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Boletim
Verde & Amarelo
número 12
La alegría brasileña
está a tu alcance.
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Verde & Amarelo

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BOLETIM VERDE & AMARELO

Nº. 12 - 29 de janeiro / 2001 –


Este é o décimo segundo número de uma publicação eletrônica menzal e gratuita idealizada pelo Instituto de Português Verde & Amarelo (Maipú 388, 3º K – Cap.Fed. –tel. 4325-0932 / 4393-0645), dirigida a alunos, clientes e amigos. Tem como objetivo ampliar o contato entre aquelas pessoas que de uma ou outra forma se interessam pelo Brasil - notícias, cultura geral, novidades, opiniões, humor, etc - ou que desejam receber informações diversas em Português.
O Verde & Amarelo é um Instituto de Português dedicado ao ensino a hispanofalantes. Trabalhamos com material próprio e exclusivo, onde consideramos as semelhanças e as diferenças entre o português e o espanhol. Nosso objetivo é que as aulas sejam dinâmicas, divertidas e os alunos dominem o idioma dentro do menor tempo possível.

Inscrição: envie um e-mail com o título "ASSINATURA" a secretaria@verdeamarelo.com.ar
Cancelamento: envie um e-mail com o título "ELIMINAR" a secretaria@verdeamarelo.com.ar
DÚVIDAS: portugues@verdeamarelo.com.ar

Felizzzzz Ano-novo!!!!!

Este é o nosso primeiro boletim do ano - do ano não, do milênio. Ou será do século? Meu Deus, que confusão! Mas o importante é que é tudo novo e por isso sempre é bom. Gostaríamos de começar o boletim desejando a você muita alegria (experimente sorrir mais este ano), saúde (coma feijão*), amor (seja menos egoísta), amizade (estude no Verde & Amarelo – há, há), boas férias (viaje ao Brasil), bom humor (tome mais caipirinha), tempo (aqui neste país ninguém tem tempo para nada, que coisa, né?), dinheiro (todo mundo necessita), paz (discuta menos no trânsito) e felicidade (para isso, é necessário tudo o que dissemos antes). Gente, bom ano para vocês!!!! Vocabulário Feijão – Fruto de uma vagem, da família das leguminosas, comestível, de colorido que vai do branco até o negro. No Brasil é considerado o prato típico nacional e, acompanhado de arroz, é encontrado todos os dias na mesa dos brasileiros.


Confira neste número:

1. Humor
2. A palavra do mês
3. Língua portuguesa e literatura brasileira
4. Música & Cia.
5. Uma novela Verde & Amarela
6. Viajando pelo Brasil
7. Como anda o seu português
8. Links
Vocabulário (Ao final de cada matéria)


 

1. Humor -

"Vestiburradas" Vejam só o que os vestibulandos de 94 foram capazes de escrever na prova de redação, dado o tema "A TV forma, informa ou deforma ?" A seleção foi feita pelo professor José Roberto Mathas. (Os vestibulandos são estudantes que prestam o exame vestibular - exame obrigatório no Brasil para admissão a qualquer escola de nível superior.)

1. A TV no entanto é um consumo que devemos consumir para nossa formação, informação e deformação.
2. A TV se estiver ligada pode formar uma série de imagens, já desligada não...
3. A TV deforma não só os sofás por motivo da pessoa ficar bastante tempo intertida* como também as vista*... (o correto seria "entretida")
(o correto seria "vistas" – olhos)
4. A televisão passa para as pessoas que a vida é um conto de fábulas* e com isso fabrica muitas cabeças... (no Brasil usa-se a expressão "conto de fadas")

5. Sempre ou quase sempre a TV está mais perto de nosco*
... fazendo com que o telespectador solte o seu lado obscuro... (o correto seria "nós")
6. A TV deforma a coluna, os músculos e o organismo em geral.
7. A televisão é um meio de comunicação, audição e porque não dizer de colomoção*. (o correto seria "locomoção")

8. A TV é o oxigênio que forma nossas idéias.
9. ... por isso é que podemos dizer que esse meio de transporte é capaz de informar e deformar os homens...
10. A TV ezerce* poder, levando informações diárias e porque não dizer horárias. (a forma correta é "exerce")

11. Nós estamos nos diluindo a cada dia e não se pode dizer que a TV não tem nada a ver com isso...
12. A televisão leva fatos a trilhares de pessoas... 13. A TV acomoda aos teles inspectadores*... (o correto é "telespectadores")

14. A informação fornecida pela TV é pacífica de falhas...
15. A televisão pode ser definida como uma faca de trez gumes. Ela tanto pode formar, como informar, como deformar...


2 A palavra do mês

Pela professora mineira Virgínia Bezerra

Oi gente boa!

A nossa "superpalavra" desta vez será...

RÉVEILLON

É isso aí, meus queridos ciberamigos,
CHEGAMOS AO 2001!!!!!! oba! oba!

Desejo a todos vocês, um ano cheio de muita felicidade, saúde, conquistas, conforto, triunfos, alegrias e muito, muito AMOR!!!!Falando nisso, onde vocês passaram o RÉVEILLON?

