| |
BOLETIM VERDE & AMARELO
Nº. 03, 21 de Julho/2000 –
Este é o terceiro número de uma publicação eletrônica menzal e gratuita idealizada pelo Instituto de Português Verde & Amarelo (Maipú 388, 3º K – Cap.Fed. –tel. 4325-0932 / 4393-0645), dirigida a alunos, clientes e amigos. Tem como objetivo ampliar o contato entre aquelas pessoas que de uma ou outra forma se interessam pelo Brasil - notícias, cultura geral, novidades, opiniões, humor, etc - ou que desejam receber informações diversas em Português.
O Verde & Amarelo é um Instituto de Português dedicado ao ensino a hispanofalantes. Trabalhamos com material próprio e exclusivo, onde consideramos as semelhanças e as diferenças entre o português e o espanhol. Nosso objetivo é que as aulas sejam dinâmicas, divertidas e os alunos dominem o idioma dentro do menor tempo possível.
Inscrição: envie um e-mail com o título "ASSINATURA"
a secretaria@verdeamarelo.com.ar
Cancelamento: envie um e-mail com o título "ELIMINAR" a secretaria@verdeamarelo.com.ar
DÚVIDAS: portugues@verdeamarelo.com.ar
Caros amigos
Para vocês que estão sempre conosco, queremos desejar um Feliz Dia do amigo.
Confira neste número:
- Humor Música & Cia. (O Brasil nasceu cantando)
- Viajando pelo Brasil (O frio e o calor do Brasil)
- Notícias
- Uma novela Verde & Amarela (Não perca a nossa co-produção)
- Como está o seu português? (Dicas de gramática e exercícios)
- Sites Legais
- Vocabulário
1. Humor
Vício
Você está no limite de ser considerado(a) um(a) viciado(a) em computadores e Internet quando:
1. Usa uma camiseta com a frase: "Este corpo pode ser visto melhor com o Netscape 4.0 ou superior".
2. Seus filhos se chamam Eudora, San-Sung e Linux.
3. Quando viaja de avião, você põe o laptop no colo e guarda Linux, o caçula*, no compartimento de bagagem*.
4. Ao ser apresentado a uma pessoa, você não diz o seu nome, diz o seu login.
5. Ao entrar no táxi, você diz ao motorista o seu endereço: http://ruadahora.123/apt04.html
6. Quando uma formiga ou uma mosca passeia pela tela do monitor você tenta afastá-la usando a setinha do mouse.
7. Apresenta o marido como "Meu servidor" ou "Meu Domínio".
8. Quando o jantar está na mesa, você manda e-mails avisando a sua turma.
Pensamentos
Não há dúvida de que as melhores coisas do mundo estão nas pequenas coisas. Um pequeno castelo, um pequeno jatinho, uma pequena fortuna...
Não é que eu seja egoísta, mas se estás a procura de uma mão para te ajudar, olha para a extremidade do teu braço.
Ao vermos essas contendas esportivas por aí, temos que concordar com aquele sujeito que inventou as modernas competições. Dizia ele: "O importante não é ganhar. É competir, é participar. De preferência sem empatar e, muito menos, sem perder.
Não sei por que, mas quando ouço falar em nostalgia sempre me lembro das aulas de gramática. Você acha o presente imperfeito e o passado perfeito.
O primeiro economista do novo mundo foi Cristóvão Colombo: quando saiu, não sabia para onde ia; quando chegou, não sabia onde estava. E tudo por conta do governo. (Ronaldo Costa Couto).
2. Música & Cia. (O Brasil nasceu cantando)
(pela professora Silvana de Sousa)
Neste primeiro artigo, procuramos dar uma leve pincelada sobre a história da música brasileira. Nos próximos números teremos sempre um tema a abordar. De qualquer maneira, escreva fazendo algum comentário, crítica ou dando sua preciosa contribuição.
O BRASIL NASCEU CANTANDO
Esse país continente formou-se a princípio por três protagonistas junto com seu som , sua música e seu canto: o índio, o branco português e o negro africano. Foi da confluência étnica destes, que nasceu a música brasileira.
