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Verde & Amarelo
número 15
La alegría brasileña
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Verde & Amarelo

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BOLETIM VERDE & AMARELO

Nº. 15 - 05 de maio / 2001 –


Este é o décimo quintonúmero de uma publicação eletrônica menzal e gratuita idealizada pelo Instituto de Português Verde & Amarelo (Maipú 388, 3º K – Cap.Fed. –tel. 4325-0932 / 4393-0645), dirigida a alunos, clientes e amigos. Tem como objetivo ampliar o contato entre aquelas pessoas que de uma ou outra forma se interessam pelo Brasil - notícias, cultura geral, novidades, opiniões, humor, etc - ou que desejam receber informações diversas em Português.
O Verde & Amarelo é um Instituto de Português dedicado ao ensino a hispanofalantes. Trabalhamos com material próprio e exclusivo, onde consideramos as semelhanças e as diferenças entre o português e o espanhol. Nosso objetivo é que as aulas sejam dinâmicas, divertidas e os alunos dominem o idioma dentro do menor tempo possível.

Inscrição: envie um e-mail com o título "ASSINATURA" a secretaria@verdeamarelo.com.ar
Cancelamento: envie um e-mail com o título "ELIMINAR" a secretaria@verdeamarelo.com.ar
DÚVIDAS: portugues@verdeamarelo.com.ar

Confira neste número:

1. O descobrimento do Brasil (Especial)
2. Informativo econômico (Novo!!!!!!!)
3. Humor
4. Você sabia?
5. A palavra do mês
6. Língua portuguesa e literatura brasileira
7. Música & Cia.
8. Soneto
9. Viajando pelo Brasil

10. Como anda o seu português?
Vocabulário (Ao final de cada matéria)


1. O descobrimento do Brasil

pela professora paulista Anamaria Bacci

O Descobrimento do Brasil

Dia 21 de abril de 1500. Quase no fim da tarde, a agitação tomou conta dos marujos* da esquadra de Cabral. A excitação era explicável. Depois de 43 dias navegando no assustador mar-oceano, eles finalmente tinham avistado uma porção de algas marinhas boiando* na superfície da água – sinal certo de terra próxima. Composta por 13 embarcações, a esquadra era a maior expedição marítima que já saíra de Portugal até aquela data. A tripulação de 1.500 homens correspondia a 3% da população de Lisboa no período, cerca de 50 mil habitantes.

Pela história oficial, o Brasil foi descoberto no dia 22 de abril de 1500, sendo batizado como Monte Pascoal devido a época de páscoa no calendário católico. Desembarcaram num local designado Porto Seguro (Bahia), onde foi realizada a primeira missa pelo Frei Henrique Soares. Chamado na Carta de Pero Vaz de Caminha (o redator oficial da viagem) de Ilha de Vera Cruz, o Brasil foi renomeado para Terra de Santa Cruz. Assim foi chamado pela primeira vez na carta enviada por D. Manuel aos reis espanhóis para desta forma anunciar o seu descobrimento. No primeiro instante, os tripulantes não acharam nada de valor no Brasil (um dos motivos pelo qual a nova colônia foi abandonada por 30 anos). Um importante fato foi o encontro dos europeus com os nativos (os índios tupiniquins* pertencentes a grande família tupi-guarani que habitava praticamente todo o Brasil) nas mediações da foz do Rio Caí (no sul da Bahia). A princípio foram enviados representantes em báteis (espécie de canoa muito utilizada para chegar à faixa terrestre) na intenção de haver diálogo, mas todo esforço foi em vão...nenhum dos representantes conhecia aquela linguagem. Pero Vaz de Caminha em sua carta ao rei português, D. Manoel, descreve esse encontro assim: "pardos, todos nus, sem nenhuma coisa que lhes cobrisse suas vergonhas". No começo do terceiro dia (24 de abril) a esquadra portuguesa iria procurar um novo ancoradouro* para suas naus*, já que uma forte tempestade no litoral brasileiro fez com que algumas se desviassem do ancoradouro primário. Aconselhado pelos pilotos de sua esquadra, Cabral zarpou rumo a um lugar de "bom pouso" onde a armada pudesse se abastecer de lenha e água, além de ficar mais segura. Ao fim do dia as naus ancoraram próximo a foz do rio Mutari, a 12 quilômetros da atual cidade de Porto Seguro.

O descaso* com o Brasil Após o descobrimento, o Brasil não foi imediatamente inserido no contexto histórico português. Nessa época a suposta metrópole portuguesa estava interessada no rentoso comércio das especiarias* do oriente, na Índia. E para surpresa de muitos, também na costa africana, onde o marfim, o ouro e, principalmente, o tráfico de escravos rendiam altos indíces para a crescente burguesia européia. Sem perspectivas econômicas, durante 30 anos, o Brasil foi praticamente abandonado por Portugal, sendo arrendado para a exploração de pau-brasil*. Américo Vespúcio, depois de sua expedição ao Brasil, escreveu um relatório ao rei que dizia: "Nessa costa, não vimos coisa de proveito, exceto uma infinidade de árvores pau-brasil (...) e já tendo estado na viagem bem dez meses, e visto que nessa terra não encontrávamos coisa de minério algum, acordamos nos despedirmos dela".

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Para quem quer conhecer um pouco mais sobre a história e a arte brasileira, aqui vai uma dica*:

A Embaixada do Brasil tem o prazer de convidar os senhores a participarem da Mostra de Arte Brasileira. A mostra oferece ao público a oportunidade de uma reflexão crítica sobre a identidade brasileira,nas seguintes datas e lugares:

· Museo Nacional de Bellas Artes

Arte Barroca - de 17 de abril a 25 de maio

· Centro Cultural Recoleta

Arte Popular - de 17 de abril a 3 de junho

· Museo de Arte Moderno de Buenos Aires

Arte Contemporânea - de 18 de abril a 20 de maio

· Fundación Proa (onde estarão trabalhos realizados em hospitais psiquiátricos do Brasil)

Imagens do Inconsciente - de 21 de abril a 17 de junho

Vocabulário
Marujos: Homem do mar; marinheiro.
Boiar: Flutuar, sobrenadar
Especiaria: Qualquer produto de origem vegetal, aromático (cravo, canela, pimenta, noz-moscada, etc.) usado para condimentar iguarias. Pau-brasil: Em 1500, o pau-brasil era abundante na mata Atlântica. os índios a chamavam de "ibirapitanga" (árvore vermelha em tupi). De seu tronco, eles extraíam tinta vermelha para pintar o corpo. O nome vem de bersil, que significava brasa no português da época, daí o nome BRASIL!
Dica: Informação ou indicação.
Ancoradouro: Local onde o navio permanece ancorado, embora não ofereça boas condições de fundeio e abrigo.
Ancorar: Lançar (a embarcação) uma âncora ao fundo, para com ela manter-se parada; lançar ferro.
Nau: Antigo navio redondo, tanto na forma do casco quanto no velame, de grande tamanho, com acastelamentos na proa e na popa.
Descaso: Desatenção, desconsideração, desprezo, desapreço.
Tupiniquim: Indivíduo dos tupiniquins, povo indígena da família lingüística tupi-guarani.


