BOLETIM VERDE & AMARELO

NΊ. 11 - 20 de dezembro / 2000 –


Este é o undécimo número de uma publicação eletrônica menzal e gratuita idealizada pelo Instituto de Português Verde & Amarelo (Maipú 388, 3Ί K – Cap.Fed. –tel. 4325-0932 / 4393-0645), dirigida a alunos, clientes e amigos. Tem como objetivo ampliar o contato entre aquelas pessoas que de uma ou outra forma se interessam pelo Brasil - notícias, cultura geral, novidades, opiniões, humor, etc - ou que desejam receber informações diversas em Português.
O Verde & Amarelo é um Instituto de Português dedicado ao ensino a hispanofalantes. Trabalhamos com material próprio e exclusivo, onde consideramos as semelhanças e as diferenças entre o português e o espanhol. Nosso objetivo é que as aulas sejam dinâmicas, divertidas e os alunos dominem o idioma dentro do menor tempo possível.

Inscrição: envie um e-mail com o título "ASSINATURA" a secretaria@verdeamarelo.com.ar
Cancelamento: envie um e-mail com o título "ELIMINAR" a secretaria@verdeamarelo.com.ar
DÚVIDAS: portugues@verdeamarelo.com.ar

Desejo a todos, no ano-novo,
muitas virturdes e boas ações
e alguns pedidos agradáveis,
exultantes, discretos
e, principalmente,
bem sucedidos.
(Rubem Braga.)


Confira neste número:

1.  Humor
2.  A palavra da quinzena
3.   A língua portuguesa
4.  Música & Cia. 
5. Uma novela Verde & Amarela
6.  Viajando pelo Brasil
7. 
Como anda o seu português?
Como anda o seu português?


1. Humor -

Carta ao Papai Noel

Joãozinho estava escrevendo uma carta para o Papai
Noel da seguinte forma:
"Papai Noel neste ultimo ano eu fui um bom garoto, eu
quero uma bicicleta."
De repente, sua consciência pesou, ele amassou a folha
e voltou a escrever:
"Papai Noel neste ultimo mes eu fui um bom garoto, eu
quero uma Bicicleta."
Mas sua consciência continuava a pesar, então...
"Papai Noel nesta ultima semana eu fui um bom garoto,
eu quero uma bicicleta."
DE REPENTE SURGIU UMA IDEIA, o menininho correu até a
arvore de natal onde estava armado o presepio, pegou a
Maria mãe de JESUS, embrulho em um pedaço de papel,
colocou-a dentro de uma caixa, amarrou e escondeu em
baixo de sua cama, voltou até o caderno e escreveu:
"Menino Jesus, estou com a tua mãe, se quiser vê-la
novamente, me dê uma Bicicleta"


2 A palavra da quinzena

Pela professora mineira Virgínia Bezerra

Ai, que preguiça!

Povo da minha terra, uni-vos!

Reivindico o direito ao Dia da Preguiça!

Claro, gente, por que não?

Atualmente, temos dia para tudo: Dia do Cachorro, Dia do Professor, Dia do Médico, Dia da Secretária, Dia da Secretária Bilíngüe, Dia da Secretária Trilíngüe, Dia da "Secretaria sem Língua", Dia da Vizinha, Dia dos Sem-Terra, Dia dos Limpadores de Pára-brisa, Dia das minhocas*! Puxa vida, quero o DIA DA PREGUIÇA!!!!!!!

Exatamente!

A verdadeira preguiça é momentânea; não tem contra-indicação; não precisa de receita médica; não vicia ; aparece sozinha: assim como vem, vai; não deixa cicatrizes nem mágoas* e por incrível que pareça não a encontramos para vender nos hipermercados.

VIU? A preguiça é um direito!

Bom, gente, para falar a verdade, acho que todos adoraríamos ter o nosso "Dia da Preguiça", mas enquanto isso não acontece, vamos deixar a preguiça de lado e ver o significado desta palavrinha tão nossa, tão particularmente brasileira (os preguiçosos mais famosos do Brasil são os baianos, os cariocas e os mineiros... que ofensa à minha pessoa*, não acham?). Vamos lá...

Preguiça - palavra originária do latim prigitia, é um substantivo feminino (a preguiça) e significa:

-Aversão ao trabalho; negligência, indolência, mandriice.

-Morosidade, lentidão, pachorra, moleza.

- Bras. Zoologia: Designação comum aos mamíferos desdentados (sem dentes), bradipodídeos* (sei lá o que é isso!) arborícolas (vivem nas árvores), de pelagem muito densa e longa, membros muito desenvolvidos e cauda rudimentar (quase não tem rabinho, coitadinho), assim chamados pela notável lentidão de seus movimentos (tanto é assim que quando a gente quer falar de alguém que faz as coisas com muita lentidão, ou sempre deixa tudo para depois o chamamos de bicho-preguiça). Entre os seus pêlos vivem carrapatos e microlepidópteros (valha-me Deus, que palavrão é esse?) ou traças*.

Você pode encontrar ainda outras formas derivadas da palavra PREGUIÇA:

- Preguiçoso: (ô). [De preguiça + -oso.] adjetivo.
-Que tem preguiça; mandrião.
-Calmo, sereno.
-Que revela ou sugere preguiça; próprio de preguiçoso (1): andar preguiçoso; movimentos preguiçosos.
Substantivo masculino:
- Indivíduo preguiçoso; mandirão.
Espreguiçar: verbo regular
-Tirar a preguiça a; despertar, espertar.
-Estirar (os membros) de modo preguiçoso.
-Alongar, desenvolver, como que preguiçosamente: espreguiçar as palavras.
-Mostrar ou exibir preguiçosamente, languidamente.
-Estirar os membros em conseqüência de sono ou de moleza, bocejando; despreguiçar (-se).
Espreguiçadeira [De espreguiçar + -deira.] substantivo feminino:
-Cadeira de encosto reclinado ou reclinável, e com lugar para se estenderem as pernas.
-Cadeira com armação de madeira à qual se adapta um pedaço retangular de pano, ou de couro, que serve de assento e encosto; preguiçosa: "Damião espichado na espreguiçadeira de pano, na calçada." (José Carlos Cavalcanti Borges, O Assassino, p. 21.)
Ui, gente, todo esse trabalho me deixou com uma preguiça!