A rica música do Brasil mostra sua multiplicidade nas suas diversas e diferentes regiões. O nordeste brasileiro, por exemplo, pobre, explorado e massacrado apresenta seu canto e suas danças de uma maneira única que toca fundo no coração de qualquer brasileiro. Nesta região podemos encontrar desde o trava- língua da embolada* até o baião* tocado na viola* dos cantadores cegos na feira. Como principais artistas representantes dessa música nordestina, temos o pernambucano Luiz Gonzaga e o baiano Dorival Caymmi.
O índio, habitante da terra trouxe seu coro tribal, a dança, os ritos sonoros de trabalho, festa e dor. O invasor português com suas guitarras líricas e nostálgicas, o hino do desterro e a celebração da conquista voraz. O negro escravo tangido a ferros, o canto cadenciado do trabalho à força, os códigos de luta e resistência, o batuque* solto de revolta e paixão. Essa nação cheia de contradições não poderia soar de uma só maneira.
Gonzaga conseguiu urbanizar os ritmos do interior, as crenças do seu povo e o mito da triste partida do migrante para as grandes cidades, empurrado pela seca. Enquanto que Caymmi fala do amor e dos pescadores, além da gostosa miscigenação* afro-brasileira ocorrida principalmente na cidade de São Salvador da Bahia.
Todas essas eclosões, no entanto, acontecem num segundo cenário de importante influência cultural: a cidade do Rio de Janeiro. Não é por coincidência que essa cidade, segunda capital do Brasil (1763-1960), depois de Salvador (1549-1763) tivesse também uma semelhante miscigenação dominante de negros e brancos. Afinal, foi no Rio – bem no centro da cidade, na casa de baianas festeiras* – que nasceu o samba, identidade básica da música nacional. Esse ritmo que originou-se do afro-lundu* somado ao maxixe* dançante em suas gravações originais, foi espalhando*-se para outros lugares. Sempre acompanhando as camadas populares, ganha vida nos morros*, onde nascem as primeiras escolas de samba. Com a criação da indústria da música (fábrica de discos, rádios e depois televisões), o samba do morro "desce para a cidade" e passa a ser feito também por compositores da burguesia como Noel Rosa, Ary Barroso (da célebre Aquarela do Brasil), entre outros.
Esse mesmo samba junta-se a influência do jazz norte-americano do pós-guerra para dar origem à bossa nova . Antonio Carlos (Tom) Jobim une-se ao poeta e diplomata Vinícius de Morais para criar as progressões harmônicas que mudariam a música brasileira instrumental e cantada. Cada vez mais o samba já não é mais "coisa de pobres". Daqui para frente aparecem muitos intérpretes, compositores e instrumentistas talentosos . Podemos citar aqui o brilhante Hermeto Paschoal, considerado por Miles Davis "o músico mais impressionante do planeta", capaz de realizar uma sinfonia de ruídos, com panelas cheias de pedras ou soprando em garrafas.
No movimento da bossa nova (1958-65) e do violão batuqueiro do concertista Baden Powell, Chico Buarque de Holanda renovou o samba, com a particularidade de associar a linguagem do morro à sátira urbana. Por sua vez, os baianos Gilberto Gil, e Caetano Veloso, projetados nos mesmos festivais de televisão que lançaram Chico Buarque, retomaram, cada qual do seu jeito, a linha musical de Caymmi e João Gilberto.
Caetano e Gil provocaram um movimento de estreita ligação com as artes plásticas de Helio Oiticica, o cinema novo de Glauber Rocha, o teatro antropofágico de José Celso Martinez Correia e a obra literária, teatral e poética do modernista Oswald de Andrade . Era o Tropicalismo (1967-69), que, a pesar da curta duração, foi marcante para a cultura brasileira, ao valorizar as coisas que eram verdadeiramente brasileiras. O tropicalismo contou também com a marcante interpretação das cantoras: Maria Bethânia e Gal Costa.