Ai, Meu Deus, o que será isso? O nome de um clube? De um salão de festas? De um país? Realmente, às vezes eu acho que nós, brasileiros, somos loucos de pedra¹! O que é isso de utilizar uma palavra francesa para denominar uma de nossas festas mais importantes? Na verdade, RÉVEILLON (substantivo masculino) quer dizer " festa com baile e ceia na véspera do ano-bom". E que festa!!! Normalmente, no Brasil, em Minas Gerais e especialmente na minha família fazemos o possível para passarmos juntos esta data tão especial. A ceia é preparada com peru assado (já no sul do país prefere-se carne de porco ou peixe às aves), farofa*, vários tipos de salada e o infalível arroz de forno da vovó... tudo regado a cerveja mesmo, nossa bebida nacional. Depois do brinde com champanhe (à meia-noite) cada um faz o que quer: alguns caem na gandaia ², outros preferem um bom papo entre amigos. Meus pais adoram ver o espetáculo dos fogos de artifício pela televisão, um fantástico show realizado no Rio de Janeiro, na praia de Copacabana. No entanto, eu gosto mais de ficar olhando as estrelas (coisa que nem sempre acontece porque na maioria das vezes, e para meu desespero, chove muito), refletindo sobre minhas expectativas para o novo ano que inicia. Para falar a verdade, cada um de nós tem seu momento particular ou suas "simpatias"³. Segundo a crendice popular, passar por debaixo de escadas, quebrar espelhos ou cruzar com gato preto são coisas que atraem azar. As superstições, embora muitos digam ser céticos, acabam influenciando a vida de muita gente. Confira algumas crendices sobre o ano-novo praticadas no Brasil:

öUse roupas brancas para atrair bons fluidos. Branco é um dos símbolos mais fortes da paz. Mas esse costume brasileiro pode também estar ligado às tradições do candomblé. O branco predomina nas vestimentas dos praticantes dessa religião, que na noite de ano-novo prestam homenagem a Iemanjá*, uma das suas principais entidades. Até mesmo muitas pessoas que nunca pisaram num terreiro* lançam no mar, devidamente vestidas de branco, algumas rosas à rainha das águas.

öNão passe a virada do ano de bolsos vazios. Do contrário eles continuarão assim pelos próximos doze meses.

ö Se estiver na praia, pule sete ondas, pedindo a proteção e a realização de todos os seus sonhos e projetos.

öComa três uvas, fazendo três pedidos (os que você mais deseja).

öÁ meia-noite, abra todas as portas e janelas de sua casa, para que entrem boas energias.

öA roupa íntima pode ser da cor verde, que representa a esperança de tempos melhores; amarela é a mais indicada para atrair riqueza; para ter sucesso no amor, cor de rosa; para os que querem uma nova paixão, vermelho.

öComa lentilhas cozidas, para garantir felicidade, harmonia e fortuna em sua vida.

öColocar uma nota no sapato também ajuda a chamar dinheiro. De acordo com os orientais, os pés são a porta de entrada para a energia que flui para o corpo.

öPular só com o pé direito à meia-noite atrai coisas boas.

öSubir com o pé direito num banquinho, degrau ou cadeira, é um impulso para subir na vida.

A maioria das pessoas diz que é bobagem, superstição. Certamente não é religião. mas quem é que já não fez uma fezinha* na tal da simpatia? Um costume tão brasileiro e tão simpático! Mal não faz. Se quiser experimentar, vá em frente que é divertido!

Vir, ciberprofe de férias!

 

Vocabulário 1. loucos de pedra: pessoa que não tem nenhuma responsabilidade, não se preocupa por nada na vida. 2. gandaia: a esmo, sem destino. verbo; gandaiar: cair em vida desregrada, vadiar. "cair na gandaia": sair sem rumo fixo, ir de farra. 3. Simpatia: Ritual posto em prática, ou objeto supersticiosamente usado, para prevenir ou curar uma enfermidade ou mal-estar. farofa: ( substantivo feminino) farinha comestível torrada ou escaldada com manteiga ou gordura, e às vezes misturada com ovos, azeitonas, carne, etc. fezinha: ( brasileiro, popular) O ato de arriscar algum dinheiro no jogo, de jogar ou apostar de modo tímido ou modesto. Iemanjá: Orixá feminino, a mãe-d'água dos iorubanos, ou o próprio mar divinizado; janaína; rainha do mar; aiucá. terreiro: Local onde se realizam celebrações do culto fetichista afro-brasileiro: macumbas, candomblés, etc.


 

3. Língua portuguesa e literatura brasileira

pela professora catarinense Maristela Müller

Oi, pessoal! Depois das férias, estamos de volta um pouquinho mais gordinhos de tanto comer durante as festas de fim de ano, mas sempre trazendo para vocês um pouco dos grandes nomes da literatura brasileira. Hoje, falaremos sobre outro poeta do Romantismo:

