BOLETIM VERDE & AMARELO

Nº 18 - 31 de julho / 2001 -


Este é o décimo oitavo número de uma publicação eletrônica mensal e gratuita idealizada pelo Instituto de Português Verde & Amarelo (Maipú 388, 3º K – Capital Federal - Buenos Aires -Argentina - tel. 54-11 4325-0932 / 4393-0645), dirigida a alunos, clientes e amigos. Tem como objetivo ampliar o contato entre aquelas pessoas que, de uma ou outra forma, interessam-se pelo Brasil - notícias, cultura geral, novidades, opiniões, humor, etc - ou que desejam receber informações diversas em Português.

O Verde & Amarelo é um Instituto de Português dedicado ao ensino a hispanofalantes. Trabalhamos com material próprio e exclusivo, onde consideramos as semelhanças e as diferenças entre o português e o espanhol. Nosso objetivo é que as aulas sejam dinâmicas, divertidas e os alunos dominem o idioma dentro do menor tempo possível.

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Confira neste número:

 1.  Introdução

2.  Informativo econômico

3.  Você sabia?

4.  A palavra do mês

5.  Língua portuguesa e literatura brasileira

6.  Música & Cia. 

7.  Viajando pelo Brasil

8. Como anda o seu português?

Vocabulário (Ao final de cada matéria)

 

 1. Introdução

pela professora paulista Anamaria Bacci
 
Arrebentando a boca do balão*
 
Ai, essa festa... Depois de passar quase um mês dos 4 aninhos do Verde e Amarelo, essa festa ainda está dando o que falar!!!
Ai, essa festa... as fofocas* continuam aparecendo! Sempre surge alguém que esqueceu de comentar algum detalhe. Revelações foram feitas e juras de amor cumpridas... quantas coisas aconteceram nessa noite no Maluco Beleza!
Gostaríamos de agradecer a presença de todos vocês que fizeram daquela, uma grande noite para a nossa história.
A calorosa recepção ficou por conta de nossa querida “ciberprofemineira” Virgínia e pela popular Liliana, secretária do instituto. Depois de serem recebidos aos beijos e abraços, os convidados subiam as escadarias mais animados e alegres do que nunca. Para quem não sabe, a festa foi no andar de cima que, aliás, ficou completamente lotado. Em algum momento pudemos perceber a cara surpresa de Isabel, a diretora do instituto, como quem diz: “E agora, o que fazemos com toda essa gente?”.
Alguns não paravam de dançar, outros não abandonavam o copo de quentão*. Já alguns preferiram ficar perto do balcão* e provar de tudo... principalmente os quindins* (hummmmm), que terminaram em seguida e eu nem os provei (buááá).
Dizem que a maioria foi pontual, mas os convidados que chegaram tarde, e mais sedentos, ficaram sem ver e provar a nossa querida e desejada caipirinha. O problema maior girou em torno dela. Os alunos retardatários ficaram desolados quando escutaram a frase: “acabou o limão!” Mas quem iria imaginar que íamos levar mais de 500 pessoas nesta festa e faltaria limão!!! “Barbaridade, tchê” – como diriam alguns!!
Que pena.... quem chegou tarde dançou! Isso mesmo, dançou lambada, forró, axé, sertaneja e teve que beber só cerveja ou coca-light. (Que o digam Carlinhos Caipirinha e Barbarinha !!! Ha, ha, ha....)
Mas e daí!?? O que valeu foi a diversão proporcionada pelas figuras que passaram por lá e as histórias que ainda rolam soltas por aí. Esta humilde repórter que lhes escreve não pôde assistir a tudo e a todos, mas graças à colaboração de alunos, pôde fazer um compilado dos fatos mais importantes para o Livro de Ouro do Instituto:
“Eu estive lá e vou contar a  verdadeira história, o que eu vi com meus próprios olhos. No meio da festa  eu tive a necessidade de ir ao banheiro e encontrei uma pessoa que cantava “chocolate, chocolate, eu só quero chocolate...!!! Não vou dizer quem é essa pessoa, só que ela é do sexo frágil.... depois disso eu não a vi mais na festa”.
Quem será??? Seria ela a responsável pela falta de caipirinha? Parece que o verdadeiro culpado foi Alessandro, mais conhecido como “Chimpa” que terminou dançando com o Gabriel, já que estava com o teor alcoólico acima do permitido (acho que era de tristeza, pois seu amigo Pancho foi a outra festa!!!).
E falando em chocolate.... os comes e bebes estavam ótimos, né? Havia muitos doces e salgados típicos das festas juninas, incluindo o tradicional milho verde cozido, que fez o maior sucesso, principalmente para aquele senhor guloso que comeu quase 20 espigas!!! E não é mentira, não! Outras pessoas não puderam agüentar a tentação de esperar para experimentar os  quitutes. Olhem só o que conta uma testemunha: “Eu vi uma certa senhora pegando um pedaço de bolo de fubá com as mãos e o comeu com muita empolgação"!!!!  Também, quem manda a Nova dos Santos (cozinheira do Maluco Beleza) ser tão boa nessas iguarias? Que coisa , né?
O uso do típico traje caipira não foi aderido, mas teve quem criou sua própria fantasia (ou diríamos disfarce?). Foi o caso daquele sujeito esquisito*, trajando um boné* com luzes vermelhas que piscavam* sem parar e de óculos* escuros muito discretos!!! Ha, ha, ha!!! Vocês lembram? (que mico*!!!)
Do outro lado, estavam os mais tímidos. É o caso do professor Igor que, apesar de toda a sua carioquice, preferiu ficar fora do arrasta-pé e apreciar a dança de longe. Nada que ver com a professora Majô, que está sempre presente e adora badalar. Por outro lado, a professora Ivana, que acaba de vir do sul do Brasil, chegou a pensar que tinha tomado o vôo errado e aterrissado em Salvador. Nossa!!! A professora Gláucia caminhava por todo o salão exibindo os seus filhos (que por sinal são lindíssimos mesmo!) Já a barriguinha da professora Ana Paula não atrapalhou em nada: dançou até forró (seu bebê já vai nascer dançando). É claro que o título de melhor dançarino eclético ficou para o seu amado marido Gastón. Ele sentiu muito em ter que dividir seu troféu (a garrafa de caninha 51 – hi,hi,hi...) com a sua partner, a aluna Antônia do 3° nível. Parabéns pessoal!!! Neste concurso eu também pude dar o meu vexame, já que o meu par era o meu próprio marido, ou seja, um cara* “doente do pé*” (ai, agora ele me mata)!!!. Foi assim que conquistamos o último lugar.
A fofoca maior é sobre o cearense, o professor Flávio, que deu aula de forró e deixou suas alunas com mais água na boca do que quando conta as maravilhas de Fortaleza.... que “cabra danado da peste”*!
Os organizadores e também responsáveis por esta noite maravilhosa, Isabel e Leandro (e a Gabi também, por que não?) rebolaram* para servir aos que fizeram fila a noite toda no balcão do Maluco para se fartar com os deliciosos doces, bolos e bebidas. “Todos adoraram a festa. Eu também. O problema foi que a Rosana bebeu toda a caipirinha!” (anônimo)
Mas valeu a pena, né gente? O quentão estava ótimo! Olhem só o que o quentão faz com as pessoas:
“ Ahhhh.......a festa do Verde e Amarelo! Muito divertida! Nós aproveitamos  todos os momentos! Lá se pôde ver um homem e uma mulher muito apaixonados, todos perceberam que Laura e Carlos se amam muito. Que belo é o amor!!! 
Depois de muitos beijinhos e abraços, e muita comilança, o pessoal desceu para o salão para assistir ao grupo de dançarinos brasileiros dar um show de  samba, lambada, axé e outros ritmos. A professora Silvana tentava imitar os passos junto com seu grupo de alunos. Já a professora Bianca, ainda estava com uma bolha na mão de tanto cortar bandeirinhas. Que trabalho, gente!!!
A Quadrilha que todos esperavam  teve que ficar para a próxima festa, já que o espaço se tornou insuficiente para a quantidade de pessoas que vieram... nossa, quanta  gente !!! Só faltaram a professora Maristela, que ficou com sua filhinha, e a professora Daniela que não pôde vir de Passo de Los Libres.
Leandro terminou no balcão distribuindo tortas e doces, enquanto Flávio não dava conta dos pedidos de cervejas  e refrigerantes e teve que pedir ajuda à Gabriela. Enquanto isso, Julieta e Diana se encarregavam do Correio Elegante que não perdoou nem quem estava com namorado!!! Essas crianças...
A festa foi animada até altas horas da madrugada e pôde-se observar que muita gente foi sozinha, mas será que voltou para casa acompanhada? Como é bom o calor humano e das fogueiras de São João! Viva a nossa festa!!!. Esperamos vocês no ano que vem. Até lá e continuem pulando as fogueiras da vida!!!!  Oba, oba!!
 