Chega de papo, continuaremos esta nossa conversa em outro dia, porque por hoje é só!

Ciberprofe, preguiçosa.

Vocabulário
* mágoa: Desgosto, amargura, pesar, tristeza, sentimento ou impressão desagradável causada por ofensa ou desconsideração; descontentamento, desagrado.
* Minhoca - Designação geral dos animais anelídeos, oligoquetos, sobretudo das formas terrestres. São em certos países usados comercialmente para a pesca amadorística. Constituem, por outro lado, substancial parcela na alimentação de certas aves, anfíbios, peixes e outros invertebrados. [isca (MG).]
* A profeciber é uma mineira, uai! Com todas as letras...
* Bradipodídeos: Família de mamíferos desdentados, arborícolas, de corpo recoberto de pelagem muito espessa, membros muito longos, com unhas fortes e pontudas. Possuem cinco molares superiores e quatro inferiores. São fitófagos, conhecidos pelo nome popular de preguiça.


3 A lingua portuguesa e literatura brasilera

pela professora catarinense Maristela Müller

Oi, Amigos!

Hoje vamos falar um pouquinho sobre a história do maior, do mais importante prosador do Romantismo brasileiro. Com vocês:

José de Alencar (1829-1877)José de Alencar nasceu no Ceará, fruto de uma união bastante particular (ilícita para alguns) entre um sacerdote chamado José Martiniano de Alencar e sua prima Ana Josefina de Alencar. Nessa época, o sacerdote Alencar era um deputado influente. Quando eleito senador, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro para, alguns anos mais tarde, regressar ao Ceará. Pouco tempo depois, eleito novamente senador, o pai de Alencar, já não mais sacerdote, voltou definitivamente ao Rio de Janeiro, onde então José de Alencar fez seus estudos elementares. O contato com o meio político provavelmente foi o responsável pela atuação do futuro escritor como deputado, depois da morte do pai.

Alencar foi para São Paulo cursar a famosa Faculdade de Direito. Na escola de direito discutia-se de tudo, principalmente literatura. Era o tempo do Romantismo, que tornou-se não apenas o estilo artístico predominante, mas um "estilo de vida": boêmia, regada a farras* e muita bebida.

Introvertido, quase tímido, o jovem Alencar não conseguia se adaptar às rodas boêmias tão freqüentadas por outro companheiro que também ficou famoso: Álvares de Azevedo.

Em 1850, surgiram os primeiros sintomas da tuberculose que atormentou o escritor por mais de 30 anos. Mesmo assim, formou-se e foi para o Rio de Janeiro trabalhar num escritório de advocacia, profissão que jamais abandonou.

Desiludido com sua primeira paixão não correspondida por uma senhorita da alta sociedade carioca, Alencar se casou aos 35 anos com Geogiana Cochrane.

A esta altura, José de Alencar já estava metido com política. Deputado mais de uma vez, nomeado ministro da Justiça, nunca chegou ao Senado porque o imperador vetou sua indicação. Este fato marcou para sempre o escritor, que inúmeras vezes revelou ter se sentido injustiçado. Ele jamais perdoou o imperador por isso.

José de Alencar iniciou sua carreira de escritor publicando capítulos de seus primeiros romances em folhetins: Cinco Minutos e A Viuvinha.

Já bastante conhecido, Alencar estreou no teatro com a peça "As asas de um anjo", a qual foi censurada três dias depois. Segundo a censura, era uma peça imoral, pois era a história de uma prostituta.

Sua produção é bastante variada. Senhora, Lucíola e Diva são romances urbanos. As Minas de Prata e A Guerra dos Mascates são romances históricos. O Gaúcho, O Sertanejo e O Tronco do Ipê são romances regionalistas.

Também escreveu grandes romances indianistas como Iracema e Ubirajara e O Guarani, em 1857, com o qual se imortalizou.

Em 1876 fez uma viagem à Europa, buscando tratamento para sua saúde precária, mas de volta ao Brasil, morreu no Rio de Janeiro no dia 12 de dezembro de 1877, sem terminar o romance Exhomem, que critica o celibato clerical.

Em suas obras, Alencar incorporava regionalismos e termos indígenas, procurando com isso se distanciar do português de Portugal. Através de suas personagens buscava traçar um perfil essencialmente brasileiro. Um pouco exagerado, é verdade, pois os índios inventados pelo romancista parecem inverossímeis e seus heróis regionais esbanjam invencionice, mas isso não diminui o mérito do escritor. Afinal, a literatura não pretende ser um documento frio e científico da realidade. As situações criadas por Alencar eram simbólicas e o objetivo dele era trazer o nacionalismo para a nossa literatura, coisa que ele perseguiu durante toda sua vida.

Bem, querido leitor, por hoje é só. Mas para finalizar o nosso artigo de hoje leia ainda um pequeno trecho em que Álvaro, salvo por Peri, conversa com o índio, e tente você mesmo sentir o encanto da literatura de José de Alencar.

O Guarani (fragmento)

- Obrigado ainda uma vez, Peri; não pela vida que me salvaste, mas pela estima que me tens.
E o moço apertou a mão do selvagem.
- Não agradece; Peri nada fez; quem te salvou foi a senhora.
Álvaro sorriu-se da franqueza do índio, e corou da alusão que havia em suas palavras.
- Se tu morresses, a senhora havia de chorar; e Peri quer ver a senhora contente.
- Tu te enganas; Cecília é boa, e sentiria da mesma maneira o mal que sucedesse a mim, como a ti, ou a qualquer dos que está acostumado a ver.
- Peri sabe por que fala assim; tem olhos que vêem, e ouvidos que ouvem; tu és para a senhora o sol que faz o jambo corado, e o sereno* que abre a flor da noite.
- Peri!... exclamou Álvaro.
- Não te zangues*, disse o índio com doçura; Peri te ama, porque tu fazes a senhora sorrir. A cana quando está à beira d’água, fica verde e alegre; quando o vento passa, as folhas dizem Ce-ci. Tu és o rio; Peri é o vento que passa docemente, para não abafar* o murmúrio da torrente; é o vento que curva as folhas até tocarem n’água.
Álvaro fitou no índio um olhar admirado. Onde é que este selvagem sem cultura aprendera a poesia simples, mas graciosa; onde bebera a delicadeza de sensibilidade que dificilmente se encontra num coração gasto pelo atrito da sociedade?
A cena que se desenrolava a seus olhos respondeu-lhe; a natureza brasileira, tão rica e brilhante, era a imagem que produzia aquele espírito virgem, como o espelho das águas reflete o azul do céu.

