinha de alto ___________.
p) Mariana está na Suécia ____________ dois meses.
q) Fizeram __________ madeira para que as galinhas não fugissem.
r) Daqui _______ alguns dias vou visitá-los com Maleninha.
s) Ariel mora num apartamento três andares ________ do meu.
t) Tomatinho estava falando ___________ Florência, quando ela chegou.
u) Hernan deixou tudo _________ controle.
Vocabulário
Arame Farpado: Cabo formado por dois fios de arame enrolados, e no qual se fixam, de espaço em espaço, farpas do mesmo metal.
Respostas em:
http://www.verdeamarelo.com.ar/portugues.htm
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