Vocabulário
Arrebentar a boca do balão: usa-se no sentido de fazer sucesso, explodir, aparecer, surgir.
Quitute: petisco; Comida delicada e/ou apetitosa, preparada com esmero.
Caipira: Habitante do campo ou da roça, particularmente os de pouca instrução e de convívio e modos rústicos e canhestros.
Fofoca: Espanhol: “chisme”
Quentão: Aguardente de cana com açúcar, temperada com gengibre e canela, e servida quente. Vinho fervido com cravo-da-índia, canela e gengibre, e que é servido quente. 
Balcão: Móvel, da altura de uma mesa ou pouco mais alto, empregado em lojas, repartições ou outros estabelecimentos, para atendimento do público ou da clientela, e que eventualmente serve para expor mercadorias
Quindim:  Doce feito de gema de ovo, coco e açúcar
Esquisito: Não usual; fora do comum; raro
Boné: Peça de vestuário para a cabeça, de copa redonda, com uma pala sobre os olhos
Piscar: Fechar e abrir rapidamente (os olhos); Brilhar intermitentemente
Óculos: Lentes usadas em frente dos olhos, providas ou não de aro, encaixadas em uma armação, munida de hastes que as prendem ao pavilhão da orelha, e cavalete, que repousa sobre o nariz, as quais servem, geralmente, para correção visual.
Mico: Pagar mico - Colocar-se em situação embaraçosa ou vexatória
Cara: sujeito, indivíduo
Doente do pé: quem dança muito mal ou não sabe sambar
Rebolar: Mover-se em torno de um centro; rolar sobre si mesmo.(popular: esforçar-se)
Cabra danado da peste –  indivíduo valente, disposto, ou digno de admiração por outro motivo

 2. Informativo econômico

pelo professor e economista cearense Flávio Castro 
 
Brasil prepara “um colchão” contra  a crise Argentina
 
Como falamos no Boletim anterior, o Banco Central do Brasil (BC) iria combater a alta do Dólar (US$) com relação ao Real (R$) devido a vários fatores. Na verdade, muito o BC não pôde fazer em relação à especulação do Mercado, tendo em vista a crise na Argentina. Depois do anúncio do novo Pacote Econômico do Ministro Domingo Cavallo, gerou-se no Brasil muita intranqüilidade e desconfiança sobre o que poderia passar com a Economia Argentina, depois das novas medidas. No Brasil, mais precisamente o Mercado Financeiro e seus especuladores, procuravam um desfecho para esta novela com três finais: 1) Não aceitação por parte da população argentina e a corrida em massa em busca de dólares e, consequentemente, a desvalorização do “Peso Argentino” em relação à moeda americana. 2) Pedido de uma “moratória” por parte do Governo Argentino. 3) Um “calote*” do Governo Argentino aos seus credores.
Baseados nas três hipóteses (que não resultaram verídicas), os especuladores aproveitaram-se da situação e a cotação* do US$ no Brasil chegou a R$ 2,62 (a mais alta desde o início do Plano Real, em 1993).
Diante deste cenário, o Governo Brasileiro e o Banco Central anunciaram no último dia 18 do corrente, a criação de um “colchão” (medidas) para a economia brasileira, tendo em conta a crise na Argentina. Em primeiro, lugar a taxa básica de juros – SELIC (Sistema Especial de Liquidação de Títulos Públicos), de julho foi elevada em 0,75%, esperando um desaquecimento da economia para cumprir a meta do Governo, que é a de chegar ao final do ano com uma inflação de 6%. O Governo Brasileiro continuará cortando gastos para manter seu superávit na Balança Comercial, já que no último mês foi US$ 3 bilhões de dólares. Por outro lado, conta também com a ajuda de um novo Plano Fiscal, que será anunciado nos próximos dias.
 
Vocabulário 
Calote: Dívida não paga, e/ou contraída sem intenção de pagamento.
Cotação: Preço pelo qual se negociam mercadorias, títulos, ações de bancos ou fundos públicos, moedas estrangeiras, nas bolsas ou nas praças de comércio.

 3. Você sabia? 

Pelo professor carioca Igor Ravasco
 
Você sabia que o café é originário da África e chegou à América no século XVIII?
Os franceses iniciaram plantações na Guiana. A saída de sementes do país era proibida. Naquela época, quem tivesse maior controle sobre uma
cultura poderia estabelecer seu monopólio comercial. Até que um sargento paraense chamado Francisco de Melo Palheta foi enviado à Guiana para resolver uma questão diplomática. Na volta, ele deveria contrabandear mudas de café para o Brasil. Palheta cumpriu as duas missões. Os franceses reconheceram as fronteiras brasileiras e ele, depois de seduzir a esposa de um governador, conseguiu algumas sementes, levando-as para o Brasil no bolso. O café passou a ser cultivado no Norte do Brasil em 1722 e foi se espalhando pelas demais regiões.
 
Você sabia que a água-de-coco é rica em minerais como sódio e potássio, e deve ser tomada logo depois de se abrir a fruta? No Brasil consomem-se
anualmente 90 milhões de cocos. A polpa do coco faz bem para o estômago e para o intestino graças à sua quantidade de fibras. Um coqueiro vive 60 anos e gera um cacho com cerca de 15 cocos todo mês. Os coqueiros têm, em média, 30 metros de altura. Abrir um coco não é nada complicado O único cuidado que se deve tomar antes de abrir a fruta, é retirar de seu interior toda a água. E nunca a desperdice, pois é altamente nutritiva. Para isso, faça 2 furos no coco, sempre naqueles olhinhos escuros, onde a casca é bem mais mole. Um saca-rolhas* cumpre bem essa tarefa. Depois de retirada a água, basta abrir o coco ao meio, batendo nele com um facão ou batendo-o contra algo bem duro, como uma pedra, por exemplo.
 
Você sabia que o caldo-de-cana ou garapa é o nome dado ao sumo da
cana-de-açúcar, que chegou ao Brasil em 1553 pelas mãos de Martim Afonso de Souza? Ele também implantou o primeiro engenho de açúcar em São Paulo. O caldo ou garapa é extraído da cana usando-se um moedor motorizado, por onde a vara de cana passa diversas vezes. Este caldo é coado e se agrega gelo, estando pronto para ser bebido. O Brasil é o maior produtor de cana do planeta. Dos 13 milhões de hectares de plantações no mundo, 4,5 milhões estão em território brasileiro. Isso significa 8% da área cultivada do país.
 
Vocabulário
Saca-rolhas: Instrumento com que se sacam rolhas de cortiça das garrafas ou de outros vasos.
Rolha: Peça geralmente cilíndrica, de cortiça, borracha, plástico, etc., usada para tapar gargalo de garrafas e outros frascos; tafulho.
 

