Nº 19 - 05 de setembro / 2001 -
Confira neste número:
1. Introdução
2. Informativo econômico
3. Você sabia?
4. A palavra do mês
5. Língua portuguesa e literatura brasileira
6. Música & Cia.
7. Viajando pelo Brasil
8. Matando as saudades 1
9. Matando as saudades 2
10. Matando as saudades 3
11. Como anda o seu português?
Vocabulário (Ao final de cada matéria)
Neste número do Boletim, vamos falar de coisas grandes, do gigante, do maior... Vamos estufar o peito e dizer: dedicamos o Boletim ao maior estado brasileiro!!! Mas maior em quê? Leia e descubra!!!
pelo professor e economista cearense Flávio Castro
Governo Brasileiro dá um "tranco" nos Bancos:
Durante praticamente uma década, a rede bancária brasileira, as operadoras de cartão de crédito e as instituiçãoes que financiam as vendas do comércio varejista* conseguiram driblar* o Código de Defesa do Consumidor, que foi baixado em 1991 e trouxe avanços muito importantes para a solução de conflitos entre indivíduos e empresas. Desde a publicação do Código, os bancos e instituições de crédito sempre se negaram a reconhecer que as relações que mantêm com seus clientes são de consumo e, portanto, passíveis de fiscalização e punição como um estabelecimento comercial qualquer. Esse desrespeito sistemático recebeu um tranco do Banco Central, finalmente, no fim de julho, com a entrada em vigor de uma resolução sobre procedimentos a serem observados pelas instituições financeiras em relação a seus clientes e ao público geral. Batizada informalmente de "Código de Defesa do Consumidor Bancário", ela trata de tarifas, cobrança, devolução de cheque, filas, redação de contratos, cartões eletrônicos e diversos outros itens que muitas vezes podem infernizar a vida de uma pessoa. Agora, veremos alguns dos principais avanços da resolução do Banco Central, que foram determinados pelo Governo:
Agora, veja os tópicos que ficaram fora do recente Código de Defesa do Consumidor Bancário, mas já são reconhecidos na Justiça como direitos dos clientes de bancos:
Vocabulário
Varejista: Que vende a varejo. Relativo ao comércio a varejo.
Driblar: De posse da bola, ultrapassar o adversário, ludibriando-o por meio de movimentos corporais.
Furto: Subtração, para si ou para outrem, de coisa alheia móvel.
Cadastro: 1. Registro público dos bens imóveis de determinado território. 2. Registro que bancos ou casas comerciais mantêm de seus clientes, da probidade mercantil e situação patrimonial deles, etc. 3.Registro policial de criminosos ou contraventores.
Inadimplente: Diz-se do devedor que inadimple, que não cumpre no termo convencionado as suas obrigações contratuais; descumpridor.
Pelo professor carioca Igor Ravasco
Você sabia...
O bolo de aniversário de São Paulo é tradicionalmente feito no bairro do Bixiga desde 25 de janeiro de 1985. Seu comprimento equivale ao número de anos da cidade. Em 1999, o bolo de 445 metros tinha 700 quilos de farinha, 1,25 tonelada de açúcar, 40 quilos de limão e 18 quilos de manteiga. O glacê pesava 6 toneladas. Armando Puglisi, fundador do Museu Memória do Bexiga e falecido em 1994, teve essa idéia ao ver uma reportagem na TV sobre uma cidade suíça que fazia uma festa parecida. Em São Paulo, a multidão avança sobre o bolo e leva tudo em menos de 10 segundos.
O obelisco do Parque do Ibirapuera, erguido em homenagem aos paulistas que lutaram na Revolução Constitucionalista de 1932, tem 72 metros de altura. A obra foi iniciada em 1950. Houve uma inauguração parcial em 1954, quando foi inaugurado o Parque, mas o obelisco só foi concluído no ano de 1970.
A avenida Sapopemba, na zona leste, é considerada a rua mais comprida do Brasil. Tem cerca de 45 quilômetros de extensão, 42 dos quais na cidade de São Paulo. Ela une o bairro da Água Rasa ao município de Ribeirão Pires.
No século passado, a avenida Paulista era o ponto alto de um loteamento de propriedade do engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima e associados. E foi o próprio Eugênio de Lima que planejou a Paulista, inaugurada em 1891. As dimensões impressionavam as famílias que desejavam um bulevar à francesa. Nas suas redondezas, foram postos à venda lotes de 5 mil metros quadrados, alguns com até 90 metros de frente. A avenida Paulista tem 2,8 quilômetros de extensão.
Pela professora mineira Virgínia Bezerra
Oi, gente!!!!!
Como vão as coisas? Espero que todos estejam bem de saúde, recebendo e dando muito amor e aproveitando ao máximo a vida, que é o importante, né*?
Antes de mais nada, quero agradecer o fantástico, espetacular, incrível e maravilhoso apoio que TODOS vocês darão à nossa querida seleção brasileira de futebol... Sacaram*?
COITADO* DAQUELE QUE NÃO TORCER* PARA O BRASIL!!!!
Ah!!! Estão rindo de mim, não é verdade???
(Essa foi só uma pequena introdução, para dar uma relaxada... agora, vamos ao que interessa??? )
AI, AI, AI!!!!! Vocês já sabem que o papo* desse Boletim é São Paulo... Na verdade, eu não sou a pessoa mais indicada para falar de São Paulo, mas graças aos paulistas, que são gente muito fina, consegui escrever minha matéria.
E para começar, agradeço a uma delas - bonita e simpática como ela só: a professora Silvana, que me ajudou muito!
É isso aí, mano...putz grila*! Nosso tema de hoje é:
A GÍRIA PAULISTA
Ô meu, isso para mim tá embaçado pra caramba!
Tradução: Gente, isso para mim está difícil demais!
Pô bicho, que nóia este boletim, né?
Ei, rapaz, que loucura este boletim, não é verdade?
As mina chuparam o coco e terminaram pedindo ajuda a um tiozinho que estava ali por perto para voltarem pra casa!
As garotas beberam muito e terminaram pedindo ajuda a um senhor idoso que estava ali por perto para voltarem para casa!
Quando falam na gíria, os adolescentes não estão usando o plural. Ex: Os mano, as mina, os ladrão, os portão. Se você usar plural, fica superesquisito. Já pensou se a moda pega no Verde & Amarelo?? Ahahahaha!! A Isabel pira de vez!!! Ahahahahaha!
Falar dessa maneira pode ser interessante, diferente e até engraçado, mas só deve ser feito em ocasiões muito informais e com muito cuidado. Desta forma, é aconselhável aos estrangeiros utilizarem sempre expressões mais formais para não cometerem equívocos. Por outro lado, algumas dessas expressões são muito específicas, sendo utilizadas só em determinados grupos ou situações. Além disso, as gírias mudam constantemente e variam de acordo com o bairro ou a cidade. Por isso, corre-se o risco de chegar a São Paulo dentro de 6 meses e algumas dessas expressões já estarem desatualizadas.
Este foi mais um serviço prestado à comunidade por esta amiga que lhes escreve feliz, muito feliz, de conversar com vocês e receber sua atenção nestes breves minutos...
Um abraço, gente. Até a próxima!!!
"Vir, profeciberfanáticadoBrasilquerido"
Vocabulário
Né: forma reduzida e coloquial de expressar "não é".
Sacaram: pretérito perfeito do verbo "sacar". Na gíria significa entender, compreender; perceber.
Coitado: Desgraçado, mísero, pobre infeliz.
Torcer: Incentivar os jogadores de um clube esportivo, gritando, gesticulando.
Papo: 1. Bolsa existente nas aves, formada por uma dilatação do esôfago, e onde os alimentos ficam algum tempo antes de passarem à moela. 2. Gíria: conversação, fala, diálogo, assunto, tema.
Gente fina: Brasileirismo. Gíria: Pessoa agradável, de boa índole, confiável e generosa; indivíduo capaz.
Mano: Substantivo masculino. Fulano. Forma carinhosa de dizer irmão, cunhado, amigo, camarada, colega. Adjetivo: Muito amigo; íntimo.
Putz grila: gíria. Interjeição que exprime espanto, surpresa, impaciência, desapontamento, zanga, etc.; puxa vida; poxa(ô).
Ô meu: gíria: Esse, aquele; o tal (falando de pessoa a quem dantes já nos referimos, ou de quem nos vamos ocupar, a respeito de quem vamos falar): [É de rigor, neste caso, o uso do artigo.]