No campo da música instrumental, não podemos deixar de citar o choro (mistura dos gêneros xote*, valsa, tango, polca e habanera) que teve como expoente o maestro Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha (1898-1973). Através de um paciente trabalho de transcrição da música oral para a partitura, ele estabaleceu os parâmetros da tradição musical brasileira. Da modinha herdada da corte portuguesa, parecida com o fado*, até chegar à seresta* e serenata dos subúrbios ao luar. O principal autor erudito brasileiro, Heitor Villa-Lobos (1887-1959) também foi chorão e amigo de Pixinguinha.
No que se refere às tendências regionais, devemos citar a rica música de Milton Nascimento, um carioca criado nas procissões das Minas Gerais e que expressa no seu trabalho características do canto escravo e o sentimento contido nas igrejas barrocas desse lugar.
Enfim, é dessa música que pretendemos falar nesse espaço. Dessa música que juntou no início da colonização brasileira, o cântico catequista dos padres jesuítas ao coro indígena. Que teve o encontro de Tom Jobim de Garota de Ipanema, Desafinado e Samba de uma nota só com o principal cantor da música norte-americana, Frank Sinatra. E que exporta sua música para o mundo todo, falando ao coração e à alma de pessoas que têm os mais diferentes idiomas. E para terminar, deixamos para Caetano, que diz em uma de suas letras: "E deixa os portugais morrerem à mingua / minha pátria é minha língua."
3. Viajando pelo Brasil
(pela professora Maristela Müller)
A notícia da nevada surpreendeu muita gente boa que vê o Brasil como um país tropical.
A neve foi vista no sul do país, mas a intensa onda de frio chegou até o Rio de Janeiro, onde se registraram as temperaturas mais baixas do ano.
Em São Paulo, o frio bateu recorde de seis anos: apenas 4,5 graus positivos.
No Paraná, a onda fria provocou geadas fortes e temperaturas negativas em praticamente todo o estado. Os termômetros chegaram a 5,9 graus negativos, na região de Guarapava.
Em Santa Catarina, o frio intenso deve continuar ainda esta semana. A previsão é de temperaturas 10 graus abaixo das normalmente registradas nesta época do ano.
Na capital capital gaúcha, Porto Alegre, um novo fenômeno, o da neve granulada, ocorreu na quinta-feira (13.07) em alguns bairros da Zona Norte da cidade.
Conforme os especialistas, a massa polar que congelou o Rio Grande do Sul neste começo de julho é uma das mais intensas dos últimos tempos. A forte onda de frio é provocada por uma massa de ar polar que vem da Argentina, segundo o Serviço de Meteorologia.
Na serra gaúcha, mesmo fraca, a neve foi a grande atração do domingo que passou. Os turistas cariocas, paulistas e, principalmente, os nordestinos que lotaram hotéis e restaurantes durante todo o final de semana curtiram muito o frio de dois graus negativos da manhã e saíram às ruas, sempre muito agasalhados, para conhecer as atrações proporcionadas pela baixa temperatura que chegou ao Estado.
Pontos obrigatórios para o turista que gosta de frio e de neve são as cidades de Gramado e Canela. Nesta colônia alemã o turista encontra casas típicas e cabanas preparadas para o frio, chocolate quente, vinhos artesanais e o imperdível café colonial.
Em Santa Catarina, uma opção para se refugiar do frio é o Festival de Dança de Joinville que reúne cerca de 4 mil participantes e é um dos maiores do mundo no gênero.
Mais uma dica para quem não gosta de calor: Em Campos do Jordão, São Paulo, tem música erudita e 6°C negativos de frio. A programação do Festival de Inverno inclui Orquestras Sinfônicas de várias cidades e a apresentação de jovens músicos.
Mas se você gosta mesmo de sol e de calor uma excelente opção tropical é a cidade de Natal – capital do estado do Rio Grande do Norte, no nordeste brasileiro.