(José de Alencar)

Vocabulário
* farra: Diversão, festa licenciosa; brincadeira.
* sereno: Tênue vapor atmosférico, noturno; relento; chuva fina e pouco duradoura.
* zangar: Causar zanga a; molestar, afligir, aborrecer, amolar, provocar mau humor em.
*abafar: Sufocar, asfixiar, impedir o desenvolvimento de; não deixar crescer ou expandir-se.

 


4 Música & Cia.

pela professora paulista Silvana de Souza

Roberto Carlos, o rei

Debaixo dos caracóis* dos seus cabelos…". No Brasil, muitos se emocionaram com a letra dessa música em meados dos anos 70. E, é evidente, que a maioria das pessoas pensava que Roberto Carlos havia se inspirado em uma mulher. Porém, há pouco tempo, soubemos a verdadeira história. Roberto foi a Londres e visitou Caetano Veloso, que se encontrava exilado. O baiano emocionou-se muito ao lembrar do Brasil. Ao ver seu compatriota chorando como uma criança, o rei escreveu essa linda música, que o próprio Caetano regravou no disco Circuladô.

Na ditadura militar brasileira (1964-1985), a censura , que "acompanhava de perto" as composições musicais, deixou passar essa linda homenagem de Roberto Carlos a Caetano Veloso.

Roberto Carlos Braga nasceu no dia 19 de abril de 1941 em Cachoeiro do Itapemirim, estado do Espírito. Seu apelido de infância era zunguinha e aos 9 anos de idade já se apresentava na rádio de Cachoeiro, cantando entre outras músicas, Amor y más amor, um bolero de Gregorio Barrios.

Em 1955, aos 14 anos, mudou-se para Niterói com a família. Em 1958, morando no Rio, conheceu Erasmo Carlos, que se tornaria seu amigo e parceiro* de tantas canções. Juntos, formaram o grupo The Sputiniks,que posteriormente passaria a chamar-se The Snakes. Por essa banda passaram nomes como Tim Maia e Jorge Ben. Nessa época Roberto fez suas primeiras aparições em rádio e televisão.

Foi apresentado, em 1959, pelo produtor Carlos Imperial e com uma carta do apresentador Abelardo "Chacrinha" Barbosa gravou seu primeiro disco, com as músicas João e Maria e Fora do Tom .

Depois de várias tentativas, sem muito sucesso, Erasmo Carlos apareceu com uma nova versão, Splish Splash, que Roberto gravou junto com a música Parei na Contramão, marcando o início da dupla Roberto-Erasmo.

Em 1963, começou a ir para São Paulo e aparecer na TV Record, que era a mais importante na época e já em 64 era conhecido no Brasil todo. Nesse mesmo ano gravou o LP É Proibido Fumar, trazendo a faixa que marcou definitivamente a sua carreira: O Calhambeque.

O ano de 1965 foi muito importante para a carreira de Roberto Carlos. Com a chamada "Beatlemania" explodindo em todo o mundo, surgiu também o iê-iê-iê, que agitou a década de 50. A essa altura, Roberto gravou um disco intitulado Roberto Carlos canta para a juventude e, junto com Erasmo e Vanderléa, passaram a ser os líderes do movimento jovem. Além disso, começaram a ditar a moda em todo o país. Tudo o que Roberto vestia ou dizia virava moda. As músicas Não é papo* para mim e Mexerico* da Candinha estiveram nos primeiros lugares das paradas de sucesso e com o lançamento de um novo disco no fim do ano, surgiram outros grandes sucessos: Eu te darei o céu, Nossa canção, Negro gato, Querem acabar comigo, Namoradinha de um amigo meu, entre outros.

A TV Record, então, lançou um programa apresentado pelo próprio Roberto que se chamava "Jovem Guarda". Esse programa alcançou um dos maiores piques* de audiência da TV brasileira de todos os tempos. Em novembro foi lançado o disco Jovem Guarda, que continha a música Quero que vá tudo pro inferno.

O sucesso continuou no anos seguintes e tudo o que dizia era repetido pelos jovens de todo o país. Podemos citar as expressões: "é uma brasa, mora*", "carango*" e "bicho*".

Em 1967, gravou o disco Roberto Carlos em ritmo de aventura, além de um filme com o mesmo título, que atingiu recordes de bilheteria no ano seguinte.

Em 1968 foi vencedor do Festival de San Remo com a música Canzione Per Te. Nesse mesmo ano gravou O LP O inimitável, que trazia as canções As flores do jardim da nossa casa, Sua estupidez a As curvas da estrada de Santos. Nesse mesmo ano viajou à Bolívia e casou-se com Cleonice Rossi, em Santa Cruz de La Sierra e no ano seguinte nasceu seu primeiro filho, Roberto Carlos Braga Segundo.

O ano de 1970 foi importante para o "rei", pois realizou sua primeira temporada no Canecão (casa de shows muito importante do Rio de Janeiro). Seu novo LP trouxe duas canções marcantes: Meu pequeno Cachoeiro, uma homenagem a sua cidade natal e Jesus Cristo.

Os anos setenta foram marcados pelo crescimento de sua fama em todo o Brasil, na América espanhola e Europa. A cada ano continuou realizando seus shows no Canecão e em 1974 gravou seu primeiro Especial para a rede Globo de Televisão, exatamente no dia 24 de dezembro. A partir daí, tornou-se uma tradição. Para os brasileiros, época de Natal sem o Programa Especial de Roberto é inconcebível.

Na vida pessoal, podemos destacar o nascimento de sua segunda filha, em 1971, Luciana Braga e sua separação em 1979, ano em que iniciou um romance com a atriz Miriam Rios.