Tá embaçado: gíria: está difícil (uma situação ou alguma transação: que negócio embaçado!)
Literalmente, se algo está embaçado é porque está sem brilho; baço, bacento. Diz-se também assim da superfície de vidro, plástico, metal, etc., recoberta de gotículas de vapor de água.
Caramba: interjeição. Designa admiração, espanto ou ironia.
Esquisito: Adjetivo masculino - não usual; fora do comum; raro. Excêntrico, estranho, extravagante (indivíduo esquisito; pessoa de gênio esquisito), de mau aspecto; feio e/ou malvisto.
Pira: presente do indicativo do verbo "pirar" - perder o contato com a realidade, enlouquecer, endoidar, endoidecer.
pela professora catarinense Maristela Müller
Ovelha Negra da Família
Oi, gente! Tudo bem?
Vocês sabem o que significa ser a ovelha negra da família? É aquela pessoa que se sobressai por suas más qualidades, por ter atitudes contrárias à educação que lhe foi dada.
Pois bem, hoje nós vamos conhecer um pouquinho da história de Mário de Andrade, um paulista que se tornou um grande nome da literatura brasileira, mas que na sua casa era tido como "a ovelha negra".
Mário Raul de Morais Andrade, nasceu na cidade de São Paulo, em 9 de outubro de 1893. Seu pai, o Dr. Carlos Augusto de Andrade, de origem humilde, chegou a conseguir uma situação financeira estável através do próprio esforço e muito trabalho. Sua mãe, dona Maria Luísa, com quem Mário morou até o fim da vida, descendia de bandeirantes (ver matéria "Viajando pelo Brasil"), mas não era rica.
Quando adolescente, era um estudante dispersivo, que tirava notas baixas e só se destacava em língua portuguesa. Enquanto seus dois irmãos sempre eram elogiados, Mário era considerado a ovelha negra da família. Mas, de repente, começou a estudar. Estudava música até nove horas por dia, lia muito e logo começou a ganhar fama de erudito. A família passou a admitir o seu talento, mas achava suas preferências literárias muito esquisitas.
No ano em que o seu pai morreu (1917), Mário concluiu o curso de piano no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e publicou o seu 1° livro "Há uma Gota de Sangue em cada Poema".
Tornou-se Professor de História da Música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, em 1922, e ainda, para sobreviver, dava muitas aulas particulares de piano e escrevia artigos de crítica para diversas publicações.
Em 1922, publicou Paulicéia Desvairada (poesia), em que radicaliza as experimentações de vanguarda modernistas.
Em 1927, publicou Clã do Jabuti e o romance Amar, Verbo Intransitivo, no qual critica a hipocrisia sexual da alta sociedade paulistana.
Em 1928, publicou o romance Macunaíma, uma das obras-primas da literatura brasileira, em que reúne inúmeras lendas e mitos indígenas para compor a história do "herói sem nenhum caráter", que vem da mata para a cidade de São Paulo.
O Brasil na década de 20
A sociedade brasileira, no tempo em que surgiu Macunaíma, parecia bastante mudada. Já não tinha aquele ar de fazenda que respiramos durante 4 séculos. Havia muitas fábricas (principalmente em São Paulo), grandes aglomerados urbanos, com populações de quase 1 milhão de habitantes. O comércio e a indústria prosperavam rapidamente, graças ao mercado consumidor formado pelos moradores das cidades e pelos colonos de origem estrangeira. As mulheres fumavam, iam sozinhas ao cinema, exibiam as pernas.
Algo impressionava bastante os brasileiros daquele tempo: a velocidade dos meios de comunicação e transporte! Eram carros, bondes, trens, telégrafos, rádios, telefone Empresas, bancos, bolsas de valores
A Semana de Arte Moderna (1922)
A semana na realidade durou três dias. Mas nunca três dias abalaram* tanto o mundo da arte brasileira. Nos dia 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, sob o apadrinhamento do romancista pré-modernista Graça Aranha, os jovens paulistanos empenhados em revolucionar a arte apresentaram, pela primeira vez em conjunto, suas idéias de vanguarda.
A Semana, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, foi aberta com a conferência "A emoção estética na arte", de Graça Aranha, em que atacava o conservadorismo e o academicismo da arte brasileira. Seguiram-se leituras de poemas de, entre outros, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira, que não pôde comparecer e cujo poema "Os Sapos" foi lido por Ronald de Carvalho sob um coro de coaxos* e apupos*.
Mário de Andrade leu seu ensaio "A escrava que não é Isaura" nas escadarias do teatro. Obras de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor Brecheret e outros artistas plásticos e arquitetos foram expostas. Por fim, apresentaram-se a pianista Guiomar Novaes e o maestro e compositor Heitor Vila-Lobos, que não foi poupado das vaias. Como se vê, a recepção da Semana não foi tranqüila. As ousadias modernistas inquietavam e irritavam o público.
Mário de Andrade e o Modernismo
Foram a Semana de 22 e seus desdobramentos que projetaram Mário de Andrade como figura decisiva do movimento modernista. No processo de implantação da nova mentalidade cultural, Mário destacou-se como teorizador e ativista cultural. Com a determinação própria dos líderes que pretendem injetar uma nova consciência, multiplicou-se em músico, pesquisador de etnografia e folclore, poeta, contista, romancista, crítico de todas as artes, correspondente cultural que troca cartas com artistas novos consagrados, além de ter ocupado vários cargos na burocracia estatal, relacionados com o desenvolvimento da cultura em suas várias manifestações.
Era um sujeito muito sério, católico fervoroso, dotado de uma capacidade extraordinária de estudo e ação. Com carisma e afeto, conseguiu colocar a renovação modernista no trilho de um presente e de um futuro culturais marcados por um nacionalismo arejado e lúcido.
Em 1934, foi nomeado diretor do Departamento de Cultura do Município de São Paulo, e mudou-se para o Rio de Janeiro para ser professor de Filosofia e História da Arte e diretor do Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal. Porém, não se adaptou à mudança, vivia deprimido e, numa noite de "porre (bebedeira) imenso" bateu com o punho na mesa do bar e falou para si mesmo: "Vou-me embora para São Paulo, morar na minha casa".
Voltou para São Paulo em 1940. Sua saúde, já frágil, piorou a partir dessa época. Em 43, iniciou a publicação das suas Obras Completas, planejada para sair em dezoito volumes.
Em 25 de fevereiro de 1945, aos 51 anos de idade, Mário de Andrade sofreu um ataque cardíaco fulminante e faleceu, deixando inacabado o livro Contos Novos (1946).
Foi assim que a literatura brasileira perdeu uma grande ovelha do seu rebanho.
Se você quiser saber mais informações sobre o livro Macunaíma, obra de grande importância e marco da literatura brasileira, "herói de nossa gente" que nasceu à margem do Uraricoera, em plena floresta amazônica, descendente da tribo dos Tapanhumas e, desde a primeira infância, revelava-se como um sujeito "preguiçoso", visite o nosso site:
Material especial sobre Macunaíma em: http://www.verdeamarelo.com.ar/boletin.htm
Um beijinho a todos. Até o próximo boletim.
Vocabulário
Abalar: Pôr em rebuliço; agitar: A notícia abalou a cidade. Convulsionar, revolucionar, subverter. Fazer mudar ou modificar (opinião, parecer, etc.).
Coaxar: Exprimir em grito como o da rã ou do sapo.
Apupo: Buzina que produz sons desafinados.
pela professora paulista Silvana de Sousa
Poderíamos classificar a música paulista num só ritmo?
Nem pensar. Pela mistura dos povos, há música sertaneja*, música erudita, popular brasileira, rock, rap, chorinho* e .... samba. Samba sim senhor!
"Mente quem diz que São Paulo não entende do assunto, pois o samba tá na veia pulsante e no coração do poeta. São Paulo é a síntese do Brasil", João Nogueira (cantor e compositor carioca).
São Paulo é um autêntico pot-pourri. Compositores e cantores não faltam: Luiz Tatit, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes, Paulo Vanzolini, Edvaldo Santana, Walter Franco, Rita Lee, Renato Teixeira, Demônios da Garoa e Adoniran Barbosa. Cada um com seu estilo próprio, mas todos paulistas. Quer dividido por categoria? Vamos lá:
Modinhas: Paraguassú (Roque Ricciardi) e Marcelo Tupinambá (Fernando Lobo).