2. Informativo econômico

pelo professor e economista cearense Flávio Castro

Agora CPMF Brasileira na Argentina também

A Contribuição Provisória ao Movimento Financeiro (CPMF) foi criada no Brasil em 1993 durante o governo de Itamar Franco (e Fernando Henrique Cardoso como Ministro da Economia). Criou-se, então, esse imposto provisório com a finalidade de cobrir o déficit no setor da saúde e das aposentadorias*. Mas, o que era para ser provisório virou permanente e obriga o Governo Brasileiro a solicitar sua prorrogação a cada dois anos, junto ao Congresso Nacional, através de Medidas Provisórias. Sua finalidade atual é reduzir o déficit fiscal. A CPMF hoje, no Brasil, é cobrada em 0,20% em todo movimento bancário de pessoas físicas e jurídicas, sobre qualquer depósito ou saque em conta corrente.

A CPMF Argentina surgiu no Pacote Econômico do novo Ministro da Economia Domingo Cavallo com as mesmas razões de emergência para este país. Entrou em vigor a partir do dia 2 de abril e tem as seguintes características: § Alíquota máxima de 6 por 1000. (ou seja, será cobrado 0,25% sobre o valor de cheques emitidos ou depositados em conta corrente de pessoas físicas ou jurídicas e também em depósitos em caderneta de poupança*). § Em todos os movimentos em conta corrente, débitos e créditos. § Em cheques emitidos ou depositados pelo titular. § Em débitos automáticos ou não, em conta corrente para pagar serviços públicos ou créditos hipotecários ou pessoais. § Estão livres do imposto: investimentos* em prazos fixos e pagamentos com cartão de crédito* no momento de efetivar a compra. Com relação ao cartão de crédito, o imposto é cobrado ao pagar o seu saldo no vencimento do mesmo, ou seja, é uma faca de dois gumes*.

Vocabulário

Aposentadoria:Estado de inatividade de funcionário público, ou funcionário de empresa particular, ao fim de certo tempo de serviço, com determinado vencimento.
Poupança: A parte da renda pessoal ou da renda nacional que não é gasta em consumo. Economia.
Investimento: Aplicação de dinheiro (em títulos, ações, imóveis, etc.), com o propósito de obter ganho.
Cartão de crédito: Documento emitido por instituição financeira, e que autoriza o usuário a ser debitado em compras ou outros serviços prestados, de acordo com cláusulas preestabelecidas.
Faca de dois gumes: significa que tem duplo sentido.


 

3. Humor

Um homem tinha como profissão cuidar de ursos*. Certo dia ele largou a profissão. Qual o nome do filme?
O Ex-ursista.

Uma moça usava um grampo* de ferro que começou a enferrujar*. Ela então pediu para uma mulher forrá-lo. Qual o nome do filme?
Forrest Grampo.

Um homem bebeu um Tang laranja e se jogou de cima da torre Eiffel. Qual o nome do filme?
O Último Tang em Paris.

Um casal que não tinha braços teve um filho. Qual o nome do filme?
Ninguém segura este bebê.

33 casais entram num bar, pedem Coca-Cola e começam a arrotar*. Qual o nome do filme?
A Rota 66

Um casal foi ao cinema com uma caixa de preservativos. Qual o nome do filme?
Evita.

Um homem acidentalmente sentou em cima de um cachorro. Qual o nome do filme?
Cento em um Dalmata.

Um homem tirou um sino da igreja e colocou-o no forno. Qual o nome do filme?
O assa sino.

Um chiclete* conheceu uma chicletinha, casaram-se e tiveram vários chicletinhos. Qual o nome do filme?
A Família Adams.

Um mamão foi violentamente atirado contra a boca de um sujeito. Qual o nome do filme?
O mamão que balança o beiço*.

Um esquimó* entra no seu iglu que explode logo em seguida. Qual o nome do filme?
O igluminado.

Um cara* comeu um quilo de alho e depois escovou os dentes. Qual é o nome do filme?
Mudança de hálito*.

Um alemão de Blumenau começa a levantar vôo*. Qual o nome da banda de rock?
Aero Schmidt.

Vocabulário
Urso: Animal do gênero-tipo dos ursídeos, em que se incluem todos os ursos extantes; são mamíferos fissípedes, onívoros, que habitam os climas temperados, hibernando nos países em que o inverno é rigoroso; as espécies de grande porte são perigosas para o homem.
Grampo: Gancho de metal com que se prende o cabelo.
Enfurrajar: Fazer criar ferrugem; oxidar
Arrotar: Soltar pela boca o ar do estômago.
Chiclete: goma de mascar, chiclé.
Beiço: lábio.
Esquimó: Indivíduo dos esquimós, povo nativo da Groenlândia, da costa setentrional da América e das ilhas árticas vizinhas.
Cara: Indivíduo, sujeito
Hálito: Ar expirado; cheiro, odor da boca.
Vôo: Movimento no ar e sem contato com o solo, próprio das aves, de muitos insetos e de alguns outros animais, ou de aeronaves.


4. Você sabia?

pela professora paulista Ana Paula Ferreira

  • primeiro apelido* que o Brasil ganhou foi Terra Papagalli (Terra dos Papagaios)? Isso porque entre os animais que foram levados para Portugal o que mais chamou a atenção foi o papagaio.
  • Das 13 naus* que partiram de Portugal apenas 5 conseguiram retornar?
  • Quando o Brasil foi descoberto em 1500, existiam entre 1 milhão e 3 milhões de índios divididos em 1400 tribos? Atualmente, há em torno de 280 mil índios?
  • processo de extinção dos indígenas foi iniciado quando os primeiros europeus ali se estabeleceram com matanças, escravização e transmissão de doenças como sarampo, varíola e gripe?
  • Os índios vieram da Ásia para o continente americano há 40 mil anos. Eles atravessaram o estreito de Bering (que liga a Sibéria ao Alasca ) no período das glaciações?
  • Quando Cabral chegou ao Brasil, o tupi* era falado numa faixa de 4 mil quilômetros, do norte do Ceará ao sul de São Paulo?