 

4. A palavra do mês

Pela professora mineira Virgínia Bezerra
 

E aí, galera?? Estão a fim de curtir mais uma palavrinha legal de sua mineira arretada?

Calma, cara, não fique assim, preocupado!  Se você não entendeu patavina do que eu escrevi, fique frio. Continue lendo que você vai entender que barato é esse!
 
Legenda: (para os que têm preguiça -em espanhol “fiaca”- de ir até o vocabulário no final da página.... é isso mesmo, é com você que eu estou falando!!! Você acha que eu não sei?? - Hahahahaha):
Então, pessoal? Estão com vontade de desfrutar mais uma excelente palavra de sua mineira bacana???? 
Calma, indivíduo, não fique assim, preocupado! Se você não entendeu nada do que eu escrevi, tranquilize-se. Continue lendo que você vai entender o que é tudo isso!
 
A palavra de hoje é   G Í R I A
 
Gíria, galera, é um substantivo feminino, sacou¹? Antigamente se dizia que era a  linguagem de malfeitores, malandros², etc., com a qual procuravam não ser entendidos pelas outras pessoas. Atualmente, no entanto, já não é mais considerada assim.
É também a linguagem peculiar àqueles que exercem a mesma profissão ou arte. 
É uma linguagem que, nascida num determinado grupo social, termina estendendo-se, por sua expressividade, à linguagem familiar de todas as camadas sociais. Muitas vezes, acaba parando nos dicionários. É assim que nossa língua se mantém viva. São palavras que nascem, modificam-se com o tempo e algumas morrem, outras não.
Você já pensou se pudéssemos falar com uma pessoa que falava o nosso idioma há 300 anos atrás?? Será que a intenderíamos por completo?
É assim a gíria torna-se um componente importantíssimo do modismo lingüístico de cada época. Sua característica principal é que se relaciona com a moda, e como tal aparece, tem seu ciclo de vida e finalmente morre. Às vezes são mais resistentes, outras vezes são absorvidas pela língua, passando da linguagem usual à linguagem padrão.
 
Bom, se você ainda não entendeu bulhufas³, pode deixar comigo, eu vou  tirar você deste sufoco, xará! De agora em diante vamos aprender os significados de algumas gírias para você não ficar viajando na maionese cada vez que escutar uma!
 
Por exemplo, você sabe o que é ....SHOW DE BOLA??
-         A festa do Verde e Amarelo no Maluco Beleza foi SHOW DE BOLA!!! (foi muito boa, ótima, excelente)
-         A viagem que fiz para Fortaleza* foi tão legal! Os cearenses* são um SHOW DE BOLA!!! (são gente boa, legal, simpática). Para quem não sabe, eu fiz realmente uma viagem maravilhosa a Fortaleza – capital do estado do Ceará, nordeste do Brasil – e os cearenses (pessoas nascidas no Ceará) fazem a gente ver a vida, a natureza e os seres humanos como um presente que Deus nos deu! Obrigada Ceará! Obrigada cearenses!!!
-         Os jogadores argentinos deram um SHOW DE BOLA no último campeonato! (jogaram muito bem, deram um espetáculo, mostraram que são muito bons). Ahahahaha!!! Gostaram do meu puxa-saquismo??? (Quem não sabe o que quer dizer PUXA-SACO vai ter que ir lá no Boletim nº 15... ahahahaha!!)
 
Muito bem, crianças, agora vocês já estão por dentro ♣ de algumas de nossas gírias, que tal praticar??? Vamos lá, não seja frouxo ♠!
Use apenas uma vez cada palavra para completar o diálogo:
 
Cara - cara - curtir– galera – show de bola – legal – bulhufas – xará – fique frio – descolar*
 
Sebastião se encontra com um grupo de amigos: Carina, Vero e Ruli :
Sebastião: Oi, ___________, tudo _______  ____  _________ ?
Carina: Tudo _________ !
Sebastião: Vamos ____________  um cinema?
Ruli: Olhe, ________, não vai dar. Vamos ao “ Pirata “ dançar forró♦.
Sebastião: Eu não entendo ____________ de forró!!!!
Vero: Ora, ___________, você não precisa entender.É só relaxar e aproveitar!
Ruli: É ___________, e vamos logo, porque ainda temos que ____________ as entradas!
 
Respostas: (aproveitem que eu estou boazinha hoje, senão deixo para o próximo boletim!)
 
Sebastião: Oi, galera, tudo show de bola ?
Carina: Tudo legal!
Sebastião: Vamos curtir  um cinema?
Ruli: Olha, cara / xará, não vai dar, vamos ao Pirata, dançar forró.
Sebastião: Eu não entendo bulhufas de forró!!!!
Vero: Ora, xará/ cara, você não precisa entender, é só relaxar e aproveitar!
Ruli: É cara / xará, e vamos logo, porque ainda temos que descolar as entradas!
 
Mas muita atenção: Você não deve sair por aí utilizando estas expressões. Se for a uma reunião de negócios nem pensar!!! Geralmente estas gírias são utilizadas entre os jovens e em situações muito informais. Se tiver alguma dúvida, mande um e-mail para nós. Será um prazer!!
 
Este diálogo é em homenagem aos meus aluninhos, que passaram para o 3º nível com excelentes notas!!! Meus parabéns, galera!!! :o))))
 
Até mais, gente! Por hoje é só! Cuidem-se, que o frio chegou mesmo!!! Ai, quero voltar para Fortaleza!!! Quero comer lagosta, em frente ao mar, dançar forró, tomar uma cervejinha em frente ao mar!!!
Que vida dura, não acham???
 
 
Beijão,
Vir,felizdeestarcomvocêsnovamente!
 
Vocabulário
sacou¹: ( verbo sacar ) 1- Entender, compreender; manjar: Não sacou uma palavra do que diziam.  2- Olhar, observando: Sacou a garota da cabeça aos pés
malandro² :  (substantivo masculino ) Indivíduo esperto, vivo, astuto, matreiro.
bulhufas³:  (pronome indefinido). Coisa nenhuma; nada, brisas:” não estou entendendo bulhufas do que você está dizendo."
viajando na maionese ♥:  quer dizer várias coisas, dependendo da frase: delirar, estar nas nuvens, estar perdido em relação a algum fato ou ocasião.
estão por dentro estar sabendo das coisas, informado, inteirado de algo
frouxo ♠ Covarde, medroso, pusilânime.
forró♦. Música originalmente apenas instrumental, e dança aparentada ao baião (Dança e canto popular, ao som da viola e doutros instrumentos, derivada do baiano, baiano, chorado, choradinho), porém com andamento mais acelerado.
Descolar*:  Conseguir, obter, arranjar
 

5. Língua portuguesa e literatura brasileira

pela professora catarinense Maristela Müller
 
 Uma fábrica de fazer humor:
Luís Fernando Veríssimo
 
Já dizia o ditado popular: “Filho de peixe, peixinho é!”, ou será peixão?
Ele é gaúcho de Porto Alegre. Nasceu no dia 26 de setembro de 1936. Seu pai, o grande escritor Érico Veríssimo, foi o mestre. O filho, o discípulo.
 
Luís Fernando Veríssimo é jornalista e escritor. Iniciou seus estudos no Instituto Porto Alegre, mas também estudou nos Estados Unidos, onde morou por dois anos, por seu pai ter ido lecionar em uma universidade da Califórnia. Voltou a morar nos EUA quando tinha 16 anos, cursando a Roosevelt High School de Washington, onde também estudou música, sendo até hoje inseparável de seu saxofone.
 