GONÇALVES DIAS. Antônio Gonçalves Dias nasceu no dia 10 de agosto de 1823 na cidade de Caxias, no Maranhão. Filho de um comerciante português e de uma cafuza (mestiça de negro e índio) maranhense. O pai abandou a mãe, com quem vivia e não era oficialmente casado, por isso seus dois primeiros anos passou em companhia de sua mãe, enquanto o pai, envolvido nas lutas da independência a favor dos portugueses, foi obrigado a refugiar-se em Portugal. Quando seu pai voltou, o menino passou a morar com o pai e sua nova mulher –ao que parece, a madrasta o acolheu com boa vontade, mas sem carinho. Iniciou, então, seus estudos no curso primário ministrado pelo Prof. José Joaquim de Abreu. A ausência de afeto tocou sua sensibilidade infantil, a tal ponto que mais tarde, já poeta, retornou vez por outra à infância, através de seus versos como "Minha Vida e Meus Amores". O único ponto de apoio sentimental que tinha na época vinha do convívio com sua irmã Joana, filha da madrasta. A precocidade do menino de dez anos levou o pai a tê-lo como ajudante no comércio (caixeiro e auxiliar da escrituração). Contudo, a inteligência demonstrada pelo filho ia muito além da requerida pelo balcão*. E assim, não só o gosto pela leitura, como também a facilidade com que estabelecia contatos humanos através de seus dotes intelectuais, levaram seu pai a se preocupar novamente com seus estudos. Em 1835, foi desligado do comércio e matriculado no curso Prof. Ricardo Leão Sabino, onde aprendeu latim, francês e filosofia. Dois anos depois, acompanhou o pai a São Luís com destino a Portugal, onde teve que assistir à morte do genitor, fato que terminou com a viagem e levou-o de volta a Caxias. Em 1838, apadrinhado por seu último mestre e por pessoas de destaque na Província, e com a ajuda financeira da madrasta, foi para Coimbra, onde deveria formar-se em Direito. Mas, depois de um ano, sua madrasta é impedida de auxiliá-lo porque seus bens tinham sido confiscados. Porém, graças à ajuda de amigos, entre eles Alexandre Teófilo de Carvalho Leal, Gonçalves Dias tem sua estada garantida em Coimbra, bem como a matrícula na Universidade em 1840. Através do grupo romântico português toma contato com poetas franceses e ingleses. Datam deste período suas primeiras composições, que coincidem com suas primícias amorosas, já caracterizadas por sua inconstância. Depois de oito anos, formado em Direito, retorna a sua cidade no Maranhão em 1845, mas não se adapta à terra natal: sofre, durante um ano, incompreensões e calúnias por causa de seus modos galantes aprendidos na Europa. Estimulado por Teófilo de Carvalho Leal, seu fiel amigo, segue para o Rio em 1846, ainda em meio a precariedades financeiras. No ano seguinte, publica Primeiros Cantos, em cujo prólogo critica suas próprias composições: "Escrevi-as para mim, e não para os outros; contentar-me-ei, se agradarem; e se não... é sempre certo que tive prazer de as ter composto." A obra é elogiada por Herculano, fato que por si só já lhe vale a consagração na época. Inclusive, com ela se patenteia e se consolida o Romantismo Brasileiro. Em 1848, publica Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão. No ano seguinte, é nomeado Professor de Latim e História do Brasil no Colégio Pedro II, e em 1851 publica Últimos Cantos, encerrando, assim, a fase mais importante de sua carreira poética. Conhece a prima e cunhada de Teófilo, Ana Amélia, por quem se apaixonou e amou profundamente. Porém, a família tradicional e orgulhosa da namorada recusou o pedido de casamento porque não aceitava vê-la casada com um mestiço e, além disso, bastardo. O poeta, então, mesmo perdidamente apaixonado por Amélia, casou-se com outra, Olímpia Coriolana da Costa, moça de prestígio social na época, porém extremamente ciumenta. Segundo consta não foi muito feliz, o matrimônio tornou incompleto e irrealizado. Desiludido, decidiu tornar-se um boêmio. Em 1854, reencontra casualmente Ana Amélia em Lisboa (Portugal), já então casada com um comerciante português falido. Desse encontro resultou um dos seus mais belos poemas: "Ainda uma vez, adeus!". Depois disto, o poeta ainda continuou sua peregrinação amorosa, mas nem o que veio antes, nem o que viria depois, conseguiria atenuar-lhe o sofrimento e o amor por Ana Amélia.

Em 1862, viajou à Europa em busca de tratamento: além de problemas cardíacos, sofria de malária, hepatite e gastrite. Mesmo com sua saúde abalada, ele resolveu, anos mais tarde, voltar ao Brasil. Na viagem, porém, morreu no naufrágio do navio Ville de Boulogne onde viajava, em 1864, próximo ao Maranhão. Suas Obras: Poesia: Primeiros Cantos; Segundos Cantos; Sextilhas de frei Antão; Últimos cantos; Os timbiras. Teatro: Beatriz Cenci; Leonor de Mendonça. Outros: Brasil e Oceania; Dicionário da língua tupi. Bem, queridos leitores, ficamos por aqui. Deixo para vocês um dos poemas mais tradicionais e divulgados no Brasil. Todo aluno de qualquer escola brasileira deve conhecê-lo e saber recitá-lo de memória. Canção do Exílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá
Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas* têm mais flores Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.
Em cismar*, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem plameiras, Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores, Que tais não encontroi eu cá; Em cismar - sozinho, à noite – Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que eu não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá. (Gonçalves Dias – Coimbra, julho de 1843)

Vocabulário
balcão: Móvel, da altura de uma mesa ou pouco mais alto, empregado em lojas, repartições ou outros estabelecimentos, para atendimento do público ou da clientela, e que eventualmente serve para expor mercadorias. várzea: Planície fértil e cultivada, em um vale cismar: Ficar absorto em pensamentos.


4 Música & Cia.

pela professora paulista Silvana de Souza

Rock in Rio: por um mundo melhor O Rock in Rio já não é mais o mesmo. Desde a sua primeira versão em 1985, muita coisa mudou. A escolha dos nomes que tocaram nessa festa do rock foi um exemplo claro. No primeiro Rock in Rio apresentaram-se: ACDC, Queen, Rita Lee, Ozzy Osbourne, Scorpions, Rod Stewart, Os Paralamas do Sucesso, Al Jarreau, entre outros. No Rock in Rio 3 podemos destacar: Iron Maiden, Britney Spears, Cássia Eller, Neil Young, Oasis, Beck, REM, Sting e Sandy e Junior (estes últimos escolhidos para tocar através de uma votação pela Internet). James Taylor e Guns N' Roses voltaram depois de haverem se apresentado no primeiro. Poderíamos afirmar que o Rock in Rio ficou mais pop e, porque não dizer, mais eclético.