O destino turístico das Américas (incluindo-se aí o Caribe) mais próximo da Europa e da África, pois está a apenas seis horas e 30 minutos de Lisboa e a quatro horas e 30 minutos de Dacar. Sem dúvida o apelido mais divulgado da cidade, é o de "Cidade do Sol", por ser iluminada pelo sol durante quase trezentos dias do ano, com temperatura média de 28ºC e precipitação pluviométrica em torno de 1.180mm anuais. A alta taxa de salinidade e a densidade das águas da costa, aliadas à tepidez* do oceano, em torno de 26° C, proporcionam um delicioso banho de mar. Até mesmo à noite. Na praia de Pirangi do Norte localiza-se o maior cajueiro do mundo, interessante excentricidade da natureza, que espalha seus galhos por 7.500 metros quadrados e continua crescendo e dando frutos. Em noites de lua cheia, costuma promover paradisíacos e inspiradores "luais". Para quem prefere conforto e mordomia, Natal oferece uma importante rede de resorts com praias privadas, shows e cozinha internacional. Em Ponta Negra o turista encontrará confortáveis hotéis e pousadas. No centro da cidade podem se visitar os edifícios históricos. Descendo a praia se encontra o forte, legado dos portugueses. Natal conta com dois litorais, o litoral sul e litoral norte, cada um deles com uma infinidade de praias tropicais. Uma aventura imperdível é o passeio de "bugre", subindo e descendo enormes dunas acompanhados por motoristas experientes.
No dia 25 de dezembro de 1999, Natal completou 400 anos de fundação. A capital do Rio Grande do Norte também é chamada de Cidade Presépio e Cidade dos Três Reis Magos.
Como você pode ver, o Brasil é um país de muitos matizes, inclusive quanto ao clima. Resta agora você decidir se prefere frio ou calor e arrumar as malas.
Enquete:
O que você prefere?
( ) frio e neve ( ) calor e praia ( ) chuva e namoro no sofá
Por quê?..................................................................................................
...................................................................................................................
As respostas serão publicadas no próximo boletim.
4. Notícias
Ladrão dorme no local do crime e é preso
A polícia carioca prendeu na manhã de sábado Marcelo Santos. Ele foi encontrado por funcionários da loja Varejão das Tintas, no Bairro do Uruguai, periferia do Rio de Janeiro, dormindo ao lado de um saco plástico com vários produtos roubados. Santos contou à polícia que invadiu a loja na madrugada e acabou pegando no sono depois do roubo. As informações são do Jornal do Brasil.
Batom* de cafeína promete energia e beleza imediatas
A cafeína presente em alguns refrigerantes e no café, e que geralmente serve como estimulante, já pode ser encontrada em batons. A empresa de cosméticos Hard Candy lançou um novo produto com três sabores, Latte Lip, Café-o-Lip e Lipachino e promete revigorar a energia imediatamente após a aplicação nos lábios.
A cafeína também está sendo usada em sprays e tonificantes faciais — e em centenas de cremes para o rosto e corpo. A promessa é de pele mais rígida e contornos corporais mais definidos.
As informações são da BBC.
Agricultores temem estrago do frio na produção de café
RIO DE JANEIRO (Reuters) - Agricultores brasileiros estão ansiosos com a destruição causada pelo inverno na Argentina e no Chile, e que avançou para o país. Falar sobre geada normalmente aumenta o preço do produto no mercado internacional em questão de minutos. O Brasil, maior produtor mundial de café, é responsável por um terço do fornecimento de café do mundo.
Frio é o mais novo adversário da Seleção Brasileira
Luiz Augusto Nunes e Márcio Mará
FOZ DO IGUAÇU - O frio de menos 2°C em Foz do Iguaçu acabou se tornando o maior obstáculo dos planos do técnico Wanderley Luxemburgo. A Seleção treinou em tempo integral, mas só foi ao campo do ABC pela manhã - à tarde, preferiu fazer trabalho no próprio hotel. Às 10h, começava o exercício físico seguido de um leve treino tático.
A entrevista coletiva, no próprio estádio, também foi encurtada. "Por favor, vamos encerrar porque os jogadores estão com muito frio", comunicou o assessor de imprensa da CBF, Carlos Lemos. Edmílson tremia e Cafu e Roberto Carlos - mesmo atuando na Europa - se queixavam do tempo. "Caramba, nunca senti um frio desses nem em Madri", afirmou Roberto Carlos, do Real Madrid, da Espanha. "Está difícil de agüentar", disse Cafu, do Roma.
(será este o motivo daquele resultado?)