Vocabulário

Apelido: nome informal, forma carisonha de chamar a pessoa.
Nau: Antigo navio redondo, tanto na forma do casco quanto no velame, de grande tamanho, com acastelamentos na proa e na popa.
Tupi: Indivíduo dos tupis, povo indígena que habitava o N. e C.O. do Brasil, na região compreendida pelo rio Amazonas e seus afluentes da margem direita, e cuja língua constituía um dos quatro principais troncos lingüísticos da América do Sul.


5. A palavra do mês

Pela professora mineira Virgínia Bezerra

Oi gente boa!! Aproveitaram o FERIADÃO* da Páscoa? Espero que gostem da minha palavrinha desta semana! Com vocês, a sensacional, a fantástica, a mais que maravilhosa, deslumbrante e sem dúvida nenhuma a melhor de todas as palavras DO MUNDO... A ganhadora é...

PUXA-SACO

Quando comecei a me inspirar, sentadinha aqui na frente do " Alfred" (este é o nome do meu computador, que não é o melhor mas quebra o galho*...) lembrei logo do meu querido Brasil! Gente, não é por nada não, mas o meu país é o melhor país do mundo!!! Essas praias paradisíacas, esse verde que não é só verde, é um verde espetacular, um verde cheio de esperança! E o azul? Uai*, tem coisa melhor que esse azul anil* do nosso céu?? Isso sem falar no povo, glória da nossa cultura, também maravilhosa, das nossas garotas, dos garotos ("menino do Rio, calor que provoca arrepio*"). Acho melhor não falar da nossa música, do nosso ritmo, porque aí já seria covardia, hahahaha!!! É isso aí, minha gente, eu sou a maior PUXA-SACO do Brasil mesmo!!! Ainda mais agora, que estamos na data do nosso descobrimento (para os bocós* que não sabem: 22 de abril de 1500). Neste momento, pare e reflita: você ainda tem tempo, pode passar para a página seguinte, pode fechar o arquivo, pode selecionar tudo e me riscar do mapa*... não me interessa, eu vou continuar puxando o saco do meu amado Brasil sim, e pronto!!! Bom, já que você, pobre e incauto ciber-leitor, decidiu continuar me agüentando, vamos lá com a explicação, né? Puxa-saco: (de puxar + saco) Adjetivo de dois gêneros, ou seja, não interessa quem é o "puxador de saco", ou quem pratica o "puxa-saquismo", sempre determinamos se o autor da ação é feminino ou masculino com o artigo que antecede o nome. Ex.: A Virginia é a maior puxa-saco da Isabel, a diretora do Verde&Amarelo! hihihi! (será que ela vai me dar um aumento depois desta revelação??) Puxar o saco = bajular, lisonjear, adular servilmente Puxa-saco = bajulador. Aquele que bajula; adulador, adulão, babão, baba-ovo, chaleira*, cheira-cheira, chupa-caldo, corta-jaca*, enxuga-gelo*, escova-botas, lambedor, lambe-botas. Bom, pessoal, não vou mais falar das maravilhas nem das grandezas do meu país, só acho interessante vocês lembrarem da floresta amazônica, do Rio de Janeiro, das praias de Fortaleza e da Bahia, das nossas hidrelétricas, da Petrobras, dos nossos mais de 160 milhões de habitantes que sentem orgulho de ser brasileiros, do Pelé, do Caetano Veloso e do Vinícius de Moraes, da nossa mistura de raças, da nossa eterna alegria, da nossa esperança no futuro e é claro que não poderia faltar: que somos tetra campões mundiais de futebol!!!! Nossa, ser PUXA-SACO é chato!!! Para não ser injusta, vou confessar-lhes uma coisinha: o puxa-saco é um ser volúvel; seu puxa-saquismo não está dirigido somente a uma pessoa, assim que vou dedicar minhas próximas palavras aos meus alunos, amigos, leitores e colegas... VOCÊS SÃO ÓTIMOS!! SUPER-LEGAIS*!! OS MELHORES DO MUNDO!! Vir, profecibersuperpuxa-saco!!!

Vocabulário:
Quebrar o galho = (gíria) Substantivo masculino - Qualquer pessoa, ou recurso, ou coisa que ajuda a resolver uma dificuldade.
Uai =Interjeição usada no estado de Minas Gerais, muito provinciana, que exprime surpresa, espanto, ou terror.
Arrepio = Do verbo arrepiar. Substantivo masculino - Significa tremor resultante de frio, medo, calafrio.
Riscar do mapa = Suprimir, excluir. Ex.: Depois do insucesso do projeto o engenheiro foi riscado do mapa.
Bocó = adjetivo - tolo. Que diz ou pratica tolices; sem inteligência ou sem juízo. Tonto, simplório, ingênuo.
Chaleira = (De chá + -l- + -eira.) Substantivo feminino - Vasilha bojuda, de metal, com bico e tampa, onde se aquece água, inclusive para o chá.
Jaca = substantivo feminino - fruto da jaqueira. Podemos encontrar esta fruta na região nordeste e norte, e em algumas partes da região sudeste do Brasil. Esta fruta é muito grande, algumas alcançam o tamanho de uma melancia, seu cheiro é fortíssimo, resultando difícil de ser cortada.
Enxugar = Tirar a umidade, secar.


6. Língua portuguesa e literatura brasileira

pela professora catarinense Maristela Müller

O lado feminino da nossa literatura.

Até aqui, sempre falamos de homens que marcaram a literatura brasileira, hoje, porém, quero trazer para vocês um pouquinho sobre uma mulher incrível: MARINA COLASANTI. Ela nasceu em Asmara (Etiópia), morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna. Já publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós; Intimidade Pública; Eu Sozinha; Zooilógico; A Morada do Ser; A nova Mulher e Mulher daqui pra Frente. Constantemente, é convidada para cursos e palestras* em todo o Brasil. No seu livro Contos de Amor Rasgados encontramos histórias e feridas de amor, contadas de uma forma tão delicada e ao mesmo tempo tão perturbadora que despertam muitas emoções. Deixe-se levar pela beleza e transparência das palavras de Marina. Vale a pena conferir. Se você ainda não leu, o que está esperando? Só para você ter uma idéia, aqui vai um dos minicontos do livro:

Para que ninguém a quisesse

Marina Colasanti

Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha* dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta* tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe* os longos cabelos. Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair. Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos*, mimetizada com os móveis e as sombras. Uma fina saudade*, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela. Então lhe trouxe um batom*. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos. Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita*, enquanto a rosa desbotava* sobre a cômoda.