Destacamos os sucessos Detalhes, Amada amante, Debaixo dos caracóis dos seus cabelos (1971); Como vai você, A montanha, O divã, A distância, Quando as crianças saírem de férias (1972); A cigana, Proposta, O moço velho, El dia que me quieras (1973); O portão, Ternura antiga, Jogos de damas, Eu quero apenas (1974); Além do horizonte, O quintal do vizinho, Elas por elas, Inolvidable, El humahuasqueño (1975); Eu daria a minha vida, Maria, Carnaval e cinzas, Eu disse adeus, O show já terminou, Ilegal, imoral ou engorda, Os seus botões, O progresso Pelo avesso (1976); Amigo, Falando sério, Cavalgada, Para ser só minha mulher (1977); Café da manhã, Força estranha, Lady Laura, A primeira vez (1978); Na paz do seu sorriso, Abandono, Desabafo*, Meu querido, meu velho, meu amigo (1979).

Nos oitenta, sua popularidade continuou crescendo no exterior e seus discos foram gravados em espanhol, italiano, inglês e francês. Fez turnês pelo Brasil todo e bateu vários recordes de vendagem de discos dentro e fora do país. Em 1985 ganhou o "Grammy", que o consagrou o melhor cantor pop latino-americano.

Músicas a destacar: A guerra do meninos, O gosto de tudo, A ilha, Amante à moda antiga (1980); As baleias, Cama e mesa, emoções (1981); Fera ferida, Fim de semana, Meus amores da televisão, Como é possível (1982); O amor é a moda, Recordações e nada mais, Estou aqui, O côncavo e o convexo, No mesmo verão (1983); Caminhoneiro, Aleluia, Eu e ela, Coração , Lua Nova (1984); Verde e amarelo (1985).

Nos anos noventa Roberto Carlos continuou com o seu espetacular sucesso, apresentando-se no México, Estados Unidos e América Latina. Recebeu, em Miami, a "Estrela na Calçada da Fama", prêmio conferido aos maiores astros latino-americanos. Em 1995 gravou a coleção "30 anos da Jovem Guarda". Maria Bethânia gravou o CD As canções que você fez para mim, cantando músicas de Roberto e Erasmo Carlos e roqueiros famosos do Brasil (Skank, Barão Vermelho, Cássia Eller, Blitz, entre outros) gravaram um CD intitulado O Rei, fazendo novas versões de grandes sucessos de Roberto.

Nessa época gravou várias músicas em homenagem às mulheres que não se encaixam nos padrões de beleza vigentes como as baixinhas, gordinhas e míopes e uma música que falava das mulheres de 40.

No que se refere à vida pessoal, em 1990 se separou de Mirim Rios, depois de 11 anos de convivência e em 1998 voltou a casar-se com Maria Rita, seu terceiro casamento.

O ano de 1998 foi muito difícil para Roberto. Sua esposa teve um grave problema de saúde e a partir daí começou uma grande corrente de fé a seu favor. Em seu especial de fim de ano demonstrava tristeza e em 1999 gravou um CD com 12 canções de temas religiosos que fizeram sucesso ao longo de sua carreira: Jesus Cristo, Fé, Ele está para chegar, entre outros. Depois de um tempo recuperada, Maria veio a falecer em 1999.

Roberto ficou afastado* e não fez o Especial de fim de ano. Agora voltará a realizá-lo

pela Rede Globo no próximo dia 21 de dezembro de 2000.

Muitos consideram que Roberto Carlos é brega*, mas realmente não se pode negar que é o artista brasileiro mais reconhecido, o que mais vendeu discos até hoje e o que consegue fazer chegar suas músicas às mais diferentes classes sociais.

Mesmo aqueles que o criticam acabam , inevitavelmente, cantarolando as suas músicas.

O Brasil todo está ansioso esperando a volta do Rei Roberto Carlos.

Vocabulário
* caracol: Anel de cabelo enrolado em espiral.
* parceiro: Igual, semelhante, parelho, par; aquele que está de parceria; comparte, quinhoeiro, sócio; cúmplice; companheiro, consorte.
* papo. (Gíria)- Conversa, conversação; bate-papo.
* mexerico: Ato de mexericar; enredo, intriga, bisbilhotice.
* pique: O mais alto grau; o ponto mais elevado; o auge.

*carango: Qualquer automóvel.
* bicho: Tratamento cordial, dado, geralmente, a pessoas íntimas; meu amigo, meu chapa; amigo, bichão: Como vai, bicho?
* "é uma brasa mora" – expressão utilizada na época da Jovem Guarda que significa: tudo bem, bom, moderno, bonito.
* desabafar: Desafogar-se, revelando o que sente ou pensa ou sofre.
* afastar: Tirar do caminho; distanciar, apartar, arredar; tornar menos próximo ou chegado.
* brega: Cafona, acaipirado, deselegante.