R$ 1 por um prato de comida
BELO HORIZONTE - Mantido pela prefeitura, o restaurante popular da capital mineira*
completa este mês os mesmos seis anos do Plano Real. A refeição* variada, bem feita e balanceada, elogiada pelos usuários, resiste bravamente à inflação do período do Plano Real, de 86,44% conforme registro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Ponto para o consumidor, que faz fila por um almoço a R$ 1 e uma sopa noturna a R$ 0,50. Mas esta conta tem sido paga pela administração, que não conseguiu se ver livre da elevada variação dos preços dos alimentos e da mão- de- obra. A prefeitura* interferiu financeiramente pela primeira vez um ano depois, quando o auto-sustento não foi mais possível. Hoje subsidia em até 45% os custos mensais de cerca de R$ 116 mil.
O sucesso de público foi crescente, garantido não só pelo preço mas pela qualidade. No primeiro ano, eram servidos cerca de 1750 almoços por dia. Hoje, são 3.600, que somados à sopa e ao marmitex* também vendidos chegam a 4 mil refeições.
"O lugar é limpo, a comida é boa e o preço melhor ainda. Olha que disso eu entendo", garante o garçom Alexandro Silva Aawae, que há quatro anos almoça e janta lá. Com R$ 1, operários, comerciantes, autônomos e mendigos fazem fila para comer um cardápio variado, com cinco tipos de carnes, salada, suco e fruta de sobremesa.
5. Uma Novela Verde & Amarela
(pelo professor Igor Ravasco)
Nota: Esta é uma história de ficção, qualquer semelhança com fatos ou pessoas é mera realidade.
Chamava-se Maurício. O sobrenome não é importante. Trabalhava numa empresa no microcentro de Buenos Aires. Portenho de nascimento, nascera num hospital de Caballito. Torcia apaixonadamente pelo Boca Juniors, mas em sua família era o único, pois seu pai torcia pelo River, sua mãe pelo San Lorenzo e seu irmão pelo Independiente. Tinha também um primo que torcia pelo Racing, mas esse não contava mais. Era alto, tinha olhos esverdeados, cabelos curtos, castanhos, solteiro, um pouco machista e um admirador do sexo feminino.
Estava na empresa há dois anos, trabalhava no setor de vendas, e era respeitado por seu bom trabalho, apesar de não poder fazer negócios com os Estados Unidos, pois seu inglês era muito ruim. Um dia, numa reunião muito importante, ficou sabendo que a empresa, por causa do Mercosul, começaria a investir mais nos negócios com o Brasil. Imediatamente pensaram no nome dele para trabalhar com as vendas. Ele sorriu e disse que se tivesse que ir ao Brasil, se tivesse que trabalhar com as garotas e se tivesse festa e caipirinha que o trabalho seria dele sim.
Não falava português. A única experiência que tinha do Brasil foram umas férias em Camboriú, onde babou pelas praias e não ficou com ninguém. Mas isso não era problema. Ele se lembrava de que em Camboriú falava 'garotinha', "mozo" quero a 'continha', 'frango', 'cervesha'. As lembranças não eram muitas, mas sabia que tudo seria fácil, não era necessário muito esforço. Assim pensava. Total, a Argentina havia ganhado do Brasil na copa do mundo de 1990 com gol de Canniggia, e Maradona era melhor do que Pelé.
Os negócios iam bem, mas Maurício ainda não tinha necessitado falar diretamente com o Brasil, só não poderia escapar indefinidamente. Um dia, um telefonema de São paulo agitou a empresa. Era um pedido grande, muita coisa, de vital importância para a empresa e para Maurício. Ele foi chamado para conversar com as pessoas que telefonavam do Brasil. Do outro lado não se falava castelhano, e do lado de Maurício, além do castelhano se falava portenho. Maurício dizia a cada instante: -Nao te preocupes que vamos a enviar o pedido pra lá. - Sí, sí, pra lá. De São paulo perguntavam: -Senhor Maurício, para lá aonde? Não envie nada para lá, envie para aqui. Se o senhor enviar para lá a encomenda vai para o Rio de Janeiro e não deve ir para lá. O coitado do Maurício estava perdido, e disse ao cliente de São Paulo: - Nao preocupe-se, babaca, vamos a enviar para lá. Ele não sabia o que estava dizendo. Tinha conhecido a palavra em Camboriú, uma 'garota' o tinha chamado assim na praia. Pensava que era um elogio, ou algo como "fierita", mas descobriu que não era quando o cliente desligou o telefone na sua cara.