Casou-se com a carioca Lúcia Helena Massa, sua colega de trabalho na redação do Boletim da Câmara de Comércio do Rio de Janeiro. Da união nasceram três filhos: Fernanda, Mariana e Pedro. De volta a Porto Alegre em 1967, Luís Fernando iniciou sua carreira como jornalista no jornal Zero Hora, onde começou como copidesque, mas trabalhou em diversas sessões ("editor de frescuras", redator, editor nacional e internacional).
Em pouco tempo já mantinha uma coluna diária, que o consagrou por seu estilo humorístico e uma série de cartuns e histórias em quadrinhos. O primeiro livro, "O popular", de crônicas e cartuns, foi publicado em 1973. Atualmente, o autor escreve para os jornais Zero Hora, O Estado de São Paulo e O Globo. Criou personagens As Cobras, cujas tiras de quadrinhos são publicadas em diversos jornais. Em 1995, o livro O Analista de Bagé, lançado em 81, chegou à centésima edição. Algumas de suas crônicas foram publicadas nos Estados Unidos e na França em coletâneas de autores brasileiros.
Além disso, sobreviveu um tempo como tradutor, no Rio de Janeiro.
 
O trabalho do autor também é conhecido na TV, que adaptou para minissérie o livro Comédias da Vida Privada. O programa recebeu o prêmio da crítica como o melhor da TV brasileira.
 
Luís Fernando mora até hoje na mesma casa em que seu pai formou o clã dos Veríssimos. Longe das badalações, o filho de Érico só começou a produzir aos 30 anos. Ele criou, e ainda dá vida, a personagens que marcam sua obra e provocam sorrisos nos leitores com um humor inteligente. Dizem que Veríssimo é uma fábrica de fazer humor. Porém, revela-se extremamente tímido.
 
Foi homenageado por uma escola de samba de sua terra natal neste último carnaval.
 
Um escritor amigo, Stanislaw Ponte Preta, falando certa vez sobre Veríssimo, disse: - Com sua vasta produção, ele só pode levantar os olhos da máquina de escrever para pingar colírio.
Confira aqui algumas Obras do autor:
 
O Popular - 1973
A Grande Mulher Nua - 1975
Amor Brasileiro - 1977
As Cobras e Outros Bichos - 1977
A Mesa Voadora - 1978
Pega Pra Kapput - 1978
O Rei do Rock - 1979
Ed Mort e Outras Histórias - 1979
Sexo na Cabeça - 1980
O Analista de Bagé - 1981 (100ª edição em 1995)
O Gigolô das Palavras - 1982
Outras do Analista de Bagé - 1982
O Analista de Bagé em Quadrinhos - 1983
A Velhinha de Taubaté - 1983
A Mulher do Silva - 1984
A Mãe do Freud - 1985
Aventuras da Família Brasil - 1985
Ed Mort Procurando o Silva - 1985
O Marido do Dr. Pompeu - 1987
Zoeira - 1987
Ed Mort em Disneyworld Blues - 1987
O Jardim do Diabo - 1988
Ed Mort com a Mão no Milhão - 1988
Orgias - 1989
Ed Mort em Conexão Nazista - 1989
Peças Íntimas - 1990
O Santinho - 1991
Traçando Nova York - 1991
Traçando Paris - 1992
O Suicida e o Computador - 1992
Pai Não Entende Nada - 1993
Traçando Roma - 1993
Comédias da Vida Privada - 1994
Traçando Tóquio - 1995
Comédias da Vida Pública - 1895
Comédias da Vida Privada - 1996
Novas Comédias da Vida Privada - 1996
 
Antologias
QI 14 - 1975
Antologia Brasileira de Humor - 1976
O Tubarão - 1976
Para Gostar de Ler – 1981
 
Gente, por hoje é só, mas vou deixar uma dica: se você gosta de humor sutil e inteligente, deixe-se conquistar por Luís Fernando Veríssimo.  Você não vai se arrepender.
Um abração da Profe. Maris
 
Vocabulário
Copidesque: Redação final de um texto com vistas à sua publicação; correção, aperfeiçoamento e adequação de um texto escrito às normas gramaticais, editoriais, etc.

6. Música & Cia.

pela professora paulista Silvana de Sousa
 
Marisa Monte
 
“Quero que minha música esteja em constante evolução, como o Brasil. O pior de tudo é o tédio, a pior coisa que pode acontecer a um artista é repetir-se, por isso pego o tradicional, a MPB, a bossa nova e até mesmo o samba e depois passo por um processo de elaboração onde o rock e o pop têm muita importância, onde também incluo as técnicas de canto da época que estudava ópera; e daí saem muitas músicas, minha maneira de cantar, minha forma de me comportar no palco, que no Brasil dizem que é muito nova-iorquina. Não faço esforço para ser assim. Minha música sou eu  mesma.”    Marisa Monte
 