O fato de haver um palco principal e outras tendas temáticas foi uma inovação, pois as pessoas tinham a opção de ver shows alternativos. Enquanto não havia apresentação no Palco Mundo, o principal, o público podia apreciar os shows das tendas que duravam 20 minutos. A tenda Raízes apresentou World Music. Pôde-se apreciar atrações dos mais variados lugares do mundo, como: Zaire, Catalunha, Cuba, Irlanda, Cabo Verde, Andaluzia, entre outros. A tenda Brasil parecia um "balaio de gatos"*. Teve o trio de rock rural Sá, Rodrix e Guarabira e também o punk trash Supla, filho da prefeita de São Paulo e do senador Eduardo Suplicy. Quem esteve lá diz que o senador esteve presente e pulou o tempo todo e quando as pessoas o reconheceram, começaram a jogá-lo para cima. A tenda Eletro funcionava como casa de espetáculos de dia (música, dança, apresentações circenses) e de noite como boate. Estava sempre cheia de gente com diferentes DJs passando música. Talvez tenha sido a maior festa rave registrada ultimamente. Na tenda Por um Mundo Melhor houve debates, palestras, depoimentos e vídeos com os temas: paz, meio ambiente e globalização. Contou com a presença da neta de Gandhi. A cidade do rock foi toda planejada num estilo moderno e pensada a partir do eixo temático da festa: "por um mundo melhor". Criticou-se muito a organização do festival, afirmou-se que o slogan era demagógico e piegas, mas de qualquer forma, destinou-se cinco por cento do faturamento do festival à Associação Viva o Rio e a UNESCO, que destinarão o dinheiro a projetos para crianças carentes. O festival foi aberto com o público vestido de branco, com uma orquestra que tocava Imagine, de John Lennon e com três minutos de silêncio pela paz. As melhores apresentações estrangeiras foram do Guns N' Roses, do velho roqueiro canadense Neil Young e do REM. Entre os brasileiros, mereceram destaques: Gilberto Gil, Barão Vermelho e a dupla Elba & Zé Ramalho. Tom Zé foi ovacionado* pelos fãs roqueiros do Iron Maiden. Grande Tom Zé ! Houve stripe tease também. A cantora brasileira Cássia Eller mostrou os seios e o baixista da banda Queens of the Stone Age, Nick Oliveri, ficou nu, mas foi preso após o show e liberado depois de pedir desculpas. Mas é claro que tiveram os vaiados. Britney Spears recebeu a vaia de duzentas mil pessoas ao colocar a bandeira dos Estados Unidos no telão. A estrela Teen, que tinha contratado uma sósia* para escapar dos jornalistas, teve um chilique* nos bastidores. Além do mais, o show foi a grande decepção do festival. Segundo o organizador Roberto Medina, a menina fez um show para americanos, mas o público brasileiro é mais exigente. Carlinhos Brown também recebeu uma estrondosa vaia do público roqueiro, quando pediu que os bombeiros parassem de jogar água no público. Brown afirmou: é uma turma de playboys, criada no toddy".

A infra-estrutura era supermoderna, onde tudo funcionava. Apesar de essa não ter sido a declaração de Axel Rose à Rádio Rock and Pop, em sua curta passagem pela Argentina. Ele disse que o som do Rock in Rio estava ruim. Depois de 161 horas de música e a apresentação de 159 shows de grupos, o último dia foi o mais lotado de todos: 250 mil pessoas assistiram ao show do Red Hot Chily Peppers. Evidentemente muitas pessoas gostavam da banda, mas também muitas foram no último dia por causa do clima de festa de despedida e para dizer a frase: "Eu fui". A cidade do Rock vai permanecer montada e Roberto Medina anunciou no último dia do evento que realizará a próxima edição do festival em 2002 e manterá sua realização de dois em dois anos. Disse que pretende trazer Santana, Rush e Mark Knopfler. Além disso, afirmou que tentará trazer Pink Floyd ao Rio, mas que segundo ele, seria impossível fazer este show dentro do Rock in Rio, por isso pretende trazer a banda fora do festival, na própria cidade do Rock. Estima-se que 1 milhão e duzentas e trinta e cinco mil pessoas estiveram presentes no evento. Foram consumidos cerca de seiscentos mil litros de chope, quatrocentos e trinta e cinco mil refrigerantes e seiscentos e trinta mil sanduíches. Trezentas toneladas de lixo foram recolhidas. Foram movimentados R$ 550 milhões em serviços na cidade do Rio de Janeiro e cerca de trezentos mil turistas do Brasil e da América do Sul compareceram ao festival. Foram necessários 500 funcionários para a limpeza e desmontagem de estruturas como banheiros e stands. Todos esses números mostram a dimensão desse mega -evento que fez pulsar a linda e musical cidade do Rio de Janeiro. Além da pluralidade que marcou o festival, outra marca registrada foi o comportamento do público, que mostrou-se dócil, mas não subserviente. As pessoas vaiaram quando não gostaram, mudaram as regras e foram exigentes. No show do Red Hot Chilly Peppers, o público pediu que melhorassem e aumentassem o som e quando um locutor de FM subia ao palco e pedia que gritassem o slogan do festival, recebia um brutal silêncio. Não se deve subestimar um público que sabe o que quer. E ficou provado que com dinheiro, nós sul-americanos, podemos organizar um festival com estrutura de primeiro mundo, e além disso, apresentar grandes nomes de nossa rica música à altura de astros internacionais.

Para quem ficou de fora é só esperar até o próximo e conferir!