Maurício não sabia o que fazer. Ficou parado, atônito. Não entendia o que estava acontecendo, o que tinha falado, o que tinha feito. Apenas sabia que tinha perdido um grande negócio, que estava arriscando sua carreira. Não queria, mas talvez não fosse tão desnecessário assim. Era hora de começar a pensar em estudar português, apesar da rivalidade no futebol, e principalmente por causa da mulher brasileira. Isso sem falar em sua urgente necessidade. Tinha chegado a hora de procurar um Instituto de Português.
Um dia...
6. Como anda o seu português?
(pela professora Isabel Höltz)
Queridos alunos, a partir deste número
vamos ter aqui um encontro marcado para falarmos daquilo que vocês
tanto amam e esperam ansiosos a cada minuto de suas vidas: a nossa querida,
adorada e tão desejada Gramática da Língua Portuguesa.
Hoje vamos tirar dúvidas sobre um tema que
geralmente é motivo de indecisão ou enganos na hora de escrever
(porque ao falar, praticamente não há diferença na
pronúncia).
Quando usamos MAIS ou MAS, ou MÁS?
1) Mais - é o oposto de menos.
Está relacionado com quantidade, aumento, grandeza, superioridade
ou comparação.
Exemplos:
Você quer seu café com mais
açúcar?
Sua riqueza cresce cada dia mais.
São Paulo é o mais
populoso dos estados do Brasil.
É mais
difícil fazer do que criticar.
Cuidado!!! Quando comparamos dois substantivos
na Língua Portuguesa é um erro grave utilizar as expressões:
"mais grande", "mais pequeno", "mais bom"
e "mais ruim".
No seu lugar usamos: "maior", "menor",
melhor" e "pior".
Exemplos:
O Brasil é maior que a Argentina.
A Argentina é menor que o Brasil.
A carne argentina é melhor que a carne
brasileira.
O segundo disco daquele cantor é pior
que o primeiro.
Agora vocês já sabem que a conhecida
expressão "o mais grande do mundo", de acordo com a norma
culta do idioma português, está errada. A forma correta seria
"o maior do mundo".
Atenção! Usamos as expressões:
"mais grande", "mais pequeño", "mais bom"
e "mais ruim" apenas quando comparamos duas qualidades de um
mesmo substantivo.
Exemplo: Este livro
é mais bom que caro.
2) Mas - Indica oposição
ou restrição. Seus equivalentes são: porém,
entretanto, no entanto, contudo e todavia.
Exemplos:
Ele estudou, mas
foi reprovado.
Não foram convidados, mas
vieram à festa.
3) Más- É o plural
do adjetivo "má", que significa malvada, ruim.
Exemplos:
Não eram más
idéias (eram boas idéias).
Tinham más intenções
(não tinham boas intenções).
Complete as orações com "mais", "mas"
ou "más".
Vendeu ___________ livros neste mês
que no anterior.
Ela não é bonita, ____________ conquista pela simpatia.
Dizem as ___________ línguas que ele vai ser o nosso prefeito.
Este país está cada dia ___________ violento.
É o Rio de Janeiro a cidade _________ bonita do Brasil?
Elas pareciam invencíveis, ________ foram derrotadas.
Queria viajar, _____________ não consegui comprar passagem.
As pessoas deste lugar são muito __________.
Querem ter dinheiro, __________ não trabalham.
Escreva __________ depressa, por favor!
espostas em:
http://www.verdeamarelo.com.ar/portugues.htm
8. Sites Legais
Música
http://www.caetanoveloso.com.br/
Dicionários
Dicionário com terminologia AXÉ
http://quasar.com.br/axe/index.htm
Dicionário de Baianês
http://www.alternex.com.br/~jfernand/manual.htm
Dicionário totalmente on line da língua portuguesa
http://www.priberam.pt/DLPO/
Oi gente, se vocês quiserem saber informações
sobre novos cursos, horários ou qualquer outro tema administrativo,
fale comigo.