5 Uma novela Verde & Amarela

Pelo professor carioca Igor Ravasco

Silvina abriu o email, numa mistura de emoção, ansiedade, temor... Franco Carovas era um cavalheiro, dizia no email que o prazer em escrever o soneto havia sido todo dele, que não a conhecia pessoalmente, mas que sabia, tinha certeza de que era merecedora de cada palavra. Apesar de as palavras seres poucas para defini-la. Silvina não cabia em si de tanto contentamento. Respondeu imediatamente, dizendo a Franco que ele exagerava, que ela era uma mulher simples, comum, em busca da felicidade, querendo fugir dos próprios traumas. O diálogo por email se tornou mais freqüente, dois, três email por dia. Franco queria saber qual era o trauma a que Silvina se referia. Perguntava indiretamente, sem faltar-lhe o respeito, e sem perceber, Silvina foi se abrindo para aquele poeta desconhecido. Silvina contou-lhe que havia sido abandonada quando era criança. A mãe dela havia morrido, e um tio, que não suportava seu choro de menina de três anos, a havia entregado a um orfanato. Franco lhe escreveu, dizendo que não valia a pena ficar prisioneira do passado, e foi na resposta a esse email que Silvina foi dura pela primeira vez com o poeta. Disse-lhe que o queria muito, mais do que havia imaginado, mas que era melhor que ele não se intrometesse em seus assuntos... Durante esse tempo, Dudu continuava procurando por Silvina, tentando vencer a timidez e confessar o que sentia. Chegou a convidá-la para ir ao cinema, mas ela disse que estava cheia de trabalho. Um dia Dudu mandou-lhe flores, mas não assinou nenhum cartão. Silvina achou aquilo muito romântico, e desejou que tivessem sido enviadas por Franco Carovas... As aulas do primeiro nível estavam próximas do fim. Lalá precisou faltar a duas aulas e o único que sabia alguma coisa dela era Maurício, que havia decidido aceitar o emprego. Maurício foi mais uma vez ao escritório da empresa que o queria contratar. Foi recebido por um senhor baixinho, de óculos, muito elegante, no mesmo escritório escuro, sinistro, onde sobre a mesa de trabalho se encontrava uma bandeirinha do Ferrocarril Oeste. Chamava-se Jorge este senhor. Jorge recebeu Maurício com a mesma frieza que o havia recebido na primeira entrevista. Disse que o trabalho era simples. Era necessário levar algumas encomendas ao Brasil de vez em quando, ou participar de alguma reunião, e que o trabalho em Buenos Aires estava ligado à contabilidade. O salário realmente era muito bom, e Maurício não podia recusar. Jorge marcou uma data para duas semanas depois, quando Maurício começaria definitivamente a trabalhar... Enquanto Silvina mantinha sua correspondência com Franco e Maurício decidia arriscar-se em um novo emprego, Nuzzia tentava entender o que estava acontecendo com seu marido. No dia em que tinha passado a noite fora de casa, Zé havia voltado e diretamente dormido. Nuzzia saiu assim que ele dormiu e foi procurar algumas respostas. Procurou por Gigi, e lhe perguntou se ela havia se encontrado com o Zé nos últimos dias. Gigi disse que não, e perguntou de onde Nuzzia tinha tirado essa idéia. Nuzzia disse a Gigi para não se fazer de desentendida, que não era necessário que ela lhe jogasse todo o passado na cara. Gigi sorriu e disse que isso realmente não era necessário. Disse também que não podia falar nada, pois há muito tempo não via o Zé, além, é claro, dos momentos em que se encontravam na aula de português. Nuzzia estava furiosa, não entendia o que estava acontecendo, e perguntou a Gigi se ela sabia por que o Zé havia recebido uma boneca amordaçada. Gigi mais uma vez disse que não sabia de nada e praticamente expulsou Nuzzia de sua casa, quando disse que já era tarde e de que precisava sair. Nuzzia passou os dias seguintes perguntando ao marido o que estava acontecendo, mas ele nada lhe dizia. Ela estava completamente transtornada. Mas ele estava mais calmo, as ameaças haviam cessado, até que um dia...

(continua)


6 Viajando pelo Brasil

Pela Colaboradora meio brasileira, meio argentina  Evélia Elizabeth Silva

BELEZA, SOL E SABOR

Em 1598, depois duma longa e cansativa viagem, quando pisou terra Manuel de Mascarenhas Homem, capitão-Mor de Pernambuco, deve ter recebido o presente mais prezado: vislumbrar o fascinante jogo das nuvens, fechar os olhos e absorvido por esse belo lugar, relaxar ouvindo o quebrar das ondas nas areias límpidas, o sussurrar do vento, a sinfonia do mar, sentir o cheiro da fragância do ar. Até deve ter esquecido por uns minutos que a sua missão nessas terras era assegurar a posse de Portugal na margem do Rio Potengi, terra dos índios Potiguares, ameaçada pela presença dos piratas franceses quem do escambo realizado com os índios, contrabandeavam madeiras, peles, animais, minérios e outros produtos da terra. Esse dia decidiu fundar nesse paraiso a futura capital do Rio Grande do Norte, começando a construção, no dia 6 de janeiro, da fortaleza dos Reis Magos, uma das mais belas, sugestivas e bem edificadas de todo o litoral brasileiro. Assim, Natal foi fundada em 25 de dezembro de 1599, tendo ganho o apelido de "Cidade-dos-Reis-Magos". O povoamento da Capitania foi lento e interrompido pela invasão de holandeses. Existiam apenas trinta casas de taipa*, mas logo depois da expulsão dos flamengos em 1564 a cidade foi reedificada. Já em 1757, além dos prédios e das igrejas, Natal tinha cadeia, erário*, e praça com pelourinho*. O bairro da Ribeira já indicava sua vocação comercial e com a instalação da Corte Portuguesa no Brasil a partir de 1808, o estilo neoclássico, atravessou todo o século XIX e deixou alguns exemplares arquitetônicos significativos, ainda existentes no Rio Grande do Norte, especialmente em Natal.

A cidade do Sol, conhecida assim por ter 300 dias de sol por ano com até 15 horas por dia, devido a proximidade com a Linha do Equador, antecipou-se ao Movimento Modernista Nacional, com a criação do primeiro Plano Urbanístico da Cidade. Também foi o local escolhido pelos militares americanos para instalação de uma base aérea, quando ocorreu, no Brasil, a decretação do "Estado de Guerra", por ocasião da Segunda Guerra Mundial, devido a sua privilegiada posição geográfica, Natal tornou-se então conhecida como o "Trampolim da Vitoria". A partir daquele período foi crescente a evolução urbana de Natal. A cidade expandiu-se, novos bairros foram criados e abertas largas avenidas. Natal continua crescendo a cada dia. A via costeira foi implantada, com uma ampla rede de confortáveis hotéis. Novos prédios são construídos diariamente. Não assombra o fato da cidade ter sido disputada, no passado, por franceses, holandeses e portugueses. Hoje Natal guarda muita história, encantos e segredos, além do sol que a acaricia e pinta de diferentes matizes o céu que se reflete nas suas águas. O grande número de turistas que visita Natal, já elevou a Cidade à condição de Pólo Turístico Regional.