 

5 Uma novela Verde & Amarela

Pelo professor carioca Igor Ravasco

Tudo parecia ter voltado ao normal na vida de Zé e Nuzzia, até o dia em que ele recebeu uma carta anônima. A carta tinha um desenho feito por uma criança, e mostrava um homem sendo assassinado. A carta não apresentava nenhum indício, mas Zé ficou transtornado. Ficou pálido e dizia a todo instante que a sua hora estava chegando, que os fantasmas vinham buscá-lo. Não agüentando mais aquela situação, Nuzzia resolveu investigar o passado do marido. Não sabia direito por onde começar. Achava que com parentes mais antigos conseguiria alguma coisa. Sabia que com Gigi não poderia contar, apesar de ela ter sido a primeira mulher dele. Enquanto isso, Maurício fazia sua primeira viagem ao Brasil para seu novo trabalho. Como ainda não se sentia muito seguro com seu português, passou pelo instituto para conversar um pouco com Ivan. Disse a ele que não entendia o motivo de ter sido escolhido para o trabalho, mas que estava satisfeito. E Silvina estava cada vez mais envolvida com Franco Carovas. Ela lhe escrevia emails enormes, e ele respondia sempre com palavras bonitas, e com um ou outro soneto. Quem mais sofria com isso era Dudu, pois Silvina passou a contar-lhe sobre seu interesse por Franco. Ela lhe dizia que Franco era uma pessoa maravilhosa que havia aparecido em sua vida. Era um presente do céu para ela. Dudu sofria calado. Já não tinha coragem de se abrir e se arrependia do momento em que deu a Silvina o email do poeta. Franco, por sua vez, continuava tentando entender porque Silvina, que às vezes era tão meiga*, em determinados momentos ficava tão agressiva, tão descontrolada. Procurava fazer perguntas indiretas, e Silvina foi confiando a ele seus segredos mais íntimos. Falava de seus traumas, de seus desejos. E o nível de envolvimento era tão grande que Silvina um dia quis ligar para Franco. Essa foi a primeira vez que ele lhe disse não. Disse que não gostava de sua voz, que era melhor que continuassem assim. Ela ameaçou ir ao Brasil para vê-lo. E ele lhe disse que se ela fizesse isso jamais saberia dele outra vez. Aquilo foi muito duro para Silvina. Ela contou tudo para Dudu, chorando, dizendo que já não sabia o que fazer, pois estava muito apaixonada, precisava estar com Franco. Dudu lhe disse que ela deveria olhar às pessoas a sua volta. Disse-lhe que Franco era uma ilusão, um amor virtual. Disse-lhe que ela precisava de uma vida real, e, se aproximando lentamente, tentou beijá-la. Silvina se descontrolou e deu um forte tapa* na cara de Dudu. Ele nada disse. Apenas se virou e se foi. No dia seguinte Silvina recebeu um poema por baixo de sua porta.

Soneto do choro inútil

 

Quando a lágrima insiste em me buscar,
Quando insiste em fazer da minha vida
Sua morada, encontrando uma guarida,
A faço namorada a me molhar.
Quando a lágrima insiste em me encharcar,
Em me açoitar, abrindo uma ferida,
Abre em mim uma dor, que traduzida,
Não sabe nem ao menos se explicar
E eu sofro sem buscar um ir à forra*
Das costas o meu sangue forte jorra*
Mas não quero lembrar o que ocorreu
Apenas enxugar este meu rosto
Eu quero, me esquecendo do desgosto
De crer em quem jamais me conheceu

 

Naquele dia Silvina chorou muito. Estava desconsolada. Telefonou para o Brasil e fez alguns acertos. Nuzzia continuava procurando uma tia de Zé, que estava morando num asilo que ela desconhecia. Zé estava descontrolado e às vezes telefonava para Gigi, escondido da mulher. E Maurício estava voltando do Brasil, quando, no aeroporto, depois de ter passado horas numa reunião sem sentido, onde ficara sem entender porque estava trabalhando no Brasil, foi abordado pela Polícia Federal. Abriram suas malas. Maurício estava tranqüilo, mas sua cara se transformou quando encontraram cocaína entre suas coisas. A quantidade era enorme, e ele foi preso em flagrante por tráfico de drogas. (continua)

Vocabulário meiga: Amável, afável, bondosa, carinhosa, terna, afetuosa tapa: Pancada com a mão, forte. Bofetada. Ir à forra. Bras.: Vingar-se jorrar: Brotar, correr, rebentar


 

6 Viajando pelo Brasil

Pela Colaboradora meio brasileira, meio argentina Evélia Elizabeth Silva

Sem dúvida nenhuma, o verão traz o desejo de férias, viagens e descanso mais do que qualquer outra estação. Podendo agendar, faça uma caminhada na sua próxima viagem. Existem algumas trilhas no Brasil que merecem ser conhecidas. Hoje apresentarei uma delas... mas não é preciso viajar muito longe para nos aprofundar na nossa capacidade de observação. Observando o vai-e-vem dos caramujos* num jardim, o pessoal da roça* sabe se vem chuva. O pessoal da praia sabe pela direção do vento qual a perspectiva da pescaria e, no geral, todos nós observamos o comportamento do ambiente ao nosso redor (além das questões climáticas!), disponibilizando para isso sensibilidade e reflexão...