Vocabulário
Bainha: Dobra cosida na barra de um tecido a fim de que não se desfie
Cômodo: Divisão ou compartimento de uma edificação; acomodação, aposento
Gaveta: Caixa sem tampa, corrediça, que se introduz, como parte integrante, em mesa, prateleira, cômoda, etc
Tosquiar: Cortar rente (pêlo, lã ou cabelo).
Saudade: Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido.
Batom: Cosmético em forma de pequeno bastão, geralmente em diversos tons de vermelho, que serve para cobrir os lábios.
Chita: Tecido ordinário, de algodão, estampado em cores.
Desbotava: Pretérito imperfeito do verbo desbotar - fazer desvanecer a cor ou brilho.


7. Música & Cia.

pela professora paulista Silvana de Sousa

Noel Rosa "Quando eu morrer, não quero choro nem vela, quero uma fita amarela gravada com o nome dela..."

Essa frase cantada por milhões de pessoas durante tantas décadas faz parte de uma música escrita em 1932 por um jovem que viveria até os 26 anos, com 250 canções compostas. Vítima de tuberculose, Noel com toda a irreverência, brincou com a sua própria morte. Entre outras coisas, afirmou que gostaria que uma mulata sapateasse no seu caixão. Noel de Medeiros Rosa nasceu no dia 11 de dezembro de 1910, no Bairro de Vila Isabel, Rio de Janeiro. Começou a vida com um problema sério. Em seu nascimento, teve parto por fórceps, o que salvou a vida do bebê e da mãe, mas provocou-lhe uma fratura na mandíbula, deixando-o com um defeito físico no queixo*. Essa seria sua marca registrada. Quatro anos depois de seu nascimento, nasceu sua única irmã, Hélia. Muito cedo começou a tocar bandolim, ensinado pela mãe, Marta. O violão viria pelas mãos de seu pai, Manuel de Medeiros Rosa. De qualquer forma, Noel sempre foi um autodidata. Adolescente, começou a freqüentar bordéis e pensões de mulheres, iniciando-se na boemia e tendo contato com malandros, sambistas e prostitutas - pessoas que marcariam a sua vida.

Preferiu entregar-se à música a dedicar-se à escola, onde era irreverente com os professores. Mas o que ele gostava mesmo era de participar das serenatas feitas na Vila Isabel. Sua fugaz carreira musical começou no ano de 1929 com o grupo Bando dos Tangarás. As músicas cantadas pelo grupo eram nordestinas – seguindo a moda naquele momento. As primeiras composições de Noel Rosa foram Festa do céu e a embolada* Minha Viola. Mas o primeiro grande sucesso foi a canção Com que Roupa?. Os críticos o elogiaram, afirmando que havia conseguido retratar, de maneira verdadeira, o povo carioca e o povo brasileiro. Em 1931 teve várias músicas de sua autoria apresentadas no carnaval, além de ter sido o único ano em que muitas de suas canções brilharam no Teatro de Revista. Nessa época gravou Quem dá mais e Gago apaixonado, sendo que essa última era pedida com entusiasmo pelo público em todas as suas apresentações. Ainda com o Bando dos Tangarás gravou Eu vou para Vila e Cordiais Saudações. Noel chegou a entrar na Faculdade de Medicina, mas não terminou sequer o primeiro semestre. Dessa vivência universitária, compôs Coração. Passou a aproximar-se cada vez mais do morro* e de seus sambistas locais. Fez parceria com o famoso compositor da Mangueira Cartola e com Lamartine Babo, seu companheiro de farra e com o qual compôs a marchinha de Carnaval AEIOU (1931). Em 1932, Noel comprou um carro de marca Chevrolet de Francisco Alves, um grande nome da música naquele momento e famoso por comprar canções. O trato feito então, era de que a dívida fosse paga com sambas. Iniciou também nessa época parceria com Ismael Silva, sambista da Escola Estácio de Sá, que se tornaria seu parceiro* mais constante. O ano de 1932 foi para Noel o de maior produção- mais de 40 composições. Compôs sozinho: São coisas nossas, Quem dá mais e Coração e com Ismael: Seu Jacinto e Quem não dança. Em abril desse mesmo ano, fez uma turnê pelo Rio Grande do Sul e em agosto uma temporada num cine-teatro, na Cinelândia, no Rio de Janeiro. Entre os artistas que o acompanharam, estavam: Chico Alves, Almirante e Carmem Miranda. Em 1933 Gravou Onde está a honestidade, junto a Orestes Barbosa, com quem construiu uma grande amizade. Os dois eram freqüentadores assíduos do Café Nice, bar localizado no centro do Rio e ponto de encontro dos boêmios da época. Nessa fase, conheceu também o compositor paulista Vadico, com o qual fez uma parceria que resultaria em compossições antológicas. Entre elas: Feitio de Oração e Não tem Tradução. As músicas Filosofia e O Orvalho vem caindo, Noel compôs neste mesmo ano. Um fato interessante foi o duelo musical travado com o jovem compositor Wilson Batista em 1934. Noel Rosa não gostou da música composta por Batista, Lenço no pescoço, na qual este fazia uma apologia à malandragem. Noel compôs como resposta: Rapaz Folgado. Começou então uma série de canções, em que os dois "brigavam" através de sambas. Noel saiu vitorioso ao compor o clássico Palpite Infeliz. Sem resposta. Noel Rosa teve uma vida amorosa bastante tumultuada. Mantinha um namoro estável com Clara, sua vizinha. Mas, à noite, tinha outras namoradas que o acompanhavam aos lugares da boemia. Um dia, numa Festa de São João em sua homenagem, no Cabaré Apollo, conheceu uma bailarina que se tornaria sua namorada e o grande amor de sua vida: Ceci. Em 1934 lançou com Vadico a música Feitiço da Vila, com grande aceitação do público e que viria a se tornar um clássico. Já com a música Linda Pequena, em parceria com João de Barro não obteve o mesmo resultado (essa mesma música foi reintitulada em 1937 como Pastorinhas e gravada pelo famoso cantor Sívio Caldas, tornando-se um dos maiores clássicos da Música Popular Brasileira de todos os tempos). Nessa época, teve uma aproximação musical com a cantora Linda Baptista, oriunda de classe média e de Aracy de Almeida, pobre, boêmia e vinda do subúrbio. As duas foram as principais intérpretes das músicas de Noel. No ano de 34 Noel soube que tinha tuberculose, doença difícil de ser curada na época (o primeiro medicamento eficaz, a estreptomicina, só seria descoberto em 1944). Noel anunciou que iria com uma de suas namoradas, Lindaura, para outra cidade com o objetivo de fazer um tratamento. Foi obrigado, então, a casar-se com a moça. Partiu para Belo Horizonte, onde passou a freqüentar os bares locais. Com a tuberculose controlada, mas não curada, voltou em 1935 para o Rio e para os braços de Ceci, alugando um quarto imobiliado para os dois. Realizava muitos shows nessa época. Trabalhava em 4 estações de rádio, onde contava piadas. Participava de desafios, nos quais sempre saía vencedor: Trabalhava de contra-regra e escrevia textos publicitários e paródias sempre muito engraçadas. Além disso, escrevia revistas radiofônicas e fez uma opereta. Em 35 escreveu e gravou duas importantes músicas de sua obra: João Ninguém e Conversa de Botequim. Teve as canções Triste Cuíca, Palpite Infeliz e X do problema gravadas por Aracy de Almeida. Em 1936 foi estreado o primeiro musical com músicas de Noel: Alô Alô Carnaval e no Carnaval seguinte teve 7 composições suas participando da festa. Fazia sucesso, mas não cuidava da saúde nem de sua aparência. Por não abandonar a boemia, estava sempre com gripe, além de febre alta. Isso começou a afetar sua vida profissional, atrasando-se com freqüência para seus compromissos. Em 1937 lançou um grande sucesso no Carnaval: Quem ri melhor, gravado por ele e por Linda Baptista. Chegou a sair no Carnaval, mas não brincou. Faleceu no dia 4 de maio. Seu enterro foi muito concorrido, inclusive pelos grandes nomes da música brasileira daquele momento. Pouco depois de sua morte, Aracy de Almeida gravou Último desejo, música que teria composto para Ceci numa noite que passaram juntos em um pequeno quarto. Noel Rosa revolucionou nossa música, tornando-se um paradigma do samba ao criar um estilo diferente. Nos anos 20 o samba era em ritmo de maxixe*. Noel construiu um gênero mais refinado, com uma linguagem simples e uma batida inovadora. Sendo sempre fiel às raízes populares, abordou temas como brigas de casal, prostitutas, histórias de malandros, sem deixar de fazer constantes críticas à classe dominante. Noel Rosa foi o maior representante da música popular urbana de sua época e sua obra traduziu a identidade do povo brasileiro. Porém, além da irreverência, o sentimento de morte também marcou a criação do compositor, como pode-se observar na música Silêncio de um minuto. Apesar disso, Noel extraiu desse sentimento muita beleza e muita alegria. Para ele, até mesmo na morte seria possível sambar e chorar ao som de flauta, violão e cavaquinho*