Música sertaneja: Mário Zan, Cornélio Pires, Tonico e Tinoco e Alvarenga e Ranchinho
Valsa: Erotides de Campos
Choro: Zequinha de Abreu
Violonista: Garoto (Aníbal Augusto Sardinha) e Canhoto (Américo Giacomino)
Erudita: Carlos Gomes, Guiomar Novaes, Madalena Tagliaferro Antonietta Rudge.
Orquestra: Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.
Mesmo não sendo paulistas, muitos músicos fizeram de São Paulo o seu principal palco*. Nos anos 60, os festivais televisivos de música tiveram um papel fundamental na divulgação de muitos artistas. Os festivais da antiga TV Excelsior, de São Paulo, a primeira a promovê-los, ocorreram nesta década. A música "Arrastão", de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, com Elis Regina, ganhou o primeiro lugar em 1965. Em 1966 a TV Record, também de São Paulo, aderiu aos festivais de música brasileira. O vencedor daquele ano foi Chico Buarque com "A Banda" e "Disparada", de Geraldo Vandré e Teo de Barros, com Jair Rodrigues, empatadas.
Agora, você está perguntando se tem alguém com mais cara de São Paulo. Aí vai: Adoniran Barbosa. Um talento que traduz um espírito, uma época e certos lugares da cidade de São Paulo. Sem falar do sotaque* italiano misturado com o brasileiro que deu no que deu: a música inconfundível de Adoniran.
Se o artista não for de São Paulo também não tem importância. A força da indústria cultural e o mercado fonográfico paulista possibilitam que São Paulo adote e divulgue o Brasil inteiro. Foi assim com a Bossa Nova, Tropicália, a Jovem Guarda, o samba, o rock, o heavy metal, o rap, e muitos outros movimentos ou estilos musicais. Assim é São Paulo. Sem preconceitos.
Mas agora vamos fazer uma homenagem ao representante de todos:
Adoniran Barbosa
Adoniran Barbosa foi um grande cantor da MPB*. Seu verdadeiro nome era João Rubinato.
João Rubinato é o sétimo filho de Fernando e Ema Rubinato, imigrantes italianos de Veneza, que se radicaram em Valinhos. A verdadeira data de nascimento de Adoniran foi 06/07/1912, que foi "maquiada" para que ele pudesse trabalhar ainda menino. Muda-se para Jundiaí, SP, e começa a trabalhar nos vagões de carga da estrada de ferro, para ajudar a família, já que só conseguia ser convencido a freqüentar a escola pela vara de marmelo empunhada por D. Ema. É entregador de marmitas, varredor etc. Em 1924, muda-se para Santo André, SP. Lá é tecelão*, pintor, encanador*, serralheiro*, mascate* e garçom*. No Liceu de Artes e Ofícios aprende a profissão de ajustador mecânico. Aos 22 anos vai para São Paulo, morar em uma pensão e tentar ganhar a vida. O rapaz João Rubinato já compõe algumas músicas. Participa do programa de calouros* de Jorge Amaral, na Rádio Cruzeiro do Sul e após muitos gongos, consegue passar com o samba FILOSOFIA, de Noel Rosa. O ano é 1933 e ele ganha um contrato passando a cantar em um programa semanal de 15 minutos, com acompanhamento regional. Em 1933 passa a usar o nome artístico de Adoniran Barbosa. O prenome incomum era uma homenagem a um amigo de boemia e o Barbosa foi extraído do nome do sambista Luiz Barbosa, ídolo de João Rubinato.
Em 1934 compõe com J. Aimberê, a marchinha DONA BOA que venceu o concurso carnavalesco organizado pela Prefeitura de São Paulo, no ano seguinte. O sucesso dessa música levou-o a decidir casar-se com Olga, uma moça que namorava já há algum tempo. O casamento durou pouco menos de um ano, mas é dele que nasce a única filha de Adoniran: Maria Helena.
Em 1941 foi para a Rádio Record, onde fez humorismo e rádio-teatro, e só sairia com a aposentadoria, em 1972. Foi lá que criou tipos inesquecíveis como Pernafina e Jean Rubinet, entre outros. Sua estréia no cinema se dá em 1945 no filme PIF-PAF.
Em 1949 casa-se pela 2ª vez com Matilde de Lutiis, que será sua companheira por mais de 30 anos, inclusive parceira de composição em músicas como PRÁ QUE CHORAR? e A GAROA VEM DESCENDO.
Seu melhor desempenho no cinema, acontece no filme O CANGACEIRO (53), de Lima Barreto, na Vera Cruz. Compõe inúmeras músicas de sucesso, quase sempre gravadas pelos Demônios da Garoa. As músicas MALVINA e JOGA A CHAVE foram premiadas em concursos carnavalescos de São Paulo. Destacam-se SAMBA DO ERNESTO, TREM DAS ONZE, SAUDOSA MALOCA etc.
Em 1955 estreou o personagem Charutinho, seu maior sucesso no rádio, no programa História das Malocas de Oswaldo Molles. Participou também, como ator, das primeiras telenovelas da TV Tupi, como A pensão de D. Isaura. O reconhecimento, porém, vem somente em 1973, quando grava seu primeiro disco e passa a ser respeitado como grande compositor. Vive com simplicidade e alegria. Nunca perde o bom humor e seu amor por São Paulo, em especial pelo bairro do Bixiga (Bela Vista), que ele, sem dúvida, consegue retratar e cantar em muitas músicas suas. Por isso, Adoniran é considerado o compositor daqueles que nunca tiveram voz na grande metrópole.
A lembrança de Adoniran Barbosa não reside apenas em suas composições: temos em São Paulo o Museu Adoniran Barbosa, localizado na Rua XV de Novembro, 347; há, no Ibirapuera, um albergue para desportistas que leva seu nome; em Itaquera existe a Escola Adoniran Barbosa; no bairro do Bexiga, Adoniran Barbosa é uma rua famosa e na praça Don Orione há um busto do compositor; Adoniran Barbosa é também um bar e uma praça; no Jaçanã existe uma rua chamada "Trem das Onze"...
Adoniran deixou cerca de 90 letras inéditas que, graças a Juvenal Fernandes (um estudioso da MPB e amigo do poeta), foram musicadas por compositores do quilate de Zé Keti, Luiz Vieira, Tom Zé, Paulinho Nogueira, Mário Albanese e outros. Está previsto para o dia 10 de agosto o paulista Passoca (Antonio Vilalba) lançar o CD Passoca Canta Inéditas de Adoniran Barbosa. As 14 inéditas de Adoniran foram zelosamente garimpadas* entre as 40 já musicadas. Outra boa notícia é que entre os primeiros 25 CDs da série Ensaio (extraídos do programa de Fernando Faro da TV Cultura) está o de Adoniran em uma aparição de 1972.
A gravadora Kuarup nos brinda com um presente especial: um CD com a gravação de um show de Adoniran Barbosa realizado em março de 1979 no Ópera Cabaré (SP), três anos antes de sua morte. Além do valor histórico, o disco serve também para mostrar música menos conhecidas do compositor, como Uma Simples Margarida (Samba do Metrô), Já Fui uma Brasa e Rua dos Gusmões.
Se você ainda não o escutou, aproveite. É uma boa oportunidade!
Vocabulário
Sertaneja: Canção ou cantiga do sertão.
Sertão: Região agreste, distante das povoações ou das terras cultivadas
Chorinho: Música de caráter sentimental executada por tais conjuntos, vizinha da polca e da valsa, tendo porém marcação rítmica de maxixe, e que se desenvolve em modulações e improvisações.
Palco: Tablado ou estrado destinado às representações, em geral construído de madeira, e que pode ser fixo, giratório ou transportável, bem como tomar várias formas e localizações em função da platéia, que pode situar-se à frente dele ou circundá-lo por dois ou mais lados.
Sotaque: Pronúncia característica de um indivíduo, de uma região, etc.; acento.
MPB: Música Popular Brasileira
Encanador: Consertador de encanamentos. Aquele que nas construções faz o assentamento dos canos de distribuição de água e de gás, e bem assim o de filtros, pias, lavatórios, aparelhos sanitários.
Serralheiro: Artífice que fabrica ou conserta fechaduras.
Fechadura: Peça metálica que, por meio de lingüeta(s) e com o auxílio da chave, fecha portas, gavetas, etc. Mascate: Mercador ambulante que percorre as ruas e estradas a vender objetos manufaturados, panos, jóias.Garçom: Empregado que serve à mesa em restaurantes, cafés, etc.