Brasil alpino? O alto Vale do Rio Preto é realmente uma área muito especial. Morros, montanhas e acantilados levaram, sob a atmosfera da crise da escravidão e do café no Vale do Paraíba, ao comendador Henrique Irineu de Souza a se instalar e ajudar o seu pai, o visconde de Mauá, com a concessão que tinha ganho em 1870 para explorar carvão vegetal na Serra da Mantiqueira. Povoar essa região não foi tarefa fácil, porém, talvez pelas inúmeras nascentes e rios ou pelo ar puro e o frio das montanhas, em contraste com o clima tropical do resto do país, ou mesmo pela exuberância da paisagem, ou aquela atmosfera semelhante a dos "resorts" alpinos, começaram a chegar os primeiros europeus no país, principalmente suíços que encontraram um ótimo lugar para matar a saudade. Já a partir de 1910, chegaram os alemães, e em menor número, vieram os austríacos, os portugueses, os espanhóis, os italianos, os poloneses, os húngaros, os franceses e os russos com a finalidade de produzir alimentos para abastecer as cidades brasileiras. Contudo, parecia evidente que o destino de Visconde de Mauá não era esse. Sem estrada de ferro para o transporte das colheitas, era preciso viajar ao Rio de Janeiro em lombo de burro; assim, os imigrantes que haviam se fixado, deram início ao desenvolvimento do turismo e, paralelamente com a chegada de algumas famílias mineiras, iniciou-se a exploração da atividade da pecuária. Estas duas atividades perduram até os dias de hoje. A uma altitude de 1.200 m e na divisa dos Estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, politicamente, a região de Mauá, como hoje é conhecida, pertence a três prefeituras: a vila de Visconde de Mauá, à prefeitura de Resende; a vila de Maringá (MG), à prefeitura da Bocaina de Minas; e as vilas de Maringá Maromba, Cruzes e Pavão pertencem à prefeitura de Itatiaia. A apenas 195 Km do Rio de Janeiro, Visconde de Mauá atrai visitantes em busca do clima privilegiado da região e da beleza da Serra da Mantiqueira e do vale do Rio Preto. A baixa temperatura é garantida pela localização e pela altitude. A natureza privilegiada, as belas paisagens e cachoeiras, as especialidades gastronômicas ou a prática de esportes garantem a quem visita Mauá férias inesquecíveis. Aqui você pode desfrutar do ar puro da natureza e até é possível aquecer-se ao calor de uma lareira*... acredite! E para os esportistas, o Rio Preto se oferece à prática de esportes como canoagem e as trilhas* garantem caminhadas e cavalgadas por lugares de beleza singular. Venha descobrir os prazeres de Mauá, essa região cujas características mais marcantes, sem dúvida, são a harmonia, o aconchego* e o contato direto com a natureza com um jeitinho diferente ao acostumado pelos turistas que viajam ao nosso querido Brasil... imagine: apesar de se encontrar a apenas duas horas da cidade do Rio de Janeiro, há alguns anos atrás houve até mesmo a ocorrência de uma nevada, o que dá bem uma idéia da singularidade da região. PRAZER NOS OLHOS O Vale do Rio Preto possui uma extensão de 198 km e serve de limite entre os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Durante o século XVIII foi o maior pólo de produção de café do país, e os poderosos senhores da época construíram grandes fazendas às suas margens. Hoje o vale possui uma vegetação onde se destacam pinheiros, araucárias, com trechos alternados de mata densa e rasteira. O Vale apresenta belas paisagens em toda a sua extensão, onde se destacam rios, cachoeiras e outros vales como o Vale do Pavão, o Vale das Cruzes, e o Vale do Acantilado entre outros, que emoldurados por altas montanhas de densa vegetação, são ocupados por Hotéis, fazendas e casas de veraneio. O Vale do Pavão é conhecido por suas belezas naturais e por ser o principal meio de acesso à cachoeira do Marimbondo que é a maior da região. O Vale do Rio Santa Clara tem como principal atrativo a famosa cachoeira de mesmo nome, onde existem Hotéis e piscicultura de trutas*. O Vale das Cruzes é largo e ensolarado formado pelo Rio das Cruzes com características de rio encachoeirado, formando inúmeras piscinas naturais para curtir* o melhor banho nas suas águas transparentes Quem não visitar as belas cachoeiras da região, não terá visitado Visconde de Mauá. Na Cachoeira Escorrega da Maromba, um salto de 10 m de altura, com águas límpidas e frias, uma rocha com superfície em declive permite que os banhistas, levados pela força das águas, deslizem e mergulhem em uma grande piscina natural, de onde advém o nome Escorrega. É só pegar a estrada uns 4 km do centro da cidade para ver a vegetação tropical de altitude com muitos pinheiros, araucárias e samambaias. No Vale do Rio Preto encontra-se o pico conhecido como Pedra Selada, uma formação rochosa de mais ou menos 1300 m de altura, de onde se avista uma larga extensão do Vale do Paraíba. A partir daí é possível seguir trilhas em aclive e pequenas escaladas. Assim como no Morro do Ninho de Águias, de 1400 m de altura, avista-se a paisagem do Vale da Capelinha. Mas para quem gosta de fotografar é bom visitar a Pedra da Gávea, um mirante no topo de um morro de 70 m de altura, localizado no Vale do Acantilado, a paisagem inclui Visconde de Mauá e Maringá. Para chegar até ele, é bom optar pela opção da trilha beirando o Rio Preto, é uma exeriência inesquecível. Pois é, a região oferece uma infinidade de atrações para quem gosta de fazer caminhadas. Escolha uma cachoeira e vá andando, vá andando... a recompensa será um revitalizador mergulho em águas cristalinas. A maioria das cachoeiras tem acesso de bicicleta, devido às subidas, algumas trilhas exigem um bom preparo físico. É por isso que um dos esportes prediletos pelos visitantes é o Mountain Biking. O down hill , é uma das modalidade com mais adeptos . Uma vez por ano acontece na região uma das rodadas do campeonato brasileiro de down hill. Outros dos mais praticados no verão é canoagem, quando as chuvas provocam um grande aumento do fluxo das águas do Rio Preto (que nada tem de preto). Nesta época acontece uma das etapas do Campeonato Brasileiro de Canoagem. As estradas sinuosas, se é que se podem chamar de estradas, fornecem outra opção: levam a picos deslumbrantes que só off roads alcançam. Em especial as que levam ao Canto dos Afetos no alto de Maromba, com trilhas deslumbrantes a região é um prato feito para os praticantes de moto cross, dá pra deitar e rolar! E para quem gosta de grandes aventuras, a caminhada de Maromba para o Pico das Agulhas Negras, que já chegou a nevar em 1989 é uma grande sugestão. O desafio leva no mínimo dois dias de caminhada com guia e mulas para levar a bagagem. SINTA E GOSTE A festa mais tradicional da cidade ocorre geralmente em maio, é a Festa do Pinhão. O Fruto do pinheiro é a pinha onde encontramos a semente, isto é, o pinhão que é um excelente alimento. Ela é o simbolo da gastronomia em Visconde de Mauá. O pinhão tem a forma de um foguete espacial com cerca de 5 cm de comprimento, recoberto por uma casca lisa de cor castanha. A polpa é a parte comestível, muito dura e deliciosa quando cozida. Existe uma história, contando que o pinhão evitou a morte de imigrantes europeus. Durante um longo periodo de chuvas, a estrada de acesso se encontrava interditada e o Governo do Estado os abandonou. Sem terem o que cultivar, passaram a se alimentar do pinhão e evitaram a fome. A outra parte da festa é dedicada à gastronomia regional (Hmmm!). Com concursos gastronômicos, a tradicional festa oferece comidas e bebidas típicas, forró, música ao vivo, desfile do peão boiadeiro, concurso de cavalos marchadores, apresentação de bandas, etc... Uma oportunidade ótima para ficar perto do folclore regional por se tratar de uma festa de rua, com barracas bem montadas e atraentes. Visconde de Mauá foi a parada final para os primeiros que chegaram ao Brasil dando à cozinha "mauense" o seu delicioso tempero característico. A imigração suiço-alemã trouxe para a região a especialidade em fondue e deliciosos pratos a base de frutas regionais. Acompanhados de bons vinhos dão o toque final para cada dia da sua estadia. Mauá possui uma cozinha requintada, com comidas típicas das mais diversas especialidades: alemã, japonesa, italiana, francesa, espanhola... Além disso, a comida mineira tem presença forte na região. Muitos restaurantes e bares oferecem também música ao vivo nos finais de semana, garantindo diversão e boas opções de lazer que se completam com quiosques nos locais turísticos com os mais gostosos petiscos*. Esqueça regimes e dietas! Aliás, com tanta atividade esportiva, ninguém precisa se preocupar com barriguinhas... COMO CHEGAR