Capricho de Rapaz Solteiro

Noel Rosa

Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
Quem vive sambando
Leva a vida para o lado que quer.
De fome não se morre
Neste Rio de Janeiro,
Ser malandro é um capricho
De rapaz solteiro.
A mulher é um achado
Que nos perde e nos atrasa:
Não há malandro casado,
Pois malandro não se casa.
Com a bossa que eu te der,
Orgulhoso eu vou gritando:
Nunca mais esta mulher,
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando!
Antes de descer ao fundo
Perguntei ao escafandro
Se o mar é mais profundo
Que as idéias do malandro.
Vou, enquanto eu puder,
Meus caprichos sustentando.
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
.

Vocabulário
queixo: A parte inferior do rosto, abaixo dos lábios; barba
embolada: Forma poético-musical, improvisada ou não, em compasso binário, cuja melodia é declamatória, em valores rápidos e intervalos curtos, e que é usada pelos solistas nas peças com refrão coral ou dialogadas (como cocos e desafios).
Morro: Monte pouco elevado; colina, outeiro. Favela: Conjunto de habitações populares toscamente construídas (por via de regra em morros) e com recursos higiênicos deficientes.
Parceiro: Par, companheiro.
Maxixe: Dança urbana, geralmente instrumental, de par unido, originária da cidade do Rio de Janeiro, onde apareceu entre 1870 e 1880, como resultado da fusão da habanera e da polca com uma adaptação do ritmo sincopado africano. Era em compasso binário simples, andamento rápido, e caracterizavam-na requebros de quadris, voltas, quedas e movimentos de rosca (parafusos), acompanhados de passos convencionados ou improvisados pelos dançarinos. Foi substituída pelo samba, na segunda década do séc. XX.
Cavaquinho: Pequena viola, de origem européia, de quatro cordas simples e dedilháveis; braga, braguinha, machete, machete de Braga, machetinho, machim.


8. Soneto

Pelo professor carioca Igor Ravasco

Descobrimento do Brasil

Dizem-nos que Cabral nos descobriu.
Mas como pode ser se eu não existia?
E que a terra dos índios ser devia,
Devia ser dos índios o Brasil?
O português chegou no mês de abril
A Pindorama, e o índio o recebia
Sem saber seu futuro, nesse dia,
E do negro que da África partiu.
E mistura o índio, o negro com o branco,
E nasce, então o Brasil; devo ser franco:
Cabral não foi nem mesmo um dos primeiros.
Pois afinal não foram os portugueses,
Nem os índios, ou negros, ou chineses...
A mescla descobriu-nos brasileiros.


9. Viajando pelo Brasil

pela professora gaúcha Isabel Höltz

Queria especialmente agradecer a participação de Evélia que até hoje nos enobreceu com sua presença nesta seção. Vamos fazer o máximo para não deixar você, leitor, sem receber as informações sobre as "Terras Brasis" de todo mês. Sentiremos saudades sim (snif, snif), mas ao mesmo tempo alegria de poder ter partilhado com Evélia estes momentos e saber que não poderá continuar contribuindo conosco por bons motivos... (você deve estar curioso, mas não vou contar o porquê - ha, ha). Ela, mesmo sendo argentina – a única argentina a escrever para o boletim – tem a mesma sensibilidade e o amor que um brasileiro sente pelo Brasil (até seu sobrenome é Silva!?)... A você Evélia, dedico esta seção (desculpe por não poder fazer um trabalho tão maravilhosos como o que só você sabe fazer).

Ninguém explica... ela é bonita...

Pare, escute o barulhinho das pedras. Imagine o toc-toc do motor dos barcos. O cheirinho do mar... Escute a voz de um negro velho falando. A história de como tudo começou, contada nas ruelas tortuosas* da cidade alta em contraste com a alegria e a descontração predominantes do lugar... A luz do sol no fim de tarde e um gostinho de festa no ar. Humm.. O charme* que essa terra mostrou aos portugueses em 1500 se mantém até hoje. Em português a palavra axé* (que se dança, toca e canta) resume o que é que essa cidade tem: "tudo de bom". Beleza, agitação noturna, riquezas naturais e magia são características que não foram economizadas neste lugar. Onde tudo é diversão, também é história. Ruas e casas sempre terão algo para contar... Em 1500, Porto Seguro era terra habitada pelos Índios Pataxós. Com a chegada dos portugueses, eles foram se deslocando para Santa Cruz de Cabrália, a 22 km ao Norte. Começaram a aparecer as primeiras edificações feitas pelos colonizadores, que, por uma questão de defesa, escolheram as partes mais altas para morar. Na Cidade Histórica, o visitante passeia por ruas com casas geminadas*, todas coloridas, e tombadas* pelo Patrimônio Histórico. Seus prédios são do início da colonização e surpreendem olhares* deslumbrados em qualquer horário do dia ou da noite, quando as cores alegres recebem iluminação especial e eles ficam ainda mais bonitos...