Calouros: Estudante novato. Indivíduo inexperiente em qualquer ramo.
Garimpar: Procurar (metal precioso), explorando garimpo.
pela professora gaúcha Isabel Höltz
O Maior do Muuundo!!
Falar do Estado de São Paulo é sempre no superlativo. É o estado com a maior população, o maior parque industrial, a maior produção econômica, o maior registro de imigrantes e, como não poderia deixar de ser, o estado mais cosmopolita da América do Sul.
São Paulo foi construído com o vigor e o duro trabalho de povos de todas as partes do Brasil e do mundo, mantendo arraigada em cada pedaço desta terra a vocação para o trabalho. São 645 municípios e uma população que ultrapassa 36 milhões de habitantes. Com a melhor infra-estrutura e mão-de-obra qualificada, São Paulo pode mesmo ser chamado de "A Locomotiva do Brasil". O Estado produz de tudo, principalmente produtos de alta tecnologia. Mas o destaque não é só na indústria. O paulista também fez da agricultura e da pecuária uma potência. Na economia, são mais de 250 shopping centers e uma ampla rede atacadista* e varejista* espalhada* por todo o Estado. A participação de São Paulo no sistema bancário brasileiro chega a quase 50% de todo o volume movimentado. É na capital que está a maior bolsa de valores da América Latina.
"Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a avenida São João..."
São Paulo não nega a mania pelo trabalho e a vocação para negócios, mas a cidade mostra muito mais...
A capital paulista é um monumental local de opções turísticas. Só o turismo de negócios proporciona mais de 45 mil eventos por ano.
São Paulo convive com um intenso vai-e-vem empresarial, mas nenhum percurso pela capital do estado estará completo sem uma visita aos centros culturais e aos museus, cujos acervos mantêm obras de grandes pintores internacionais e dos maiores artistas nacionais. Andar pelos museus paulistas é dar um verdadeiro passeio pela história do Brasil, de São Paulo e do mundo. São grandes monumentos, instalados em prédios modernos de arquitetura arrojada ou em áreas históricas delicadamente preservadas. Uma viagem pela Colônia, Império e República. O Velho e o Novo. Portinari, Tarsila do Amaral, Rodin, Miró, Brecheret, Di Cavalcanti. Bibliotecas, Espaços Culturais, Documentos, Manuscritos, Móveis, Roupas, Fotos, Vídeos, Música, Cinema e Artes Gráficas....
Mergulhe com vontade na vida noturna paulistana e confira suas centenas de bares, tranqüilos ou agitados, danceterias, boates, teatros, cinemas, espetáculos, shows, danças de todos os tipos, choperias e tudo o que puder imaginar. As opções culturais no Estado de São Paulo, em especial na capital, são inúmeras e atendem a todos os gostos e bolsos. São Paulo acolhe* durante todo o ano as melhores e mais diversificadas programações culturais, como as mais respeitadas orquestras, óperas, balés, exposições e espetáculos de todo o mundo. Também viraram* tradição os grandes eventos periódicos como: a Bienal Internacional de Artes Plásticas, a Bienal do Livro, a Mostra Internacional de Cinema, o Festival Internacional de Curtas-Metragens e o Festival Internacional de Artes Cênicas. Além* de festivais de blues, jazz, dança, cinema e teatro, entre muitos outros.
A agitação cultural de hoje deve-se, e muito, à miscigenação* e ao espírito cosmopolita que sempre caracterizaram São Paulo.
"É que quando eu cheguei por aqui
Eu nada entendi..."
Mas afinal, qual é a base da mistura cultural do paulista?
A resposta correta é: o mundo!
No início da imigração, homens e mulheres de mais de 60 países se estabeleceram em São Paulo, em busca de oportunidades. Eles aqui foram acolhidos porque a província paulista necessitava de mão-de-obra para a lavoura cafeeira. Hoje, estima-se que São Paulo seja a terceira maior cidade italiana do mundo, a maior cidade japonesa fora do Japão, a terceira maior cidade libanesa fora do Líbano, a maior cidade portuguesa fora de Portugal e a maior cidade espanhola fora da Espanha. A mistura de raças, etnias e culturas se acentuou com o decorrer do tempo e marcou profundamente a vida cultural, social e econômica da cidade.
Por isso, quando visitar "o gigante", não deixe de conhecer alguns lugares:
Na Bela Vista, bairro italiano, onde se situa o Bixiga, você poderá escolher o barzinho ou o restaurante de acordo com a música que quiser ouvir. Há para todos os gostos: blues, jazz, MPB, Bossa Nova, etc... É claro que regado a uma cervejinha bem gelada ou a um bom vinho, pois restaurantes e bares são a marca registrada do lugar.
Se caminhar pela Liberdade, provavelmente pensará que está no oriente. Não se engane. Apesar de encontrar tantos japoneses, isto é São Paulo, sim. Ali poderá escolher a diversidade dos pratos do Japão com cheiro, decoração e música a rigor. Português? Nem pensar. Se não souber japonês, tente ser um bom mímico. Dizem que em 1908, quando chegaram os primeiros imigrantes japoneses, ainda não havia no Brasil a cultura do arroz. Hoje, graças à influência japonesa, no prato diário do brasileiro não pode faltar uma boa porção do "branquinho" que satisfaz.
Desta maneira, você poderá ter uma noção da variedade de imigrantes que vieram alegrar, enriquecer, diversificar e desenvolver ainda mais São Paulo.
"Porque és o avesso do avesso
do avesso do avesso.."
Com muito esforço, os paulistas conseguiram fazer de São Paulo o estado mais importante economicamente da América Latina. Mas o estado paulista não é só isso. Além das milhares atrações culturais, São Paulo também oferece boas opções de turismo. Banhado pelo Atlântico, o litoral paulista tem 622 quilômetros pontilhados por praias dos mais diversos tipos e tamanhos. No litoral norte as praias se espalham em torno de municípios como Bertioga, São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba, e em ilhas como a Ilha Bela, paraíso de surfistas e velejadores. No litoral sul, em torno das cidades de Iguape e Cananéia, onde também estão preservadas algumas áreas naturais mais importantes do planeta, como a Estação Ecológica Juréia-Itatins e a Ilha do Cardoso, no Logamar - Complexo Estuarino Lagunar de Iguape, Cananéia, Antonina e Paranaguá.
Separando o litoral do planalto paulista, a escarpa da serra do mar, em plena mata atlântica, foi um grande obstáculo a ser vencido em séculos passados. Hoje, esta porta de entrada para o interior do estado é foco de atenção da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e de outras organizações que buscam a preservação deste ecossistema que está reduzido, no País, a 5% de sua extensão original. Interior a dentro, o turista vai encontrar estâncias, turismo rural, ecológico, cidades com clima europeu, cachoeiras*, cavernas, rios, serras, fontes de água mineral, parques naturais, construções históricas dos séculos XVI, XVII, XVIII, igrejas em arquitetura jesuíta e sítios arqueológicos.
"Eu vejo surgir teus poetas
de Campos e espaços
tuas oficinas de poetas
teus deuses da chuva ..."
Para muitos historiadores a primeira manifestação teatral em solo brasileiro se deu no Estado de São Paulo. O jesuíta português José de Anchieta (1534-1597) escreveu autos que representou usando índios como atores e platéia. Mas, depois disso, São Paulo ficou provinciana e sem atividade cultural importante, até o início deste século. Foi aí que, mais uma vez, o ciclo do café iria assumir um papel de fundamental importância. Graças ao dinheiro farto*, algumas cidades do interior entraram para a agenda das grandes companhias européias itinerantes. Teatros como o Pedro ll, em Ribeirão Preto, recebiam companhias que passavam por Manaus, Rio de Janeiro e Buenos Aires. Mas o apogeu da arte em São Paulo aconteceu na época do vanguardismo. Foi em São Paulo que, pela primeira vez, uma companhia profissional - o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) - se estabeleceu em uma sala com uma programação exclusivamente voltada para os novos cânones estéticos. Durante a década de 1960, dois grupos polarizaram a produção teatral mais importante de São Paulo e do Brasil. O Teatro de Arena teve início com um grupo que procurava espaços de atuação para os primeiros formandos da Escola de Arte Dramática, fundada por Alfredo Mesquita, em 1948. Em 1958, deu-se a grande virada do grupo, com a estréia de Eles não usam black tie, obra-prima de Gianfrancesco Guarnieri, que tinha como protagonistas, pela primeira vez em nossa dramaturgia, operários brasileiros. Em outro momento, depois do golpe de 64, tem início uma fase com enfoque dirigido à história brasileira (Zumbi, Tiradentes). O Teatro Arena foi palco aguerrido da resistência democrática dentro dos anos da ditadura militar, e com a censura que se impunha. O Teatro Oficina também teve papel importante. Ele foi o detonador do movimento tropicalista. Muitas peças marcaram momentos históricos como O rei da vela, Galileu Galilei (1968) e Gracias Senõr (1972). Hoje, as dezenas de teatros de São Paulo apresentam todo tipo de espetáculos, desde música erudita, balé, até peças vanguardistas.