É dessa forma que a jovem e importante cantora brasileira define sua forma de fazer música. Com uma carreira relativamente curta e cinco discos lançados, Marisa Monte é uma das cantoras mais importantes atualmente e uma das que mais tem seu nome projetado no exterior.
Carioca, nasceu no dia  primeiro de julho de 1967. Quando criança, já compunha lindas canções e sempre esteve voltada às atividades artísticas, fazendo teatro de marionetes, costura e bordado.
Aos nove anos de idade teve realizado o seu sonho de aprender a tocar bateria. Sua mãe armou o instrumento no meio da sala-de-estar. Foi com esse presente de aniversário que Marisa pôde aperfeiçoar seu talento para a música.
Posteriormente, começou a estudar piano e obviamente aprendeu teoria musical e a leitura das partituras. A música já preenchia um grande espaço em sua vida e isso se dava de uma maneira bastante eclética. Ela sempre gostou de ler e de escutar música e era capaz de ir dos clássicos aos modernos, sem nenhum tipo de preconceito. Escutava de Cartola a Caetano Veloso e  lia de Machado de Assis a Marcelo Rubens Paiva.
A jovem cantora sempre se empenhou muito para aperfeiçoar cada vez mais seus dotes vocais. Estudava canto lírico e chegou a participar como cantora do musical  Rock Horror Show, montagem feita pelos alunos do Colégio Andrews e dirigida na época pelo, agora famoso, Miguel Falabella. Além disso, ensaiava com uma banda na sala de sua casa, no bairro da Urca.
Com o objetivo de conhecer mais o mundo lírico, Marisa  Monte foi  para a Itália quando tinha 18 anos. Ficou lá 10 meses e acabou voltando porque não agüentou a saudade  do Brasil e da música brasileira. Tanto é assim, que passou 6 meses cantando MPB pela noite em companhia de amigos, tendo feito shows também em Veneza.
Nelson Motta, que já lançou tantos outros jovens talentos brasileiros, foi também o padrinho musical de Marisa. Os dois já se conheciam antes da viagem da cantora à Europa, mas quando voltou, esse encontro se deu de forma mais intensa. Tornaram-se  grandes amigos e Motta, sem dúvida, foi um importante fã no início da carreira da cantora. Ao escolher o repertório de seu primeiro show, Marisa pediu a opinião do amigo, que se ofereceu para dirigi-la. Isso foi fundamental para que acontecesse a apresentação a toda a imprensa daquela que se tornaria uma das maiores cantoras brasileiras.
Os shows que se seguiram foram um verdadeiro sucesso de público e de crítica. O JazzMania e  a Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro, ficaram completamente lotados nas apresentações de Marisa Monte. E antes que ela fosse com seu show  para São Paulo, interpretou com Carlos Fernando a  Bess You Is My Woman Now, na apresentação do Nouvelle Cuisine.
Ela já era famosa antes de ter seu primeiro disco gravado e acabou fazendo-o de forma bastante inovadora ao lançar metade das músicas de seu primeiro trabalho ao vivo. Geralmente, o primeiro disco de qualquer artista é todo feito em estúdio, mas Marisa gostou tanto do resultado do seu trabalhos nos shows, que resolveu arriscar e acertou em cheio. Esse disco se chamou Marisa Monte e foi produzido em 1989. Através da interpretação de músicas conhecidas pelo grande público, ela mostrou ser uma grande intérprete. Teve a produção de Lula Buarque de Hollanda e direção de Nelson Motta e Walter Moreira Salles. Ainda não mostrava seu talento para compor, mas já marcava um estilo único e inovador para cantar. O hit Bem que se quis (versão de Nelson Motta do clássico de Pino Daniele) estourou* nas paradas de sucesso e foi parte da trilha sonora da novela O Salvador da Pátria.
Em 1991, gravou o segundo álbum, intitulado Mais, disco que trouxe músicas de composição da própria cantora em parceria* com Nando Reis e Arnaldo Antunes e foi todo gravado em estúdio. O disco teve como produtor, o guitarrista americano Arto Lindsay. Filho de pais portugueses, Lindsay viveu no Nordeste brasileiro dos 3 aos 18 anos e quando estudava na Universidade de Nova Iorque, tornou-se uma referência para os músicos brasileiros, tendo produzido também músicas para Caetano e Gal. Participaram ainda do disco,  o arranjador e pianista japonês Ryuichi Sakamoto, o baixista Melvin Gibbis e o percussionista Naná Vasconcelos. A gravação foi dividida ente o Rio de Janeiro e Nova Iorque e várias músicas tiveram muito sucesso no Brasil, como: Ainda me lembro, de parceria com Nando Reis e participação especial de Ed Motta, tendo feito parte da trilha sonora da novela Deus nos acuda, além de Beija eu de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Arto Lindsay e Eu Sei, com letra e melodia de Marisa. Sobre esse disco, Marisa afirmou: “ É um disco que acrescenta ao primeiro, por isso se chama “Mais”. O que quero fazer de minha carreira é exatamente isso: uma soma a longo prazo”. A partir desse disco, que foi editado mundialmente, Marisa fez turnês pelo Japão; Estados Unidos e Europa.
Verde, Anil, Amarelo, Cor- de- Rosa e Carvão (1994) foi seu terceiro disco e como o próprio nome sugere, esse trabalho apresenta uma rica fusão entre o pop e a música genuinamente brasileira, tendo sido lançado simultaneamente em 48 países. Foi produzido por Arturo Lindsay e co-produzido pela própria cantora e mais uma vez gravado entre o Rio e Nova Iorque, tendo a participação de vários artistas. Entre eles: Carlinhos Brow (sua música Segue o Seco teve um videoclipe muito bonito), Gilberto Gil (fez parceria com Marisa na música Dança da Solidão, de Paulinho da Viola), além de Nando Reis, Naná Vasconcelos e Laurie Anderson. A música Na Estrada fez sucesso no Brasil inteiro e foi integrante da trilha sonora da novela Vira Lata. Declaração de Marisa sobre o disco para a revista Manchete: “Meu disco é o menos industrial e techno possível. Tem um som rústico, brasileiríssimo...tudo dentro de um conceito musical mais denso, mais coeso, em relação aos meus trabalhos anteriores. Porque quanto mais brasileiro for, mais internacional ele vai ser”. Depois de três meses do lançamento do disco, nasceu o show Cor-de-rosa e carvão, que foi levado em turnê para a Europa e Estados Unidos e posteriormente, para todo o Brasil.
O quarto disco de Marisa Monte Barulhinho Bom-Uma viagem Musical (1996) foi o resultado de uma excursão feita pelo Brasil. Disco duplo, com sete faixas gravadas em estúdio, entre o Rio e Nova Iorque em um Cd e outro ao vivo com 11 músicas gravadas em Recife e Rio de Janeiro, teve produção de Arturo Lindsay e Marisa Monte, incluindo ainda um home vídeo, que mostra cenas de palco e encontros de Marisa com amigos, canções gravadas ao vivo e cenas do dia-a-dia da cantora. Vale destacar deste disco, as brilhantes interpretações de Marisa realizadas em show das músicas Panis et Circenses, de Caetano Veloso e Gilberto Gil e A Menina Dança do repertório dos Novos Baianos. Ademais, Tempos Modernos, de Lulu Santos e Cérebro eletrônico, de Gilberto Gil tiveram uma nova e interessante interpretação. Nesse trabalho, Marisa gravou Arrepio, Maraçá e Magamalabares de Carlinhos Brow. O disco teve sua capa censurada nos Estados Unidos, porque traz ilustrações eróticas do desenhista Carlos Zéfiro.
O quinto e atual disco de Marisa Monte é Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (1999) , que  mais uma vez foi produzido por Arto Lindsay e Marisa Monte e assim como Cor de Rosa e Carvão, chegou à vendagem de 1 milhão de cópias. O hit Amor I Love You estourou  em todo o Brasil e Marisa fez uma longa turnê de dois anos e meio pelo Brasil e pelo mundo.
Sobre o mercado estrangeiro Marisa Monte afirmou: “Há um mercado enorme para o público latino nos Estados Unidos, mas para quem canta em espanhol, não em português. Eu acho lindo cantar em português. O show pode até ter algo em inglês ou em espanhol, mas nunca vai ser a maior parte do meu trabalho. Então meu público aqui é restrito mesmo, mas é um público de qualidade, é o americano de cabeça aberta... O público da Europa é mais aberto, conhece a música da África, Oriente médio,  das Américas, de Cuba e acompanham o processo de evolução da música brasileira. Sabem quem é Gil, Caetano, Lenine, Chico César”.
Sobre a Argentina, Marisa diz que tinha a idéia de que em Buenos Aires havia muitos brasileiros. Quando apresentou-se na capital portenha, descobriu que isso não era verdade e aí pôde perceber como é reconhecida pelo público platino.
Marisa prefere não ser comparada às grandes intérpretes da música, pois, apesar de beber da fonte de grandes nomes, diz ter uma nova linguagem, diferente, moderna e que retrata o que acontece hoje. Realmente, as comparações são perigosas. Marisa Monte compõe, produz seu trabalho e de outros jovens talentos. Canta e encanta com sua forma ímpar de interpretar as canções. Está sempre estudando, renovando e fazendo um grande esforço para aproveitar também sua vida pessoal, o que para qualquer pessoa famosa é muito difícil.
Marisa é jovem, bela, está engatinhando na carreira musical e já é um fenômeno da música brasileira atual. O que mais nos reserva Marisa Monte ?
 
Vocabulário
: Gír. Admirador exaltado de certo artista de rádio, cinema, televisão, etc
Estourar: rebentar com estrondo; explodir, ribombar.
Parceria: Reunião de pessoas para um fim de interesse comum; sociedade, companhia.
 

 

7. Viajando pelo Brasil

pela professora gaúcha Isabel Höltz
 
 
Atenção senhoras e senhores, Viajando pelo Brasil
deste mês apresenta:
 
360 dias de sol por ano, povo alegre e hospitaleiro, folclore, diversão,
grandes dunas e...  mar.  Muito mar...
De que lugar estaremos falando???!!
 
Com muita pompa e respeito, toquem as trombetas e estendam o tapete vermelho porque é ela quem vai desfilar...

Na passarela, a bela dourada, “a virgem dos lábios de mel”*...

A loira desposada do sol crescente...

A Terra do Sol!
 
Fortaleza parece ser uma das cidades mais sedutoras do Brasil.
Quem nunca foi, quer ir. Quem vai, quer ficar.
Mas qual será o feitiço* deste lugar??
 
Dizem que é principalmente a ternura de seu povo, alegre e hospitaleiro, que encanta os turistas. Mas, o que dizer então sobre a beleza de seu mar verde-azul, de suas lagoas azuladas, de suas dunas brancas??? Não será por um acaso o sabor de sua culinária regional, de suas lagostas maravilhosas, do coco gelado, que faz o desavisado querer ficar para sempre? Dizem que é pelo estômago que a feiticeira fisga o seu príncipe...
 
O que os olhos vêem, o coração sente....
 