E essa força de onde vem...?

Seu nome deve-se à existência de quase um quilômetro de recifes que faz no Rio Buranhém o porto seguro, onde Cabral ancorou suas caravelas. A barreira natural de concreto começa na Ponta do Apaga-fogo, em Arraial d’Ajuda, e avança em linha reta, separando rio e mar. É como se a rocha dissesse ao rio: "calma, meu rei, desagüe mais na frente, vai..." E, assim, o encontro da água do mar e com a água do rio se atrasa um pouquinho mais.

Eu vou andando a pé... pela cidade...

Não pense que quem vai a Porto Seguro é só para descansar. Onde ficavam as naus da expedição portuguesa, também saem embarcações lotadas* para desvendar o litoral. Aqui, ainda há muito por descobrir... Prepare seu espírito e seu corpo porque a viagem agora vai começar. Parque Marinho do Recife de Fora e Coroa Alta, duas formações de corais a pouco mais de uma hora da costa; Arraial d’Ajuda, Trancoso, Cabrália e até Abrolhos são passeios imperdíveis. Em todos esses lugares, há paisagens belíssimas, o que obriga o turista a inclui-los em seu roteiro. Toda essa região foi mantida intacta por quase 500 anos. Com a inauguração da BR 101, na década de 70, deu início a sua modernização. Hoje, com o aeroporto internacional, é um dos mais importantes pólos turísticos do Brasil. Mesmo assim, parte dessa região continua intocada, com o sol que brilha quase o ano inteiro, com a beleza iluminada de seus mais de 90 km de praias, suas águas calmas e mornas*, ricas em corais e recifes. A raridade das praias que se formam em pleno alto mar, os extensos coqueirais e grandes faixas de Mata Atlântica, oferecem ainda uma flora exuberante.

A cor dessa cidade sou eu....

O cuidado com o meio-ambiente permitiu que uma excelente infra-estrutura de lazer* fosse instalada, recebendo turistas de todo o mundo sem interferir no ecossistema. Com praias semi-desertas de águas verdes cristalinas , a paisagem é formada por uma sequência de enseadas emolduradas por largos cinturões de mata de diferentes tonalidades, que se perdem no horizonte azul. Todo esse espetáculo é sustentado pela excelência de serviços ao longo da praia e barracas* sofisticadas com diversos equipamentos de lazer. E quem disse que luau* só é feito em noites de lua* cheia? Porto Seguro quebrou essa convenção. A cada dia, quando a praia se cobre com o prateado da lua, um luau acontece em uma das barracas. Falta de carro não é problema, pois os ônibus saem da Praça de Cabral e levam os turistas e nativos até o local do agito*, sem cobrar passagem.

O canto dessa cidade é meu...

Porto funciona 24 horas. Durante o dia, a praia; à noite, os agitos. O comércio acompanha o movimento. Por isso, você pode fazer suas compras até a meia-noite. O bom humor é uma característica marcante em neste lugar. Hospitaleiros, os nativos sempre querem fazer mais para que você se sinta em casa. E a música e a dança fazem de Porto uma cidade sensual, um espetáculo à parte. Impossível andar por suas ruas sem ver alguém ensaiando passos de axé music. É dança da manivela, do sanduíche, do bracinho... O ritmo obriga os turistas, da criança ao idoso*, a mexer o corpo todo. "Alegria agora, agora e amanhã"...

Eu sou o primeiro que canta...

Porto Seguro atrai gente de todo o mundo. Mas adivinhe quem são os que mais visitam a cidade? Nas ruas, o falar manso do baiano se mistura à língua caliente dos compatriotas de Maradona. No momento de começar a festa eles não ficam para atrás. São eles os que iniciam as primeiras batidinhas de pé ou as primeiras notas musicais. Os brasileiros, sempre muito cordiais, até arranham no portunhol...mas cometem cada erro!!!(e os argentinos também)! Mas como tudo é festa, isso não é nenhum pecado e o que vale é a descontração..

Não diga que não me quer...

Outro pecado que é satisfeito em Porto Seguro é a gula. A cidade abriga uma infinidade de restaurantes com cardápios* de várias nacionalidades, mas que falam sempre o mesmo idioma: o do paladar. Não esqueça que você está em um lugar onde pressa não existe. Relaxe, como fazem os baianos. Depois de fazer o pedido, vá para a sombra, entre na lambaeróbica*, banhe-se no mar e aguarde, porque o pouquinho do baiano não é o que você está acostumado a esperar. Então, calma, meu rei*. Você está de férias, não está?

Não diga que não quer mais...

Lojas de roupas, artesanato e decoração, pousadas e restaurantes que exibem os cardápios na rua para atrair bons garfos*. Um verdadeiro mercado ao ar livre. Assim é a Passarela do Álcool, que funciona na Rua Portugal e onde todo turista que visita Porto Seguro desfila pelo menos uma vez durante sua estadia na cidade. O nome tem origem no costume dos pescadores. Era em bares próximos que eles iam tomar o "mé*" depois de arrastar as redes*. A tradição modernizou-se e, em vez da cachaça*, o quente da Passarela é o Capeta, bebida que mistura abacaxi, canela, guaraná, leite condensado e vodka. Para atrair a freguesia, os "capeteiros" capricham na decoração das barracas. O colorido de frutas como mamão*, coco, maçã*, pêra, maracujá*, melancia* e até enormes abóboras* chama a atenção. A Passarela é delimitada, de um lado, pelo mar e pelo Rio Buranhém e, do outro, por cerca de 300 casinhas coloridas. Nelas funciona parte do comércio de Porto Seguro. Assim como nas barracas armadas no local, lá é possível encontrar bijouterias, calçados, roupas e bibelôs*. Na maioria das vezes, o material usado nas peças é encontrado em Porto Seguro mesmo. Palhas de coqueiro se transformam em abajures* e até mesmo em calças, blusas e outras peças de vestuário. Além de drinques com nomes bem esquisitos como o Rala Pinto e o Mela-Mela, além do próprio Capeta, na Passarela também é possível encontrar boa comida. Vários restaurantes expõem seus cardápios para os transeuntes. As mesas também ficam do lado de fora, mas, para quem quer um ambiente mais reservado, a opção é a parte interna. Durante o passeio pela Passarela, você poderá fazer consultas com a mãe de Oxum Dulcinéia, que atende na barraca Tenda dos Milagres Cosme e Damião. O comércio na Passarela do Álcool funciona diariamente, de 18h até meia-noite. Em dias de feriado chegam a passar por lá 30 mil pessoas.