"E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade ..."
Para falar de São Paulo é preciso, antes de mais nada, conhecer sua história. Uma história tão rica que conta a vida de uma nação.
Para falar de São Paulo é preciso conhecer a história de seu povo. Um povo desbravador*, bandeirante*, e que, com infinita coragem, subiu serras e abriu florestas para marcar seu território.
Para falar de São Paulo é necessário contar suas conquistas...
A colonização de São Paulo começou em 1532, quando Martim Afonso de Souza fundou a povoação que iria transformar-se na Vila de São Vicente, uma das mais antigas do Brasil. Dando continuidade à exploração da terra e em busca de gente para evangelizar, um grupo de jesuítas, do qual faziam parte José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, escalou a serra do mar chegando ao planalto de Piratininga. Ali, segundo cartas enviadas a Portugal, encontrava-se "uma terra mui sadia, fresca e de boas águas".
Do ponto de vista da segurança, a localização topográfica de São Paulo era perfeita: situava-se numa colina alta e plana, que facilitava a defesa contra ataques de índios. Nesse lugar, fundaram um colégio em 1554, ao redor do qual se iniciou a construção das primeiras casas de taipa, que dariam origem ao povoado de São Paulo de Piratininga.
Em 1560, o povoado ganhou foros de vila.
No início, São Paulo vivia da agricultura de subsistência, aprisionando índios para trabalharem como escravos na frustrada tentativa de implantação da lavoura de cana-de-açúcar. Mas o sonho já era então a descoberta do ouro e dos metais preciosos. Assim, na segunda metade do século, começariam as viagens de reconhecimento ao interior do país: as "bandeiras" - expedições organizadas para aprisionar índios e procurar pedras e metais preciosos nos sertões distantes, dando início ao desbravamento das Minas Gerais.
Embora em 1711 a vila tenha sido elevada à categoria de cidade, ao longo de todo o século XVIII, São Paulo continuava sendo apenas o quartel-general de onde partiam as "bandeiras". Responsáveis pela ampliação do território brasileiro a sul e a sudoeste, os bandeirantes proporcionavam extermínios cruéis de indígenas.
Disso tudo, resultou a pobreza da província de São Paulo na época colonial, carente de uma atividade econômica lucrativa como a do cultivo da cana-de-açúcar no Nordeste. Contava apenas com a mão-de-obra do indígena, pois seus homens válidos partiam para desbravar as fronteiras do Brasil.
Durante os três primeiros séculos de colonização, o número de índios e mamelucos* superou o de europeus. Até meados do século XVIII, predominava entre a população uma "língua geral" de base tupi-guarani, sendo essa a língua mais falada em toda a região. No período da união das coroas ibéricas, entre 1580 e 1640, estima-se que o espanhol fosse a segunda língua da vila de São Paulo. Após a Independência, em 1822, os africanos representavam algo em torno de 25% da população, e, os mulatos, mais de 40%. Era já então insignificante a presença de índios nas zonas ocupadas pela colonização. A grande virada da economia paulista só aconteceria na passagem do século XVIII para o XIX, quando as plantações de café começaram a substituir as de cana-de-açúcar e a ocupar o primeiro plano na economia nacional.
O IMPÉRIO
O fim da Colônia se antecipa com a chegada da família real portuguesa ao Brasil em 1808, fugindo ao avanço das tropas napoleônicas. D. João VI iniciou uma série de reformas que, da arquitetura ao ensino superior, da civilidade urbana aos empreendimentos artísticos, deveriam adequar o país para receber a Coroa portuguesa. São Paulo se beneficiaria muito dessas transformações. Foi em território paulista que, em 7 de setembro de 1822, o herdeiro do trono português, o príncipe Dom Pedro, declarou a Independência do Brasil, sendo aclamado Imperador com o título de Dom Pedro I. Com sua renúncia nos anos 30, a ascensão de D. Pedro II cedeu lugar a um período de desenvolvimento e prosperidade do país, sobretudo após a consolidação da agricultura cafeeira como o principal produto de exportação brasileiro.
Foi nessa época que São Paulo passou a assumir uma posição de destaque no cenário nacional, com o avanço dos cafezais, que encontraram na terra roxa do norte da província o solo ideal. A expansão da cultura do café exigiu a multiplicação das estradas de ferro*. Esse foi um período de grandes transformações, marcado pela crise do sistema escravocrata, que levaria à Abolição em 1888 e daria lugar à chegada em massa de imigrantes, principal solução ao problema da mão-de-obra na lavoura cafeeira.
"Da força da grana que ergue
e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe
apagando as estrelas..."
São Paulo prosperou muito nessa época e a capital da província passou por uma verdadeira revolução urbanística, resultado da necessidade de transformar a cidade na capital da nova elite econômica. Em meados de 1860, a cidade de São Paulo já era bem diferente da antiga cidade colonial. Os primeiros lampiões* de rua queimavam óleo de mamona* ou de baleia e a cidade já contava com um parque público, o Jardim da Luz, que passaria por extensas reformas no final do século. Nesse período, à medida que a cidade se expandia em todas as direções, consolidava-se também um núcleo urbano moderno em torno de alguns marcos simbólicos, como a Estação da São Paulo Railway e o Jardim da Luz. Ao seu redor instalaram-se bairros residenciais de elite - os Campos Elíseos -, com seus bulevares ao estilo parisiense, como a avenida Tiradentes. Mas as estradas de ferro também permitiram que surgissem novos bairros populares ao lado da Estação da São Paulo Railway, como o Bom Retiro e o Brás, cujo povoamento foi reforçado pela instalação, nas proximidades, da Hospedaria dos Imigrantes. Também os edifícios públicos multiplicaram-se: assembléia, câmara, fórum, escolas, quartéis, cadeias, abrigos para crianças desamparadas. Dezenas de igrejas, conventos e mosteiros ainda continuavam, como nos tempos coloniais, a espalhar-se por toda parte. Na área cultural, artistas de circo, atores de teatro, poetas e cantores começaram a consolidar seu lugar na cidade, junto com o primeiro jornal periódico.
Mas as transformações no período também assumiram outras facetas. A chegada de milhares de imigrantes, além de resolver o problema da mão-de-obra da lavoura cafeeira, permitiu maior ocupação do interior do Estado. Criaram-se as condições necessárias para que pequenas fábricas, subsidiárias do café, dessem os primeiros passos em direção à industrialização. Com o interior já integrado ao cenário do rápido crescimento da província, começou haver a preocupação com a construção de novas estradas, prevendo-se a interiorização dos cafezais e a prosperidade que seria sacramentada com a República.
"Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas..."
O fim do Império já estava selado* quando foi declarada a Abolição da Escravidão em 1888. A perda de apoio das elites conservadoras, agravada pelas fricções do imperador com a Igreja, na chamada "Questão religiosa", e a crise no Exército após a guerra do Paraguai, origem da "Questão militar", determinariam a queda de Dom Pedro II. Assim, ele seria deposto por um movimento militar liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca em 1889. Teve início então o primeiro período republicano no Brasil. Até 1930, a República é controlada pelas oligarquias agrárias de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A importância econômica do café produzido em São Paulo e do gado de Minas Gerais sustenta a "política do café-com-leite", em que paulistas e mineiros se alternam na presidência da República. A ferrovia puxava a expansão da cafeicultura, atraía imigrantes e permitia a colonização de novas áreas, enquanto nas cidades a industrialização avançava, criava novos contornos urbanos e abria espaço para novas classes sociais, o operariado e a classe média. Mais próspero do que nunca, e agora um Estado de verdade dentro da Federação, São Paulo via surgir a cada dia uma novidade diferente: a eletricidade substituía o lampião a gás, chegavam os primeiros carros, cresciam as linhas de bondes elétricos, construíam-se na capital grandes obras urbanas, entre elas, o Viaduto do Chá e a Avenida Paulista.