Terra quente e de poucas chuvas, Fortaleza tem natureza exuberante, praias de verdes mares, grandiosas dunas de brancas areias e luminosidade intensa. Com uma temperatura média de 27°C, apresenta um verão permanente e seu povo hospitaleiro é conhecido por uma contagiante alegria de viver. Banhada pelo sol o ano inteiro, a orla* é adornada por areias macias e claras e belos coqueirais. O litoral fortalezense não é povoado apenas por jangadas, iates e navios. Os ventos alísios provenientes da costa da África propiciam uma alta freqüência de velejadores. Fortaleza tem praias belíssimas para todos os gostos. Há as mais calmas para quem quer relaxar e outras mais apimentadas para quem prefere muita animação. Porém, a paisagem praiana é sempre temperada com os mesmos condimentos: sol forte, céu azul quase turquesa, areia branca e fina e mar cálido. Isso sem falar nas dunas, que chegam a atingir até 30 metros de altura.
 
Quer mais?
Essa paisagem pode ser usufruída dos hotéis elegantes da avenida  Beira-mar. O mar é o centro da vida em Fortaleza, seja no Mucuripe, onde as jangadas participam de regatas, seja em toda a extensão da orla marítima, onde as ressacas* do mar bravio são motivo de diversão e o pôr do sol convida à contemplação.  O contraste entre o luxo da modernidade e o despojamento da atividade tradicional é um dos encantos oferecidos pela metrópole fortalezense. Lá, os edifícios de vidro contrastam com a rústica jangada e os prédios históricos.
 
Entre os lugares históricos que vale a pena conhecer, está o forte Nossa Senhora da Assunção. Marco inicial de Fortaleza, foi construído durante a ocupação holandesa, em 1649. No mercado Central, do ano 1809, você poderá fartar os olhos com a beleza e as cores da variedade artesanal. Poderá também apreciar  a antiga Cadeia Pública, em estilo clássico, que foi projetada e construída a partir de 1850; mas não deve deixar de ir ao Museu do Maracatu, do início do século passado - o maracatu é um tipo de música e dança que conta a história das tribos negras da África. O Ceará não foi um dos centros de povoamento negros no Brasil, mas o maracatu se desenvolveu de forma curiosa.
 
Audácia pura...
Já para aqueles que preferem sentir um friozinho na barriga, em Porto das Dunas, a 22 Km de Fortaleza, fica localizado o famoso parque aquático Beach Park. O parque começou modesto, mas aos poucos foi crescendo e hoje é o maior da América Latina e grande atração turística do Ceará. Abriga uma diversidade enorme de brinquedos aquáticos. Para os mais corajosos, destaca-se o toboágua - um tobogã formado por uma corrente de águas com 24 metros de altura. Nossa!! É adrenalina pura!. Aos que querem relaxar e preferem a calma, está a corrente encantada (um longo percurso sobre águas tranqüilas e deslizantes feito em uma bóia) ou o palhaço massageador de pés (um palhaço que massageia os pés dos turista com perfumes e cremes). Que delícia!!!!
Para quem gosta de curtir o mar sem se preocupar com a lotação* na areia, uma dica:  o espaço oferece lugar para 4.000 pessoas sentadas, só na beira da praia. Para acompanhar a beleza natural do local, você pode pedir aquela cervejinha gelada nos dois restaurantes existentes. É claro que também poderá se fartar com os famosos caranguejos oferecidos no lugar. Dizem que são ótimos.
 
Mas o point dos fortalezenses e turistas está a 8 km do centro da cidade...
A Praia do Futuro, em seus 5 km de extensão, possui trechos com belezas e características bem definidas. Repleta de hotéis, bares e barracas*, oferece o melhor e mais sofisticado serviço. A praia do Futuro abriga milhares de banhistas nos fins de semana. Mas não é só isso, o forró, a seresta* e o caranguejo fizeram do local o mais novo corredor turístico de Fortaleza. As noites de quinta-feira são freqüentadas por milhares de visitantes que, ao som de um bom forró, saboreiam as delícias do mar. Entre shows com bandas locais e humoristas, a Praia do Futuro tem estrutura para receber com ótima qualidade e é apropriada para o banho.
O lugar é ideal para saborear uma cervejinha gelada e paquerar, principalmente nos fins de semana. Ali também é possível experimentar a culinária cearense. Hummmm! Que tal um peixe frito, um caranguejo ao leite, as deliciosas lagostas ou os enormes camarões??? Neste lugar, há várias barracas onde o que não falta é gente bonita e de alto-astral. A praia do futuro, com seus verdes mares, sempre nos convida para um mergulho ou para se lembrar de como é bom estar vivo!!
 
Quem é que detesta segunda-feira?
É ali na praia do futuro que sua vida vai mudar...
Você vai descobrir que a segunda-feira é o melhor dia da semana!
Desde que foi inaugurado o Bar do Pirata, as semanas fortalezenses começam mais movimentadas e alegres. Na rua dos Tabajaras começou a tradição de, nas noites de segunda, fazer uma grande festa. A animação fica por conta de uma banda de forró, a música que Fortaleza adora dançar. É a segunda-feira mais animada do mundo!!! A festa dura até a saída do último cliente, ou seja, quando nasce o sol; ou seja, às 5 h da manhã –hi,hi.
 
A virgem dos lábios de mel...
Descendo pela rua dos Guanacés, você chega ao coração da praia de Iracema, o bairro mais charmoso da cidade. É uma sucessão de casinhas coloridas, umas parecendo de brinquedo, outras de contos de fadas... Com bares de todos os jeitos, é uma mistura de bulício de cidade grande e sossego de vila do interior. Intelectuais, mauricinhos*, turistas, famílias inteiras... todo mundo circula por ruas com nomes de tribos indígenas que antes viviam no Ceará. A Praia de Iracema é a preferida dos poetas. Tombado* pelo Patrimônio Histórico, o bairro ainda mantém os mesmos padrões arquitetônicos do início do século. Entre os prédios antigos, o mais famoso deles é o Estoril, onde atualmente funciona um restaurante, uma galeria de exposições e uma biblioteca.
 
Continue circulando e passe pela rua da alegria... As ruas da praia da Iracema têm essa graça... nomes e cores incríveis. “Os nomes indígenas encontrados ali são mil vezes mais interessantes que essas ruas com nomes de generais que nunca saberemos quem são”, já dizia um poeta.
Caminhe sem rumo e sem medo...
Na praia, ninguém deixa de ver a Ponte dos Ingleses, construída em 1923, e hoje conhecida como Ponte Metálica. Utilizada antes como atracadouro, hoje é o lugar onde todos se reúnem no final da tarde para apreciar o pôr-do-sol.
No início do século, a praia de Iracema se chamava praia do peixe e não era lugar de moradia. Para lá, só iam de veraneio. O banho de mar, até então visto apenas como tratamento médico, começava a se transformar em opção de lazer*, especialmente para os homens. As mulheres só iam de manhã bem cedo, ou aos domingos. Por um tempo, as prostitutas foram proibidas de irem aos banhos de mar.
Em 1925, a praia do Peixe recebeu a extensão da linha do bonde*. Teve o nome modificado para praia de Iracema e as ruas ganharam nomes de tribos indígenas. Dos anos 30 aos anos 50, a praia de Iracema reinou absoluta como a “praia dos amores” da cidade.
Foi nessa região que certa vez chegou um náufrago francês. Sendo ele gourmet, caiu de susto, mais que de cansaço, ao ver os pescadores jogarem fora aquele bicho feio e cheio de patas, chamado lagosta. Como bom cozinheiro francês, o náufrago se transformou num dos chefs mais famosos da cidade e fez da lagosta o prato mais tradicional e delicioso de Fortaleza.  Hummmm....
Com o passar dos tempos, esta praia sofreu algumas modificações, mas a tradição boêmia, porém, manteve-se. Hoje, é o grande pólo cultural, gastronômico e boêmio de Fortaleza. Além de restaurante de cozinha típica e internacional, bistrôs, bares, galerias de arte e casas noturnas, a restauração do Estoril e do antigo casario antigo deu um charme especial às suas ruas. Passear pela praia de Iracema, a qualquer hora do dia e da noite, é marcar um encontro com o delicioso vento Aracati e fazer as pazes com a vida. A paisagem natural se complementa com a harmonia dos calçadões amplos e pelo vaivém de pessoas de todas as idades. E que gente....
O roteiro boêmio que concentra a noite da cidade localiza-se nesta região bem jovem. O percurso, com mais de 15 km, vai da praia da Iracema ao mirante de Santa Terezinha, passando pela Beira-mar. Este é um dos cartões postais mais famosos da cidade. É ali que se concentra o agito noturno, com bares, restaurantes, edifícios de luxo e o Centro Cultural do Dragão do Mar. Dragão do Mar (ou Francisco José do Nascimento)  foi um personagem da história cearense no movimento de abolição da escravatura. O Ceará foi o primeiro estado brasileiro a libertar seus escravos, em 1884. Daí o epíteto de “Terra da Luz”.  Curioso, não? Pensávamos que era pelo intenso sol!!!
 