O vôo até o Rio de Janeiro custa aproximadamente U$S 350 (mais impostos). Depois de conhecer a Cidade Maravilhosa, partindo do Rio de carro é só rodar pela Via Dutra (BR-116) em direção a São Paulo e, a 6 km depois de passar por Resende, há uma entrada à direita para Visconde de Mauá e Penedo. Já de ônibus, a Viação Cidade do Aço possui a linha Rio–Maromba quase todos os dias. A duração do percurso é de 2h30min. aproximadamente. Se você passar suas férias em São Paulo (o custo do vôo é de u$s 230, mais impostos), também é fácil chegar a Mauá indo pela Via Dutra em direção ao Rio. Após passar 5 km de Itatiaia, antes de chegar a Resende, há uma saida para Visconde de Mauá e Penedo.

Não perca a oportunidade de conhecer um outro Brasil!

Vocabulário

caramujo: caracol roça: Chácara para cultivo de frutas e hortaliças. lareira: Fornalha onde se faz fogo para aquecimento de interiores, fogão, chaminé truta: Peixe salmonídeo do Antigo Continente, do qual existem diversas espécies: truta-comum (Trutta fario (Lin.)), truta-salmoneja (Trutta trutta (Lin.)). curtir: Bras. Gír. Gozar, desfrutar, deleitar-se, em: curtir uma festa; curtir uma viagem. petisco: Iguaria saborosa, preparada com esmero. iguaria: Comida fina, delicada e/ou apetitosa; acepipe


7 Como anda seu português?

Pela professora gaúcha Isabel Höltz

Queridos leitores, ainda festejando o início do 2001 e para que vocês comecem o ano "conjugando" bem, vamos falar de verbos. Como este tema é extenso, começaremos com algumas explicações básicas e mostraremos como se dividem e se classificam os verbos da língua portuguesa. Nos próximos boletins, continuaremos com este assunto.

VERBO

Conceito: Palavra variável, que designa ação, estado, mudança de estado ou de um fenômeno. de ação: andar, correr. de estado: ser, estar. de mudança de estado: tornar- se, ficar.

de fenômeno: ventar, chorar

Caracterização quanto ao critério semântico.

O verbo caracteriza- se, em oposição aos nomes, pelo valor dinâmico de sua significação, expressando realidades situadas no tempo. Essa idéia temporal traduzida pelo verbo pode assumir o caráter:

  1. de TEMPO: é a situação da ocorrência do processo em relação ao momento em que se fala, como atual ou presente, anterior ou passada (pretérito), posterior ou futura.
  2. de ASPECTO: é o que diz respeito à duração do processo (visto como instantâneo: leio; ou durativo: estou lendo) ou à perspectiva pela qual o falante o considera (em um início incoativo: anoitece; em seu curso e inconcluso – imperfeito: chovia, em seu fim, já concluso – sem perfeito: choveu, presentes, a iniciar- se – inceptivo: vou falar; concluso, mas permanente em seus efeitos – permansivo: sei, repetido – freqüentativo ou interativo: saltitar).

Como se pode ver, o aspecto verbal, em português, é traduzido ou pelo próprio semantema do verbo ou por sufixos, ou por verbo auxiliar de locução verbal. Caracterização quanto ao critério morfológico:

O verbo é a classe de palavras mais rica em flexões, que são:

a) DE MODO: É a propriedade de o verbo designar a atitude mental do falante em face do processo que enuncia. Os modos são:

1 - Indicativo

2 - Subjuntivo

3 - Imperativo

  1. INDICATIVO:
  2. Expressa uma atitude de certeza, ou apresenta um fato como real. Podemos ainda dizer que indica o fato real, verdadeiro.

    Exemplos: Brinco, trabalho, estudo; brincava, trabalhava, estudava; brinquei, trabalhei, estudei.