VAMOS VER

Sem dúvida Natal é famosa pelas lindas praias, lagoas, dunas, ótimo clima e ar puro. É imperdível a vista do Forte dos Reis Magos, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, nas proximidades do encontro do Oceano Atlântico com a foz do Rio Potengi. Construído de taipa de barro, as pedras de suas muralhas foram extraídas dos recifes próximos, e na argamassa de alvenaria foi utilizado óleo de baleia. Foi o primeiro núcleo que deu origem a cidade de Natal e portanto símbolo da cidade que resiste imponente até hoje com sua forma de estrela de cinco pontas deitada na praia. De acordo com uma pesquisa encomendada pela NASA, Natal possui o ar mais puro das Américas e é uma das cidades com melhor qualidade de vida do

Brasil. No aspecto ecológico, Natal reserva para o visitante uma imensa área verde, considerada o segundo maior parque urbano do Brasil, o Parque das Dunas. Protegido contra o avanço imobiliário, sua fauna e flora típicas são do início da colonização. O próprio slogan, "Cidade do sol", é o maior referencial do clima pelo qual as inúmeras praias são o cartão de visita. Ao longo de mais de 80 km podem se encontrar as melhores praias do país. Sim, não é preciso ir ao Caribe para ter tudo isso. Natal é mesmo fascinante a cada minuto! As praias urbanas de Natal são Ponta Negra, Areia Preta, dos Artistas, do Meio e do Forte. A mais badalada* é Ponta Negra, dotada de muitos hotéis, pousadas, restaurantes e bares. O maior ícone, porém, está no imponente Morro do Careca, uma duna margeada por densa vegetação que não só chama a atenção do turista, como induz a uma escalada. A praia de Areia Preta, por sua vez, tem formosos arrecifes de coral e é uma das mais valorizadas da capital. A Praia dos Artistas reúne muitos surfistas durante o dia e um certo frenesi* à noite, por conta de seus bares e restaurantes. Já a Praia do Meio tem menos apelo noturno, porém é bastante frequentada, sobretudo nos fins de semana. A Praia do Forte se caracteriza por seu mar extremamente calmo e pelo maior símbolo histórico-arquitetônico da cidade, o Forte dos Reis Magos.

Mas não é só isso, viajando uns 25 km ao sul encontram-se as Praias de Pirangi, a harmonia perfeita. Suas águas claras e límpidas confundem-se com o céu maravilhosamente azul. As águas tranqüilas permitem a prática de esportes náuticos e passeios de barco, enquanto as piscinas naturais, um verdadeiro espetáculo de cores formado pelas colônias de peixes, e os barzinhos convidam a um verdadeiro carnaval à beira da praia. Não se pode deixar de visitar o maior cajueiro do mundo, indicado no Livro Guinnes dos Recordes com seus aproximadamente 8.400 metros quadrados. Uma verdadeira anomalia da natureza. E se ainda procura aventura, bem pertinho de Pirangi, na praia de Búzios, é bom alugar o veículo oficial de Natal, o buggy, para sentir a sensação da brisa andando pelas suas dunas maravilhosas e só parar para apreciar o pôr-do-sol ou deitar à beira de alguma das extraordinárias lagoas da região, na rota do Sol. Mas a jóia rara dessa rota é Cotovelo. Fazer uma parada é apreciar as imponentes falésias e tomar banho numa ótima praia de onde é possível avistar a Barreira do Inferno, o primeiro centro de lançamento de foguetes do Brasil. Não pense que o programa é chato*! Vale a pena ver os artefatos militares e ouvir histórias fascinantes dos trabalhadores. Confira! É um local que mistura lazer, cultura, paisagens, sol, mar e muitas surpresas. Não são poucas as belezas a descobrir na capital do Rio Grande do Norte. Um magnetismo composto por história, mistérios e lendas são as sensações que o visitante experimenta em Natal. Fora do circuito de praias, merecem visita os museus e as Igrejas. O Museu Câmara Cascudo mostra a arqueologia do Rio Grande do Norte, já o Museu Café Filho, reúne os objetos pessoais e o Memorial deste presidente da República além de abrigar livros, cartas e documentos de ampla relevância histórica e cultural. A Antiga Catedral foi o primeiro templo religioso da cidade e é uma das mais visitadas junto com a chamada Igreja do Galo, onde se pode visitar um museu de arte sacra. Outros prédios importantes são o palácio Potengi, ex-sede do governo e espaço cultural da cidade, a Capitania das Artes e o Teatro Alberto Maranhão, um monumento de arquitetura neoclássica francesa tombado pelo Patrimônio Artístico que conserva cerâmica belga como revestimento do piso de entrada e da platéia. Natal hoje é uma cidade moderna, com inegável vocação para resort internacional que nada fica a dever dos paraísos do Caribe. É só marcar um encontro definitivo com a cultura e a arte do Nordeste!

VAMOS SENTIR

No alto de uma colina, de onde se descortina a mais bonita vista panorâmica das praias urbanas de Natal e do Rio Potengi, encontramos o Centro de Turismo de Natal. Seu prédio, monumento arquitetônico de linhas neoclássicas, abriga atualmente a maior concentração de serviços de apoio ao turismo. Trinta e cinco lojas de artesanato: cerâmica, palha, sisal, cipó*, couro, tecido, tear, bordados, rendas*, labirinto, linhagem, estamparia à mão, bijuteria em osso, prata, pedras e outros produtos da região. Uma galeria de arte e antiquário: quadros, tapetes, esculturas, pratarias, moedas, jóias, livros e outros objetos de arte; um restaurante com pratos típicos; uma boate para a melhor noitada de prazer em Natal; um bureau de informações turísticas...

À noite, o Centro de Turismo ainda oferece shows folclóricos, forró* e diversas atrações turísticas. Natal possui uma hospitalidade única no mundo que se percebe o ano todo. Cada mês de dezembro, conta com o Carnatal, o maior carnaval fora de época do mundo, segundo o Guinnes. Com bandas como Chiclete com Banana, Banda Mel, etc, reúne milhares de turistas do mundo inteiro e muita gente famosa em quatro dias de pura folia*. Quem não gostaria de andar descalço dançando pela praia e saboreando uma deliciosa caipirinha?