Se chover, festeje!
No Ceará, como é verão o ano todo, quase nunca chove. O estado tem 80% de seu território semi-árido e seu clima é tropical seco.
Fortaleza é desde sua fundação o local onde chegam os sertanejos fugidos da seca. O sertão se encontra com a cidade e mistura-se ao ar praiano, e ali se come peixe frito (comida da praia) com baião de dois (arroz e feijão, típica comida sertaneja).
Mas atenção para um detalhe: se por um acaso chover enquanto você estiver passando suas férias em Fortaleza, nunca ouse reclamar do tempo. Você corre o risco de ser vaiado. Isso aconteceu uma vez ao próprio sol. Na década de 30, após uma semana de chuvas, o sol cometeu a ousadia de aparecer. Sabe o que aconteceu? Ele foi vaiado em praça pública por toda a população.
 
Pé na estrada...
A 90 Km de Fortaleza, a paisagem é composta por água doce e cristalina à beira mar, dunas e lagoas. Ali está localizada uma das praias cinematográficas do Ceará: a Praia da Fontes, famosa por suas fontes de água doce e inúmeras lagoas azuis. Possui uma infra-estrutura hoteleira e turística das melhores da região. Com bons hotéis, é a praia preferida por gente famosa.
 
Mais uma parada para apreciar as belezas cearenses....
Agora na cidade histórica de Aracati, com seus casarões coloniais enfeitados por azulejos portugueses do século XVIII.
Canoa Quebrada faz parte de Aracati, mas parece não fazer parte deste mundo...
 
A 160 Km de Fortaleza fica Aracati, a cidade do melhor carnaval do Ceará... Mas a importância deste lugar está a 7 km.... Uma bela enseada na base de falésias de areias avermelhadas desafia os nossos olhos.... De cima das falésias, onde é cravado o núcleo do vilarejo, avista-se toda a costa do Rio Jaguaribe. Paraíso hippie durante a década de 70, o lugarejo nasceu a partir de um povoado de pescadores. Ainda hoje, podemos encontrar ali a tranqüilidade perdida nos grandes centros. A cidade vive exclusivamente do turismo, contando com grande número de pousadas, bares, restaurantes e comércio para atender bem sua demanda turística. Muitas pessoas acham que Canoa se descaracterizou com o "boom" turístico. Mas, de fato, o lugar mantém seu cunho romântico, místico, exótico e de grande beleza. Conhecida internacionalmente por suas belas paisagens de dunas, coqueirais e falésias avermelhadas, Canoa não dorme. São 24 horas de agito na rua principal, batizada de "Broadway". Lá acontece de tudo. É possível curtir samba, rock, disco, reggae, blues e, é claro, muito forró também. A lua e a estrela, esculpidos por alguém um dia nas falésias* do lugar, virou símbolo e cartão postal da cidade. Anualmente, na última lua cheia do mês de julho, acontece o festival de música "Canoa em Canto" (ou seria Canoa Encanto???). A 2 Km de canoa, em Porto Canoa, vem sendo implantada uma grande organização turístico-hoteleira, que conta com um hotel de categoria internacional, o Best Western Canoa Quebrada, além de outras atrações.
 
Adrenalina pura...
Desde a chegada, há muitos bugueiros esperando os turistas. Você pode escolher passeios com ou sem emoção. Para quem gosta de derramar adrenalina, a dica é a escolha do passeio com emoção. Já no bugue, segue-se pelas dunas. As falésias coloridas são o símbolo desta praia, assim como a aldeia de pescadores. Ali, quase não há diferença entre o azul do céu e o do mar, contrastando com o verde da aldeia e o branco das dunas. Os bugues vão passando por toda a região e do topo da duna todos se preparam para a emoção: a descida inclinada de areias faz parar o coração.  Iuhhuuuuuuuu.....
Retomando outra vez o fôlego*, pode-se observar as dunas e as falésiais alaranjadas que compõem o cenário de uma aquarela. O passeio de bugue termina e logo de volta à praia vamos encontrando os artistas artesanais. Os grãos de areia colorida vão formando a paisagem de Canoa Quebrada dentro da garrafa. Este tipo de artesanato é uma das marcas registradas das praias cearenses.
 
 
Identificavam o morro como um jacaré deitado...
Verdadeiro santuário ecológico, a 320 Km a oeste de Fortaleza, Jericoacoara foi considerada  uma das 10 praias mais belas do mundo (Washington Post - 15/03/87). Vila de pescadores, com passeios imperdíveis pelas dunas brancas, onde o vento vai modelando o horizonte...
Localizada em Área de Proteção Ambiental, apresenta belas e variadas paisagens. São 20 Km de praias com extensas faixas de areia com dunas que mudam de cor, de tamanho ou  posição. Depende do desejo do vento.
Suas lagoas margeadas por dunas, parecem paisagem de cinema. A variedade da vegetação se estende dos coqueirais à caatinga* e ao mandacaru*, contrastando com as formações rochosas. Não há como falar em Jeri sem transformar o texto em poema. O poema que o lugar sugere! O pôr-do-sol visto do alto da Duna Grande é um espetáculo deslumbrante! É como se o sol mergulhasse no mar, formando um show de luzes e cores!
 
O passeio de bugue pelas dunas brancas adornadas por lagoas de águas salgadas e lagos de águas doces, formados pelas chuvas, é imperdível. Outro encanto maravilhoso que o turista não pode deixar de fazer é a caminhada pelo Serrote até a Pedra Furada. Estranha formação rochosa com uma abertura no centro, formada a partir da espuma das ondas que atravessam o seu interior. O melhor fica para quando os raios de sol crepuscular fazem uma atrevida travessia pelo vão e nos proporcionam uma beleza incalculável!
 
Chegar lá é difícil!  Primeiro é preciso ir até Gijoca, de carro ou de ônibus. De lá para Jeri, o percurso pode ser feito apenas por carros com tração nas quatro rodas ou pela jardineira (caminhão com bancos). Só desta forma se pode atravessar os 25 Km de morros de areia e dunas que separam Jeri de Gijoca.
 
Jericoacoara, que antes era apenas uma vila de pescadores, longe e isolada do mundo, transformou-se em grande centro de turismo. A praia oferece a seus visitantes um grande número de pousadas, hotéis e restaurantes.
À noite, os programas são os bares onde pode-se curtir rock, reggae ou forró. Ou simplesmente admirar o céu repleto de estrelas. A vila, antes iluminada apenas por lampiões e por luz de geradores a diesel, conheceu a energia elétrica recentemente.
Quem conhece Jeri está sempre correndo um risco: o de não querer mais sair de lá!
 