A singularidade desse período está na forma intensa com que tudo se multiplica, desde a imigração, que no campo sustenta a cafeicultura, até o desenvolvimento das cidades, que levam São Paulo a perder suas feições de província e tornar-se a economia mais dinâmica do país. Todo o Estado paulista se transforma. Santos, Jundiaí, Itu, Campinas e diversas outras vilas passam a conviver com o apito das fábricas e com uma nova classe operária. As greves e as "badernas de rua" tornam-se assunto cotidiano dos boletins policiais, ao mesmo tempo que começa a saltar aos olhos a precariedade da infra-estrutura urbana, exigida pela industrialização. Um dos graves problemas passou a ser a geração de energia, centro de atenção das autoridades estaduais. Já em 1900, fora inaugurada a Light, empresa canadense e principal responsável pelo setor em São Paulo até 1970. O Estado passou a ter uma significativa capacidade de geração de energia, o que foi decisivo para o grande desenvolvimento industrial verificado entre 1930 e 1940. Nessa nova conjuntura, mais de uma dezena de pequenas hidrelétricas começaram a ser construídas, principalmente com capital estrangeiro.
Nesse período da Primeira República, a aristocracia cafeeira paulista vive o seu apogeu. Mas a Revolução de 1930 coloca fim à liderança da oligarquia cafeeira, trazendo para o primeiro plano os Estados menores da Federação, sob a liderança do Rio Grande do Sul de Getúlio Vargas.
Em 1930, os trilhos* de suas ferrovias chegavam às proximidades do rio Paraná e a colonização ocupava mais de um terço do Estado. As cidades se multiplicavam. Socialmente, o Estado, com seus mais de um milhão de imigrantes, tornou-se uma torre de Babel, profundamente marcado pelas diferentes culturas trazidas de mais de 60 países. Mas na última década da República Velha, o modelo econômico e político que sustentava o predomínio de São Paulo mostrava seu esgotamento. Após a Revolução de 1930, o país viveu um período de instabilidade que favoreceu a instalação da ditadura de Getúlio Vargas, período de oito anos que terminou juntamente com a Segunda Guerra Mundial, facilitando a redemocratização.
Agora era a vez da indústria despontar.
Impulsionado pelo capital deslocado da lavoura, outro grande salto seria dado com a chegada da indústria automobilística em São Paulo.
Foi em novembro de 1891 que o primeiro carro motorizado chegou em solo brasileiro. A bordo do navio Portugal, que aportou na cidade de Santos, um único exemplar de um Peugeot, comprado por 1.200 francos. O proprietário era um rapaz de dezoito anos chamado Alberto Santos Dumont - o futuro Pai da Aviação -, que acabava de retornar da França com a família.
Se em 1891 existia somente um automóvel no Brasil, em 1904, 84 carros já eram registrados na Inspetoria de Veículos. Faziam fila, na época, figuras ilustres da sociedade paulista. De olho nesse mercado, a empresa Ford decide em 1919 trazer a empresa ao Brasil.
O Brasil chega ao final de 1960, com uma população de 65.755.000 habitantes e um total de 321.150 veículos produzidos desde o início da implantação do parque industrial automotivo. Mais de 90% das indústrias de autopeças foram instaladas na Grande São Paulo. E foi no Estado de São Paulo que ficou instalado o maior parque industrial da América Latina, dando um importante impulso para o rápido crescimento econômico paulista, posição que continuou a manter, apesar das transformações econômicas e políticas vividas pelo Brasil.
Para terminar, deixo-os com a letra completa da homenagem que Caetano Veloso fez ao mudar-se para esta cidade.
Veja as fotos dos lugares falados aqui nesta seção. Visite o nosso site
http://www.verdeamarelo.com.ar
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui
Eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga, e a avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente
e não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes
Quando somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso
do avesso do avesso..
Do povo oprimido nas filas,
nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue
e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe
apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas
de Campos e espaços
tuas oficinas de poetas
teus deuses da chuva
Panaméricas de Áfricas túmulo do samba
mas possível novo quilombo de Zumbi
E novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa...
Vocabulário
Atacadista: Diz-se do comércio por atacado, em alta escala
Varejista: Que vende a varejo. Relativo ao comércio a varejo.
Varejo: Venda por miúdo.
Espalhar: dispersar, difundir, propagar
Acolher: receber
Virarar: tornar-se
Além: Ademais de
Miscigenação: Cruzamento inter-racial; mestiçamento, mestiçagem.
Cachoeira: cascata, pequena queda-d'água
Farto: Abundante
Verbete: arrotear
Desbravar: Educar; instruir; cultivar. Explorar (terras desconhecidas).
Bandeirante: Pioneiro, precursor.
Bandeirantismo: Sistema que visa a desenvolver o espírito comunitário, a liberdade responsável, o esforço de progresso e as atitudes moldadas em valores éticos.
Visar: Ter por fim ou objetivo.
Mameluco: Bras. Filho de índio com branco.
Estrada de ferro: ferrovia: via férrea.
Lampião: Tipo de lanterna de grandes dimensões, elétrica ou com reservatório para combustível, portátil ou fixa em um teto, esquina ou parede.
Mamona: Planta medicinal da família das euforbiáceas (Ricinus communis), de fruto capsular ovóide, achatado, de tamanho variável, com superfície lisa, brilhante e acinzentada, e da qual se extrai o óleo de rícino; mamoneira, carrapateira, carrapato.
Selado: Que tem selo.
Selo: Marca estampada por carimbo, sinete, chancela ou máquina de franquear; estampilha.
Trilho: Bras. Cada uma das barras de aço (em geral em número de duas, e paralelas entre si), de formato especial, que se prolongam, assentadas e fixadas sobre dormentes, e que suportam e guiam as rodas dos veículos ferroviários, constituindo, assim, a superfície de rolamento de uma via férrea. [Sin., nesta acepç.: linha e (ant. e lus. carril.]
Pela professora paulista Ana Paula Ferreira
SAMPA, PARA OS ÍNTIMOS
Vou falar um pouquinho de minha cidade, matar a saudade de minha terra e contar a vocês como é morar em São Paulo.
Como paulistana (pessoa que nasce na capital de São Paulo) posso começar dizendo que é a maior cidade do Brasil (que tal?), com aproximadamente 10.500.000 habitantes, isso sem contar as regiões metropolitanas. Sendo uma das maiores do planeta, chega a assustar o visitante pelo seu gigantismo.
Assusta por sua cor cinza, seus altos edifícios, homens de capacetes de operários ou motociclistas, buzinas, sirenes e motoristas nervosos e estressados no trânsito caótico da megalópole. O metrô, os trens, os ônibus, o rodízio de automóveis nada disso foi capaz de solucionar o caos dessa cidade. De acordo com o número da placa do seu veículo, fica proibido circular em um dos dias da semana. Isto foi rapidamente solucionado pelos paulistanos: comprar um outro carro com placa diferente e poder circular todos os dias da semana. Fácil, né? Mas a poluição piorou e o engarrafamento também!!
Em São Paulo não há horário "do rush", todos os horários são de pico. A qualquer hora do dia há engarrafamento e os transportes públicos estão sempre lotados*.
É incrível como você sai para fazer compras, ir à academia*, à universidade ou ao trabalho e tem a sensação de estar fazendo uma viagem de longo curso. É muito comum as pessoas que moram a uma hora do seu trabalho ouvirem comentários do tipo: "Puxa, que sorte você tem de morar tão perto!". Elas são consideradas privilegiadas pela maioria da população!
Mas nem só de críticas vive a cidade. Ao princípio, pode parecer assustadora, mas à medida que você a conhece, começa a respeitá-la. No fundo, a cidade é bela e poderosa e o progresso incessante da grande metrópole não lhe prejudica o caráter.
É claro que os paulistanos continuam trabalhando muito e sendo motivo de gozação para os bronzeados cariocas, quando dizem que nossa cor é "branco escritório".
Mas nossas áreas de lazer vivem lotadas. Nossos enormes e belos parques são como verdadeiros oásis no meio dos arranha-céus, cheios de crianças com suas mães ou babás, casais de namorados e de gente descontraída passeando.
Aqui abro um parênteses para os shoppings. São Paulo também poderia ser chamada de a cidade do consumo, pois os paulistanos "adooooram" shoppings. Há 43 na cidade e todos sempre lotados.