VAMOS PROVAR

Seja bem vindo ao paraíso das frutas tropicais! Gostaria de provar umas dessas suculentas frutas? Bem... em Natal a "fruta" é consumida o dia inteiro, do café da manhã à ceia da noite, não há quem resista. Caju, manga, seriguela, umbu, umbu-cajá, pinha (fruta do conde), mangaba, melão, mamão, vários tipos de bananas, saputi e carambola. Essa variedade de frutas tropicais frescas é um privilégio de poucas cidades. Isso talvez seja porque o RN é um dos estados com maior atividade de fruticultura do Brasil e as frutas fazem parte do cardápio do natalense a vida inteira. As casas de suco oferecem algumas raridades: o suco de mangaba fresca (não retirado de polpa congelada) é um verdadeiro presente da natureza, principalmente nos
dias mais quentes. Não é difícil de achar essas frutas, nos supermercados ou em quitandas* espalhadas por toda a cidade e até em ambulantes que ainda vendem as frutas de casa em casa em alguns bairros de Natal. Não deixe de aproveitar o café da manhã em Natal, esse é o lema: frutas à vontade!

VAMOS COMEÇAR A POUPAR!

O preço da passagem está em torno de U$S 835.00 mais impostos...

DICA
As praias tornam-se disputadas e os locais repletos de veranistas, mas fique tranqüilo, a infra-estrutura dá para todos! Reservas? Quanto antes melhor (e até dá para dar uma choradinha*!)


Vocabulário
* taipa: Parede feita de barro ou de cal e areia com enxaiméis e fasquias de madeira; tabique, estuque, taipal, pau-a-pique.
* pelourinho: Coluna de pedra ou de madeira, em praça ou lugar público, junto da qual se expunham e castigavam criminosos (ou também os escravos na época da escravidão).
* badalado: Muito falado; comentadíssimo, frequentado.
* frenesi: Delírio, desvario, tresvario, entusiasmo delirante; excitação.
* chato: Sem relevo; liso, plano, maçante, que não é divertido.
* cipó: Designação comum às plantas sarmentosas ou trepadeiras que pendem das árvores e nelas se trançam..
* renda: Tecido de malhas abertas e contextura em geral delicada, cujos filos (de linho, algodão, seda, etc.), trabalhados à mão ou à máquina, se entrelaçam formando desenhos, e que é usado para guarnecer ou confeccionar peças de vestuário, alfaias, roupa de cama e mesa, etc.
* forró: dança e música típicos do nordeste.
* pândega: Folguedo ruidoso e alegre; brincadeira, folgança, folia.
* quitanda: Pequeno estabelecimento onde se vendem frutas, legumes, ovos, cereais, etc.
* Dar uma choradinha: pedir um desconto ou um privilégio.

 

 


7 Como anda seu português?

Pela professora gaúcha Isabel Höltz

Oi pessoal. Para satisfazer os pedidos de nossos assinantes, vamos ver hoje um pouquinho das regras de acentuação gráfica da Língua Portuguesa. Espero que fiquem contentes e, caso tiverem alguma dúvida, mandem email


Regras de Acentuação Gráfica

Monossílabos Tônicos: Os monossílabos tônicos serão acentuados, quando terminarem em A, E, O,
seguidos ou não de s.
Ex. pá, pás, má, más, vá, lá, já.
pé, pés, mês, rês, Zé, né?
pó, pós, dó, cós, pô!

xítonas: São as que têm a maior inflexão de voz na última sílaba. São acentuadas, quando terminarem em A, E, O, seguidos ou não de s, e em EM, ENS.

Ex. corumbá, maracujás, maná, Maringá.
rapé, massapê, filé, sapé.
filó, mocotó, jiló.
amém, armazém, também, Belém.
parabéns, armazéns, nenéns.

Paroxítonas: São as que têm a maior inflexão de voz na penúltima sílaba. São acentuadas, quando
terminarem em UM, UNS, L, ÊEM, PS, X, EI (s), ÃO (s), U (s), ditongo crescente (s), N, ÔO, I (s), R, Ã (s).
Ex. álbum, factótum, médiuns.
ágil, flexível, volátil.
crêem, dêem, lêem, vêem.
fórceps, bíceps, tríceps.
tórax, xérox, fênix.
pônei, vôlei, jóquei.
órgão, órfãos, sótão.
ônus, bônus.
Mário, secretária.
hífen, pólen, gérmen.
vôo, côo, entôo.
táxi, júris.
fêmur, âmbar, revólver.
ímã, órfãs.

Proparoxítonas: São as que têm a maior inflexão de voz na antepenúltima sílaba. Todas as proparoxítonas são acentuadas, salvo a expressão per capita, por não pertencer à Língua Portuguesa.
Ex. síndrome, ínterim, lêvedo, lâmpada, sândalo.
Os ditongos eu, ei, oi / éu, éi, ói somente receberão acento, quando forem abertos, seguidos ou não de s.
Ex. meu, chapéu, deus, troféus.
peixe, anéis, rei, réis.
doido, estóico, foice, destrói.
As letras i e u serão acentuadas, independente da posição na palavra, quando surgirem:
Formando hiato com a vogal anterior. Sem consoante na mesma sílaba, exceto o s. Sem nasalização (til, NH e ressôo nasal).
Ex. saída, ataúde, miúdo.
sairmos, balaústre, juiz.
rainha, ruim, juízes.
Os grupos que, qui, gue, gui devem ser analisados com muito cuidado, pois podem surgir com trema, com acento agudo ou sem qualquer sinal gráfico. Vejamos então:

1. Quando o u for pronunciado atonamente, ou seja, quando as três letras participarem da mesma sílaba, com a pronúncia do u, deveremos colocar trema sobre ele.

Ex. se-qüên-cia, cin-qüen-ta.
tran-qüi-lo, qüin-qüê-nio.
a-güen-tar, en-xá-güem.
ar-güi-ção, lin-güi-ça.

2. Quando o u for pronunciado tonicamente, ou seja, quando o e ou o i formarem hiato com o u, deveremos colocar acento agudo sobre o u. Isso ocorre somente com alguns verbos da Língua Portuguesa. Vejamo-los:

Averiguar, apaziguar e obliquar: As pessoas eu, tu, ele e eles do Presente do Subjuntivo são as únicas a receberem o acento agudo.