Sou Liliana Corradino e estou todos os dias na
secretaria de 8h a 17h de segundas a sextas e aos sábados de 9h
a 13h.
Espero a sua ligação!
Vocabulário:
Afro-lundu: Dança
de par solto, de origem africana, que teve seu esplendor no Brasil em
fins do séc. XVIII e começos do séc. XIX.
Babaca: Tolo, bobo, pessoa
que diz tolices.
Bagagem: Conjunto
de objetos de uso pessoal que os viajantes conduzem em malas, caixas,
sacos, pacotes, equipagem.
Baianas festeiras: Negras ou mestiças
da Bahia que gostam de festa.
Baião: Dança
e canto popular, ao som da viola e d'outros instrumentos, derivada do
baiano; baiano, chorado, choradinho.
Batom: Cosmético em forma
de pequeno bastão, de diversas cores, que serve para cobrir os
lábios.
Batuque: designação
comum a certas danças afro-brasileiras acompanhadas de cantigas
e de instrumentos de percussão.
Bugre: Automóvel tipo jipe
para passear nas dunas, assim chamado na cidade de Natal.
Caçula: O mais moço
dos filhos, ou dos irmãos
Cardápio: Lista das comidas
e bebidas que um restaurante pode servir, com o preço de cada uma
delas. Dica: Informação
ou indicação.
Embolada - forma poético-musical,
improvisada ou não, em compasso binário, cuja melodia é
declamatória, em valores rápidos e intervalos curtos, e
que é usada pelos solistas nas peças com refrão coral
ou dialogadas (como cocos e desafios).
Encerrar: Concluir, terminar.
Espalhar: Separar, lançar para
diferentes lados; dispersar; espargir.
Fado: Dança popular,
ao som da viola, com coreografia de roda movimentada, sapateados e meneios
sensuais.
Lembrança: Coisa que se apresenta
em um dado momento na memória, recordação.
Luais: Rodas de viola, noturnas
e ao ar livre, onde as pessoas cantam e dançam.
Luar: Luminosidade refletida pela
Lua ao ser iluminada pelo Sol.
Marmitex - conjunto de vasilhas
adaptado a um suporte, e que serve para o transporte de comida.
Maxixe - Dança urbana,
geralmente instrumental, de par unido, originária da cidade do
Rio de Janeiro, onde apareceu entre 1870 e 1880, como resultado da fusão
da habanera e da polca com uma adaptação do ritmo sincopado
africano.
Mineira: Que pertence a
cidade de Minas Gerais
Miscigenação: Cruzamento
inter-racial; mestiçamento.
Morro: Colina; Favela.
Prefeitura - prédio
onde funcionam os órgãos da administração
municipal.
Refeição - qualquer
porção de alimento, de comida.
Refrigerante: Bebida não alcoólica,
com gás.
Seresta: Peça artística,
de cunho profundamente nacional, composta nos moldes da seresta
Tepidez: Estado de morno, tíbio.
Turma: Grupinho de amigos;
gente, pessoal; galera:
Viola: Instrumento de cordas
dedilháveis e que se assemelha ao violão na forma e na sonoridade.
Xote: 1. Antiga dança
de salão, talvez proveniente da Hungria, em compasso binário
ou quaternário, e cujos passos se aproximam dos da polca.2. Música
que acompanha essa dança.
Se você tiver alguma sugestão,
idéia, pergunta, reclamação ou algo legal para publicar
no nosso boletim, mande um e-mail para a gente.
Responsável pelo Boletim Verde & Amarelo
Leandro Araujo – direção
INSCRIÇÃO: envie um e-mail em branco a portugues-subscribe@domeus.es
CANCELAMENTO: envie um e-mail em branco a portugues-unsubscribe@domeus.es
DÚVIDAS: portugues@verdeamarelo.com.ar
Verde & Amarelo - Português do Brasil
Maipú 388 3° K (C1006ACB) - Cap. Fed.
Telefax: (54-11) 4393-0645 / 4325-0932
e-mail:portugues@verdeamarelo.com.ar
www.verdeamarelo.com.ar
|
|