  3. SUBJUNTIVO:
  4. Exprime uma atitude de dúvida, ou anuncia um fato como possível, hipotético, provável ou incerto.

    Exemplos: Brincasse, trabalhasse, estudasse; brinque, trabalhe, estude; brincássemos, trabalhássemos, estudássemos.

  5. IMPERATIVO:

Em que o falante deseja que um fato se dê: é a expressão da ordem, do desejo, da súplica, do pedido. Realmente, o imperativo indica principalmente a ORDEM e o DESEJO.

Exemplos: Brinque, trabalhe, estude;

b) DE TEMPO:

O tempo verbal é a localização da ocorrência do processo em relação ao momento em que se fala. São três os tempos: (somente o pretérito e o futuro são divisíveis)

  1. presente
  2. pretérito (perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito)
  3. futuro (futuro do presente, futuro do pretérito).

Existem tempos simples, compostos, primitivos e derivados.

c) DE NÚMERO:

  1. O verbo apresenta desinências que, simultaneamente, indicam número singular e plural. Ainda podemos dizer que indica a quantidade de seres envolvidos no processo verbal.
  2. DE PESSOA:

A flexão de pessoa indica as pessoas do discurso, são elas:

  1. 1ª pessoa é a que fala, também chamada de falante, emissor. Eu e nós. Eu estudei, eu trabalhei.
  2. 2ª pessoa é a que com quem se fala ou ouvinte ou receptor. Tu e vós. Tu estudaste, vós trabalhastes. (o tu é utilizado em Portugal, mas no Brasil é usado apenas em algumas regiões e o vós está em desuso)
  3. 3ª pessoa é a de quem ou que se fala ou o assunto e corresponde aos pronomes pessoais ele, ela, no singular, eles e elas, no plural. Ele trabalhou, eles trabalharam.
  4. DE VOZ:

É a forma em que se apresenta o verbo para indicar a relação entre ele e o seu sujeito. O verbo pode ser:

  1. ativo
  2. passivo
  3. reflexivo
  1. VOZ ATIVA: Quando o sujeito pratica ação verbal. Ou, o verbo de uma oração está na voz ativa quando a ação é evidentemente praticada pelo sujeito.
  2. Exemplos:

    João comprou os cadernos.
    Pedro brincou na praia.
    Nós falamos de futebol.
    Nas orações, os verbos comprou, brincou e falamos, indicam ações praticadas pelos respectivos sujeitos: João, Pedro e nós.

  3. VOZ PASSIVA: Quando o sujeito recebe a ação verbal. O agente da passiva (regido de preposição por, de ou a) pratica a ação verbal.
  4. A voz passiva pode ser apresentada sob duas formas:

    1 – Com o verbo auxiliar - voz passiva analítica.
    A casa foi destruída pelo fogo.
    O caçador foi morto pelo leão.

    (A casa e o caçador funcionam como sujeito na voz passiva. O sujeito não pratica a ação, mas sofre a ação. Podemos dizer ainda que o sujeito não pratica e sim, recebe a ação verbal.)

    2 – A voz passiva com o pronome (se) apassivador - voz passiva pronominal ou voz passiva sintética.
    Exemplo:
    Comprou- se o livro (= O livro foi comprado). Leu- se o livro (= O livro foi lido).

  5. VOZ REFLEXIVA: Quando o sujeito pratica e recebe a ação verbal, simultaneamente.

Na voz reflexiva, a ação é, – (simultaneamente, ao mesmo tempo) – praticada e recebida pelo sujeito que, por isso, é chamada de AGENTE e ou PACIENTE.

Exemplos:
Ele se queixa.
João feriu- se.
Ele se machucou.
Eu me arrependi.

NOTA: Tem força PASSIVA os verbos ativos, quando, estando no infinitivo, funcionam como complemento de certos adjetivos.

Exemplos:
"Osso duro de roer" é o mesmo que:
"Osso duro de ser roído".
de roer – é complemento nominal de duro.
"Estrada difícil de passar" eqüivale a:
"Estrada difícil de ser passada".
de passar – é complemento nominal de difícil.

Para testar seus conhecimentos prévios, temos agora um exercício de verbos regulares de primeira conjugação (terminados em "ar"), do Modo Indicativo. As explicações sobre esta classificação virão no próximo número. Boa-sorte! (Estes exercícios são em homenagem a todos os nossos professores em agradecimento ao excelente trabalho realizado no ano passado. Muito obrigada, gente!!!!)

  1. A professora Ana Paula _______________ muitos presentes de Natal para sua família em São Paulo. (comprar – pretérito perfeito).
  2. Bárbara, a filhinha da professora Maristela, _________ sua mamadeira pela janela, do vigésimo andar (jogar – pretérito perfeito).
  3. Ao terminar sua aula, a professora Silvana ____________ de emoção. (chorar – pretérito imperfeito).
  4. O professor Igor ____________ do Arraial do Cabo sem saber falar espanhol. (voltar –futuro do presente).
  5. Os alunos da indústria petroleira ___________ muito das aulas com a professora Anamaria. (gostar – pretérito perfeito).
  6. A professora Virgínia sempre ____________ um mês na praia, bebendo água de coco. (ficar – presente).
  7. A professora Gláucia _____________ para Minas Gerais, sua terra natal. (viajar – pretérito perfeito)
  8. A professora Majô _______________ muito sobre sua viagem à França, mas ainda não __________ as fotos. (falar , mostrar – pretérito perfeito).
  9. A professora Daniela _____________ (ficar – futuro do presente). maravilhada quando conhecer as praias de Santa Catarina.
  10. A professora Ana ____________ bingo com seus alunos na praia. (jogar – pretérito perfeito)

 

Respostas em:
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