Esta matéria foi escrita em homenagem a todos os cearenses, mas também pelo fato de não suportar mais as choradeiras da professora Virgínia pelos corredores do Verde & Amarelo, desde que viajou a Fortaleza. Além disso, ela perturba a vida do professor Flávio perguntando-lhe “por que saiu de Fortaleza e o que está fazendo aqui em Buenos Aires?”. Foi assim que decidi falar sobre este lugar abençoado por Deus e bonito por natureza....
Até o próximo!
 
Ah, tenho uma surpresa para você: as fotos dos lugares falados aqui nesta seção. Visite o nosso site http://www.verdeamarelo.com.ar/fortaleza.htm  Quem bom, né?????
 
Fontes:
* “Fortaleza, Vinte e Sete Graus” - Projeto Ed. Pref. Municipal de Fortaleza - BBG Comunicação Ltda
* “Guia Cultural – Quatro Vezes Fortaleza” -  Ed. Demócrito Rocha
* “Guia Passaporte Fortaleza”- Fundação de Cultura Esporte e Turismo
 
Vocabulário
“A virgem dos lábios de mel”: lendária índia, personagem do Livro Iracema, que em 1865 marcou o romantismo brasileiro. De José de Alencar, escritor cearense, a personagem Iracema construiu o mito da fundação do Ceará: o amor entre uma índia e um colonizador português.
Feitiço: magia
Orla: Beira, margem, costa
Jangada: Embarcação típica, usada para pescaria, com linha constituída de seis paus roliços de jangadeira, unidos por três ou quatro cavilhas de madeira dura, que atravessam os quatro paus do centro, sendo os dois de fora mais grossos, encavilhados nos que lhes ficam imediatamente juntos, de modo a situarem-se em plano ligeiramente superior ao deles. Os dois paus do centro chamam-se meios; os dois seguintes, mimburas; e os dois de fora, bordos. Sobre essa estrutura erguem-se dois bancos, constituído cada um de quatro hastes de madeira dura presas verticalmente às mimburas, e sobre as quais se fixa horizontalmente uma tábua: o mais de vante, o banco de mastro, serve de apoio do mastro da jangada; e o mais de ré, o banco do mestre, serve de apoio a quem dirige a jangada por meio dum remo que se encaixa entre a mimbura e o meio de boreste. Entre os dois meios, à ré, há uma fenda, pela qual se enfia verticalmente a tábua de bolina, uma prancha de madeira dura, comprida e estreita, destinada a reduzir o caimento da jangada quando navega à bolina. A vela é de baioneta, com retranca ou sem ela.
Iate: Navio à vela, de mastreação constituída de gurupés e dois mastros, em geral inteiriços, com velas latinas quadrangulares e gafetopes.
Ressaca: Investida fragorosa, contra o litoral, das ondas do mar muito agitado.
Lotação: A capacidade dum veículo, duma sala de espetáculos, etc.
Barraca: Construção ligeira, de remoção fácil, comumente feita de madeira e lona, e usada em feiras ou praias.
Seresta: Serenata
Mauricinho: Jovem excessivamente cuidadoso com seu aspecto, sua indumentária, e que freqüenta lugares na moda.
Tombar: Pôr (o Estado) sob sua guarda, para os conservar e proteger (bens móveis e imóveis cuja conservação e proteção seja do interesse público, por seu valor arqueológico, ou etnográfico, ou bibliográfico, ou artístico).
Lazer: Ócio, descanso. Tempo de que se pode livremente dispor, uma vez cumpridos os afazeres habituais. Atividade praticada nesse tempo; divertimento, entretenimento, distração, recreio.
Bonde: Veículo elétrico de transporte urbano, para passageiros ou carga, que se move sobre trilhos e pode ser fechado ou aberto, com estribo corrido e bem perpendicular a este; elétrico.
Falésia: Designação comum a terras ou rochas altas e íngremes à beira-mar, resultado da erosão marinha
Íngreme: Difícil de subir; que tem forte declive; abrupto, escarpado, alcantilado
Fôlego: Espaço de tempo para refazer as forças perdidas
Caatinga: Tipo de vegetação característico do Nordeste brasileiro, formado por pequenas árvores, comumente espinhosas, que perdem as folhas no curso da longa estação seca [entre elas ocorrem numerosas plantas suculentas, sobretudo cactáceas.
Mandacaru: Grande cacto (Cereus jamacaru), de porte arbóreo, tronco grosso e ramificado, que pode fornecer madeira na base, flores enormes, alvas, que se abrem à noite, e cujos ramos têm de quatro a cinco ângulos, sendo o fruto uma baga espinhosa. É planta das mais características da caatinga nordestina, e serve de alimento ao gado na seca.

8. Como anda seu português? 

Pela professora paulista Ana Paula Ferreira
 

Oi galerinha! Neste número vamos falar sobre os "porquês". Aliás por que será que "porquê" se escreve tudo junto e com acento circunflexo e "por que" separado e sem acento?

Vamos esclarecer essa história e vocês vão perceber que não é tão complicado assim. Até porque (olha aí apareceu diferente outra vez) ao falar não há diferença na pronúncia.

 
 
POR QUE, PORQUE, PORQUÊ ou POR QUÊ?
 
Usa-se por que:
 
Nas perguntas: Por que você demorou? / Por que seu carro está na oficina mecânica?
 
Sempre que estiverem expressas ou subentendidas as palavras razão e motivo: Não sei por que razão ele faltou. / Ninguém sabe por que motivo ela deixou o emprego.
 
Quando essa forma puder ser substituída por para que ou pelo qual, pela qual, pelos quais e pelas quais: Estavam ansiosos por que (para que) ela voltasse. / Este é o caminho por que (pelo qual) seguiu. / Eram os nomes de solteiras por que (pelos quais) as amigas sempre as haviam chamado.
 
Usa-se por quê:
Quando, nos casos previstos na questão anterior, encerra a frase: As torcidas nunca aceitam o resultado adverso. Por quê? / Estava triste sem saber por quê. / A professora nos advertiu e perguntamos por quê (razão nos advertiu).
 
Usa-se porque:
Quando equivale a pois, porquanto, uma vez que, pelo fato ou motivo de que: Não viajei porque perdi o avião. / O espetáculo foi cancelado porque não havia teatro disponível.
Observação: É também essa a forma que aparece nas orações em que se pergunta algo propondo uma resposta: Você não foi porque choveu? / Vamos reduzir o número de páginas da revista porque o papel está escasso?
 
Usa-se porquê:
Quando, como substantivo, substitui as palavras motivo, causa, razão, pergunta ou indagação: Não sei o porquê da sua recusa. / O diretor não quis explicar os porquês da decisão. / Havia muitos porquês para poucas respostas.
 
Vamos praticar? Complete as orações com por que, por quê, porque ou porquê.
1. __________ com o frio as pessoas comem mais?
2. Isabel quer saber o _________ dos alunos faltarem no dia das provas.
3. Maristela não foi à festa _________ teve que cuidar da sua filhinha.
4. Na festa eu queria dançar mais forró, mas não pude ________ estou grávida.
5. Leandro não dançou axé nem forró. __________?
6. ________ Flávio estava tão feliz na festa?
7. Não sei o _________ da sua alegria. Vá perguntar a ele!
8. Talvez seja _________ ele ganhou um jantar no Maluco Beleza.
9. Bebê e Mônica queriam saber o _________ de não terem ganho uma garrafa de cachaça.
10.___________ Gaston e Toninha não fazem um quentão com a cachaça que ganharam?
11.Feche a janela __________ o frio está insuportável.
12.A professora quer um ___________ para isso.
13.Se ele mentiu, eu quero saber __________.
14.Não sei ___________ ela não veio.
15.Eles não viajaram ____________?
 

Respostas em:
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Responsável pelo Boletim Verde & Amarelo
Leandro Araujo – direção


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