Eu sou o carnaval...!

O sol vai embora mas vem uma das melhores coisas de Porto Seguro: a noite. É por ela que todo turista espera ansiosamente. O prelúdio do agito acontece na Passarela do Álcool, e vai até a meia-noite, hora de ir para a Praia de Taperapuan. É ali onde as barracas, que de dia são apenas restaurantes, promovem shows de axé music*, pagode*, reggae e até casamento cigano. São mais de 10 barracas, verdadeiros centros de lazer, com vários ambientes. Nelas, axé é o ritmo predominante, mas para quem gosta de um canto mais tranqüilo, com MPB*, por exemplo, pode ir sossegado que vai se divertir ao relento, respirando o cheiro de maresia e ouvindo não só as cordas do violão, mas o vai e vem das águas do mar. Durante o dia, as barracas abrem de segunda a segunda e não cobram entrada. Mas à noite cada uma tem seu dia de funcionamento. O preço médio cobrado pela bilheteria é de R$ 15. Como ficam na areia da praia, esqueçam a superprodução*, o melhor é aderir ao visual mais descontraído, para combinar com o astral da cidade e boa festa!

Dados Gerais

População: 95.000 Habitantes (IBGE-censo 1998) Altitude: 4 metros acima do nível do mar Clima: Úmido a subúmido Temperatura: mínima 20,9ºC ; média 24,4ºC ; máxima 30,6ºC Transportes Aéreo: Aeroporto Internacional - Tel: 288-2010 / 288-3131 / 288-3327 Atividades econômicas: turismo, extração, comércio, pecuária e pesca. Na agricultura destaca-se o plantio de mamão e coco. Feriados municipais: 22/04 - Descobrimento do Brasil 30/06 - Elevação de vila para cidade. Aniversário de Porto Seguro

Ô xente*, que delícia de mar...

Arraial e Trancoso são vilarejos que você não deve deixar de visitar. Diferentes da sede de Porto, eles são menos urbanizados e atraem turistas mais jovens. Para chegar a Arraial, basta entrar na balsa que sai do cais de Porto Seguro e, cinco minutos depois, você já estará lá. O lugar possui ótima oferta de hospedagem e bons restaurantes. Suas ruas estreitas, a maior parte sem calçamento, preservam o bucolismo. O clima é descontraído, diferente do ritmo de qualquer outro lugar do planeta. Todo mundo fica à vontade. Nas ruas, hippies convivem harmoniosamente com turistas que procuram conforto. É comum ir às compras de biquíni, ou à boate* usando short. Não há horário para nada. O almoço normalmente é jantar* e, quando deveria estar na hora de dormir, a noite então começa a esquentar nos luaus à beira da Praia do Mucugê ou no centro da vila. Como as pessoas ficam na praia até mais tarde, o comércio nos mini-shoppings e galerias só abre a partir do final da tarde. Funcionando até a meia-noite, Arraial é um terreno fértil em restaurantes. Tudo para satisfazer a gula da moçada que anda por lá. Às moquecas* de frutos do mar, preparadas com azeite de dendê* e leite-de-coco, somaram-se a pratos da culinária árabe, italiana, japonesa, indiana, francesa e austríaca. Foram trazidos pelos estrangeiros que elegeram o vilarejo para morar. A culinária é tão rica que, anualmente, os restaurantes de Arraial promovem o Roteiro Gastronômico, na última semana de julho. Na abertura, turistas e visitantes podem degustar, gratuitamente, o que os restaurantes vão servir durante os sete dias. Trancoso é ainda mais tranqüilo. Lá também não existem ruas calçadas. Como em Arraial, possui praias paradisíacas, algumas desertas, com pouca infra-estrutura, onde é possível praticar o nudismo. Mais ao Sul, você encontra Caraíva, uma vila com praias e muito forró, onde luz, só se for a do sol e da lua (ou..... a romântica de velas). Situada num platô*, a pequena vila de Trancoso começou no século XVI, com os jesuítas. Também foi descoberta pelos hippies, no início dos anos 70, mas, apesar do número de turistas que recebe anualmente, a vila ainda é o endereço certo para quem quer se livrar da correria e estresse das cidades. Os coqueiros e o mar formam um cenário deslumbrante. No alto, fica o Quadrado, o ponto principal de Trancoso. A área, em forma retangular, parece um campo de futebol, todo gramado. É onde as crianças nativas brincam sem ver o tempo passar. Suas árvores gigantes garantem sombra para amenizar o calor nos dias de verão. O Quadrado é cheio de casinhas geminadas, rústicas e multicoloridas que trazem beleza ao visual. Nelas funcionam bons restaurantes e pizzarias. Ali, toda terça, quinta e sábado, apresenta-se o grupo de capoeira Sul da Bahia, que fascina com suas coreografias. Em abril, os nativos ensaiam o Auto do Descobrimento, que termina com um abraço à Igreja de São João Batista. O gesto significa a união das raças negra, indígena e brancos, que já não vêm apenas de Portugal, mas de todos os lugares do mundo, e se apaixonam por essa terra... Bem gente, agora me dêem licença que vou caminhar um pouquinho, sentir o vento no rosto, a melodia dos coqueirais e viajar na magia desse lugar....

Um abraço para todos...