O que não poderia deixar de mencionar são os restaurantes. O paulistano gosta de comer e comer bem. Há restaurantes para todos os gostos e bolsos. Praticamente todas as cozinhas nacionais e internacionais estão representadas ali, oferecendo uma enorme variedade de pratos e temperos. Quem pode confirmar isso é um de meus alunos que, após morar seis meses em São Paulo, foi parar num hospital. Quando lhe perguntei o que tinha acontecido, respondeu que havia cedido a um dos sete pecados capitais. Eu rapidamente associei à luxúria, mas ele me corrigiu e disse que havia cometido o pecado da gula. Foi parar num hospital de tanto comer! Pode? E olhe que ele é magrinho. Eu realmente fiquei surpresa.
Quando começo a falar sobre o que fazer nesta cidade há tantas sugestões: cinemas, bares, casas noturnas, concertos, teatros, exposições, danças, shows... Tudo que é inédito e quer ser visto por todo o Brasil e América Latina, tem que passar por Sampa. (ai, que saudade!!)
São Paulo é o maior centro brasileiro, e talvez mundial, de convívio harmonioso e pacífico de todas as raças do planeta. Ali africanos, europeus, orientais, semitas ou americanos convivem em fraternidade, demonstrando na prática, que todos os povos são irmãos.
Peço desculpas aos leitores se parece que estou "puxando o saco" da cidade, mas apesar de todos seus defeitos, os quais não deixei de mencionar, a cidade é muito sedutora!! Se alguém tiver vontade de visitá-la, não vai se arrepender. Eu garanto! Vocês podem visitar o site www.guiasp.com.br para obter mais informações! E quem sabe não nos encontramos na avenida Paulista?
Vocabulário
Lotar: Completar a lotação1 (6) de; encher.
Academia: Escola onde se ministra o ensino de práticas desportivas ou lúdicas.
9. Matando as saudades 2....
pela professora paulista Anamaria Bacci
AS RIQUEZAS DO INTERIOR
Como nos contou a professora Ana Paula, a cidade de São Paulo é rica em cultura e lazer, em produção industrial e em estresse. Por isso faremos um paralelo com o fascinante interior do estado (de onde sou proveniente), que também tem muitas delícias. Foi lá, por exemplo, que nasceu o nosso famoso drinque, a Caipirinha, pois quem nasce no interior do estado é chamado carinhosamente pelos paulistanos de "caipira".
Faremos uma visita rápida às principais cidades deste estado caloroso (28 graus em média), que produz sem parar e, ao mesmo tempo, possui recantos de sossego e tranqüilidade.
Começamos pela minha querida Araraquara (afinal foi lá onde eu nasci!), a 280 km da capital. Podemos dizer que a cultura é um dos seus fortes. O Grupo de Teatro Gestus, por exemplo, misturando dança e teatro, torna-se um dos expoentes da cultura local. O famoso Teatro Municipal tem umas das melhores acústicas do país e a Biblioteca Mário de Andrade, em homenagem ao modernista que lá morou e onde escreveu parte da obra "Macunaíma" livro marco do Modernismo brasileiro- são considerados pontos principais para serem visitados. Outro escritor que não apenas viveu, mas nasceu em minha querida terra, é Ignácio de Loyola Branda. Conceituado por seus livros "O verde violou o muro" e "Não verás país nenhum", que falam do Brasil e da sociologia brasileira. Aracoara, nome indígena do tupi, significa "casa do sol". E o nome não é a toa, pois os que passam por lá podem apreciar todos os dias um lindo por do sol, coisa de cartão postal.
Falando em teatro, não podemos esquecer da cidade de Tatuí, onde acontece anualmente o Festival Internacional de Teatro Amador, revelando novos talentos e proporcionando muita diversão.
A agricultura é o principal meio de subsistência do interior de São Paulo. A cana de açúcar, a laranja, a soja, o milho e o algodão são as principais culturas desenvolvidas neste solo tão vermelho e fértil, onde "se plantando tudo dá". São muitas também as usinas de álcool, justamente pela abundância da cana de açúcar. A famosa "garapa", caldo doce e energético extraído da cana e que se toma gelado acompanhado de gotinhas de limão, pode ser encontrada em qualquer rodovia*. Esta bebida saborosa é espremida na hora e custa bem baratinho. Uma delícia!
Franca, outra cidade importante, é famosa nacionalmente pela fabricação de calçados. Aliás, muitos dos sapatos comprados aqui, são de lá. Sabiam?
Araçatuba, terra quente como todo o estado, com tradição na criação de gado* de corte e nos seus famosos leilões feitos na praça principal da cidade.
Barretos, pertinho de Araçatuba, a capital da Festa Internacional do Peão de Boiadeiro. Os "cawboys" de todo o país, e até do exterior, esperam ansiosamente o mês de agosto para poder laçar seus touros e cavalos bravos. Tudo isso em troca, é claro, de grana*, muita grana. Um espetáculo que vale a pena ser visto!
Piracicaba e Limeira são famosas pelos seus times de basquetebol e por seus jogadores da seleção brasileira, como Paula, Oscar e outros.
Franca é outra cidade que conta com uma ótima equipe de basquete masculino.
Ribeirão Preto e Campinas são as duas maiores do interior. Com cerca de 900 a 1,5 milhão de pessoas, é uma loucura para quem está acostumado ao sossego das outras cidades. As melhores universidades brasileiras de Medicina e de Odontologia estão em Ribeirão, na USP* e a Unicamp* famosa por seus cursos de Letras e Multimeios, assim como a de Engenharia de Alimentos.
Como o interior não tem praia, (né, gente!), as pessoas costumam passar os fins de semana em represas ou lagos, o que imita direitinho a praia com direito a passeios de lancha ou jetski. Por este costume, Ribeirão ficou conhecido como a "Califórnia Brasileira", afinal os produtores de laranja tem muito "dindim" para gastar nestas excentricidades! E o calor é outro motivo bem contundente para a prática de esportes náuticos.
A cidade de Americana é conhecida como a capital do vôo livre, pois todos os anos se realiza o Campeonato de Vôo Livre (para quem não sabe, voar com planador) e também o Campeonato de Balonismo competição que se faz entre balões.*
Pirassununga (oi, mãe!), cidade onde fica a base da Academia da Força Aérea Brasileira. É também conhecida pela fabricação da nossa querida cachaça "51", a caninha mais querida do Brasil, concorrente da "Velho Barreiro" e que os alunos do Verde & Amarelo tanto conhecem e apreciam.
Para quem não gosta de muito calor e prefere o friozinho das montanhas, podemos pensar em visitar Campos do Jordão. Este lugar seria como a Bariloche paulista, a 50 minutos de São Paulo, com suas lindas paisagens, chalés ao estilo suíço, malhas de lã lindíssimas e os famosos chocolates. Só que lá não tem neve não!! Faz muito frio, mas nem tanto! As aventuras podem ser um passeio pelas cachoeiras, reservas florestais, e para os mais corajosos, voar de asa delta ou montanhismo. Quem prefere aconchego, a melhor pedida é ficar namorando em frente a lareira tomando conhaque ou chocolate quente. O famoso Festival de Inverno de Campos do Jordão conta com a presença de importantes músicos clássicos brasileiros. Acontece em julho, claro, durante o inverno.
Bem, acho que não me esqueci de nenhuma, espero que um dia todos possam dar uma voltinha por lá e poder dizer: "São Paulo: terra da garoa sim, mas só na capital, né Ana Paulinha?!"
Vocabulário
Rodovia: Via destinada ao tráfego de veículos autônomos que se deslocam sobre rodas; autovia, estrada de rodagem.
Gado: Os novilhos, bois, touros e vacas que vivem soltos nos pastos de uma fazenda.
Grana: S. f. Bras. Gír.dinheiro.
USP: Universidade de São Paulo
UNICAMP: Universidade de Campinas
10. Matando as saudades 3...
pela professora paulista Silvana de Sousa
Santo André, terra querida
Meus pais estão há quarenta em São Paulo. Eles são do Sul de Minas Gerais, de uma cidadezinha que se chama Areado. Um belo dia, os pais da minha mãe resolveram vender tudo o que tinham e ir, como tantos outros, para a grande metrópole. Meu pai, que na época namorava minha mãe e estava apaixonadíssimo, resolveu largar tudo e correr atrás do seu grande amor. E aqui estou eu, filha única dessa união. Paulista e andreense. Isso mesmo. Nasci em Santo André, que faz parte da grande São Paulo e do ABC Paulista, o maior pólo industrial do país.