Ex. Que eu averigúe, tu averigúes, ele averigúe, eles averigúem.
Que eu apazigúe, tu apazigúes, ele apazigúe, eles apazigúem.
Que eu obliqúe, tu obliqúes, ele obliqúe, eles obliqúem.

Averiguar = examinar com cuidado; verificar.
Apaziguar = pacificar, acalmar.
Obliquar = Proceder maliciosamente; caminhar obliquamente.
Argüir e redargüir: As pessoas tu, ele e eles do Presente do Indicativo são as únicas a receberem o acento agudo.
Ex. Tu argúis, ele argúi, eles argúem.
Tu redargúis, ele redargúi, eles redargúem.
Arqüir = acusar; censurar; argumentar; examinar, questionando ou interrogando.
Redargüir = Replicar, responder argumentando; acusar, recriminar.

As formas verbais oxítonas terminadas em A, E, O, acompanhadas dos pronomes oblíquos átonos lo, la, los, las devem ser acentuadas. O mesmo ocorre com as formas verbais terminadas em I, formando hiato tônico com a vogal anterior.

Ex. Iremos contratá-lo.
Não quero comprometê-lo.
O dinheiro, vou repô-lo.
A casa, iremos construí-la em breve.

Acentos Diferenciais

As únicas palavras que recebem acento para serem diferenciadas de outras são as seguintes:

ás = carta de baralho, piloto de avião. O ás é a carta mais valiosa no pôquer.
às = contração da preposição a com o artigo ou pronome a. Obedeço às regras.
as = artigo, pronome oblíquo átono ou pronome demonstrativo. As garotas aprovadas são as que estão na sala ao lado. Chame-as.
côas, côa = 2ͺ e 3ͺ pessoas do singular do presente do indicativo do verbo coar. Eu côo, tu côas, ele côa.
coas, coa = contração da preposição com com o artigo a ou as. Ele não se encontrou coas garotas.
pára = verbo parar na terceira pessoa do singular do Presente do Indicativo - Ele não pára de conversar - ou na segunda pessoa do singular do Imperativo Afirmativo - Pára com isso!
para = preposição. Estude, para seu próprio bem.
péla, pélas = bola de borracha, jogo da péla; verbo pelar (tirar a pele) na segunda e na terceira pessoas do singular do Presente do Indicativo. Eu pélo, tu pélas, ele péla.
pela, pelas = preposição per mais artigo ou pronome. Ele fugiu pela porta da diretoria.
pélo = verbo pelar. Eu pélo, tu pélas, ele péla.
pêlo, pêlos = cabelo, penugem. Arrancou-lhe os pêlos do braço.
pelo, pelos = preposição per mais artigo ou pronome. Ele fugiu pelos fundos.
pera = preposição antiga (o mesmo que para).
pêra = fruto da pereira. Comi uma pêra no almoço. Observe que pêra só tem acento no singular.
pode = terceira pessoa do singular do Presente do Indicativo do verbo poder. Hoje ele pode.
pôde = terceira pessoa do singular do Pretérito Perfeito do Indicativo do verbo poder. Ontem ele pôde.
pólo, pólos = as extremidades de um eixo; espécie de jogo. Foi campeão de pólo aquático.
pôlo, pôlos = espécie de ave. Matei dois pôlos ontem.
por = preposição.
pôr = verbo. Menino, vá pôr uma blusa, antes de sair por aí

Exercícios:

1. Assinale a alternativa em que nenhuma palavra deve ser acentuada:
a) lapis, canoa, abacaxi, jovens
b) ruim, sozinho, aqule, traiu
c) saudade, onix, grau, orquidea
d) voo, legua, assim, tenis

2. Assinale a alternativa com erro:
a) Um pensamento que nos ilumine a existência, eis o melhor presente que os céus podem dar
b) No esquema cósmico, tudo têm um propósito a preencher.
c) "Acaso é, talvez, o pseudônimo que Deus usa, quando não quer assinar suas obras
d) A pessoa que não lê, mal fala, mal ouve, mal vê

3. Assinale a alternativa em que nenhuma palavra deve ser acentuada graficamente:
a) preto, orgão, seres
b) atras, medo, garoa
c) item, nuvem, erro
d) juri, biquini, himens

4. Qual está errada?
a) Quem conhece seus defeitos está muito próximo de corrigí-los
b) A virtude é comunicável, porém o vício é contagioso
c) Saúde e inteligência, eis duas recompensas da vida
d) A História glorifica os heróis, a vida santifica os mártires.

5.Assinale a alternativa com apenas um erro de acentuação
a) tênis, núcleo, lápis, perua
b) éter, fôlego, côres, álbum
c) vírgula, tôda, tonico, capítulo
d) fêmea, íbero, faróis, anéizinhos

6. Assinale a alternativa em que os vocábulos estão errados, quanto à acentuação gráfica
a) saída, tórax, avô, vezes
b) filatélia, ventoínha, lagôa
c) carência, amigável, única, super
d) abençôo, austero, ímã, abdôme

Tarefa para casa: anote todas as palavras desconhecidas que apareceram nas regras de acentuação gráfica e mande-as por email. Elas serão publicadas no vocabulário do próximo boletim.

Um abraço

Respostas em:
http://www.verdeamarelo.com.ar/portugues.htm


Se você tiver alguma sugestão, idéia, pergunta, reclamação ou algo legal para publicar no nosso boletim, mande um e-mail para a gente.

Responsável pelo Boletim Verde & Amarelo
Leandro Araujo – direção


INSCRIÇÃO: envie um e-mail em branco a portugues-subscribe@domeus.es
CANCELAMENTO: envie um e-mail em branco a portugues-unsubscribe@domeus.es
DÚVIDAS: portugues@verdeamarelo.com.ar


Verde & Amarelo - Português do Brasil
Maipú 388 3° K (C1006ACB) - Cap. Fed.
Telefax: (54-11) 4393-0645 / 4325-0932
e-mail:portugues@verdeamarelo.com.ar
www.verdeamarelo.com.ar