Vocabulário
Tortuosa: Que dá muitas voltas.
Charme: Atração, encanto, sedução, simpatia.
Axé: Expressa votos de felicidade.
Geminada: duplicado, ou que constitui um par.
Cardápio: Lista das iguarias que um restaurante pode servir, em geral com o preço de cada uma delas.
Tombadas: Pôr (o Estado) sob sua guarda, para os conservar e proteger (bens móveis e imóveis cuja conservação e proteção sejam do interesse público, por seu valor histórico, ou artístico, ou arqueológico, ou etnográfico, ou paisagístico ou bibliográfico).Olhares: Fitar os olhos ou a vista em; mirar, contemplar.
Lotadas: Cheias, completas.
Mornas: Pouco quente; tépido.
Lazer: divertimento, entretenimento, distração, recreio.
Barraca: Construção ligeira, de remoção fácil, comumente feita de madeira e lona, e usada em feiras.
Luau: Festa em praia, inspirada na lua, com comidas, bebidas, música, e, às vezes, dança.
Lua: Satélite da Terra Não tem luz própria, mas reflete a do Sol.
Agito: reuniões sociais, festas.
Idoso: Que tem bastante idade; velho.
Meu rei: expressão muito utilizada pelos baianos para tratar alguém.
Bom Garfo: Garfo (Utensílio de três ou quatro dentes que serve para tirar do prato a comida e levá-la à boca. Bom garfo: pessoas que gosta de comer ou que come muito.
Mé: bebida alcoólica.
Rede: Qualquer do dispositivo utilizado para apanhar peixes, pássaros, etc.
Cachaça: aguardente obtida através da fermentação e destilação do melaço (da cana-de açúcar)
Mamão: fruto do mamoeiro, cor amarela, e polpa espessa e suculenta; papaia.
Maçã: O fruto da macieira.
Melancia: Planta herbácea, cultivada por causa dos frutos enormes e muito sucosas, de casca verde e polpa vermelha com sementes negras. (em espanhol: "sandia")
Maracujá: o fruto do maracujazeiro (não há este fruto na Argentina).
Abóbora: Fruto da aboboreira, normalmente tirante a amarelo-avermelhado, utilizadíssimo na alimentação humana. (Em espanhol "calabaza").
Bibelô: Pequeno objeto de adorno que se põe sobre a mesa.
Abajures: Peça de forma variável, feita de cartão, pano, vidro, etc., que preserva os olhos da luz de lâmpada, candeeiro, vela, etc.
Axé music: Música com ritmo típico da Bahia.
Lambaeróbica: Ginástica que mistura ginástica aeróbica com lambada (dança popular cantada, cujos participantes executam variações coreográficas muito próximas do samba).
Pagode: Certo gênero de samba.
MPB: Abreviatura de ´Música Popular Brasileira
Superprodução: Neste caso, significa estar muito produzido, muito bem vestido.
Ô Xente: Forma baiana de chamar a atenção das pessoas, ou de expressar admiração.
Boate: Estabelecimento comercial, que funciona de noite e, em geral, consta de bar, restaurante, pista de dança e palco para apresentação de atrações artísticas; casa noturna.
Jantar: Uma das refeições, na parte da noite.
Moqueca: Prato típico brasileiro, em geral de peixe ou de mariscos, temperado com salsa, coentro, limão, cebola e sobretudo leite de coco, azeite-de-dendê e pimenta-de-cheiro.
Azeite de dendê: O fruto do dendezeiro; o óleo extraído desse fruto.
Platô: planalto.


10. Como anda seu português?

Pela professora gaúcha Isabel Höltz

Oi Pessoal

Gostaria de saber se vocês estão completando os exercícios desta seção...!? As explicações que tenho dado são claras? Eu adoraria receber sugestões de vocês... Aquela dúvida que incomoda, que não os deixa dormir... Essa mesmo! Mande-a para: boletim@verdeamarelo.com.ar (assunto: dúvida gramática). Sua sugestão será estudada e respondida no próximo número do Boletim ou por e-mail. Neste momento estamos esgotando o assunto dos verbos. Ufa!!! E ainda falta bastante. Mas de qualquer forma, se tiverem boas sugestões, podemos interromper o tema e atender às emergências, né? Afinal, brasileiro sempre dá um jeitinho*...

Mas, chega de "papo-furado*" e vamos trabalhar?

Dando seguimento aos boletins anteriores, vamos ver os verbos regulares de terceira conjugação (os terminados em "ir", como abrir, partir, ferir, medir, etc).

Todo verbo que mantém o radical inalterado durante a conjugação e suas desinências são iguais às do verbo paradigma (modelo) é verbo regular.

Para facilitar seu aprendizado, vamos dividir os pronomes pessoais de acordo com a tabela abaixo. Para você continuar conjugando verbos regulares de terceira conjugação basta orientar-se por essa tabela, pois a desinência será sempre a mesma.

Verbo abrir

Eu Abro

                         radical   desinência

Modo indicativo
Presente

Eu abro
_______________________________
você
ele
ela
o senhor abre
a senhora
a gente
______________________________

Nós abrimos

______________________________
vocês
eles
elas abrem
os senhores
as senhoras

Pretérito perfeito

Eu abri
_________________________________
você
ele
ela
o senhor abriu
a senhora
a gente
______________________________

Nós abrimos

______________________________
vocês
eles
elas abriram
os senhores
as senhoras

Pretérito Imperfeito

Eu abria
_________________________________
você
ele
ela
o senhor abria
a senhora
a gente
______________________________

Nós abríamos

______________________________
vocês
eles
elas abriam
os senhores
as senhoras

Preste atenção que os verbos no futuro do presente e no futuro do pretérito ficam inteirinhos no infinitivo. É só acrescentar, no final, a desinência correspondente.

Futuro do Presente

Eu abrirei
_________________________________
você
ele
ela
o senhor abrirá
a senhora
a gente
______________________________

Nós abriremos

______________________________
vocês
eles
elas abrirão
os senhores
as senhoras

Futuro do pretérito

Eu abriria
_________________________________
você
ele
ela
o senhor abriria
a senhora
a gente
______________________________

Nós abriríamos

______________________________
vocês
eles
elas abririam
os senhores
as senhoras

Vamos praticar?

Então, flexione os verbos corretamente.

Quando os portugueses _____________, nem imaginavam aonde poderiam chegar!!! (partir - pret. perf.).

Você _____________ a latinha de guaraná e _____________ o sabor do melhor refrigerante do mundo!!! (abrir; descobrir – pret. perf.)

O senhor sempre _________ a mesma coisa quando vem a esta lanchonete*? (pedir – pres. ind.)

As decisões do ministro _____________ as relações do mercado comum europeu (ferir- presente).

Xi*!! Ele não __________ à garçonete que a cerveja estivesse estupidamente gelada (pedir – pret. perf.).

Por que vocês _____________ morar no Brasil? (preferir- presente)

Na entrevista ele falou o que queria, mas não ____________ as conseqüências de suas palavras. (medir –pret. perf.)

Ele _____________ (abrir – pret. perf.) o livro para ler, mas ____________. Coitado*, está muito cansado! (dormir – pret. perf.).

Vocês ______________ doces ou salgados? (preferir- presente)

A quem ela se __________ quando fez aquela pergunta estranha? (referir – pret. perfeito).

O ministro _____________ que a população colaborasse com sua decisão. (exigir – pret. imperf.)

Ele não percebe como isso ________________ no seu discurso. (interferir – pres.)

 

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