Nessa região se aglutinam as grandes empresas, e por conseguinte, concentram-se também os grandes sindicatos e vários movimentos sociais. No começo da década de 80, as famosas greves* do ABC foram muito importantes para o processo que desencadeou na abertura política que houve no Brasil, depois de quase 20 anos de ditadura militar.
Com tanto movimento nos campos econômico-político-social, foi natural que a parte cultural fosse incrementada também. O ABC hoje é referência no campo da cultura, com muita música, teatro e artes em geral.
Eu sempre circulei no ABC. Morei em Santo André, trabalhei em São Bernardo e fiz faculdade em São Caetano do Sul, sem deixar de curtir São Paulo, é claro, que está pertinho. É muito interessante, pois o ABC está coladinho a São Paulo, mas tem ares provincianos. Eu sempre adorei morar lá.
Santo André, minha cidade, tem por volta de 650 mil habitantes e suas origens são indígenas, tendo sido fundada como vila em 1553 pelos portugueses com o nome de Vila de Santo André da Borda do Campo. A vila foi extinta rapidamente e, durante dois séculos, cresceu na região o fluxo de transporte de produtos do litoral de São Paulo para o interior.
Com a construção da estrada de ferro em 1867, a cidade se ampliou e atraiu fábricas. Além disso, houve um substancial crescimento do comércio e uma transformação que deu a Santo André características eminentemente urbanas. No século 19, começaram a chegar os imigrantes com seus costumes e no século 20, os migrantes vindos dos mais diferentes pontos do Brasil.
Nos anos 50 a cidade se modernizou, assim como as fábricas e a mão de obra, atraindo as indústrias de autopeças e químicas.
O Paço Municipal de Santo André é considerado um exemplo da arquitetura moderna brasileira, com o projeto urbanístico de Rino Levi e o paisagístico de Burle Marx. O empreendimento abarca os poderes executivo, legislativo e judiciário, além da Biblioteca, Salão de Exposições, Teatro e Auditório Municipal. O edifício do Fórum é do arquiteto Jorge Bonfim. Dizem que o Teatro de Santo André é considerado o mais moderno da América Latina (você sabia, Ana Maria??!!).
Ainda dentro do conjunto arquitetônico da cidade, podemos destacar os sobrados do século 20; o Cine Tangará; a Praça do Carmo (1927), que possui a Catedral do Carmo e a Concha acústica, onde se desenvolvem atividades culturais gratuitas; O Cine-Teatro Carlos Gomes (1925); o Museu de Santo André (prédio inaugurado em 1914); Casa da Palavra (antigo casarão onde se realizam atividades relacionadas às variadas linguagens culturais contemporâneas) e Casa do Olhar (casarão destinado às artes plásticas e às artes visuais contemporâneas).
Todos esses espaços funcionam com uma programação superintensa. Entre outras, a cidade oferece: shows, mostras, peças de teatro, concertos, cinema, vídeo, exposições, encontros, debates, palestras, cursos, oficinas, ateliês, um parque-escola e uma biblioteca que oferecem as mais variadas atividades.
Em Santo André, pode-se tomar uma cervejinha estupidamente gelada todas as quintas-feiras na cantina do Paço Municipal, regado sempre a uma excelente banda, dentro do projeto Quintas Instrumentais.
Eu tive o prazer de ver o show de Carlinhos Vergueiro, grande compositor da MPB, quando estive recentemente no Brasil, mas fiquei chateada* de não poder ver a banda Funk Como Le Gusta. Tive que voltar antes para Buenos Aires. Mas tudo bem. Eu sei que Santo André sempre está aí pulsando e, quando apareço, sempre há alguma coisa interessante para fazer.
Fizeram uma pesquisa e chegaram à conclusão de que Santo André é a cidade brasileira que tem mais músicos por metro quadrado. E acho que é verdade. Em Santo André tem de tudo: bandas de rock, músicos que tocam MPB, música instrumental, com especial destaque para a Big Band Brazuca, que toca música de primeira qualidade.
Bem, foi inevitável que meu texto ficasse como uma propaganda sobre a cidade, mas tudo que citei me faz sentir muito orgulho de ser filha de Santo André. Principalmente porque lá estão minhas raízes, meus pais e a maioria de meus amigos.
Hoje, sou meio mineira, meio baiana, meio portenha, meio paulista. Porém, minha essência e meu coração estão em Santo André.
Vocabulário
Greve: Recusa, resultante de acordo de operários, estudantes, funcionários, etc., a trabalhar ou a comparecer onde o dever os chama, enquanto não sejam atendidos em certas reivindicações.
Chatear (-se): Aborrecer (-se), irritar(-se).
Pela professora paulista Ana Paula Ferreira
ORTOGRAFIA
Oi galerinha! Atendendo a pedidos, neste número estou de volta para esclarecer algumas dúvidas sobre ortografia.
Espero poder ajudá-los, mas não devemos esquecer que não há regras para resolver todos os casos de ortografia. Uma boa dica é o hábito de ler e escrever. E, ao escrever, se houver dúvida, não deixe de consultar o dicionário ou a gramática. Pesquisar sempre é a melhor solução!
1. SÃO ou SSÃO ou ÇÃO?
a) em todos os substantivos derivados de verbos terminados em GREDIR, MITIR e CEDER, devemos usar "ss":
Agredir - Agressão
Progredir - Progressão
Admitir - Admissão
Omitir - Omissão
Ceder - Cessão
Conceder - Concessão
b) Em todos os substantivos derivados de verbos terminados em ENDER, VERTER, PELIR, devemos usar "s":
Compreender - Compreensão
Pretender - Pretensão
Converter - Conversão
Reverter - Reversão
Expelir - Expulsão
Repelir - Repulsão
c) Em todos os substantivos derivados dos verbos TER e TORCER e seus derivados, devemos usar ç:
Reter - Retenção
Obter - Obtenção
Torcer - Torção
Contorcer - Contorção
2. ISAR OU IZAR?
a) Escrevem-se com "s" os verbos derivados de palavras que já possuem o "s":
aviso - avisar
pesquisa - pesquisar
b) Escrevem-se com "z" os verbos derivados de palavras que não possuem a letra "s":
legal - legalizar
ameno - amenizar
3. SINHO OU ZINHO?
a) Escrevem-se com "s" os diminutivos derivados de palavras que já possuem o "s":
casa - casinha
lápis - lapisinho
b) Escrevem-se com "z" os diminutivos derivados de palavras que não possuem a letra "s":
flor - florzinha
café - cafezinho
E agora, que tal se praticarmos um pouquinho? Resolva os exercícios e confira suas respostas.
São, ssão ou ção?
a) O juiz considerou a __________ de fatos neste depoimento. (omitir)
b) ______________ e paciência são os ingredientes para um bom relacionamento. (compreender)
c) A médica me sugeriu ____________ de refrigerantes e chocolate para que não continue engordando. (abster)
d) Bubi e Zé não conseguiram _____________ para entrar no teatro sem pagar. (permitir)
e) Na semana passada, os policiais fizeram uma grande _________. (apreender)
f) Toninha cometeu uma _____________ quando estacionou seu carro em cima da calçada e por isso foi multada. (transgredir)
g) Todos estão ansiosos para saber como será a ___________ da diretoria do clube. (suceder )
Isar ou Izar?
h) O juiz teve de ____________ o caso antes de dar seu parecer. (análise)
i) Mariana está muito feliz porque conseguiu ____________ seu sonho. (real)
j) Vero está esperando a situação se ____________ para comprar o enxoval do bebê. (normal)
l) Os grevistas _____________ o trânsito em vários pontos da cidade. (paralisia)
m) Depois da discussão, Tomatinho tentou ____________ a situação oferecendo-lhe um café. (ameno)
Sinho ou Zinho?
n) Alicinha tem um ______________ muito bonitinho. (chapéu)
o) Goa é um ____________ que fica na Ásia, onde também se fala português. (país)
p) Este ____________ é seu? (lápis)
q) Naquele _____________ está escrito que ela me ama. Será verdade? (papel)
r) Adoro dias com este ____________ primaveril! (sol)
s) Ivana comprou uma ____________ azul, muito bonitinha! (mesa)
t) Malena, você é muito parecida ao seu _______________. (pai)
u) Ela ofereceu ___________________ a todos. (café)
Bem, no próximo número vamos continuar falando sobre este assunto que é bem amplo. Não percam!
Respostas em:
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